segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

The art of Star Wars



















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domingo, 18 de dezembro de 2011

Aliens Magazine #01











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sábado, 17 de dezembro de 2011

O Oitavo Passageiro (parte 19)







X


Estudava o oxigênio remanescente pela última vez, rezando para que algum milagre tivesse acrescentado um zero ao número implacável registrado no mostrador. Enquanto olhava, o último número dígito piscou e mudou passando de 9 para 8. Houve um estrondo na porta e ele deu um salto. Mas eram apenas Parker e Brett.

Parker pôs no chão uma braçada de tubos. Cada um tinha duas vezes o diâmetro de um polegar. Fizeram um som cavo e metálico, e parecia tudo menos armas. Brett, todo satisfeito consigo mesmo, trazia a rede. Estava, aliás, embrulhado nela e teve de soltar-se.
— Aí tem o material. Foi tudo testado e tudo está pronto.
Dallas inclinou a cabeça.
— Vou chamar os outros.
Deu o toque de reunir para a ponte e, enquanto esperava o resto da tripulação, examinou a coleção com olho crítico.
Ash foi o último a chegar. Sua estação era mais longe que as outras.

— Vamos atacar aquele ser com isso? — disse Lambert apontando para os tubos. Seu tom não deixava dúvida sobre o desprezo que sentia pelo arsenal.
— Temos que dar a vocês uma oportunidade, Lambert, de provar o que valem. Cada um apanhe um — disse Dallas. Puseram-se em fila e Brett distribuiu as unidades. Cada uma tinha um metro e meio de comprimento. Uma extremidade gorda de controles miniaturizados, formava uma espécie de cabo. Dallas brandiu seu bastão como se fosse um sabre, para senti-lo bem, na mão. Não era pesado, coisa que lhe agradou. Era o que queria, alguma coisa a interpor entre ele e o alienígena numa emergência. Além da expectoração de ácido, não se sabia que mais esperar do inimigo. Ademais, havia algo de ilógico e primitivo, mas muito confortante, num bastão.

— Pus baterias portáteis 0-3-3 em cada um desses tubos — explicou Brett. — Darão um choque substancial. E não precisarão ser carregadas de novo, a não ser que vocês mantenham apertado o botão de descarga por muito tempo. Mas muito tempo mesmo — e mostrando o cabo do tubo que lhe coubera: — Não tenham medo de usá-los. Estão perfeitamente isolados aqui no cabo e até meia altura do corpo. Se tocarem inadvertidamente no tubo levarão um choque leve, sem dúvida; mas há um segundo tubo dentro desse que é um condutor super-frio. É aí que está a carga principal. A ponta descarrega quase cem por cento dela. Não toquem jamais na ponta.
— Que tal uma demonstração? — disse Ripley.
— Por que não? — disse Brett.

O técnico de engenharia aproximou a extremidade do tubo que tinha nas mãos de um condutor que corria pela parede mais próxima. Houve um grande "craque" e um leve cheiro de ozônio. Brett sorriu.
— Os de vocês também foram todos testados. Todos funcionam perfeitamente. Tem uma enorme carga nesses tubos.
— E há maneira de modular a voltagem? — perguntou Dallas.
Parker abanou a cabeça.
— Quisemos botar uma carga que castigasse sem matar. Não sabemos nada da criatura e não tínhamos tempo, de qualquer maneira, para a instalação de requintes como reguladores de corrente. Cada tubo gera, então, uma carga única e invariável. Não podemos fazer milagres.
— Pois é a primeira vez que você admite isso — disse Ripley. Parker lançou-lhe um olhar turvo.
— Os tubos não farão nenhuma injúria àquele monstrinho a não ser que o sistema nervoso dele seja bem mais sensível do que o nosso — disse Brett. — É a nossa convicção. Mas estamos no escuro. O outro era menor, mas fortíssimo. — O técnico pôs o tubo em posição de combate e ficou parecendo um gladiador antigo prestes a entrar na arena. — Isso só servirá para tonteá-lo. Não que me aborrecesse muito eletrocutar aquela gracinha,
— Pode ser que dê certo — disse Lambert. Era uma grande concessão. — Está resolvido o problema número um. E quanto ao problema número dois: como encontrar o bicho?
— Tomei isso a meu cargo.
Todos se voltaram surpresos para Ash, que tinha nas mãos um aparelho do tamanho de um comunicador. O oficial de ciência, porém, concentrava os olhos no capitão. E Dallas, que não sabia como encará-lo, fixou os seus no pequeno engenho.
— Como é imperativo localizar a criatura o mais depressa possível, fabriquei minha própria maquininha. Brett e Parker fizeram um trabalho admirável dando-nos os meios de manipular o alienígena. E aqui está o meio de encontrá-lo.
— Um rastreador portátil? — perguntou Ripley. Olhava com admiração para o compacto. Parecia feito numa fábrica. Ninguém julgaria que tivesse sido armado às pressas no laboratório de ciência de um rebocador comercial.
— A gente o regula para localizar um objetivo móvel. Não tem grande alcance. Mas desde que esteja próximo do alvo, começa a emitir um pulso regular, intermitente, cujo volume aumenta na razão inversa da distância.
Ripley tomou o instrumento na mão e ficou a revirá-lo com olho de profissional.
— Como funciona? Como pode distinguir o objetivo verdadeiro de outro qualquer?
— De duas maneiras — disse Ash, com orgulho. — Como já expliquei, o alcance é pequeno. Isso poderia ser considerado um defeito, mas no nosso caso é uma vantagem, pois permite que um grupo opere nas vizinhanças de outro sem que o rastreador capte o outro. Mais importante ainda: o instrumento incorpora um monitor sensitivo à densidade do ar. Qualquer objeto que se mova o afeta. E a leitura indica em que direção o objeto se move. Basta apontá-lo para frente. Não é tão sofisticado quanto eu gostaria que fosse, mas foi o melhor que pude fazer dentro do pouco tempo disponível.
— Você foi notável, Ash — disse Dallas. Tinha de admiti-lo. Tomou o instrumento de Ripley. — Isto é mais do que suficiente. Quantos fez ?
Ash apresentou uma duplicata do aparelho que Dallas tinha na palma da mão.
— O que significa que podemos formar dois grupos. Bom. Não tenho nada para sugerir quanto ao modus operandi. Não vou dar instruções. Todos sabem o que fazer tanto quanto eu. Quem o pegar deve prendê-lo na rede, levá-lo para a comporta e despejá-lo do espaço, para que se arrebente na direção de Rigel. E isso com a mesma presteza que as janelas tiverem para abrir e fechar. Não faço questão que usem os fechos explosivos da comporta externa. Podemos até sair para o espaço com nossas roupas, se for preciso.

E saiu para o corredor, detendo-se à porta para olhar em volta da sala onde estavam os outros com tubos, rede, etc. Parecia impossível que alguma coisa se tivesse metido ali sem ser notada, mas, se iam fazer uma busca rigorosa, era melhor não abrir exceções.

—Para começar, vamos ter certeza de que a própria ponte está limpa.
Parker empunhou um dos rastreadores. Ligou-o e percorreu a ponte com a atenção presa ao mostrador do instrumento.
— Seis deslocamentos — anunciou por fim —, todos correspondentes, à grosso modo, aos lugares que ocupamos. Se isso funciona, não há nada na ponte.
Ash não se mostrou ofendido.
— Funciona. Como você mesmo acabou de demonstrar.
O resto do equipamento foi distribuído. Dallas passou em revista os homens e mulheres de prontidão.
— Todo mundo preparado? — Houve alguns 'nãos' de brincadeira, e trocaram-se sorrisos. A pavorosa morte de Kane fora esquecida. Agora estavam preparados para enfrentar o alienígena e, ao que esperavam, armados com os instrumentos apropriados.
— Canais abertos em todos os deques.
Dallas marchou para o corredor.
— Estaremos em permanente contato uns com os outros. Ash e eu iremos com Lambert e um rastreador. Brett e Parker constituirão o segundo grupo. Ripley assumirá o comando dele e levará o outro rastreador. Ao primeiro sinal da criatura, as prioridades são capturá-la e lançá-la fora. Avisar o segundo grupo vem depois. Comecemos.


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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Keloid


"Quelóides são cicatrizes que se projetam além da superfície da pele. Quando a pele é ferida, as células se multiplicam para preencher o espaço que ficou vazio devido à morte celular. Quando as células continuam se reproduzindo, mesmo após o preenchimento deste espaço, o resultado é uma cicatriz hipertrófica ou um quelóide. A cicatriz hipertrófica é uma area lisa, espessa que se restringe ao local da lesão. Esta se reduz após 1 ano ou mais. Um quelóide, porém, pode se extender muito além do sítio da lesão. Os quelóides não regridem espontaneamente.(derme.org)"

Keloid, o curta de computação gráfica feito pela Big Lazy Robot VFX, foi baseado nos escritos de Eliezer S. Yudkowsky, um estudioso sobre IA e singularidade.

Sinopse: Em um futuro próximo, o homem terá criado máquinas que são capazes de reescrever sua programação para aprimorar (evoluir) a si mesmos, e, porque não, dispensar seus programadores.

Esta idéia soou um pouco vaga para alguns críticos, então um experimento precisou ser feito: manter a inteligência artificial contida em um local onde não poderia sair exceto por uma condição: Convencer um guardião humano de que é humana e assim deixá-la sair.

Os seres humanos não estão seguros? Poderemos jogar contra nossa melhor criação a fim de garantir a própria sobrevivência? O homem seria humilde o suficiente para aceitar que foi substituído, e procurar curar de uma doença em seus próprios genes? Como capturar uma força que nós voluntariamente libertamos? E se o pior inimigo da humanidade fosse o ser humano?

Em um futuro próximo, a raça humana deixará de ser a raça dominante.

Em um futuro próximo, vamos aprender a temer o que está por vir.




quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Resident Evil: First Hour

A web-série é um prelúdio (prequel) para Resident Evil 2, onde Leon Kennedy e dois outros policiais se encontram presos em uma fazenda fora de Raccoon City, lutando por suas vidas contra uma horda de mortos-vivos.









quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Participe das novas antologias da Andross Editora




Até 30 de março de 2012, a Andross Editora estará recebendo contos para dez antologias literárias, com previsão de lançamento em 09 e 10 de junho de 2012, durante o evento Literatura em Pauta em São Paulo.
Qualquer pessoa pode submeter um texto à avaliação, basta acessar o website da editora e seguir o regulamento de participação. 

Estas são algumas das antologias previstas:

DIMENSÕES.BR - VOLUME II
CONTOS DE LITERATURA FANTÁSTICA NO BRASIL

ANNO DOMINI - VOLUME III
MANUSCRITOS MEDIEVAIS

DIAS CONTADOS - VOLUME III
CONTOS SOBRE O FIM DO MUNDO

CAMINHOS DO MEDO - VOLUME II
CONTOS SOBRENATURAIS, DE SUSPENSE E DE TERROR

JOGOS CRIMINAIS - VOLUME III
CONTOS POLICIAIS

ENTRELINHAS - VOLUME II
ANTOLOGIA DE CONTOS E CRÔNICAS

MOEDAS PARA O BARQUEIRO - VOLUME III
CONTOS SOBRE A MORTE

HISTÓRIAS ENVENENADAS - VOLUME II
CONTOS DE FADAS DE TERROR

PONTO REVERSO
CONTOS DE REALIDADE ALTERNATIVA

PRÓXIMA ESTAÇÃO - VOLUME II
CONTOS DE TREM, METRÔ E OUTROS TRANSPORTES URBANOS

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

domingo, 11 de dezembro de 2011

Alien e Predador versus Lampião



"...O outro partiu para cima
o tal monstro Predador
enquanto o Alien morria
peidando de tanta dor
Virgulino inda sangrando
os dois foram se agarrando
num duelo abrasador..."


Leia na íntegra este cordel no blog do Antonico da Igreja.

sábado, 10 de dezembro de 2011

O Oitavo Passageiro (Parte 18)







Reuniram-se outra vez na sala comum ainda desarrumada. Era mais fácil discutir coisas onde todos pudessem se ver sem ter de esticar ou torcer o pescoço. Dallas desejava também que todos ajudassem na limpeza do refeitório.

— Estive conferindo os nossos suprimentos — disse Ripley. — Com os estimulantes que temos, podemos prolongar a vigília por uma semana. Talvez um dia mais. Mas é tudo.
— Então, o quê? — perguntou Brett.
— Estaremos sem comida nem oxigênio. Sem comida podemos passar, mas sem oxigênio não podemos. E se não podemos, é acadêmica a outra questão, e fica em aberto: suportaríamos uma dieta de alimentos artificiais não reciclados? E por quanto tempo?
Lambert fez uma careta.
— Não, obrigada, preferiria morrer.
— Muito bem — disse Dallas, querendo parecer confiante. — Se é isso que temos, vamos partir daí. Uma semana, então, de plena atividade. É tempo bastante. Mais do que necessário para encontrar e eliminar um ser alienígena menor.
Brett pôs os olhos no chão.
— Ainda acho que deveríamos tirar o ar. Talvez isso o matasse. Parece-me a maneira menos perigosa de lidar com ele, evita uma confrontação direta. Não sabemos as malvadezas de que a besta é capaz...
— Já discutimos isso — disse Ripley.
— A idéia era entrarmos nos nossos congeladores individuais e não foi consenso geral. O que pensam de uma alternativa: meteríamos os nossos trajes espaciais e recolheríamos o ar a seus depósitos. A criatura não poderia nos apanhar de surpresa, se estivermos acordados e dentro das nossas roupas?
— Uma idéia maravilhosa — disse Lambert. Mas o tom era de escárnio.
— E por que não?
— Temos quarenta e oito horas de ar em nossas roupas espaciais e vamos levar dez meses para chegar em casa — explicou Ash. — Se a criatura for capaz de passar quarenta e nove horas sem oxigênio, estaremos onde estávamos ao começar a experiência, e teríamos perdido os dois dias de ar dos cilindros portáteis.
— Fora isso, a idéia é excelente — disse Lambert. — Vamos, Parker, você e Brett, pensem em outra coisa.
Mas os engenheiros não tinham a intenção de desistir de sua sugestão tão depressa.
— Talvez possamos ligar as roupas aos tanques principais —— disse Parker. —— Brett e eu somos muito bons nessas
— Nesse caso, temos de fazê-la sair de onde se escondeu —— Dallas mesmo ficou surpreso de como uma decisão terrificante, mas óbvia, era fácil de tomar. Uma vez posta em palavras, resignou-se a executá-la.
— É boa idéia — admitiu Ash. — Mais fácil dizer que fazer, porém. Como pensa executá-la?
Dallas viu no rosto deles que preferiam que não fosse até o fim, até o inevitável. Mas era a única maneira.
— Não há solução fácil. E só de um modo podemos estar seguros do resultado. Só de um modo podemos aproveitar ao máximo nossos recursos de ar respirável. É caçar a fera sala por sala, corredor por corredor.
— Talvez fosse possível improvisar uma unidade congeladora portátil — sugeriu, tentativamente, a oficial de segurança, e ir congelando ambiente por ambiente, de uma distân... — mas interrompeu-se ao ver que Dallas abanava a cabeça.
Evitou encará-lo. — Não que eu esteja apavorada. Procurava um meio mais prático. Como Parker, penso que seria desejável evitar uma confrontação direta.
— Deixe de histórias, Ripley — disse Dallas. E apontando para o próprio peito com o polegar: — Eu estou apavorado. Todos estamos. Mas não temos tempo para complicações mecânicas. Lembre-se do tempo que gastamos com aquela máquina, tentando salvar Kane. É hora de fazermos alguma coisa por nós mesmos. Por isso estamos aqui. A grande máquina que é a nave não basta. Quando máquinas não resolvem um problema, ele se torna nosso problema. Ademais, quero ter o prazer de ver o bicho explodir quando o jogarmos para fora daquela comporta.

Não era um discurso particularmente inspirado. Mas nada estava mais longe da intenção de Dallas do que fazer oratória. Teve um efeito eletrizante sobre a tripulação. Todos se sentiram de novo capazes de encarar o futuro e de se encararem uns aos outros. Houve murmúrios entre os dentes. Ninguém mais olhou para as paredes ou para o chão.

— Muito bem — disse Lambert —, vamos tirá-la de onde quer que se encontre enfurnada; e lançá-la no espaço exterior. O que quero saber agora é: como ir do ponto A ao ponto C?
— Com alguma astúcia — disse Ripley, que já considerava diversas possibilidades na cabeça.
— Vejo talvez um problema com as válvulas, mas estou certo de que conseguiremos resolvê-lo — disse Parker. — Contem conosco.
— E com seus recursozinhos e com suas habilidades de remendões. Eu sei — disse Ripley, sem tentar moderar o sarcasmo.
— Não seria muito prático — interveio Ash, procurando ser simpático aos dois técnicos. — Lembrem-se de que já foi aventada a hipótese de que a criatura prescinde de ar. O problema é mais complexo do que isso. Não podemos ficar atados aos tanques por cordões umbilicais da fabricação de vocês e, ao mesmo tempo, dar caça à criatura... Mesmo se a idéia fosse praticável, teríamos gasto tanto ar que não haveria nenhum de reserva para quando emergíssemos do hipersono. Os congeladores abririam automaticamente... no vácuo.
— Mas não seria possível deixar alguma espécie de mensagem, ou gravar um pedido, de modo a que haja uma equipe à nossa espera, que nos encha de ar fresco logo que atraquemos? — perguntou Parker.
Ash pareceu duvidoso.
— Seria um risco, um grande risco. Primeiro nosso pedido, se irradiado, chegaria um minuto ou dois apenas, antes de nós. Não haveria tempo para providenciar uma equipe de emergência que nos encontrasse no exato momento em que emergíssemos do hiperespaço, para nos alimentar de fora, com ar puro, sem dano à nave... Não, não creio que pudesse ser feito.
— E mesmo que pudesse: Ripley levantou um outro problema, e esse é crítico. Não podemos entrar com segurança para os congeladores sem nos assegurarmos, antes, que a criatura foi morta ou neutralizada. E como saber se está morta se passarmos dois dias em nossas roupas espaciais e depois tivermos de ir para os congeladores?
Parker torceu o nariz.
— Continuo a pensar que é uma boa idéia.
— Vamos ao centro do problema — disse Ripley, impaciente. — Como encontrá-la? Podemos buscar mil modos de matá-la, mas só depois de sabermos onde está. Não há examinadores, os painéis visuais dos deques B e C estão queimados. Lembram-se?
A criatura alienígena ao sangrar ácido inutilizara a maior parte deles.
— Haverá substâncias que ela não possa corroer ou que não possa corroer com a rapidez com que atravessa, por exemplo, as ligas metálicas — Brett estava pensando em voz alta, e seu trem de pensamento corria em trilhos paralelos aos de Ripley. — Fio de trylon, por exemplo. Se fizermos uma rede, poderemos apanhá-la sem ter de feri-la. E talvez ela se sinta menos ameaçada por algo assim do que por uma vasta jaula de metal reforçado. Eu mesmo poderia tecer uma rede dessas, e relativamente depressa.
— Ele pensa que vamos caçar uma borboleta — disse Lambert,, maldosamente.
— E como fazê-la entrar na rede? — perguntou Dallas.
Brett matutou um pouco.
— Temos de usar alguma coisa que não a faça sangrar, não é? Facas e lanças de qualquer espécie estão de fora. O mesmo para pistolas. Eu poderia armar uns tubos compridos com baterias dentro. Temos montanhas de tubos e baterias lá atrás. Levaria algumas horas, porém.
— Para tubos e rede?
— Sim. E tudo o mais simples possível.
Lambert não se conteve.
— Primeiro, rede de caçar borboleta; agora varas de picar touros. Por que damos atenção a esse tonto?
Dallas revirava a idéia na cabeça e cada vez gostava mais dela. Podia ver o alienígena acuado, ameaçando-os com unhas e dentes. E a levar choques elétricos, suficientemente fortes para irritá-lo, mas não para ferir. Dois deles encaminhando-o com jeito, para a rede, depois mantendo-o entretido, enquanto os outros o arrastavam, com rede e tudo, para a sala de descompressão. Talvez a criatura conseguisse romper a rede, talvez não. Mas haveria uma segunda e uma terceira de reserva.
Era jogar o bicho na sala estanque, fechar o postigo, e apertar a emergência. E lá se ia o alienígena... para Arcturus. Boa viagem, monstrinho, adeus pesadelo. E alô Terra! Terra e sanidade...

O Nostromo alheio à atividade frenética de seus passageiros, prosseguia em seu curso rumo à Terra a uma velocidade múltipla da velocidade da luz.
Brett pedira algumas horas para fazer a rede e os tubos elétricos, mas ele e Parker trabalhavam como se dispusessem apenas de minutos. Parker chegou a desejar que o trabalho fosse mais complexo. Talvez então não olhasse tanto ou tão nervosamente para prateleiras e armários e corredores escuros.
Entretanto, os outros membros da tripulação podiam apenas cuidar de outros afazeres e esperar que se completasse o equipamento de caça. Para muitos deles a indagação original, "para onde terá ido o alienígena?" fora substituída por outra: "o que estará fazendo?"

Só um membro da equipe tinha a mente posta em outra coisa. Num pensamento que já o ocupava havia algum tempo e que agora lhe enchia a cabeça a ponto de estourar. Tinha duas opções: ou discutia o problema com a tripulação toda, ou a sós com a pessoa diretamente em causa. Se adotasse a primeira e estivesse enganado, como desejaria desesperadamente estar, faria um mal irreparável ao moral dos seus subordinados. Para não falar numa eventual ação na justiça, opondo tripulante a capitão.
Se estivesse certo, os outros descobririam logo.

Ash estava sentado no controle central da enfermaria, fazendo perguntas ao computador médico e recebendo uma resposta ou outra. Viu quando Dallas entrou e sorriu-lhe, depois voltou ao trabalho. Dallas ficou de pé, ao lado dele, sem falar, acompanhando com os olhos as leituras, às vezes incompreensíveis, ou observando seu oficial de ciência. Os números, palavras e diagramas que lampejavam nos painéis eram mais fáceis de ler do que o homem.

— Trabalho ou divertimento?
— Não há tempo para divertimento — respondeu Ash, impassível. Apertou um botão, e logo surgiu uma lista de cadeias moleculares para um determinado e hipotético aminoácido. Um toque em outro botão levou duas das cadeias a mover-se numa lenta rotação em três dimensões.
— Raspei algumas amostras das bordas do primeiro buraco que o alienígena fez no convés — e mostrou com um gesto a pequena cratera do lado direito da mesa de operações, onde a criatura havia sangrado.
— Achei que haveria resíduo ácido suficiente no metal para localizá-lo quimicamente. Se conseguisse decompor a estrutura, a Mãe poderá sugerir a fórmula de um reagente neutralizador. Então, nosso visitante poderá sangrar quanto quiser e onde quer que o apanhemos, e nós invalidaremos a ação do ácido.
— Seria fantástico — admitiu Dallas, observando Ash de perto. — E só uma pessoa na nave seria capaz de tal proeza: você.
Ash deu de ombros com indiferença:
— É o meu ofício.
Houve um silêncio. Ash não via motivo para retomar a conversação, Dallas continuava a estudar as leituras. Finalmente, disse, com voz igual:
— Queria falar com você.
— Logo que obtenha qualquer resultado eu o chamarei.
— Não é sobre isso que quero falar.
Ash olhou-o com curiosidade, depois voltou-se de novo para o instrumental, quando novos dados fizeram acender duas pequenas telas.
— Acho que decompor a estrutura desse ácido pode ser vital. Você concordará. Vamos deixar qualquer outra coisa para mais tarde. Estou muito ocupado agora.
Dallas esperou um pouco para responder; depois disse, com calma, mas com firmeza:
— Não me importa. Quero falar com você agora.
Ash mexeu em vários interruptores, viu apagarem-se vários medidores, depois levantou os olhos para o capitão.
— É seu pescoço também que estou tentando salvar. Mas se é tão importante assim, vamos lá.
— Por que você deixou que o alienígena sobrevivesse dentro de Kane?
O oficial de ciência franziu o sobrolho.
— Não tenho certeza de haver compreendido bem. Ninguém deixa nada sobreviver dentro de ninguém. Aconteceu.
— Tolice.
Ash formalizou-se um pouco e disse, secamente:
— De qualquer maneira, isso não é uma abordagem inteligente da situação.
— Você sabe muito bem do que estou falando. A Mãe tinha monitores no corpo dele. Você consultava a Mãe. O que era correto, pois você é a pessoa mais qualificada a bordo para uma tarefa dessas. Você deve ter tido alguma notícia do que se passava.
— Escute, você mesmo viu aquela mancha escura no monitor. Viu tanto quanto eu.
— Você espera que eu acredite que o médico automático não tinha força para desvendar aquilo?
— Não é uma questão de força mas de comprimento de onda. O alienígena foi capaz de burlar as ondas utilizadas pelos examinadores do médico automático. Já discutimos isso, os dois, como e por que isso pode ser feito.
— Assumindo que eu — digamos — engula essa teoria de ser o alienígena capaz de desviar as ondas utilizadas pelo médico automático, isto é, de gerar um campo defensivo que impedisse o exame — e não estou dizendo que engula, veja já? — A Mãe descobriria outros indícios do que estava em curso. Antes de morrer, Kane queixou-se de uma fome inusitada, extraordinária. Ele demonstrou a verdade disso à mesa do refeitório. A razão para tal fome não era óbvia?
— Era?
— O segundo alienígena consumia os suprimentos de nutrimentos, de gorduras de Kane, para seu próprio corpo. Não atingiu aquele tamanho metabolizando ar.
— Concordo. É evidente.
— Essa espécie de atividade metabólica geraria leituras nos aferidores do médico automático, como a redução do peso do corpo de Kane, e outras coisas.
— Uma eventual redução de peso — disse Ash, calmamente — não apareceria. O peso de Kane simplesmente transferia-se para o alienígena. O examinador do médico automático apenas registraria tudo como peso de Kane. A que 'outras coisas' se refere?
Dallas procurou não mostrar seu desapontamento. E só teve um sucesso parcial.
— Não sei. Não posso ser específico. Sou apenas um piloto. Análise médica não é o meu departamento.
— Não — disse Ash. — É o meu.
— Mas também não sou um idiota completo — disse alias. — Apenas não tenho o vocabulário técnico. Mas não sou cego. Posso ver o que se passa.
Ash cruzou os braços, afastou-se do console com um empurrão na cadeira e olhou firme para Dallas.
— O que você está realmente tentando dizer?
Dallas não se intimidou:
 — Você queria que o alienígena vivesse. Para que matasse Kane. Imagino que terá suas razões. Só o conheço há pouco tempo, Ash, mas nunca o vi fazer nada sem motivo. Não é agora que começaria.
— Você diz que tenho razões' para a insanidade de que me acusa. Pois nomeie uma.
— Escuta, nós dois trabalhamos para a mesma Companhia — mudava de estratégia. Desde que a acusação frontal não funcionara, tinha de jogar com o sentimento de simpatia de Ash. Ocorreu-lhe que talvez estivesse sendo um tanto paranóico, ali, na enfermaria. Era fácil pôr a culpa em alguém que ele conhecia, como Ash, ao invés de pô-la no verdadeiro responsável, o alienígena.
Ash podia ser estranho, mas não estava agindo como um assassino.
— Eu apenas quero saber — implorou — o que está havendo.
O oficial de ciência descruzou os braços, e deu uma olhadela no console antes de responder.
— Não sei de que diabos está falando. E não gosto das suas insinuações. O alienígena é uma forma perigosa de vida. Admirável sob muitos pontos de vista. Não nego isso. Como cientista, acho-o fascinante. Mas depois do que ele fez, desejo eliminá-lo tanto quanto você.
— É verdade?
— Claro que é.
Parecia aborrecido, enojado até.
Se você não tivesse estado debaixo de tantas pressões aqui ultimamente, veria isso. Mas esqueça. Eu já esqueci.
— Muito bem.

Dallas deu-lhe as costas e saiu pela porta aberta, tomando o corredor em direção à ponte. Ash acompanhou-o com os olhos, e ficou por muito tempo a remoer seus próprios pensamentos. Depois, concentrou-se de novo em seus instrumentos, mais pacientes, mais fáceis de entender.
— Estou trabalhando demais — dizia Dallas consigo — demais, demais...
A cabeça doía-lhe. Ash tinha razão, as pressões eram excessivas. Tinha de preocupar-se com quase tudo, não só com o alienígena. Por quanto tempo ainda poderia suportar essa carga mental? Quanto tempo deveria tentar? Era apenas um piloto.
Kane teria sido melhor capitão do que ele. Kane saberia enfrentar melhor uma situação dessas. Mas Kane já não podia ajudá-lo. Ligou um intercomunicador do corredor.
— Engenharia.
— Aqui, Dallas. Como vão as coisas?
Parker foi evasivo.
— Vamos indo.
— Seja mais específico, homem!
— Calma Dallas, quero dizer, capitão. Estamos trabalhando tão depressa quanto possível. Brett não pode armar circuitos mais depressa. Queremos encurralar aquele lagarto e dar-lhe uma cacetada com um tubo de metal ou com duzentos volts?
— Desculpe. Continuem. Façam o melhor que puderem.
— Sim, claro. No interesse de todos. Engenharia desligando.

O intercomunicador ficou mudo.
Fora gratuito aquilo, pensou Ash. E constrangedor também. Se ele mesmo não se agüentava, como exigir fortaleza dos outros?
No momento, não queria ver ninguém, não depois daquela entrevista penosa, ineficaz, com Ash. Ainda tinha de resolver consigo mesmo se o que pensava dele era procedente ou loucura. Ash, afinal, não tinha motivo. E se mentia, fazia-o brilhantemente. Dallas jamais vira homem tão senhor de suas emoções.
Havia um único lugar a bordo do Nostromo onde o capitão podia ter ocasionalmente momentos de completa privacidade. Onde se sentia também razoavelmente seguro. Como num segundo ventre materno. Um ventre substituto. Dobrou a esquina do corredor B, tão preocupado com seus próprios pensamentos que nem pensou em escrutinar os ângulos escuros para ver se havia neles pequenos movimentos suspeitos. Mas nada aconteceu.
Chegou, afinal, a um recanto onde a quilha da nave fazia uma espécie de bolsão para fora. Havia ali, uma porta, que ele abriu, acionando um botão e esperando que o postigo corresse para o lado. Era um monta-cargas, e a porta interna estava aberta.
Dallas subiu e sentou-se lá dentro. Ia tocar outro botão vermelho no painel de controle, mas deteve-se. O ato de abrir a porta que dava para o corredor já fora registrado na ponte. O que não alarmaria ninguém. Mas fechá-la poderia causar espécie. Deixou-a, então, aberta. Sentia-se bem ali, e as incertezas e o horror que se instalaram no Nostromo esfumaram-se.


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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Mondo

Alguns dos posters mais bacanas que já vimos, você vai encontrar em Mondo.


 




















terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Rosa

ROSA é um curta metragem de Ficção Científica que tem lugar em um mundo pós-apocalíptico em que toda a vida desapareceu.

Da destruição desperta Rosa, um cyborg, última tentativa da humanidade de restaurar o eco sistema da Terra. Rosa vai aprender rápido que ela não é a única entidade desperta e deve lutar por sua sobrevivência.

O curta-metragem foi criado inteiramente por jovens artistas de quadrinhos com um pequeno orçamento, durante um único ano. Desde a pré-estréia mundial no Festival Internacional de Seattle, ROSA faz parte da seleção oficial de festivais de cinema ao redor do mundo, como o Screamfest, Toronto After Dark, Anima Mundi ou Los Angeles Film Festival Shorts. Em outubro ROSA foi exibido na noite de abertura do Festival de Cinema Internacional de Sitges, considerado o melhor festival do mundo em filmes do gênero.

Após a execução bem sucedida no festival, o curta-metragem atraíu a atenção dos produtores de Hollywood.

Atualmente ROSA está em desenvolvimento para longa metragem.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Contatos Imediatos do Último Grau

Este filme de ficção científica foi produzido por Ademir Di Paula em 60 dias na sua própria casa, utilizando apenas 02 computadores e uma única câmera.




domingo, 4 de dezembro de 2011

Alien, el octavo pasajero y otras historias - Grassi & Olivera
















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sábado, 3 de dezembro de 2011

O Oitavo Passageiro - Alan Dean Foster (Parte 17)










IX


Além de café e chá, foram servidos também, no refeitório, pratos individuais de comida quente. Todo mundo comeu descansadamente. Seu entusiasmo provinha muito mais do fato de serem, agora, e outra vez, uma tripulação completa do que da excelência das iguarias oferecidas com presteza mecânica pelo cozinheiro automático.
Só Kane comeu de outro modo, devorando enormes quantidades de carnes artificiais e legumes. Já repetira uma ração normal e começava uma terceira sem dar mostras de que diminuiria o ritmo. Indiferente à glutonaria humana, Jones, o gato, comia delicadamente de uma tigela posta no centro da mesa comum.
Kane levantou os olhos do prato e disse, brandindo no ar uma colher:
— A primeira coisa que vou fazer na Terra é comer alguma comida decente. Estou farto desses substitutos. E não me importa o que digam os manuais da Companhia: têm, todos, gosto de reciclagem. Um travo de comida fabricada em proveta, que não há tempero que melhore ou elimine.
— Já comi pior — disse Parker, pensativamente. — Mas já comi muito melhor, também, diga-se a bem da verdade.
Lambert franziu a testa para o engenheiro, mantendo suspensa no ar, entre prato e boca, uma porção de bife-que-não-era-bife.
— Pois para quem não gosta da comida, você está comendo como um leão.
— Mas eu gosto da comida — disse Parker, entre duas colheradas.
— Não brinque! — disse Kane, com um olhar desconfiado, como se Parker não estivesse de todo bom da cabeca"
— Falo sério. A gente se acostuma com ela.
— Só mesmo assim. Porque você sabe do que é feita
— Eu sei do que é feita — disse Parker. — O que tem isso? Agora é comida. Nem você tem autoridade para falar, comendo como está comendo hoje.
— Ah, mas eu tenho uma desculpa — disse Kane — estava morrendo de fome. — E correndo os olhos pela confraria: — Alguém pode me dizer se amnésia afeta o apetite?
— Apetite? — fez Dallas. — Meu caro, você recebeu apenas alimentação líquida todo o tempo em que esteve no médico automático. Sucrose, dextrose e o resto mantiveram no vivo, mas não são, afinal de contas, coisa de satisfazer ninguém. Não é de admirar que esteja esfaimado.
— Hum — fez Kane, metendo na boca uma garfada dupla —, é como se... como... — interrompeu-se, fez uma careta, pareceu confuso, depois um pouco assustado.
Ripley debruçou-se para ele:
— O que foi, Kane? Sente-se mal? Alguma coisa na comida?
— Não... Acho que não... O gosto estava certo. Não acho...
Interrompeu-se de novo, em meio ao que ia dizer. Sua expressão era tensa e ele se pôs a grunhir estranhamente.
— Mas o que tem, então? — insistiu Lambert.
— Não sei.
Kane fez uma outra careta, como um boxeador que tivesse levado um murro desonesto e inesperado na barriga.
— São cãibras... Cada vez mais fortes...
Torcia-se de dor, agora, e parecia completamente confuso. Todos o olhavam com expressões ansiosas. De súbito, soltou um gemido alto e profundo, agarrando-se com as duas mãos na borda da mesa. Tinha os nós dos dedos brancos com o esforço, os tendões saltavam-lhe nos braços. Todo seu corpo sacudia descontrolado, como que num grande tremor de frio, embora estivesse quente e agradável no refeitório.
— Respire fundo, vamos — aconselhou Ash, quando ninguém fazia qualquer sugestão.
Kane tentou. Mas a inspiração forçada acabou num grito:
— Deus meu, dói muito. Ai, que dor, que dor... — Cambaleava, todo trêmulo, agarrado à mesa como se tivesse medo e pânico de soltá-la.
— Aiiiii  
— Que foi? Onde dói? Kane! — fez Brett, assustado, impotente. _
A expressão de agonia que se estampou no rosto de Kane cortou a palavra a Brett mais efetivamente do que qualquer grito o teria feito. O astronauta tentou endireitar-se apoiado à mesa, mas não conseguiu e emborcou de novo. Já não podia controlar o corpo, tinha os olhos esbugalhados e soltava uma espécie de uivo, prolongado, de arrepiar os cabelos. Ecoava pelo salão, pela nave, como se nada jamais pudesse extingui-lo.
— A camisa! — murmurou Ripley, tão paralisada quanto o próprio Kane, mas por motivo diverso. Apontava para o peito do oficial.

Uma grande mancha vermelha aparecera na túnica de Kane, e alargava-se rapidamente, tornava-se um vasto borrão irregular que já lhe cobria todo o tórax. Seguiu-se um som de pano que se rasga, desagradável, como de algo privado e impróprio naquele ambiente. A camisa rasgou-se de alto a baixo como a casca de um melão maduro, e abriu-se para os lados como se abrem os lábios de um corte feito a navalha. E uma cabeça, pequena e nojenta, do tamanho de um punho fechado de homem, apontou, sacudiu-se e saiu. Contorcia-se e balançava como uma cabeça de cobra. Era mais uma caveira, em que enormes dentes avultavam, afiados, tingidos de sangue. A pele era pálida, esticada, de um branco doentio, manchada agora por uma espécie de limo escuro, sanguinolento. Não exibia quais órgãos, nem mesmo olhos.
Um fedor nauseabundo, insuportável, chegou às narinas da tripulação petrificada de horror. Mas logo houve gritos, de terror e de pânico, e os astronautas se afastaram da mesa aos trambolhões. O instinto já levara o gato a fugir antes deles. De cauda ereta e pêlos eriçados, Jones cuspiu uma vez com asco e ódio; depois, em dois saltos, sumiu-se.

Convulsivamente, a caveira dentuça lançou-se para frente e saltou fora do torso dilacerado de Kane. Cabeça e pescoço vinham presos a um corpo compacto e grosso coberto com a mesma pele branquicenta. Tinha diminutos braços e pernas, que eram mais como garras, mas que impeliam a criatura com uma velocidade surpreendente. Aterrissou no meio dos pratos e travessas, arrastando pela toalha pedaços dos órgãos de Kane. Fluidos e sangue formavam uma esteira imunda atrás dela. Lembrava a Dallas um peru mutilado que tivesse dentes no coto do pescoço.
Antes que qualquer um deles se recuperasse do choque e agisse, a criatura descera da mesa e com a velocidade de um lagarto desaparecera pela porta aberta do corredor.

Todo mundo respirava estertoricamente no refeitório profanado, mas o movimento era mínimo. Kane permanecia derrubado no assento onde caíra, de cabeça para trás e boca aberta. Dallas congratulava-se com isso. Nem ele nem ninguém podia ver os olhos abertos do cadáver. Em seu peito arrebentado havia um rasgão profundo. Mesmo a distância, Dallas pôde ver como os órgãos internos haviam sido empurrados para os lados, para promover a cavidade onde aquilo se aninhara e crescera. Havia louça por todo lado, na mesa e no chão. O que sobrara da comida estava sujo de sangue.

— Não, não, não... — repetia Lambert, monotonamente, de olhos fincados na mesa.
— Meu Deus — murmurava Brett, contemplando Kane fixamente. — O que era aquilo, o que poderia ser aquilo?
Parker sentia-se mal, e nem teve ânimo de zombar de Ripley quando a moça lhes voltou as costas para vomitar incontrolavelmente.
— Aquilo se desenvolvia dentro dele todo o tempo e ele nem sabia...
— Usou-o como uma incubadeira — explicou Ash. — Como fazem certas vespas na Terra, com aranhas. Paralisam a aranha primeiro, depois botam-lhe os ovos no corpo. E quando as larvas nascem, alimentam-se da...
— Pelo amor de Deus! — exclamou Lambert saindo do seu transe. — Cale a boca, por favor.
Ash pareceu ressentido.
— Estava apenas...
Mas um olhar de Dallas o deteve. Mudaram de assunto.
— É evidente o que aconteceu. Aquela mancha negra, que os monitores nos mostraram — o capitão também sentia-se mal. Imaginava se teria o mesmo lamentável aspecto dos outros. — Não havia defeito nas lentes, afinal de contas. A mancha era dentro dele. Por que as máquinas não nos disseram isso?  
— Não havia motivo, nenhum motivo, para suspeitar de uma coisa assim — disse Ash. — Aliás, a mancha era pequena quando nós o examinamos. Pequena demais para ser levada a sério ou para causar alarme. Dava a impressão de um defeito na lente. Pode, aliás, ter havido também um defeito na lente.
— Não entendo.
— É possível que, naquela fase, a criatura gerasse um campo natural capaz de interceptar e bloquear a radiação do examinador. Ao contrário da primeira forma alienígena encontrada, o maniforme, cujo interior se podia ver com facilidade. Conhecem-se criaturas capazes de originar campos desses. O que sugere habilidades biológicas que estamos longe de penetrar ainda, ou um mecanismo de defesa desenvolvido para atender a exigências tão adiantadas que prefiro não especular a respeito.
— O caso é — observou Ripley, enxugando a boca com um guardanapo limpo — que temos a bordo um segundo alienígena. Provavelmente, tão hostil quanto o primeiro e duas vezes mais perigoso.
Olhou, desafiadora, para Ash. Dessa vez, porém o oficial de ciência não pôde ou não quis discutir com ela.
— Sim. E está solto na nave — disse Dallas, indo para junto do corpo de Kane. Os outros o seguiram constrangidos, mas a inspeção era necessária, por mais desagradável.

Olhares eloqüentes passaram de Parker para Lambert e de Lambert para Ash, e em torno do pequeno círculo. Lá fora, a imensidão esmagadora do universo envolvia o Nostromo, numa ameaça perene. E dentro da espaçonave, o cheiro espesso, podre, da morte já permeava os corredores apertados e o refeitório exíguo, em que os pobres humanos estavam condenados a viver dez meses.
Parker e Brett desceram juntos do convés de serviço, em cima, reunindo-se aos outros. Eram um grupo de caçadores frustrados.

— Algum rastro da coisa? — perguntou Dallas a assembléia. — Nem cheiros, nem sangue, nem restos... de Kane?
— Nada — informou Lambert.
— Nada — disse Ash, fazendo-lhe eco, com um óbvio desapontamento na voz.
— Não vi — disse — coisíssima nenhuma. A caveira sabe esconder-se.
— Eu também não vi — disse Brett. — Nem posso imaginar onde se meteu aquela cobra. Embora haja lugares nesta nave aonde ela pode ir e nós não. Se bem que nenhuma forma de vida possa sobreviver em muitos desses encanamentos.
— Não se esqueça da espécie de ambiente em que sua... — Dallas voltou-se para Ash e perguntou: — Como você chamaria a primeira fase da coisa?
— Pré-larval. Para dar-lhe um nome. Não posso imaginar suas fases de desenvolvimento.
— Pois bem. Não nos esqueçamos onde estava vivendo, e como, nessa sua primeira encarnação. Sabemos, por isso mesmo, que a coisa é adaptável e robusta como o diabo. Não me surpreenderia que esteja aninhada na própria câmara dos reatores.
— Pois se é para lá que foi, não poderemos nunca mais botar as mãos nela... — disse Parker.
— Esperemos que tenha escolhido outra direção. Onde possamos pegá-la.
— Porque temos, absolutamente, de achá-la — disse Ripley. E sua expressão refletia a preocupação geral.
— Que tal ligar o hipersono? — sugeriu Brett. — O ar se recolheria aos tanques e a criatura morreria sufocada.
— Em primeiro lugar, não sabemos quanto tempo ela pode sobreviver sem ar — disse a oficial de segurança, acaloradamente. — Talvez não respire. Vimos uma boca, não vimos narinas.
— Nada pode existir sem alguma forma de atmosfera — insistiu Brett, mas com menos convicção.
Ela olhou-o como se ele fora um cisco.
— Quer apostar? — Brett não respondeu. — Alem disso, só teria de viver sem ar por algum tempo. Talvez seja capaz de extrair os gases de que porventura precise seu... alimento. Seríamos presa fácil nas nossas gavetas de morgue. Recordam-se da facilidade com que a primeira forma derreteu o elmo estanque de Kane? Quem diz que esta segunda não poderá fazer o mesmo com nossos sarcófagos?
Ripley abanou a cabeça, já resignada à idéia.
— Eu, por mim, não durmo enquanto não encontrarmos e matarmos a criatura.
— Mas não podemos matá-la! — disse Lambert, com fúria. E deu um chute de frustração no piso metálico.

Em sua composição interna, deve ser como a primeira. É só cortá-la com laser e ela borrifa tudo isso aí com ácido. E olhem que é muito maior que a outra, maniforme. Se mija a mesma porcaria capaz de abrir buracos em placas de aço, poderá fazer um buraco tão grande que não sejamos capazes de vedar. Todos vocês sabem como é precária a integridade do casco em condições de vôo mais rápido do que a luz. Para não falar na delicadeza dos circuitos que passam junto à quilha primária.
— Filha da puta — resmungou Brett. — Se não podemos acabar com ela, o que faremos quando a encontrarmos?
— Nós a lançaremos fora da nave. Mas primeiro, há que caçá-la, achá-la e capturá-la — e olhou para Dallas como que a pedir-lhe confirmação.
Ele pensou por um momento.
— Não há nada mais a fazer. Vamos tentar.
— Se ficarmos a falar e falar sem fazer nada, quando fizermos alguma coisa será tarde. Nossos recursos estão calculados para um tempo ‘x’ limitado, de vigília. Estritamente limitado. Sugiro enfaticamente que nos apliquemos sem maior perda de tempo numa forma qualquer de busca organizada.
— Muito bem — disse Ripley. — O primeiro item na ordem do dia é, então, encontrar a criatura.
— Não — disse Dallas, num tom de voz tão estranho que todos olharam para ele. — Temos outra coisa a fazer primeiro — disse. E olhou para o fundo do corredor, onde se podia ver o cadáver de Kane através da porta do refeitório.

Com material tirado dos estoques de bordo conseguiram fazer um sudário, não muito amplo, mas o suficiente.
Parker selou-o com laser, à falta de linha de coser. Ficou grosseiro e artesanal, e todos se foram dali insatisfeitos com informalidade dos preparos e do amortalhamento. Consolavam-se com a certeza de que tinham feito o que fora possível, nas circunstâncias. Poderiam ter congelado o corpo, para um sepultamento mais correto na Terra, mas a tampa transparente do compartimento do congelador deixaria o cadáver exposto, e todos o veriam ao despertar. Seria melhor dispor dele ali mesmo, no espaço, de maneira limpa e expedida, para que fosse esquecido o mais depressa possível.
De volta à ponte, retomaram seus lugares habituais, mas a depressão tornava o ar pesado.

Dallas conferiu leituras e anunciou, sem expressão:
—Comporta interior selada.
Ripley confirmou com um aceno.
—A câmara ainda está pressurizada?
Outro aceno.
O capitão hesitou, olhando rosto por rosto. Todos tinham a mesma expressão velada e remota e nenhum deles retribuiu seu olhar.
—Alguém quer dizer alguma coisa?
Naturalmente, nada havia a dizer. Kane estava morto. Estivera vivo um dia; vivera com eles, convivera. Agora estava morto, irrevogavelmente morto. E nenhum dos membros da tripulação tinha a palavra fácil.
—Acabemos com isso — disse Lambert.

Dallas achou que não era lá um grande epitáfio. Mas não foi capaz de pensar em outra coisa. Estavam, de fato, perdendo tempo. Fez sinal a Ripley. Ela apertou um botão. A comporta externa abriu-se, e o ar comprimido na câmara lançou o cadáver no vazio.

Fora um serviço fúnebre misericordiosamente breve. O corpo não tinha sido, a rigor, sepultado, mas estava removido dali, subtraído à vista para sempre. Em minutos. Não como a morte. O último grito atormentado de Kane ainda ecoava no cérebro de Dallas, era como um espinho em sua carne.



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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Capricorn One Original Soundtrack




Main Title (02:49)
Bedtime Story (03:03)
Docking (02:57)
No Water (02:29)
The Message (04:36)
Break Out (03:15)
Kay's Theme (03:20)
The Station (03:33)
The Snake (03:40)
The Long Climb (03:55)
The Letter (02:55)
The Celebration (03:05)

Capricorn One Original Soundtrack por Jerry Goldsmith [ Download ]

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Saturn 3 Original Soundtrack (1980)

Space Murder (09:18)
The Lab (02:05)
Meet Hector (04:44)
The Brain (02:08)
Blue Dreamers (02:42)
Hector Mimics Benson (01:25)
Peeping Toms (07:15)
Adam's Target (02:00)
Benson Is Off (02:16)
Training Hector (03:13)
Adam Rescues Alex (02:39)
Hector Loses It (06:52)
The Run (01:48)
A Head for Hector (03:31)
Alex Alone (02:06)
The Big Dive (04:37)
End Credits (03:22)

Saturn 3 Original Soundtrack - Composer: Elmer Bernstein [ Download ]