domingo, 7 de agosto de 2011

Dirigindo Alien através dos olhos de um artista


Ridley Scott nasceu em South Shields (Inglaterra) em 30 de Novembro de 1937 em um lar predominantemente de educação militar. Seu pai era da Royal Engineer e o seu irmão alistou-se na Marinha. Após formar-se em 1963 em design gráfico, candidatou-se a um trabalho como estagiário de set designer na BBC. Posteriormente, ganharia reconhecimento trabalhando em comerciais para a TV.



Dirigindo Alien através dos olhos de um artista - STARLOG 26 - Setembro de 1979

Apesar de Alien ser apenas o segundo filme de Ridley Scott, ele o incluiu em uma rara linhagem de diretores.

Embora haja alguma controvérsia sobre o conteúdo, a palavra usada pelos críticos na maioria das vezes, para descrever o visual do filme é: Esplêndido!

Vinte e tantos anos atrás, Scott era um jovem com uma inclinação artística e nenhuma idéia clara do que fazer com isso.

"Fui ao Royal College of Art em Londres" diz ele "mas naquela época o departamento de cinema consistia de um armário de aço com uma câmera Bolex dentro e um livro de instruções. Não havia sequer uma classe. Decidi por desig e no meio do caminho eu pensei que eu poderia fazer um filme."

Usando a 16 milímetros Bolex, começou a trabalhar no que hoje é considerado seu filme de estudante.

"Ele se chamou 'Boy on a Bicycle' (Garoto na bicicleta). Meu irmão era o carregador do equipamento principal e ator, e meu pai estava lá interpretando um louco cego. O Instituto Britânico de Cinema viu o trabalho em andamento e me deu um pouco mais de dinheiro. Eu, então, concluí o filme que custou 250 libras."

O filme foi usado para ingressar em um curso de design para TV.

"Uma vez que você tenha feito um filme, é fatal. Você não quer fazer mais nada. Mas levou algum tempo. Dezoito anos depois, eu estava finalmente autorizado a dirigir algo. Eu estou falando sério."

Após o seu emprego na BBC, em grande parte trabalhando em videotape, Scott abriu sua própria agência para fazer comerciais, em última análise mais filmes. Isso o levou ao seu primeiro longa, 'The Duelists' (Os Duelistas), e Alien (Alien, o oitavo passageiro).

"Alien surgiu repentinamente da (20th Century) Fox. Eu acho que tinha sido recusado por cerca de seis diretores. Eu não sabia por que eles recusaram. Foi azar deles ou talvez eles simplesmente não captaram os elementos que pessoalmente me atraíram. Eu fui nocauteado pela simplicidade, a energia e a história. O suspense simplesmente pulava para fora da página. Achei muito puro.”

"É estranho ouvir que foi meu conceito visual que tornou o filme interessante. Nunca se deve subestimar a qualidade desse script. Hill, Giger, O'Bannon, Shusett  (Walter Hill, co-produtor; HR Giger, artista conceitual, Dan O'Bannon e Ron Shusett,  roteiristas) tinham trabalhado na caracterização o suficiente para fazer todos os personagens interessantes, o que eu acho incomum em muitos thrillers, onde os personagens são secundários. A caracterização foi nas atitudes, na escolha espartana da linguagem e sobre o que falavam. Como a primeira conversa depois de acordar, é sobre as ações da empresa. Pareceu-me algo muito natural, muito humano".

Mas naquele momento, Scott estava trabalhando em outro projeto, uma visão pós-holocausto da história de Tristão e Isolda, e teve que engavetar Alien. Ele assumiu que não o faria. Isso em Novembro de 1977.

"Perto do Natal eu tive um grande problema com a coisa de Tristão. O escritor saiu e eu pensei:... Tenho que fazer algo, tenho que fazer um filme. Então chamei a Fox e perguntei o que tinha acontecido com o script de Alien. Eles disseram que nada estava acontecendo com ele, e eu disse que gostaria de fazê-lo. E cerca de duas semanas mais tarde eu estava em Los Angeles.”

"Na época o orçamento era algo como US$ 4,5 milhões. Eu estava muito ciente de que não poderia fazê-lo só com isso. Houve um período preliminar de cerca de um mês ou seis semanas durante as quais, tivemos de pensar em um novo orçamento."

Os Storyboards de Alien

Durante este curto período de tempo Scott pegou o roteiro e desenhou storyboards para cada seqüência do filme.







"Eu me senti obrigado a fazer os storyboards, coisa de artista-diretor. Isso foi antes de qualquer um dos vários artistas que mais tarde viriam a contribuir para o conceito visual do filme."


Storyboard para uma cena não filmada, do enterro de Kane no espaço.



Storyboard de uma cena não filmada, entre Dallas e Ripley no domo do Nostromo.



"Nós inicialmente dissemos à Fox que queríamos US$ 13 milhões, e eles quase morreram. Então voltamos com os storyboards e pedimos US$ 9,5 milhões. E dissemos que seriam 17 semanas de filmagem. O que foi totalmente contestado. Negociamos e finalmente chegamos a US$ 8,5 milhões e 13 semanas. Aliás, acabou levando 16 semanas, o que estava mais próximo da minha estimativa original.”

“Nós escorregamos um pouco durante as primeiras três semanas de filmagens."

Uma vez que dinheiro e tempo foram resolvidos, a fase seguinte envolveu a reunião de um número incomum de artistas e diretores de arte.

"O maior problema, é claro, foi: Como o Alien vai parecer, quero dizer, você pode estragar dois anos tentando chegar a algo que não seja só garras, ou como uma bolha enorme, sabe? Quando fui para Fox para a primeira reunião, tinha um livro lá de HR Giger, o Necronomicon. Eu dei uma olhada e eu nunca estive tão certo de alguma coisa na minha vida. Eu estava convencido de que teria que tê-lo no filme.”


Experimentos com um Alien semi-transparente.


"Outro ilustrador que vinha trabalhando em Alien nos Estados Unidos antes foi Ron Cobb. Gostei muito das coisas que ele tinha feito. Mas seus desenhos eram muito agradáveis, bem conceituais, eram um pouco NASA demais, não eram do futuro distante, eram também parecidos com 2001 (2001, uma odisséia no espaço). Mas Ron tinha boa técnica para este tipo de material, e eu sabia que iria precisar dele. Então ele veio junto com a gente.”

"Eu era fascinado por vários ilustradores franceses, um em particular, Jean Giraud, conhecido como Moebius. Pensei, meu Deus, eu vou pegar todos esses grandes ilustradores!"

O traje espacial desenhado por Moebius


Para Alien havia toda uma equipe, antes da produção, em um vasto departamento operacional de arte em Londres.

"Só então eu contratei o designer de produção, um inglês chamado Mike Seymour."

Esse departamento de arte incomum, resultou em uma divisão do trabalho.

 "Como o filme envolve três aspectos: o  planeta, o Alien e a nave, decidimos que cada um desses elementos deveria ter um designer próprio. Giger trabalhou principalmente no Alien e no planeta; Cobb no Nostromo, e Moebius nos trajes espaciais. Era uma batalha constante, na verdade, para esticar o orçamento. Havia cortes de script e ficamos obrigados a fazê-lo, para caber no orçamento."


Criador e criatura, HR Giger e seu Alien.

O principal corte envolvia a remoção de toda uma cena e os efeitos especiais, passada no planeta alienígena.

"No roteiro original existe esta pirâmide. Na verdade, era para ser mais como um silo. Uma enorme estrutura arquitetônica, como uma colméia, em favo de mel. Quando pousam para investigar a transmissão alienígena, eles encontram a primeira nave abandonada com a tripulação alienígena morta, mas não o Alien . Precisava de uma cena com um escaneamento. Então um deles descobre com o uso de um scanner esta superfície estranha. Eles investigam e só então descobrem a colméia. Eles descem e é aí que eles encontram os ovos originalmente. O que fizemos foi combinar as duas cenas, colocando os ovos a bordo da nave abandonada."

As fases de pré-produção foram milagrosamente realizadas em apenas quatro meses.

"Foi um ano complicado! Estávamos viajando muito e tentando envolver as melhores pessoas, para iniciarmos em 05 de julho [de 1978]. Apesar de tudo o que estava acontecendo, ficou claro que precisaríamos de alguns mecanismos bastante sofisticados para o Alien, para isso trouxemos Carlo Rambaldi, apenas para a pele dos dentes. Ele ficou um período limitado e deixou um cara maravilhoso conosco, Carlo de Marcis, que então refinou e aperfeiçoou os mecanismos de Rambaldi."


Carlo Rambaldi e HR Giger


Quando 05 de julho chegou, a coisa de fato começou um pouco lenta.

"Nós tivemos um grande problema pois só tínhamos cinco palcos de filmagem. Star Wars (Guerra nas Estrelas)  tinha treze! Isso significa que você não pode filmar em seqüência. Nós tínhamos que fazer certo da primeira vez. Havia um exército de ajudantes com martelos que vinha e pregava a maldita coisa no lugar e imediatamente depois nós entravamos. Realmente era um exército!"

Para complicar ainda mais as coisas, o departamento de miniaturas de Brian Johnson estava em um estúdio diferente.

"Isso nunca é uma boa idéia - estar separado da ação. Não para mim pelo menos, porque gosto de estar envolvido em tudo o que está acontecendo. Brian estava fora fazendo as miniaturas, enquanto eu estava trabalhando com Nickie Allder nos efeitos no chão do set."


Ridley no set com a maquete do Nostromo



"Não foi nada fácil. Tivemos, por exemplo, discussões intermináveis sobre a altura de teto, especialmente com Gordon Carroll [co-produtor] que tem quase dois metros de altura e eu pareço mais ter um metro e meio. Nós entravamos dentro destes corredores com Gordon dizendo: 'Acho que temos um grande problema aqui, Ridley. Esses tetos são muito baixos’ Tentei explicar que queríamos criar uma sensação de claustrofobia. Cada etapa do trabalho tinha que ser justificada em minha própria mente ou para outras pessoas. Absolutamente tudo."


A "cena da cozinha"

John Hurt descansa antes da filmagem


Scott gostou de fazer Alien, porém, a morte de Kane (John Hurt) foi a cena que mais lhe deu prazer. A chamada "cena da cozinha" ou "a cena com o Chestburster", em que o alienígena surge de dentro para fora através da caixa torácica de Kane.

(o Alien recebe nomes diferentes para as várias fases: egg, face-hugger, chestburster e big chap)

"Não era fisicamente possível para Giger fazer todas as etapas do Alien; simplesmente não havia tempo Mas ele tinha feito alguns desenhos específicos dos quatro estágios, trabalhando de trás para frente... ele projetou big chap primeiro, e depois se perguntava como seria uma versão bebê dele. Giger fez big cap e egg (ovo), mas não a coisa que vem do ovo, apenas o ovo."


Giger pintando os ovos


"Finalmente escolheram um cara chamado Roger Dicken, um inglês que trabalhava com efeitos especiais, especificamente como construtor de modelos, para trabalhar noface-hugger e no Chestburster, o bebê, por assim dizer. Nós trabalhamos durante semanas no bebê. Eu sabia que não queria algo com inchaços e verrugas e garras."


Roger Dicken


"Acho que nunca me assustei realmente com filmes de terror, e também não consigo ser convencido por um monte de filmes de ficção científica, especificamente por causa dos efeitos. Então sabia que tinha que ser bom, este bebê. Nós decidimos que a coisa em forma de embrião, teria a cabeça inclinada para baixo, ou seja, inclinada para trás. Nós inclinamos para trás, porque pareceria mais obscena assim, mais de réptil, mais fálica."

"Mecanicamente foi muito simples. Era praticamente um marionete, vestido como uma luva.”

"Os atores viviam querendo vê-lo, mas eu não deixei. Eles nunca viram nada até que nós estávamos filmando. O que você vê no filme é a surpresa de verdade e o horror!"






"Nós filmamos a cena até um ponto, os atores saíram, nós aprontamos tudo, eles entraram novamente e a cena iniciou novamente de onde a gente estava,  até o ponto do frenesi que era necessário. E bingo! As reações dos atores foram realmente extraordinárias.”






"Mantive também os atores afastados quanto a morte de Brett. Ensaiei o ator, Harry Dean Stanton, sem ter o Alien lá, apenas falando de forma abstrata em cima das marcas de giz no chão usadas para marcar a posição."

Tipicamente, um diretor trabalha em estreita colaboração com o câmera, dá uma ou duas espiadelas através da lente de vez em quando, e fica ao lado do câmera durante as filmagens. Mas não Ridley Scott.

"Eu faço todo o trabalho de câmera. É por isso que raramente uso mais de uma câmera. Normalmente há apenas uma posição de luz ou do olhar ou o ângulo de filmagem . Eu acho que é mais rápido se eu utilizar a câmara, mais rápido para obter os detalhes exatos que quero, para obter o detalhe que está na minha cabeça."








Scott também é essencialmente seu editor.

"Muitas vezes há algo muito tênue que o diretor tem que decidir rápido, especialmente se você estiver operando a câmera também. Quero dizer, você pode deixar de fora um par de elementos dentro de uma cena, não sabendo se vai usá-los, mas há um instinto sobre eles quando se trata de edição."





O processo de edição foi constante e passou por toda a filmagem.

"Quando fechamos a filmagem, estávamos próximos da data de inicio da edição. Eu fui capaz de mostrar uma cena do filme para a Fox, oito dias depois de terminar de filmar. Toda vez que mostrávamos para a Fox, durante as filmagens, tínhamos que suar para passar um resultado mais sofisticado, até com o uso de faixas de música de mentira.”

Mas esse corte, oito dias depois, estava longe de ser um filme pronto para lançamento.

“Os modelos ainda estavam sendo filmados nos estúdios Bray, e houveram numerosos close-ups, efeitos especiais, etc, a serem filmados e acrescentados. Então levamos tudo para Bray e começamos realmente a colocar os efeitos especiais. Eu nunca tinha feito um trabalho com miniaturas antes, e eu queria muito estar envolvido nele. Nós filmamos também nossas inserções em Bray. Tivemos que fazê-lo dessa maneira, infelizmente. Por exemplo, quando a mão de Ripley está sobre o botão de destruição da Nostromo, é realmente a mão de Ripley, mas filmado cinco meses depois. Eu sei que é o procedimento padrão, fazer inserções desse jeito, mas é de morrer ter que voltar a isso. Como a coisa do ovo. Tudo foi feito mais tarde em Bray, todos os closes. O processo de re-integrar à psicologia da cena, é o que há de tão terrível nisso. Você começa a se preparar para fazer uma cena em particular de tal maneira, e sabe que o efeito especial é a chave para sua atuação, então você vê todas as filmagens antigas e re-integra-se de novo, quando acaba fazendo o resto."


Agora Alien está terminado. As dores de cabeça acabaram e Ridley Scott - artista de storyboard, cãmera, editor e diretor - vê um Alien que é, em muitos aspectos, melhordo que a versão que ele tinha em sua mente, antes do verdadeiro trabalho começar.

"Mas há sempre coisas que você deseja poder ter feio melhor, ou diferente. Como a cena do scanner que ficou de fora.”

Qual é o próximo?

"Estou lendo agora feito louco, há meses. E limitei agora para cerca de quatro projetos. Estou procurando outro filme de fantasia/ficção científica. Não o próximo necessariamente, mas no futuro. Gosto muito de trabalhar com efeitos especiais. Adoro isso. É o diretor de arte saindo de dentro de mim novamente."






sábado, 6 de agosto de 2011

Alien





"No espaço ninguém pode ouvir você gritar."


Alien originalmente foi desenvolvido como uma ideia para o filme de pós-graduação de Dan O'Bannon, em meados dos anos 70.

O'Bannon, um americano entusiasta dos gêneros ficção científica e horror, tinha trabalhado após a faculdade (USC), com seu colega John Carpenter, no que seria, simultaneamente, o pior filme de maior sucesso já lançado nos cinemas - Dark Star.

Dark Star, um precursor de Alien, trazia um grupo de astronautas lutando para permanecerem vivos a bordo de uma nave espacial controlada por uma criatura alienígena bastante desagradável, mas em última análise, era ainda uma visão bastante tímida. Depois da escola de cinema, Bannon procurou o amigo e produtor Ronald Shusett para obter ajuda. Juntos concretizaram o conceito de O'Bannon e partiram na busca de produtores em Hollywood.

Eventualmente, a equipe de produção definiu-se com Walter Hill, David Giler e Gordon Carroll, que reescreveriam nova versão do script original. O que eles trouxeram para o roteiro, não obstante, foi o peso de Hollywood que tanto O'Bannon quanto Shusett não possuíam.

O filme ainda não conseguira uma luz verde e o roteiro foi sendo alterado e re-escrito quase diariamente.

Um grande obstáculo foi o fato de o filme não ter um diretor. Ninguém queria tocá-lo. Naturalmente, nesta fase inicial, o filme era visto como nada mais que um filme 'B' nos  moldes do desastroso Dark Star de Carpenter. A ficção científica na década de 70 era trajes espaciais brancos, cenários futuristas, coisa de  revistas em quadrinhos. Não havia uma audiência em larga escala e ninguém ia colocar um orçamento de um filme de primeira linha em um filme sem valor, nada mais do que um filme de monstro barato. 

Então George Lucas lançou Star Wars(Guerra nas Estrelas) e tudo mudou.

A ficção científica não era mais vulgar, na verdade, poderia ser o gênero mais lucrativo desde o início do cinema. Giler e Hill, depois de ter vendido o conceito de Alien para a 20th Century Fox no início do ano, receberam um telefonema da Fox, dizendo que um filme ambientado no espaço devia ser adicionado ao
calendário de lançamentos em 1979, e eles tinham apenas um filme que caberia no orçamento.

Alien, com um orçamento duas vezes maior que o inicial, recebeu o sinal verde.




O filme conta a história de sete astronautas do reboque espacial Nostromo que são despertados do hiper-sono, quando sua nave espacial descobre um sinal de socorro de um planetóide próximo.
Ao investigarem a fonte do sinal (que inicialmente se parece com um SOS) descobrem uma espaçonave alienígena abandonada.

Sir Arthur Conan Doyle disse uma vez que "sem imaginação não há horror."

Para um filme de horror dar certo é necessário que o espectador baixe a guarda.
É uma resposta natural do ser humano se defender contra o que é inerentemente assustador.
É por isso que o horror penetra mais facilmente na psique. Nossa capacidade de suspender a nossa descrença é uma escolha adulta. Filmes de horror são mais eficazes para pessoas com maior imaginação e que se permitem 'ver' o monstro atrás da porta.




Tom Skerritt, que interpreta Dallas, diz que "Alien joga com os medos que surgem de pesadelos."

Certamente que sim. Alien parece um pesadelo, nos sentimos como em um pesadelo, e soa como um pesadelo. É ao mesmo tempo um exame fascinante dos medos humanos básicos, um horrorizante filme de horror multicamadas, extremamente bem feito.




Parte do sucesso do filme é a arte conceitual de H.R. Giger. Ele foi trazido para o projeto para realizar a concepção da criatura alienígena. Também desenhou o interior da nave alienígena e do "space jockey" encontrado morto pela tripulação do Nostromo.

A ideia do pesadelo visualizado na tela é mais clara na obra de Giger, dirigida pela paranóia freudiana e que parece quase como uma convergência entre homem e máquina. Suas visões atravessam a ponte entre o real e o irreal. De fato, quando Dan O'Bannon encontrou pela primeira vez Giger, o surrealista ofereceu-lhe um pedaço de papel alumínio com ópio. O'Bannon perguntou por que ele tomava a droga e Giger respondeu que era para escapar de suas visões. O'Bannon então respondeu: "Mas isso é apenas sua mente." A que Giger respondeu: "É disso que eu tenho medo."





Essa ideia é estendida por Ridley Scott, que não foi a primeira escolha para o filme, abertamente desprezado por vários diretores. Mas sua obra é marcada em grande parte, por uma sensibilidade visual extrema.

Ele não estava interessado em atores. Scott acredita que bons atores não precisam de muita orientação ou motivação, e se ele pudesse contar com sete atores experientes para Alien, ele poderia se concentrar no jogo, na direção de arte e na fotografia. Quando o script foi finalizado, fez o storyboard de todo o filme, cena por cena. Ele desenhou a nave espacial velha e decrépita, utilizando a ideia de que "esses caras eram caminhoneiros do espaço".

Scott construiu sets em tamanho real e fez a nave espacial a partir de interiores de velhos aviões e destroços industriais, remontados e pintados. Isso emprestou ao filme uma sensação de familiaridade. Esta não era uma nave futurista com paredes brancas brilhantes e hologramas flutuantes. Estava gasta e tinha uma tendência a se decompor, e a tripulação tinha coisas melhores a fazer e não tinha tempo para limpar suas superfícies.
 

Ponte de controle do Nostromo


Em essência, era autêntica. Scott acentuou o mesmo em outras partes do filme, como na autópsia feita por Ash do face-hugger. Scott usou peixes e uma ostra para mostrar o interior da criatura. Era estranho e desconfortável, mas também familiar e decididamente autêntico. O que a autenticidade fez foi tornar a nossa suspensão da descrença mais fácil de digerir, pois muito do que estávamos vendo sentíamos como sendo a realidade.


Interior da nave de escape Narcissus


Isso fez o horror mais palpável, já que o fantástico não estava apoiado pela fantasia, mas pela realidade. A cenografia também emprestou uma carga enorme de claustrofobia ao filme. Não apenas com seus corredores sem fim e espaços fechados, mas também através da performances dos atores. Scott construiu um labirinto e freqüentemente a equipe de produção se perdia nele. As paredes eram manobráveis, mas uma vez você estava lá dentro parecia sem saída. Isso funcionou bem para o diretor assim como alguns de seus atores, que na verdade sofrem de claustrofobia. Eles não estavam atuando somente.

O fato de Scott também fazer a nave parecer quase orgânica tornou-o ainda mais instigante. Às vezes, nós o público, e por extensão os personagens, não sabemos se estamos olhando para uma caixa ou a cabeça do Alien.

Não foi surpresa que Scott fez alusão a um dos filmes de horror mais autênticos de todos os tempos - The Texas Chainsaw Massacre (O massacre da serra elétrica).

"Eu ia fazer The Texas Chainsaw Massacre da ficção científica", disse ele na época. Scott também foi influenciado por Star wars (Guerra nas estrelas) de George Lucas e 2001 (2001: Uma Odisséia no Espaço) de Stanley Kubrick. Você pode ver Lucas nas cenas do exterior do navio, como também olhando para a nave passando por cima. Há também a influência da Star Wars na tecnologia utilizada, a instrumentação complicada e o uso de computadores.

2001 de Kubrick influenciou Scott de outras formas, em grande parte, a seriedade raramente empregada na ficção científica na época. Filmes ambientados no espaço  geralmente eram feitos com um senso de humor vulgar. Alien leva-se muito a sério, não vemos adolescentes gritando.



É claro que a maior influência de 2001 em Alien é o uso do onisciente computador semelhante a um Deus e que controla a nave espacial. Como HAL em 2001, Alien tem a Mãe - um sistema computadorizado de bordo.


  
Mãe, como HAL, é uma metáfora do autoritarismo. Em ambos os filmes os personagens humanos têm, muito justamente, um  sentimento de desconfiança para com esta entidade todo-poderosa.
O computador como personagem seria visto de muitas formas ao longo da década de 1980.

É o elemento desumano da ciência-ficção que se pode ver no gênero desde Metropolis e as séries do cinema americano dos anos 1930. Em essência, o computador desumano  - mais tarde visto como o ciborgue e um robô (Robocop e O Exterminador do Futuro) - nos fala mais sobre a nossa humanidade.

Mãe é o controlador dos investimentos da Companhia. São a autoridade não confiável, a ala comercial da operação que detém o lucro e o poder acima da vida humana.  Quando a tripulação da Nostromo descobre que seus superiores na Terra os enviaram para a nave alienígena para obter ganhos políticos e militares, eles descobrem que Mãe  vem escondendo um segredo este tempo todo. Através de Ash - um robô trabalhando em conluio com a Mãe - lhes é dito que preservação do Alien é a principal prioridade, e que eles são 'dispensáveis'.




O que vemos é que os personagens humanos por todo o filme, lutam uma batalha perdida contra tudo o que não é humano. O vilão óbvio é o Alien em si, o vilão sutil é o  computador de bordo e o robô, ninguém da tripulação sabia que era uma máquina (um exemplo metafórico da paranóia da Guerra Fria e a ameaça de guerra nuclear), o vilão oculto e o animal corporativo pagando seus salários. Este é o tipo de trama que faz Alien tão interessante e assustador.

As apresentações dos personagens são quase secundárias. Isso não é uma crítica. Scott contratou sete atores achando que não exigiria muito da direção, porque ele queria que as pessoas dessem a sua profundidade aos personagens que talvez não estivesse lá no script. O'Bannon propositadamente deixou de fora porque ele queria ficar perto da ação  fazendo o enredo fluir.

Talvez o mais importante, ele pensou que ao dirigir o filme poderia acrescentar alguma coisa que precisasse na sala de corte. De fato, Sigourney Weaver - a heroína da série Alien - tem seu desempenho mais tímido de qualquer um dos filmes da franquia . Funciona bem para o personagem Ripley, porque ela não é afetada pelo monstro, no início ela é jovem e idealista, depois ela está com medo e sozinha. Mesmo se o seu forte desempenho só veio na seqüência de James Cameron e no terceiro filme de David Fincher, sua transição a partir da arrogante oficial do espaço, para a vítima é um feita com sutileza e elegância.

As feministas, é claro, diriam que Ripley nunca foi uma vítima. Há uma cena perto do final do filme em que Sigourney Weaver, supostamente derrota o Alien e tira a roupa em preparação para o hiper-sono. Isso é uma inspiração freudiana diriam as escritoras feministas, de seu retorno à feminilidade. Ela mostra a sua forma feminina ao despir-se da masculinidade usada para derrotar o Alien.





Alien e suas seqüências têm estado sempre sob o olhar microscópico da psicanálise e com razão. A criatura alienígena em si é vista como um símbolo fálico, o face-hugger  alter-ego estuprando sua incubadora humana. A arte conceitual Giger é inundada com imagens sexuais e Scott, junto com seus colegas diretores em toda a série Alien, abraçaram estas propostas. Por exemplo o robô Ash é visto como tendo desejos sexuais para Ripley quando enrola uma revista pornô e a insere em sua boca. O ato lança sua  própria frustração sexual através da revista tomando o lugar da parte do corpo que ele não possui.

O papel de Ripley, que era originalmente um personagem masculino, se torna um símbolo em si mesmo, o herói do filme é pela primeira vez uma mulher. Pode-se argumentar, no entanto, que Ripley em sua camisa suja e calças, não é mais feminina do que os personagens masculinos que a rodeiam. Mesmo quando ela as retira no final do filme para voltar a um traje espacial de gênero não-específico, a fim de finalmente derrotar o alienígena. No entanto, enquanto a representação da sexualidade e gênero pode ser interpretada de diferentes maneiras, a ideologia diferencia o filme de qualquer outro visto antes, abrindo caminho para um novo tipo de herói.

O filme teve um efeito duradouro no público e na indústria. Quando foi lançado pela primeira vez, foi amplamente elogiado até mesmo por críticos que não estavam no momento interessados pela ficção científica. Seu impacto imediato foi o de revitalizar o gênero, inspirando muitos bons filmes e algumas imitações não tão boas, tais como The Alien Dead, Contamination, e uma seqüência não autorizada italiana chamada Alien 2, e porcarias como Inseminoid e Xtro.

É claro, o impacto mais notável no cinema foi a franquia, James Cameron e David Fincher fizeram duas continuações fantásticas para Alien, enquanto um quarto filme  não foi tão bem sucedido. Todos estrelados por Sigourney Weaver como Ripley, com sua personagem evoluindo através dos filmes.

Mais recentemente, outro personagem alienígena, de outra franquia (Predator) foi trazido para uma nova franquia de filmes com Alien Versus Predator. Estes filmes não incluem o personagem de Ripley, pois acontece antes dos eventos do primeiro filme Alien.

Alien ainda é tão amado hoje como era na primeira versão. Novas audiências continuam a encontrar prazer no filme de Ridley Scott, embora nunca o público de mais idade se canse de ver as repetições.
Em retrospecto, o filme foi analisado e celebrado por todas as facetas da indústria do cinema e da mídia, permanecendo no ranking das top listas, incluindo chegando em sétimo lugar na lista de filmes de ficção científica do American Film Instituter.




Alien (Ridley Scott, USA, 1979)
Direção de Ridley Scott; roteiro de Dan O'Bannon; estrelando Sigourney Weaver, John Hurt, Ian Holm, Tom Skerritt, Veronica Cartwright, Harry Dean Stanton e Yaphet Kotto

Roteiro final de Alien (1979) [ Download ]


Texto adaptado a partir do original de Daniel Stephens

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Playing with Planets




Preface 

1 Countdown
2 Take Off 
3 Inside 
4 Computers 
5 Paper 
6 Robots 
7 Victoriamaris 
8 A Malleable Earth 
9 Flying Kites 
10 The Stars 
11 The Colonists 
12 The Cambots 
13 The Neumannbots 
14 The Genes 
15 Pulling Hard 
16 Aliens 
17 Playing with Planets 
18 Idiocracy 

Websites 
Illustrations




Playing with Planets [ Download ]

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A Treasury of Great Science Fiction - Vol. I




Re-Birth by John Wyndham. 
The Shape Of Things That Came by Richard Deming. 
Pillar Of Fire by Ray Bradbury. 
Waldo by Robert Heinlein. 
The Father Thing by Philip K. Dick. 
The Children's Hour by Henry Kuttner and C. L. Moore. 
Gomez by C. M. Kornbluth. 
The [Widget], the [Wadget], and Boff by Theodore Sturgeon. 
Sandra by George P. Elliott. 
Beyond Space And Time by Joel Townsley Rogers.
The Martian Crown Jewels by Poul Anderson. 
The Weapon Shops Of Isher by A. E. van Vogt. 




A Treasury of Great Science Fiction - VOL I - Edited by Anthony Boucher [ Download ]

A Treasury of Great Science Fiction - VOL II
   

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Iron West








Iron West [ Download ]

terça-feira, 2 de agosto de 2011

X-Men and Philosophy



CONTENTS

AcknowledgmentsS: Superheroic Thanks to X-tra Special Humans and Mutants Alike!
Introduction: You Are About to Embark on an X-perience with “the Strangest Heroes of All”

X1: ORIGINS
THE X-FACTOR IN THE EXISTENTIAL
1. The Lure of the Normal: Who Wouldn’t Want to Be a Mutant?
Patrick D. Hopkins
2. Amnesia, Personal Identity, and the Many Lives of Wolverine
Jason Southworth
3. Is Suicide Always Immoral? Jean Grey,Immanuel Kant, and The Dark Phoenix Saga
Mark D. White
4. X-istential X-Men: Jews, Supermen, and the Literature of Struggle
Jesse Kavadlo

X2: EVOLUTION
CONSCIOUSNESS, CONSCIENCE, AND CURE
5. Mad Genetics: The Sinister Side of Biological Mastery
Andrew Burnett
6. Layla Miller Knows Stuff: How a Butterfl Can Shoulder the World
George A. Dunn
7. X-Women and X-istence
Rebecca Housel
8. Mutant Rights, Torture, and X-perimentation
Cynthia McWilliams
9. When You Know You’re Just a Comic Book Character: Deadpool
Joseph J. Darowski

X3: UNITED
HUMAN ETHICS AND MUTANT MORALITY IN THE X-VERSE
10. Magneto, Mutation, and Morality
Richard Davis
11. Professor X Wants You
Christopher Robichaud
12. Dirty Hands and Dirty Minds: The Ethics of Mind Reading and Mindwriting
Andrew Terjesen
13. The Mutant Cure or Social Change: Debating Disability
Ramona Ilea
14. Mutants and the Metaphysics of Race
Jeremy Pierce

X4: THE LAST STAND
WAR, TECHNOLOGY, DEATH, AND MUTANTKIND
15. Mutant Phenomenology
J. Jeremy Wisnewski
16. War and Peace, Power and Faith
Katherine E. Kirby
17. High-Tech Mythology in X-Men
George Teschner

CONTRIBUTORS: And Now, We’d Like to Introduce the X-Perts: Ladies and Gentlemen, the Amazing,
Astonishing, Uncanny, Ultimate Authors from Xavier’s School for Gifted Philosophers!
INDEX

X-Men and Philosophy
Astonishing Insight and Uncanny Argument in the Mutant X-verse [ Download ]

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Space Painting



Space Painting Digital Painting Downloadable Tutorial Series [ Download ]

sábado, 30 de julho de 2011

Os Genocidas - Thomas Disch




Este espetacular romance de Thomas M. Disch, trouxe algo notável para a Ficção Científica da década de 60, o respeito que é concedido somente às obras primas, e que colocou Disch no panteão de autores consagrados como J.G.Ballard e H.G.Wells.

Em um cenário angustiante, as cidades foram reduzidas a cinzas e plantas exóticas capazes de alcançar 180 metros em apenas um mês, estão sugando toda água doce que encontram. Até os Grandes Lagos começam a secar. Ao norte de Minnesota, Anderson, um velho agricultor com uma Bíblia em uma mão e uma pistola na outra, lidera os cidadãos em uma luta diária pela existência miserável.

Quando algo domina a paisagem por tempo suficiente, acaba caindo em intrincados padrões que acabam levando à sua decadência. Em 'OS GENOCIDAS' esse ponto é cuidadosamente trazido à tona, mostrando exatamente como a humanidade reagiria diante de mudanças radicais em seu ecosistema.

Primeiro a chegada das plantas misteriosas na forma de sementes que crescem a níveis surpreendentes até mesmo para as mentes mais estudiosas, e que começam a ocupar espaço, expulsando a praga humana. A reação como seria de se esperar, é de inabalável arrogância, já que as pessoas se veem como dominantes. Eles não pensam que estão em perigo porque, afinal de contas, as plantas não poderiam ser invasores, e optam por manter o controle utilizando métodos que mantem o 'problema' fora das vistas.
Aos poucos no entanto, as pessoas passam a perceber que a extinção é iminente.

Em uma comunidade agrícula à margem das cidades em ruínas, Thomas Disch começa a pintar um retrato vívido da humanidade. Muitos elementos da história surgem a partir dessas páginas e que tornam-se cativantes, obrigando ao leitor a devorar avidamente página após página. Os personagens pouco a pouco ganham vida, suas idéias e ideais misturando-se com suas origens.

Disch definitivamente não é um porta-voz dos fatores redentores da humanidade, ao contrário. Ele não encobre o fato de que a brutalidade é um componente chave para a sobrevivência quando as estruturas tradicionais vem abaixo. Nada de "luz versus trevas". Em vez disso, explora a forma como os indivíduos se sentem e como conseguem sobreviver quando o mundo cai aos pedaços. Seria mais 'trevas versus trevas'. 

E isso significa fazer pequenas coisas para manter o passado vivo e às vezes justifica atos ainda piores, respondendo não só a pergunta do que as pessoas estão dispostas a fazer para se manterem vivas, mas também a questão de, quando os porcos estiverem extintos, de onde virão as salsichas, se ainda forem uma lembrança saborosa em nossas memórias mais profundas.

'OS GENOCIDAS' foi escolhido para fazer parte da lista dos cem clássicos da ficção científica mundial de todos os tempos.



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terça-feira, 26 de julho de 2011

John Berkey

É praticamente impossível para quem gosta de Ficção Científica, não reconhecer uma dúzia de desenhos desse talentoso americano, responsável pelos posters da primeira trilogia de Star Wars, entre muitos outros trabalhos famosos.

































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segunda-feira, 25 de julho de 2011

The Science of Sherlock Holmes


 

Contents

Preface
Acknowledgments 
1 Dialogue with the Dead 
2 Beastly Tales and Black Dogs 
3 A Fly in the Ointment 
4 Proving Poison 
5 Disguise and the Detective
6 The Crime Scene by Gaslight 
7 A Picture of Guilt 
8 Shots in the Dark 
9 Bad Impressions 
10 The Real Dirt 
11 Notes from the Devil 
12 A Voice in the Blood 
13 Myth, Medicine, and Murder
Glossary 
Bibliography 
Index  


The Science of Sherlock Holmes From Baskerville Hall to the Valley of Fear, the Real Forensics Behind the Great Detective’s Greatest Cases [ Download ]

sábado, 23 de julho de 2011

Os Genocidas - Thomas Disch (Epílogo)

 




 EPÌLOGO
A extinção das espécies


Assim como um verme passando através de uma maçã poderia supor que a maçã, a sua substância e qualidade, consistia apenas daqueles poucos elementos que passam por seu próprio corpo magro, quando na verdade todo o seu ser está envolto na fruta e sua passagem quase não a diminuiu, Buddy, Maryann e seu filho, Flor e Orville, emergiram da terra depois de uma longa passagem através do labirinto de seus próprios, e puramente humanos, males, não tendo conhecimento da presença onipresente do grande mal que chamamos de realidade.

O mal que existe em toda parte, mas só podemos ver o que está diante de nossos narizes, apenas lembrar do que passou por nossas barrigas.

As bolas de basquete cinzentas, cheias da polpa da fruta bombeada, erguidas sobre uma terra que não era mais verde. Então, como os primitivos limpavam suas terras, as máquinas que serviam aos fazendeiros alienígenas tinham transformado a terra em uma pira. As hastes altas das Plantas grandes foram consumidas,  a visão da grandeza de uma civilização caindo em ruínas. Os poucos humanos que permaneceram voltavam à terra mais uma vez. Quando reapareceram, o manto que pendia sobre a terra queimada deu boas-vindas com o eclipse da noite.

Em seguida, um vento a partir do lago, diluíu o manto para revelar cumulus pesados acima.
As chuvas vieram. A água pura limpou os céus e lavou incrustações de meses de seus corpos pintados de terra preta. Saiu o sol e secou a chuva, e seus corpos se glorificaram no calor tênue de Abril. Ainda que a terra fosse negra, o céu estava azul, e à noite as estrelas Deneb, Vega, Altair, surgiam ainda mais brilhantes do que qualquer um deles lembrava ter visto. Vega particularmente, brilhava. Na madrugada, um pedaço de lua subiu ao leste. Mais tarde, o céu se iluminou e mais uma vez o sol iria nascer.

Tudo parecia muito bonito para eles, pois eles acreditavam que a ordem natural das coisas, isto é, a sua ordem fora restaurada.

Houve expedições raízes abaixo para procurar vestígios de frutas que a colheitadeiras tivessem esquecido. Tais vestígios eram raros, mas existiam; e racionando esses pedaços de casca com moderação, podiam esperar sobreviver o verão ao menos. Por enquanto havia água e as ervas daninhas no lago, e logo que se tornou mais quente, eles planejaram ir ao longo do Mississipi, para o sul quente. Havia também a esperança que o oceano ainda existisse. O lago estava morto. Ao longo da costa enegrecida pelo fogo, cardumes de peixes fedorentos foram morrer. Mas que o oceano pudesse estar na mesma condição era impensável.

A esperança era de que a Terra tinha sobrevivido. Em algum lugar sementes brotariam no solo quente, sobreviventes, como eles próprios, floresceriam da terra que se tornaria verde novamente.
Mas a esperança principal sem a qual todas as outras esperanças eram vãs, era de que as Plantas tivessem ido embora, e que essa temporada tinha acabado. As esferas blindados haviam ido embora após o estupro de um planeta, o fogo queimara mais o restolho, e a terra agora acordava do pesadelo daquela segunda criação dos alienígenas.
Esta era a esperança de todos.

Em seguida, todos os lugares da terra estavam cobertos com um tapete verde dos mais ricos. As chuvas que tinham lavado o céu limpo da fumaça da queima tinha também trazido bilhões de esporos do segundo plantio. Como todos os híbridos, a Planta era estéril e não poderia se reproduzir sozinha. Uma nova cultura tinha que ser plantada a cada primavera.
Em dois dias as plantas já estavam na altura dos tornozelos.

Os sobreviventes espalhados pela uniformidade plana e verde da planície, se assemelhavam a
figuras em uma reprodução renascentista ilustrando noções de perspectiva.
As três figuras mais próximas, a meia distância, compunham uma espécie de Santa Família, embora se aproximando, não pudessem deixar de notar que suas características eram regidas por outra emoção que não a felicidade.

A mulher sentada no solo, de fato, chorava amargamente, e o homem de joelhos atrás dela, as mãos plantadas em seus ombros como que para consolá-la, mal consegue conter suas próprias lágrimas. Sua atenção estava fixa sobre a magra criança em seus braços, que em vão tentava sugar seu peito seco.

Um pouco mais adiante, outra figura - ou deveríamos dizer duas? - Sem qualquer iconográfica paralela, a menos que permitisse que esta fosse um Niobe aflito com suas crianças. No entanto, Niobe é descrita geralmente sozinha ou na perspectiva de todas as quatorze crianças; esta mulher estava segurando o esqueleto de uma única criança em seus braços. A criança tinha cerca de 10 anos de idade quando morreu. O cabelo vermelho da mulher era um chocante contraste com o verde por toda parte sobre ela.
  
Quase no horizonte poderiam se ver as figuras de um homem e uma mulher, nus, de mãos
dadas, sorrindo. Certamente estes eram Adão e Eva antes da queda, embora apareceram um pouco mais magros do que são geralmente representados. Além disso, muito mal combinados em relação à idade: ele tinha quarenta,e ela foi mal entrara em sua adolescência. Eles caminhavam para o sul e, ocasionalmente, falavam um com o outro.

A mulher, por exemplo, virou a cabeça para o homem e disse: "Nunca nos disse qual era seu ator favorito." E o homem respondeu: "David Niven. Eu sempre gostei de David Niven.”
E sorriam!

Mas estas figuras eram muito, muito pequenas. A paisagem dominava inteiramente.
O verde parecia infinito. Vasto embora a Natureza ou a Arte pouco tivessem a ver com aquilo.
Mesmo visto de perto, apresentava um aspecto monótono. Em qualquer metro quadrado de terreno, uma centena de mudas crescia, cada qual exatamente igual a outras.
A natureza é pródiga. De uma centena de mudas apenas um ou duas sobreviveria; de uma centena de espécies, apenas uma ou duas.

No entanto, não seria o homem.

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Eis que até a lua não resplandece, e as estrelas não são puras aos seus olhos.
E quanto menos o homem, que é um verme, e o filho do homem, que é um vermezinho!
Jó 25:5-6
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FIM







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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Best Science Fiction Stories of Clifford D Simak


Conteúdo:

Founding Father
Immigrant
New Folks' Home
Crying Jag
All the Traps of Earth
Lulu
Neighbor




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quinta-feira, 21 de julho de 2011

The Japanese Devil Fish Girl and Other Unnatural Attractions - Robert Rankin



Robert Rankin vem flertando com o subgênero Steampunk faz tempo - invenções diabólicas da cultura vitoriana invadem seu trabalho de vez em quando.

Neste, os acontecimentos narrados em 'A Guerra dos Mundos' de H.G.Wells ocorreram na década passada e a Grã-Bretanha tem o comando da tecnologia dos marcianos. Nosso herói é George Fox, trabalhador em feiras intinerantes, com seu patrão Professor Coffin, que exibe um marciano em conserva que está se desintegrando lentamente em formaldeído. Mas o destino tem grandes planos para George, e logo ele, Coffin e Ada Lovelace encontram-se em busca da lendária garota peixe diabo japonês, que não é japonesa, nem peixe, nem um demônio (embora seja do sexo feminino).

Freakshows, dirigíveis, pigmeus canibais, Lemuria, deuses antigos e um macaco mordomo, entram e saem da história, um marca registrada de Rankin.



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