segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Room 13 and other ghost stories - M.R.James

Montague Rhodes James (1862-1936) was a scholar who wrote many books on history and languages. He also wrote many famous ghost stories.
He read these stories to his friends at King's College, Cambridge University.
Many of the people in the stories have plenty of money and do not need to work. They live in large houses and have servants to look after them.
Many of them like to travel. All of them are interested in books.
These people lived in the same way that M. R. James lived. But life for ordinary people was very different. As you read these stories, think about M. R. James.
He read these stories at Christmas. He sat in a room lit by candles. Outside it was dark and cold.
The gentlemen listened to James reading. They smoked cigars and drank brandy.
After you have read the story, it will be time to go to bed.
But don't turn out the light straight away.
Something may be waiting for you, in the dark!

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Celular - Stephen King


A civilização entrou na sua segunda idade das trevas em um pouco surpreendente rastro de sangue, mas com uma rapidez que não poderia ser prevista nem mesmo pelo mais pessimista dos futurólogos. Era como se estivesse engatilhado. No dia 10 de outubro, Deus estava no céu Dele, a Bolsa de Valores estava em 10.140 pontos e a maioria dos aviões estava no horário (exceto os que chegavam e partiam de Chicago, o que era de se esperar). Duas semanas depois, os céus pertenciam aos pássaros novamente e a Bolsa de Valores era uma lembrança.
Já no Dia das Bruxas, todas as grandes cidades, de New York a Moscou, fediam sob o céu vazio, e o mundo como ele havia sido antes era uma lembrança.

O PULSO

O evento que veio a ser conhecido como O Pulso começou às 15h03, horário da costa leste, na tarde do dia 10 de outubro. O termo era inapropriado, é claro, porém, dez horas depois do evento, a maioria dos cientistas capazes de apontar isso estava morta ou louca.
Seja como for, o nome não tinha importância. O importante foi o efeito.


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domingo, 18 de janeiro de 2009

Thomas Disch


Thomas M. Disch (2 de Fevereiro 1940 – 4 de Julho de 2008 ), escritor de ficção, poeta, crítico de ópera, nasceu em Des Mondes, Iowa, EUA, e estudou em Minnesota, de onde só sairia para se alistar no exército. Esta passagem lhe renderia meses internado em um hospício militar por ter desertado posteriormente.

Começou cedo a escrever para revistas de Ficção Científica e aos 25 publicou aquele que seria seu trabalho mais conhecido, 'The Genocides', a história de uma invasão de alienígenas, que utilizam nosso planeta para plantio, e tratam os seres humanos como indesejáveis pragas que precisam ser eliminadas.

Já morando em Nova Iorque, onde trabalhou na Ópera Metropolitana, fez parte do movimento da Ficção Científica conhecido como 'New Wave' - escreveu livros de terror, poesias e outros gêneros, e sempre obteve elogios da crítica, por obras como 'Camp Concentration' e '334' (apesar de pouco conhecido mesmo em seu país).

Ganhou diversos prêmios, como o Ditmar (1969), 2 Prêmios Gigamesh (1993 e 1991),
Prêmio da Associação Britânica de FC (1980), Prêmio Locus (1981), Prêmio Michael Braude (Academia de Artes e letras), e o Hugo (1999), este último por 'The Dreams Our Stuff Is Made Of' (Melhor livro de não-ficção)

Polêmico em seu discurso e por suas escolhas de vida, Dish tinha aversão ao catolicismo e era amante da ópera e do balé, além de passar grande parte da sua vida viajando pelo mundo fazendo palestras.

Uma de suas viagens, em 1991, incluiu o Brasil, onde apresentou sua controversa palestra "The Embarrassments of Science Fiction", de 1975.
Seu discurso, inteligente e provocador, desagradou grande parte daqueles que o assistiam, pois Disch sempre repetia que a literatura de Ficção Científica em sua maioria, não era nada mais do que um ramo de diversão para crianças, não possuia sofisticação e servia tão somente para projetar ressentimentos das classes baixas, sendo simplesmente 'fantasia compensatória'.

É claro que seu discurso muito se devia a própria postura do movimento do qual fizera parte.
A 'New Wave' precisava colocar abaixo o panteão sagrado da FC , criticando pesadamente a geração 'Golden Age' e seus ícones.

Disch cometeu suicídio em 4 de Julho de 2008.

Coleção de romances e contos (Bajando, Conceptos, El descubrimento del Nulitron, El ejecutivo, El valiente tostadorcito, En alas de la cancion, Los Genocidas, 334, Problemas del genio creador, Eco alredor de sus huesos, Carrusel, El hombre que no tenia ni ideia, El judio errante, Las ultimas ordenes, El número que se ha alcanzado, The shadow, The Pressure of Time) [ Download ]

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sábado, 17 de janeiro de 2009

Make room! Make room! (Soylent Green) - Harry Harrison



Make Room! Make Room! foi escrito em 1966, uma extrapolação das consequências do super crescimento populacional e serviu de base para o filme 'Soylent Green' (1973).

No futuro de 1999, os recursos naturais consumidos pelos EUA e outros países, são cada vez mais escassos. A população mundial chega a 7 bilhões e toda infra estrutura social está prestes a sofrer um colapso. Make Room! Make Room! conta o dia-a-dia de alguns personagens, entre os quase 35 milhões de uma Nova York quente e superpovoada.

PROLOGUE

In December, 1959, The President of the United States, Dwight D . Eisenhower, said: "This government... will not... as long as I am here, have a positive political doctrine in its program that has to do with this problem of birth control. That is not our business."
It has not been the business of any American government since that time.

In 1950 the United States--with just 9.5 per cent of the world's population--was consuming 50 percent of the world's raw materials. This percentage keeps getting bigger and within fifteen years, at the present rate of growth, the United States will be consuming over 83 per cent of the annual output of the earth's materials. By the end of the century, should our population continue to increase at the same rate, this country will need more than 100 per cent of the planet's resources to maintain our current living standards. This is a mathematical impossibility--aside from the fact that there will be about seven billion people on this earth at that time and -perhaps-they would like to have some of the raw materials too.
In which case, what will the world be like?





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Divirta-se com sua própria cabeça - Thomas DIsch


As cabeças são graciosas e possuem milhares de risos armazenados para você, na nova e melhorada cabeça.

Todos podem desfrutar de uma cabeça falante, jovens e adultos também.

Saboreie, veja, ouça, e ‘sinta dor’ com uma cabeça.

Experimente cada emoção conhecida pela cabeça, e se você já teve uma, deve se lembrar do que dizem: ‘Duas cabeças são melhores do que uma’.

Todos podem desfrutar de uma cabeça falante, cada minuto é diferente do outro, no incrível caos de pensamentos de uma cabeça e cada cabeça é diferente da outra!

As cabeças são graciosas, escute a cabeça desmembrada falar sobre ‘liberdade’, ‘morte’ e ‘Deus’. Faça com que sua cabeça lhe fale sobre ‘amor’. Qualquer cabeça está pronta para falar sobre 'amor', se forem seguidas as instruções do manual de entretenimento.

Observe uma cabeça usada morrer, falando, falando, falando até desfalecer.
Sem dúvida não é um exagero dizer que são maravilhosas!

Saboreie, veja, ouça e ‘sinta dor’ com uma cabeça.

Cada comprador de uma cabeça recebe absolutamente grátis um suprimento vitalício de ‘alimento’. Ponha ‘alimento’ na ‘boca’ de sua cabeça, depois insira o dispositivo co-sensitivo em ‘clavícula esquerda’, e você desfrutará de cada molécula de ‘alimento’ em sua ‘boca’.
Somente aqueles que já comeram com ‘boca’ podem entender as incríveis sensações do ‘alimento’.

A ‘clavícula esquerda’ é também a interface de entrada/saída para ‘olho esquerdo’ e ‘olho direito’. Veja um estranho mundo através do ‘olho direito’, olhando para você próprio!
Veja através do ‘olho esquerdo’ também! Então veja através do ‘olho direito’ e do ‘olho esquerdo’ juntos. Cada cabeça da Exo-Export vem com dois ‘olhos’. Não aceite menos!

‘Clavícula esquerda’ também é interface para ‘nariz’. Agora com a nova cabeça melhorada, você pode experimentar o desconcertante e primitivo mundo do ‘sexo’, já que o centro da nova resposta sexotrópica da cabeça foi retirado da área obsoleta e inalcançável do osso sacro e direcionada para o gracioso ‘nariz’.
Apenas mais uma razão para que duas cabeças sejam ainda melhores do que uma.

‘Clavícula esquerda’ também é interface para ‘queixo’ sensível a ‘dor’.
Em todas as galáxias existem criaturas, frequentemente as mais insignificantes, que podem experimentar o famoso ‘prazer negativo’, e agora com uma cabeça, você também poderá fazê-lo! A nova cabeça melhorada possui mais 35% de sensibilidade à ‘dor’, graças aos refinamentos introduzidos em ‘queixo’.

‘Clavícula esquerda’ também é interface de controle para ‘pomo de adão’.
Nada é mais fácil do que manusear a função-falar de sua cabeça.
Divirta seus amigos falando através de sua própria cabeça! O que poderia ser mais divertido do que falar para outra cabeça que pensa que você também é uma cabeça?

Todos podem desfrutar de uma cabeça falante, jovens e adultos também!
E mais divertida do que sua função-falar é sua função-pensar. Insira o dispositivo ‘compaixão’ na ‘clavícula direita’ e experimente cada emoção conhecida da cabeça. Você sentirá o assombroso ‘amor’ da uma cabeça. Você ficará paralisado com ‘terror’ e a ‘dor’ de sua cabeça e sua própria e inevitável ‘morte’. Você se odiará a si mesmo, talvez a sensação mais excitante de todas.

As cabeças são educativas.
Todos deveriam ter uma cabeça própria com a qual poderiam crescer. As cabeças fornecem uma introdução fácil e estimulante à conceitos básicos de Exo-linguagem e Exo-cultura. Cada cabeça possui uma base completa de assombrosas tradições culturais de seu planeta de origem.
Um terço da vida de uma cabeça da Exo-Export é dedicado para educação.

As cabeças são perfeitamente seguras para os mais jovens. Os dentes pontudos são extraídos da ‘boca’ de cada cabeça e pseudo-dentes hidráulicos inofensivos são instalados.

Muitos decoradores consideram que as cabeças são uma atrativa adição na decoração de interiores, especialmente quando dispostas junto a Exo-flora e a Exo-fauna contrastantes. Para aqueles preocupados com a moda, já estão disponíveis cabeças em uma ampla variedade de cores naturais, desde o castanho até o rosado. Se tratada com a nova fórmula especial Fungi-X, as cabeças também podem ter cores mais agradáveis, apesar de que desta forma, as cabeças terão seu tempo de vida encurtado.

Todos deveriam ter sua própria cabeça e agora todos podem!
Graças a diminuição do volume do ‘peito’, as novas e melhoradas cabeças são o resultado de recentes avanços em biominiaturização e são mais baratas do que o modelo anterior! Também comem menos e ocupam menos espaço! Então, por que voce não compra sua nova cabeça hoje mesmo?

Qualquer cabeça que você comprar da Exo-Export, tem a garantia de que pertence ao planeta de origem, pois é lá que se encontram os responsáveis pelo desmembramento e fabricação das cabeças, onde se pratica à muito tempo a bioengenharia necessária.

São milhares de risos armazenados para você na sua nova e melhorada cabeça!
Por que não comprar sua nova cabeça hoje?
Por que não comprar sua nova cabeça hoje?
Por que não comprar sua nova cabeça hoje?

Somente 49,95 nos Mercados Exo-Export!


Fun With Your New Head (1972)-Thomas Disch

Escultura de Jamie Salmon

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

334 - Thomas M. Disch


334, escrito em 1972, é uma coletânea de contos, todos relacionadas a um prédio na 334 East 11th Street, no início do século 21, em uma Manhattan distópica. É considerado como um dos melhores trabalhos deste brilhante e controverso autor, que se suicidou em Julho de 2008.

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Quicksilver - Book 1 of the Baroque Cycle - Neal Stephenson

Neal Stephenson's new novel is set in the 17th century, in another world of secrets, codes and conflict. Having challenged Robert Harris in his previous book, Stephenson now sets his sights on Patrick O'Brien... Neal Stephenson follows his international bestseller, the WWII thriller Cryptonomicon, with a novel set in the 16th and 17th centuries, as he tells the stories of Daniel Waterhouse and Enoch Root, the ancestors of his central characters in the previous book, following them from their childhoods in London, to education at Cambridge amidst the political and religious fervour and tensions of the Reformation, through the English Civil War, and travels as far as afield as Poland and the American colonies. With a cast of characters that includes Newton, Leibniz, Christopher Wren, Charles II, Cromwell and the young Benjamin Franklin, Stephenson again shows his extraordinary ability to get inside a place and time; as he did for the futures of his science fiction (Snowcrash, The Diamond Age) and for WWII (Cryptonomicon), here he does for the England of the Civil War and the Europe of the Wars of Religion and the Scientific Revolution.
Quicksilver is yet another tour-de-force from a writer who is simply unique.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Contato - Carl Sagan


(...Os comentaristas japoneses falavam do Machindo, o Caminho da Máquina - a perspectiva cada vez mais disseminada da Terra como um imico planeta e de todos os seres humanos como iguais no futuro. Alguma coisa assim havia sido proclamada em algumas religiões - mas não todas.

Os adeptos dessas últimas mostravam-se compreensivelmente ressentidos com o efeito que estava sendo atribuído a uma Máquina alienígena. Se a aceitação de uma nova concepção do nosso lugar no universó representa uma conversão religiosa, pensou Ellie, nesse caso uma revolução teológica estava varrendo a Terra. Até mesmo os milenaristas americanos e europeus tinham sido influenciados pelo Machindo.

Entretanto, se a Máquina não funcionasse e a Mensagem desaparecesse, quanto tempo, refletia Ellie, duraria esse novo modo de pensar? Mesmo que tivéssemos cometido algum erro de interpretação ou construção, ela meditava, mesmo que nunca mais viéssemos a saber coisa alguma sobre os veganos, a Mensagem demonstrava, sem sombra de dúvida, que existiam outros seres no universo, e que eles eram mais adiantados do que nós. Isso ajudaria a manter o planeta unificado durante algum tempo.

Ellie perguntou a Eda se algum dia passara por uma experiência religiosa transformadora.

"Já", disse ele.

"Quando?" Às vezes era preciso estimulã-lo a falar.

"Quando comecei a estudar Euclides. E também quando compreendi pela primeira vez a gravitação newtoniana. E as equações de Maxwell, e a relatividade geral. E durante meu trabalho sobre a superunificação. Tive a sorte de passar por muitas experiências religiosas."

"Não", replicou Ellie. "Você sabe o que eu quero dizer. Fora da ciência."...)


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La nave abandonada y otros relatos de horror en el mar - William Hope Hodgson


William Hope Hodgson (1875- 1918) es sin duda uno de los representantes más originales de lo que se ha dado en llamar el «cuento materialista de terror». La asombrosa facilidad de Hodgson para recrear atmósferas angustiosas y oprimentes fascinó a H. P. Lovecraft y los escritores de su círculo. La nave abandonada reúne los mejores relatos de terror que Hodgson dedicó a los misterios de las profundidades del mar. La soledad de los vastos desiertos de las aguas, el horror apenas insinuado, el acecho de entidades que están más allá de la esfera humana, la pesadilla creciente, las embarcaciones abandonadas en la noche profunda de los mares inmóviles, son algunos de los temas recurrentes de la presente selección, descritos con la intensidad y el suspense de un maestro del género.

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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

El sentido de la ciencia-ficción - Pablo Capanna (1966)


Con algunos momentos de obra filosófica, otros de obra de historia y otros aún de crítica literaria, no resulta sencillo comentar el libro El sentido de la ciencia ficción de Pablo Capanna (Editorial Columba, Bs. As. 1966), dado su carácter multifacético.

En su afán por definir lo que la ciencia ficción es, el autor aborda la cuestión desde diferentes ángulos:

Hace la crítica del nombre “ciencia-ficción” [s-f]; Realiza una genealogía del “género”, considerando como fundamentador a Platón, y como fundador a H. G. Wells; Historiza las características y el desarrollo de la s-f en diferentes países (Inglaterra, Francia, USA, Rusia, etc.); Cuestiona las principales definiciones que de la s-f se han dado; Se detiene en comentar la obra de varios autores destacados; Analiza las distintas formas que adopta el “genero” (space-opera, gadget story, utopías positivas y negativas, ucronías, etc.); Sintetiza, en unos pocos rasgos, el carácter del aficionado a la lectura de s-f; Llega a poner en duda la pertenencia de la s-f a la literatura, ubicándola en un platónico campo de confluencia entre el mito y la teoría. De todo este sustancioso recorrido, opino que este último punto es lo medular de su planteo y lo que hace que esta obra sobre s-f, publicada en 1966, esté destinada a no perder vigencia.

Ciencia Ficción y Mito

La s-f, según sostiene Capanna, antes que una manifestación literaria, sería un mito experimental en donde se expresaría, a nivel popular, el impacto del imperio actual de la ciencia y de la técnica en la existencia humana.

La s-f no sería literatura, en el sentido clásico, porque no predomina en ella la caracterización de personajes, a partir de los cuales se despliega una historia ambientada en un determinado contexto espacio-temporal. Lo importante no son los problemas humanos, en cuanto individuales, sino las vicisitudes que pueda atravesar el ser humano en cuanto especie: En s-f, a la inversa de la literatura convencional, cuenta más el Hombre que los hombres, el asunto que la trama, el tema que los personajes. El espíritu científico, del cual está imbuida, provocaría en el género la predominancia de lo universal, es decir, de la ley respecto del caso individual, lo que haría dudar si la s-f es propiamente una manifestación literaria o es algo que habría que ubicar entre el mito y la teoría. De ahí la denominación mito experimental.

Al hablar de “mito”, Capanna no se refiere a lo que habitualmente se conoce como tal, sino que apunta a ese recurso metodológico utilizado profusamente por Platón y que es, más bien, del orden de la “alegoría”. Se trata de recursos imaginarios que posibilitan una mejor intuición de conceptos sumamente abstractos. Así, Platón nos describe en el Critias la Atlántida como modelo de Estado, cuyos principios había establecido en la República. De forma similar, en la s-f se trataría de relatos que permitirían, al hombre común, hacer imaginables los efectos de la técnica tanto en la propia existencia como en la existencia de las futuras generaciones. Los mitos platónicos serían un modelo para toda utopía y para toda obra de s-f.

La diferencia fundamental entre el mito tradicional y el platónico, entre mitología y s-f, hace evidente una profunda diferencia entre la posición existencial del hombre antiguo y el hombre moderno. El mito arcaico manifiesta una posición existencial que implica una visión del mundo cerrada, para la cual el tiempo está ligado al ciclo cósmico, fijado en ciertas formas que remiten siempre al momento inicial de la creación. El presente debe ser recreado de acuerdo a lo establecido en el origen, estando garantida su permanencia en la fidelidad de tal recreación; y el futuro solo tiene sentido como repetición del pasado. En cambio, la s-f no parte de ninguna certeza, sino que trata, a partir de lo problemático hoy, dar cuenta de lo que nos puede suceder mañana: la resolución, incierta, queda proyectada al futuro. Diferencia entre certeza y posibilidad, entre Repetición y Progreso.

¿Qué es Ciencia Ficción?

El término “science fiction” (s-f) nace en USA con la fundación en 1926, por parte de Gernsback, de la primer revista especializada: Amazing Stories. Con él se pretendía nombrar un tipo de literatura fantástica que tomaba como tema la ciencia, los científicos y el método.

En castellano, la mejor traducción sería “ficción científica”, pero terminó por imponerse “ciencia ficción”, que llega a través de la editorial Minotauro, a imitación del francés. Término bastardo, discordante, que transforma el “science” inglés de especie o adjetivo en género o sustantivo: no es la ciencia que califica a un tipo de ficción, sino la ficción que califica a un tipo de ciencia.
Lo fortuito del nombre “ciencia-ficción” es en parte responsable de interminables discusiones sobre la definición del género. Judith Merril, compiladora de algunas de las mejores antologías, intenta desenmarañar la polémica haciendo algunas distinciones: acepta y emplea la sigla s-f (science-fiction) haciendo la salvedad de que la “S” puede significar tanto “ciencia” (science) como “especulación” (speculation) y la “F” abarca tanto “ficción” (fiction) como “fantasía” (fantasy) o “hechos” (facts).

También es de esta autora la definición de s-f que Capanna hace suya: ciencia-ficción es la literatura de la imaginación disciplinada. Desde esta perspectiva, lo específico de la s f sería cierta actitud metódica y cierta lógica consecuente, de corte científico, para tratar aun las hipótesis más descabelladas o agotar las posibilidades implícitas en una situación dada.

Lo que caracteriza a una teoría científica, en cuanto tal, no es su capacidad de explicar hechos sino, más bien, el predecir los hechos que se producirán de acuerdo con ella: el método científico se caracteriza por la predicción. Y es esta pretensión de predecir lo que emparentaría a la ciencia con la s-f que, entonces, no se definiría tanto por la cientificidad de sus temas, sino por el modo en que los trata. Lo cual marca su diferencia con otros géneros cercanos, tales como la literatura fantástica.

Es por eso que se podría hacer s-f sin necesidad de tratar temas científicos, sino simples relaciones humanas, y aún tratando temas que tradicionalmente son fantásticos. Lo cientíifico no es el contenido sino la actitud, fundada en el método científico, que exige imaginación y el empleo de una cierta lógica (por ej., los condicionales contrafácticos) y cierto método (por ej., la “extensión al absurdo” o la extrapolación lógica).

Quizás lo más interesante, y al mismo tiempo dificil de captar, es que Capanna no propone una clasificación sino una definición de la s-f que abarca muchas de las temáticas en que se ha intentado clasificar el género, e incluso muchas de las definiciones que de él se han dado. De hecho, bajo su definición, entran productos tan disímiles como la Atlántida de Platón, Utopía de Moro, Frankestein de Shelley, 1984 de Orwell, La Naranja Mécanica de Burgess… y por supuesto, todo lo que se entiende habitualmente por s-f. Y queda fuera, entre otros, la mayoría de lo que se ha denominado “space opera”, es decir novelas de aventuras ambientadas en el espacio y/o en el futuro.

Por ejemplo, dentro de este último rubro quedaría ubicada The dragon masters, novela de Jack Vance, dado que una historia que trate de guerras con extraterrestres y participen naves espaciales no significa que sea una obra de s-f. Sin embargo, alguién podría opinar que el relato pormenorizado que se hace de la cría de dragones, y del lugar que ocupa la misma en la economía de la civilización relatada por Vance, la hace merecedora de ser considerada dentro del género de la s-f.

Estamos aquí en un punto crucial: si sostenemos que el tema de la cría de dragones está tratado con coherencia y consistencia lógica, si se deriva en forma verosimil de lo que sabemos de la condición humana, y si nos permite ver desde una nueva perspectiva tal condición, entonces deberemos concluir que la novela de Vance pertenece al campo de la s-f. Según mi criterio, el tema de la cría de dragones no cumple, por lo menos, con la tercera condición.
A mi entender, la clave de lo propuesto por Capanna está en cierta lógica y cierta metodología que la s-f toma de la ciencia, y que apunta a la pretensión de predicción, ya sea con el fin de anticipar el porvenir, o con el fin de construir el escenario para una mirada crítica hacia la evolución de la humanidad. Es decir, que la pretensión de predicción, inherente a la s-f, es tal en la medida que nos incita y nos posibilita saborear con nuevas sensaciones alguna cuestión relativa a lo fáctico de nuestra existencia humana. Lo cual la diferencia netamente de la literatura fantástica.
Para finalizar, sólo me resta recomendarles con entusiasmo la lectura del libro.

Pancho Drake

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All you zombies - Robert A. Heinlein



Vingança, mudança de sexo, paradoxo temporal, viagem no tempo... e zumbis?
'All you Zombies', desde sua publicação em 1958, é considerada a mais famosa história já escrita sobre viagem no tempo. Indicada para o prêmio Balrog.

Entenda o conceito de 'time loop' usado no livro.


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terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Four and twenty blackbirds - Cherie Priest


Vencedor do prêmio Blooker de 2008, na categoria Ficção.

Cherie Priest's horror novel follows the seemingly haunted Eden, as she grows up in an adopted family, in atmosphere suffused with family secrets. Secrets tied to why a man attempted to kill her when she was still a child, and who exactly the ghosts haunting her - or protecting her - are. Priest keeps up the tension surrounding the central mystery, but the physical threat to Eden is never entirely convincing until it gets ratcheted up at the end; and the incompetence of the police is odd. It's still a good horror novel, with blood and family center stage.


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Paises Imaginários - Ursula K.Le Guin

En esta colección de relatos fascinantes, Ursula K. Le Guin revela la misma gracia, el mismo virtuosismo que le ganaron un lugar tan elevado en el ámbito de la ciencia-ficción.
En estos relatos ha creado el hechizo de una serie de países imaginarios habitados por personas imaginarias con problemas reales. Su estilo, mesurado y a la vez deslumbrante de ingenio, puede compararse al extraño encanto de Isak Dinesen. La trama de los relatos avanza y retrocede en al tiempo, pero en ell os aparecen temas constantes: el insaciable anhelo de libertad humana, los terrores de la ti ranía y la persecución,
la irr eprimible necesidad de amor.
La riqueza de l a imaginación de Ursula K. Le Guin desborda en Países imaginarios. Una vez más, esta escritora se revela como uno de los autores más importantes de nuestra época.

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segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Day by day Armageddon - J.L.Bourne

Day by Day Armageddon is everyday man's field guide to survival.

With the gritty, no-nonsense voice of a young Naval officer, Bourne details the evolution of an outbreak of a virus that spreads rapidly from China to America, turning everyone in its path into hordes of mindless, hungry undead. Trapped in his home in San Antonio, Texas the man begins keeping a daily diary of his experiences, detailing in dreary, realistic terms the progression of the downfall of the United States. After making allies with another survivor a few houses away, an engineer by the name of John, they flee the city only hours before the U.S. government is to drop nuclear warheads on all major national cities, including San Antonio. Day after day, with his sanity wearing thin and rations running low, the men continue what seems to be a hopeless struggle for survival in a world overrun with flesh-eating zombies.


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All Flesh must be eaten - One of the living


Se zumbis tomassem conta do planeta, você lutaria para viver? 'One of the Living' (Um dos vivos) é um suplemento do RPG 'All flesh must be eaten', e que foca nos sobreviventes.

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domingo, 11 de janeiro de 2009

A Steampunk's guide to the apocalipse

Então você decidiu sobreviver ao Apocalipse! Parabéns!

Sua força de vontade e determinação já colocam você na frente da competição. E seu aprendizado das tecnologias do amanhã, irão levá-lo ainda mais longe. Centenas de metros acima, na verdade, se você conseguir um dirigível.

Considere este livro como sua companhia pelos tempos difíceis que terá pela frente.

Não apenas um companheiro, mas este pequeno guia poderá ajudar a mantê-lo alimentado, aquecido, hidratado, vestido e protegido contra a miríade de perigos e ameaças, como o clima, humanos e feras.

O Futuro dos corajosos está na nossa frente. Vamos dar adeus para o mundo cibernético.
Nosso futuro está na tecnologia simples, dentro de nossos domínios,uma tecnologia que não nos abandonou e que não requer o Óleo Negro das profundezas.

Se você está em dúvida se vai passar das primeiras páginas, então vai aqui um pensamento: 'Aquele que se junta à modernidade, irá desaparecer com ela. Mas aquele que escolher construir um refrigerador à vapor, irá saborear os frutos de verão.'


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Joe R. Lansdale


Joe R Lansdale (28 Outubro de 1951) nasceu em Gladewater, Texas, EUA, prolífico, Lansdale escreve histórias de horror, western, mistério e suspense, nas mais diversas mídias, livros, filmes, televisão, games e quadrinhos, apesar de só ter começado sua carreira aos 32 anos.

Lansdale escreveu mais de 26 romances e cerca de 200 contos, reunidos em 16 coletâneas, algumas já adaptadas para o cinema, como o recente 'Bubba Ho-Tep'. Escreveu também para as séries animadas, Superman e Batman.

Tamanha produção lhe rendeu aplausos da crítica e do público, além de muitos prêmios. Lansdale ganhou 7 Prêmios Bram Stoker, um Prêmio New York Times Notable Book, um British Fantasy Award, o American Mystery Award, o Horror Critics Award, o Booklist Editor's Award, e Critic's Choice Award.

O autor também se destaca como praticante de artes marciais, e tem títulos de luta em modalidades como Aikido, Daito Ryu Aikijujutsu, Combat Hapkido, American Combat Kempo, e Shen Chuan, constando do International Martial Arts Hall of Fame.

Recentemente foi escolhido para fazer parte do Instituto de Letras do Texas, vive com a família em Nacogdoches, Texas.

Segundo Lansdale, seu sucesso se deve principalmente a duas coisas: A sua disciplina, desenvolvida com a prática das artes marciais e ao seu 'Mojo'. Lansdale trabalha em seus escritos por seis horas todos os dias e passa três horas na sua academia, Self Defense Systems, onde também é professor . É conhecido como 'O Stephen King do Texas.'

Coletânea de Horror (The Job/ The Pit/ Bizarre Hands / Tight Little Stitches in a Dead Man’s Back / Hell Through a Windshield ) [ Download ]

Coletânea de 50 contos variados (Steppin' Out, Summer, '68, The Last of the Hopefu, On the Far Side of the Cadillac, Desert with Dead Folks, A Change of Lifestyle (with Karen Lansdale),
The Steel Valentine, I Tell You It's Love, An All American Hero, The Windstorm Passes,
Billie Sue,The Fat Man and the Elephant, The Pasture, Old Charlie, The Companion (with Keith and Kasey Jo Lansdale), God of the Razor, By the Hair of the Head, The Shaggy House, Pentecostal Punk Rock, The Full Count,The Fat Man,The White Rabbit, A Frog-strangler (with Roy Fish), Bar Talk, Bob the Dinosaur Goes to Disneyland, Bubba Ho-Tep, Cowboy, Drive-In Date,Duck Hunt,Everybody Plays the Fool, Fish Night, Godzilla’S Twelve Step Program,Hell Through A Windshield,Huitzilopochtli, Incident On and Off a Mountain Road,Listen, Long Gone Forever, Man With Two Lives, Night Drive, Not From Detroit, One Death, Two Episodes, Quack, The Big Blow, The Dump, The Job, The Mummy Buyer, The Phone Woman, The Two-Bear Mambo: Chapter Six, Trains Not Taken, Veil's Visit (with Andrew Vachss))
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sábado, 10 de janeiro de 2009

Prazeres Malditos - Laurell K. Hamilton

Expoente da literatura gótica norte-americana da atualidade, a escritora Laurell K. Hamilton já vendeu mais de seis milhões de livros, em 16 idiomas, da série protagonizada pela sexy caçadora de vampiros Anita Blake. O sucesso da autora, freqüentadora assídua das listas de mais vendidos americanas, mostra que o gótico não sai de moda e que, desde clássicos como Frankenstein, de Mary Shelley, e Drácula, de Bram Stoker, até o contemporâneo Entrevista com o vampiro, de Anne Rice, vampiros, zumbis e todo tipo de criaturas extraordinárias continuam à solta no universo literário.

Prazeres malditos é o primeiro de uma série de livros protagonizados por Anita Blake, uma típica garota urbana contemporânea, descolada e bem-humorada, que ganha a vida de uma maneira peculiar: caçando vampiros e ressuscitando mortos. Através dessa ghostbuster contemporânea, a autora dá um tom original e divertido a histórias sobrenaturais, que continuam atraindo a atenção de milhões de leitores em todo o mundo. As aventuras apimentadas de Anita Blake ganharão ainda adaptação para o formato graphic novel, que a Marvel Comics pretende colocar em breve no mercado.

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fonte:Banca de Revista

Equilíbrio - Mike Resnick

Susan Calvin subiu ao palco e observou a sua audiência: acionistas da US Robóticos e Homens Mecânicos.

'Quero agradecer a todos pelo comparecimento. Vou atualizá-los sobre nossos últimos desenvolvimentos' disse ela em seu jeito breve e profissional.

Que rosto medonho ela tem, pensou August Geller, sentado na quarta fileira da platéia. Ela me lembra a minha professora de inglês da sétima série, aquela que eu temia.

Calvin iniciou com uma detalhada explicação dos novos circuitos que haviam sido introduzidos no cérebro positrônico, em termos que um leigo - mesmo um acionista - pudesse entender.

Que mente brilhante, pensou Geller. Absolutamente brilhante. Imagine um semblante como esse sem um cérebro para contrabalançar.

'Alguma pergunta até este ponto?' Perguntou Calvin, seus olhos azuis escaneando a audiência.

'Eu tenho uma' disse uma bela e jovem moça, ficando de pé.

'Sim?'

A moça fez sua pergunta.

'Eu pensei ter explicado esta questão' respondeu Calvin fazendo o máximo para esconder sua irritação e começou a explicar de uma forma ainda mais simplista.

Não é surpreendente? Pensou Geller. Temos aqui duas mulheres, uma possui uma mente primorosa, a outra possui um QI que poderia congelar a água, e ainda assim não consigo tirar os olhos daquela que fez esta pergunta estúpida. Pobre doutora Calvin, a natureza tem um senso de humor bastante malicioso.

Calvin reparou que um bom número de homens estava admirando a questionante. Não era a primeira vez que aqueles homens haviam encontrado algo mais fascinante do que Calvin para direcionar suas atenções, nem a centésima, nem a milésima.
Que vergonha, ela pensou, que eles não eram mais parecidos com os robôs, que eles deixavam seus hormônios sobrepujassem a lógica. Aqui estou eu, explicando como gastei doze bilhões de dólares do dinheiro deles e eles estão mais interessados em um rosto bonito.

Após completar sua resposta, começou a discutir sobre as tentativas que estavam fazendo para tornar os corpos mais fortes para os robôs desenhados para uso extraterrestre usando a aplicação de ligas moleculares de titânio.

Imagino, pensou Geller, se ela algum dia já teve um encontro com um homem?
Ou uma noite de paixão selvagem.
Sabe Deus, apenas uma refeição, quem sabe uma ida ao teatro, onde ela não falaria de negócios.
Ele balançou a cabeça quase imperceptivelmente. Não, provavelmente este tipo de coisa a entediaria. Tudo com o que ela deve se importar são fórmulas e equações. Uma bela aparência seria inútil nela.

Calvin percebeu que Geller a encarava e permanecia assim.
Que homem elegante, ela pensou. Será que já o tinha visto antes em alguma reunião? Tenho certeza de que lembraria. Por que ele está me olhando assim, tão intensamente?

Imagino, pensou Geller, se ela já amou alguém e se foi correspondida.

Provavelmente era apenas mais um homem deslumbrado diante de uma mulher com cérebro, ela concluiu.

De fato, pensou Geller, será que ela já amou alguém?

Olhe para aquele bronzeado, pensou ela, ainda encarando Geller. É atraente, sem dúvida, mas será que ele trabalha ou passa o tempo descansando na praia, sem pensar em nada? Ela sentiu necessidade urgente de elaborar melhor seu pensamento. Às vezes é difícil imaginar que pessoas como eu e você pertencemos à mesma espécie; eu tenho muito mais em comum com meus robôs.

Às vezes, pensou Geller, quando a ouço dissertar assim, cheia de entusiasmo sobre cérebros positrônicos e ligas moleculares, é difícil acreditar que pertencemos à mesma espécie; ela parece um de seus robôs.

Ainda assim, pensou Calvin, contra a sua vontade, você é alta e elegante, e certamente tem um ar de autocontrole; a maioria dos homens não quer ou não conseguem me olhar assim. E seus olhos são azuis claros...

Ainda assim, pensou Geller, deve haver algo nela, algum espectro de feminilidade debaixo desta carapaça e dentro desta mente analítica.

Calvin balançou a cabeça inadvertidamente e quase perdeu o fio do que estava dizendo.
Ridículo, ela concluiu, absolutamente ridículo.

Geller continuou olhando para ela, estudando o seu queixo forte, os ombros largos, a postura agressiva, o rosto desprovido de maquiagem, o cabelo que poderia ser um pouco mais atraente.
Ridículo, ele concluiu, absolutamente ridículo.

Calvin falou por mais quinze minutos - então chegou a parte das perguntas.
Foram feitas duas e ambas respondidas sucintamente.

'Eu quero agradecer à Doutora Calvin por ter separado parte de seu tempo para passar conosco' concluiu Linus Becker, o jovem chefe de operações e executivo da US Robôs e Homens Mecânicos.

'Enquanto tivermos sua notável inteligência trabalhando para nós, estou confiante de que continuaremos a progredir e expandir os parâmetros da ciência robótica.'
'Eu quero acrescentar que quando nós tivermos condições de produzir um cérebro positrônico com a metade da capacidade da nossa doutora, a área de robótica terá chegado ao seu auge' disse um dos acionistas majoritários.

'Obrigada' disse Calvin, ignorando uma estranha sensação de vazio. 'É uma honra.'

'Nós é que estamos honrados com tal brilhante presença.' disse Becker suavemente.

Ele a aplaudiu e logo toda a audiência também aplaudia, incluindo Geller, que se ergueu e deu a ela sua ovação de pé. Então cada um deles avançou na sua direção, se apresentando e apertando sua mão e comentando sobre sua inteligência e criatividade.

'Obrigada' disse Calvin, agradecendo outro cumprimento.
Você pegou minha mão como se esperasse que fosse de tungstênio ou aço, ao invés de carne e osso. Será que eu pareço tanto assim com meus robôs?

'Adorei seus comentários.' disse Calvin para outro acionista. Imagino se amantes falam um com o outro assim neste mesmo tom amigável.

Então Geller deu um passo à frente e apertou sua mão, e ela quase pulou com aquela sensação, a eletricidade passando através de sua mão forte e bronzeada.

'Acho que você é nosso ativo mais valioso, Doutora Calvin' ele disse.

'Nossos robôs são nosso maior ativo.' ela respondeu graciosamente e completou: 'Sou apenas uma parteira científica.'

Ele a confrontou intencionalmente por algum tempo e subitamente a tensão se desfez. Impossível. Você é por demais parecida com seus robôs. Se eu a convidasse para sair, você acharia ser um ato de caridade, e penso que você é muito orgulhosa para aceitar esta gentileza.

Ela olhou nos olhos dele mais uma última vez. Impossível. Tenho meu trabalho a fazer e meus robôs nunca me desapontaram, provando serem mais do que meramente humanos.

'Atenção! Lembrem-se que haverá um banquete daqui a três horas' disse Becker, e virando-se para Calvin disse: 'Você vai estar lá, é claro.'
Calvin assentiu. 'Estarei.'

Ela só tinha quatro horas para se trocar, vestindo algo mais formal para o banquete e já estava atrasada.

Entrou em seu indescritível apartamento, caminhando através da sala de estar e do quarto, ambos repletos de jornais e suplementos científicos, abriu o closet e começou a tirar suas roupas de dentro dele, esticando-as sobre a cama.

'Alguém já lhe disse que você tem os mais belos olhos azuis?' perguntou o robô mordomo.

'Obrigada' disse Calvin.

'É verdade, sabe, lindos, lindos olhos, tão azuis quanto safiras.'

A robô arrumadeira entrou no quarto para ajudá-la a se vestir.

'E um belo sorriso.' disse a arrumadeira, e completou 'Se eu tivesse um sorriso como esse, os homens brigariam apenas pelo prazer de vê-lo.'

'Você é muito gentil' disse Calvin.

'Ah, não, senhorita Susan. Você é muito bonita.' Corrigiu a empregada.

Calvin percebeu que seu robô cozinheiro estava parado à entrada do quarto.

'Pare de olhar para mim' ela falou. 'Eu estou apenas meio-vestida. Onde estão os seus modos?'

'Com pernas como as suas, você achava que eu pararia de olhar?' disse o cozinheiro com uma risada seca e mecânica. 'Toda noite eu sonho em encontrar uma mulher com pernas assim.'

Calvin escorregou para dentro do vestido e esperou a robô empregada subir o zíper nas suas costas.

'Uma pele tão clara e macia.' sussurrou a empregada. 'Se eu fosse uma mulher, este seria o tipo de pele que eu iria querer ter.'

Eles eram criaturas com percepção extrema, refletiu Calvin em frente ao espelho e aplicou uma camada leve de batom. Que criaturas adoráveis. Era claro que estavam apenas respondendo às necessidades da Primeira Lei - minhas necessidades - mas quanta consideração eles tinham.

Pegando a bolsa, seguiu para a porta.
Pensou se eles se cansavam de recitar esta litania.

'Você será a mais bela da festa' disse prontamente o robô mordomo, enquanto ela atravessava o apartamento.

'Obrigada, muito obrigada.' disse ela 'Você se torna mais bajulador a cada dia que passa.'

O robô inclinou sua cabeça metálica e disse pouco antes da porta se fechar atrás dela:
'Só se fosse mentira, minha senhora.'

Com seu equilíbrio emocional plenamente restaurado, como sempre se fazia necessário ao chegar em casa após lidar com seres humanos, ela tomou o caminho do banquete sentindo-se revigorada e renovada.

Pensou se poderia sentar próximo ao elegante August Geller, que havia prestado tanta atenção nela durante sua explanação. Depois de refletir, esperou que pudesse sentar em qualquer lugar. Ele parecera manifestar alguns sentimentos desconfortáveis a seu respeito, aquele homem jovem e galante - e as fantasias, uma vez que tudo tivesse sido dito e feito, existiam somente para intelectos inferiores que, diferente dela, não sabiam lidar com as frias verdades do mundo real.

Fim

A Ficção Científica está morrendo? - Nick Sagan


Para um gênero que se pretende olhar para o futuro, a Ficção Científica tem certamente olhado muito para trás nos últimos tempos.

Nostalgia é o que mais se vende, os leitores gastam seu dinheiro em livros que são tirados de filmes de sucesso, e das seqüências de séries de longa duração.

Sim, também há novos livros fantásticos de Ficção Científica (basta ver os últimos vencedores do Hugo para se ter certeza disso) mas cada vez mais leitores preferem universos já estabelecidos como Star Wars e Duna.



Mesmo os escritores que estão fora disso hoje, já tiraram algum benefício desta nostalgia – John Scalzi com sua magnífica série Old Man’s War, não deve nada a Heinlein, algo assim dos tempos gloriosos da FC.

Nós estamos nos habituando com aquilo que é confortável. Não que tenha algo errado com isso. Mas levanta a questão para onde a FC está indo.

A FC britânica e canadense me parece estar olhando para frente, mais do que a americana, como evidencia o sucesso de Ian M.Banks, Charlie Stross, Robert Charles Wilson e Cory Doctorow.
A FC americana caiu em um abatimento em parte pelo sentimento anti-científico que é prevalecente em nossa cultura ultimamente.
Estamos mais preocupados com a estética do que com a ciência. ('Não é sinistro o novo Ipod?’)

Não estamos nos fazendo as perguntas que importam, sobre nosso futuro, o futuro de nossa espécie, perguntas que a FC regularmente explora mostrando-nos o melhor e o pior do que podemos vir a ser.

Quando o mundo se achar inspirado por uma nova iniciativa cientifica, da escala de um programa Apolo, digo, energia renovável para proteger nosso planeta da mudança climática ou uma missão tripulada a Marte, onde nós podemos colocar nossos pés – então haverá um ressurgimento da FC e surgirá uma nova geração de leitores, e o gênero poderá ir por novos, inesperados e excitantes caminhos.

O próximo livro de Nick Sagan (filho de Carl Sagan) vai se chamar Future Proof: The greatest gadgets and gizmos ever imagined

Site oficial de Nick Sagan