Livro 1
A esse tempo, a Terra já dominava uma vasta área no universo, onde muitas culturas proliferavam. O major McLane era o comandante do cruzador Orion VII e, juntamente com sua equipe, já conseguira inúmeras vitórias para Terra. No entanto, ao se aproximarem de MZ-4, a estação retransmissora, a Orion percebe os estranhos sinais por ela emitidos; e aí se inicia mais uma dura prova para a tripulação da Orion VII.Livro 2
A nave Orion VII, sob o comando do major Cliff, passaria por uma terrível prova de fogo... Desta vez, a missão era destruir o planeta teleguiado que se chocaria com a Terra. As dificuldades se tornam gigantescas pois, por trás dos acontecimentos, estão os poderosos seres extraterranos.Livro 3
A mina da colônia Alpha Vinte e Um não estava mais produzindo o importante minério... Desobedecendo a uma ordem, Cliff tenta solucionar este mistério. Porém, ao pousar, surgem as complicações: os robôs estavam amotinados!Livro 4
Ao descobrir que impulsos hipnóticos transformavam os comandantes das naves em perfeitas marionetes, McLane teria pela frente um enigma... E, em pleno hiperespaço, a Orion travaria uma batalha contra o sugestor desconhecido!Livro 5
No ano de 1955, um cientista de nome Baade descobriu que uma pequena estrela, designada por Ross 614A, possuía um satélite. Esse sol, um anão vermelho, distava do sol terrano treze anos-luz, enquanto seu satélite orbitava em torno dele a uma distância de cerca de 600 milhões de quilômetros, o que correspondia à distância entre o sol terrano e o planeta Júpiter.
O satélite recebeu o nome de Ross 614B.
A massa total desse satélite equivalia a oito centésimos da massa solar, e sua capacidade luminosa era 63 mil vezes mais fraca que a do sol de Terra. As reações termonucleares no interior de Ross 614B eram responsáveis pela elevada temperatura na sua superfície, que era de 985 graus centígrados. O sol e seu satélite cintilante foram catalogados, e constituíram o tema de vários trabalhos na literatura especializada, uma vez que representavam um exemplo raro das relações entre sol e planeta. Foram incluídos no manual, recebendo um longo número de catálogo, seguido das suas coordenadas hiperespaciais.
Obtiveram uma certa notoriedade durante a 2.a guerra interestelar quando, nas imediações dessa estrela, se realizou um combate entre quatro naves de Terra e cinco unidades da Federação. Duas naves inimigas, fortemente atingidas, fugiram para o espaço livre e foram dadas como desaparecidas.
Depois desse incidente, Ross 614A e Ross 614B caíram no mais completo esquecimento.
Treze anos-luz... a posição situava-se inequivocamente dentro da primeira zona de distância de 45 parsec. Coordenadas: Um/sul 019.
Ninguém mais se lembrava do anão vermelho e seu satélite escaldante. E ninguém fazia a menor idéia da sorte daquelas grandes naves, que tinham fugido após o combate. Não havia quem se dirigisse voluntariamente àquela região.
Mais tarde, porém, tudo isso voltaria à lembrança, causando a maior consternação.
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terça-feira, 17 de março de 2009
Espaçonave Orion - 5 livros
segunda-feira, 16 de março de 2009
Os Meninos do Brasil - Ira Levin

Na noite de sexta-feira, 31 de janeiro, Mengele usava o nome Mengele.
Voara com os seus guarda-costas para Florianópolis, na ilha de Santa Catarina, mais ou menos a meio caminho entre São Paulo e Porto Alegre, onde, no salão de festas do Hotel Novo Hamburgo, decorado para a ocasião com suásticas e flâmulas vermelhas e negras, os Filhos do Nacional-
Socialismo davam um jantar-dançante a cem cruzeiros por cabeça.
Que emoção quando Mengele apareceu! Os nazistas importantes, os que haviam desempenhado papéis de grande importância no Terceiro Reich e eram conhecidos no mundo todo, costumavam mostrar-se esnobes com relação aos Filhos, recusando os seus convites sob pretexto de doença e fazendo comentários irritadiços a respeito do seu líder, Hans Stroop (que, até mesmo os Filhos reconheciam, às vezes excedia-se na sua imitação de Hitler).
Mas ali estava o próprio Herr Doktor Mengele, em pessoa e de dinner jacket branco, apertando mãos, beijando rostos, sorrindo, rindo, repetindo novos nomes.
Que gentileza a sua de vir!
E como parecia saudável e feliz!
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O Bebê de Rosemary - Ira Levin

Aquelas velas pretas que Minnie tinha trazido na noite da falta de energia elétrica tinham chamado de tal maneira a atenção de Hutch, que passara a se interessar e fazer indagações sobre o casal. Será que desconfiava de Roman e Minnie fossem, como dizia o livro, bruxos? Minnie com suas ervas e seu talismã de tannis? Roman com seu olhar perfurante? Mas que bobagem!
Bruxarias não existiam mais. Ou existiriam?
Lembrou-se então do resto do recado de Hutch: “O nome é um anagrama”. Tentou várias combinações com o nome do livro. Era difícil, pois as letras eram tantas que criavam a maior confusão. Precisaria de lápis e papel, ou melhor, do jogo de palavras cruzadas.
Foi buscar a caixa do jogo, tornou a sentar-se ao lado da janela e separou as pedrinhas com as letras que formavam o título do livro. O bebê já vai nascer jogando cruzadas, pensou Rosemary.
— Fique quietinho aí dentro.
Tentou várias combinações; primeiro com o nome do livro. Como nenhuma fazia sentido, pegou novas peças, agora para formar o nome do autor.
O nenê deu um pontapé vigoroso.
Começou a fazer um anagrama com o nome do autor, só conseguindo de J. R. Hanslet formar Jan Shrelt ou J. H. Snartle. Coitado de Hutch! Devia estar bem ruinzinho...
Pegou novamente a caixa do jogo e guardou as pedrinhas. Pegou o livro, que continuava a seu lado e abrira-se a esmo. Abrira-se na página que mostrava a foto de Adrian Marcato e sua família. Talvez Hutch tivesse forçado a encadernação, quando sublinhou o nome Steven.
O nenê estava agora completamente imóvel.
Rosemary tirou da caixa do jogo as letras que formavam o nome Steven Marcato.
Arrumou-as na ordem e depois, sem hesitação, mudou a posição das pedrinhas e olhou o resultado: Roman Castevet.
Fez nova transposição: Steven Marcato.
A partir daí, novamente Roman Castevet.
O nenê moveu-se ligeiramente.
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domingo, 15 de março de 2009
Ten Years of Nebula Awards (1975) - Gordon R. Dickson
("We have now had ten years' worth of science-fiction novels and shorter works which have been voted winners of the Nebula Award; and whatever else may be said about these stories, they cannot be denied the label of "representative. "
The winners as a group are the result of a decade of selections by those who themselves write in the field and who have endeavored annually to choose the best work that was being done...")
Ten Years of Nebula Awards - Gordon R. Dickson [ Download ]
Gordon R. Dickson

Gordon Rupert Dickson (1 de Novembro de 1923 - 31 de Janeiro de 2001), prolífico escritor canadense de Ficção Científica, Dickson, que apesar de nascer no Canadá, passou a maior parte de sua vida em Minneapolis, Minnesota(EUA), escreveu mais de 80 livros. Ficou mais conhecido por escrever sagas, entre elas o ciclo Childe e Dorsai.
Apesar do relativo sucesso comercial, foram os contos que lhe deram prêmios e reconhecimento. Vencedor de três prêmios Hugo ("Soldier, Ask Not,", "Last Dorsai" e "The Cloak and the Staff"), e um prêmio Nebula ("Call Him Lord").
Foi presidente da SFWA (Science Ficion Writers of America) de 1969 a 1971.
Coleção Gordon Dickson (Computers don't argue, Call him Lord, El sheriff de Canyon Gulch, Space winners, The lifeship, The Strangers, Forever man, Dorsai vol.1-5, Alien Art, Spacial Delivery, FutureLove, Gremlins go home, The Alien Way, The Last Master, Enter a Pilgrim)
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O Silêncio dos livros
Nós da Biblioteca Fantástica, como não poderia deixar de ser, somos apaixonados por livros e por tudo que se refere a esta nossa paixão.
Belas imagens sobre a relação livro-leitor, é o que encontramos em 'O Silêncio dos Livros'.









sábado, 14 de março de 2009
Sci-Fi Movies site
Filmes, séries, lançamentos, posters, resenhas...
SCI-FI Movies
Postado por
Capacitor Fantástico
às
16:38
Tag: cinema, Fantasia, Fantástico, Ficção Científica, Horror, Sites
The Ultimate Guide to Modern Writers of Fantastic Literature: 1990-2009

Não é segredo que vivemos hoje a idade de ouro da Literatura Fantástica.
Mais livros do gênero são publicados hoje do que nunca antes.
Somado a isso, mais e mais títulos pouco conhecidos surgem na internet, levando a um aficcionado pela Ficção Científica e Fantasia, achar que morreu e está no Paraíso.
Cerca de 3.000 títulos (em inglês) são lançados a cada ano, sendo ao menos uma centena destes de alta qualidade e trazendo novos escritores.
Apesar dos grandes escritores, famosos e premiados estarem por ai, existe uma infinidade de novos talentos surgindo e isso demonstra a beleza da Ficção Científica/Fantasia, por ser tão variada e possuir um largo espectro de sub-gêneros e estilos à oferecer.
Durante anos, Avi Abrams do Dark Roasted Blend compilou informações sobre novos escritores, promessas da Ficção Científica, Fantasia, Terror/Horror e realismo Mágico.
O resultado deste trabalho se encontra disponível online:
The Ultimate Guide to Modern Writers of Fantastic Literature: 1990-2009
Sci-Fi London Film Festival
Desde 2002 quando foi criado, o SCI-FI LONDON FILM FESTIVAL é um dos maiores eventos do cinema voltado exclusivamente para o gênero fantástico.
Neste ano de 2009, o Festival, que conta com lançamento mundial de uma dúzia de filmes e debates sobre o gênero na tv e na literatura, também abre espaço para que as pessoas possam enviar filmes de curta duração, abrangendo mídias alternativas.
O site do festival traz diversas informações sobre os lançamentos para 2009, além do link da SCI-FI-LONDON.TV onde é possível se assistir trechos dos filmes.
Sci-Fi London Film Festival
Postado por
Capacitor Fantástico
às
04:00
Tag: cinema, evento, Fantasia, Fantástico, Ficção Científica, Sites
sexta-feira, 13 de março de 2009
O Gene Egoísta - Richard Dawkins
PREFÁCIO
Este livro deveria ser lido quase como se fosse ficção científica.
Ele destina-se a agradar a imaginação. Mas não é ficção científica: é Ciência.
Seja ou não um lugar-comum, "mais estranho do que
ficção" exprime exatamente como me sinto com relação à verdade.
Somos máquinas de sobrevivência – veículos robô programados cegamente para preservar as moléculas egoístas conhecidas como genes.
Esta é uma verdade que ainda me enche de surpresa. Embora a conheça há anos, parece que nunca me acostumo completamente a ela. Um de meus desejos é ter algum sucesso em surpreender a outros.
Três leitores imaginários olharam por sobre meu ombro enquanto escrevia, e agora a eles dedico o livro. Em primeiro lugar o leitor geral, o leigo. Por ele evitei o jargão técnico quase totalmente e onde tive que usar palavras especializadas eu as defini. Agora me pergunto por que não censuramos a maior parte de nosso jargão também das revistas especializadas. Supus que o leigo não tenha conhecimento especializado, mas não supus que ele seja estúpido. Qualquer um pode popularizar a Ciência se ele simplificar demasiadamente.
Trabalhei arduamente tentando popularizar algumas idéias sutis e complicadas em linguagem não matemática, sem perder de vista sua essência. Não sei quanto sucesso tive nisto, nem quanto sucesso tive em outra de minhas ambições: tentar tornar o livro tão fascinante e agradável quanto o assunto merece. Desde há muito senti que a Biologia deve parecer tão excitante quanto
uma história de mistério, pois ela é exatamente isto.
Não ouso esperar ter transmitido mais do que uma pequena fração da excitação que o assunto tem a oferecer.
Meu segundo leitor imaginário foi o especialista. Ele tem sido um crítico severo, suspirando
profundamente com algumas de minhas analogias e figuras de linguagem. Suas frases favoritas são "com exceção de", "por outro lado", e "ah, não". Ouvi-o atentamente e até reescrevi por completo um capítulo apenas em seu benefício, mas, no fim, tive que contar a história da minha maneira. O especialista ainda não estará completamente satisfeito com a maneira pela qual expus o assunto. No entanto, minha maior esperança é que até ele encontrará aqui algo de novo; uma nova maneira, talvez, de ver idéias familiares; até mesmo estímulo para idéias novas próprias. Se esta é uma aspiração alta demais, poderei pelo menos esperar que o livro o distraia em um trem?
O terceiro leitor que tive em mente foi o estudante, realizando a transição do leigo para o
especialista. Se ele ainda não decidiu em que campo quer se especializar, espero encorajá-la a considerar meu próprio campo da Zoologia. Há uma razão melhor para estudar a Zoologia do que sua possível "utilidade" e estima que os animais provocam. Esta razão é que nós animais somos as máquinas mais complicadas e perfeitamente planejadas do universo conhecido.
Apresentada desta forma, é difícil entender como alguém pode estudar qualquer outra coisa! Para o estudante que já se comprometeu com a Zoologia, espero que meu livro tenha algum valor educativo. Ele está tendo que estudar os artigos originais e livros técnicos nos quais minha exposição se baseia. Se ele achar as fontes originais difíceis de entender, talvez minha interpretação não matemática possa ajudar, como uma introdução e fonte suplementar.
Há perigos óbvios em se tentar agradar três tipos diferentes de leitores.
Só posso dizer que estive cônscio desses perigos e eles pareceram ser compensados pelas vantagens da tentativa.
Sou etólogo e este é um livro sobre comportamento animal. Minha dívida à tradição etológica na
qual fui treinado será óbvia. Em particular, Niko Tinbergen não imagina a importância de sua influência durante os doze anos nos quais trabalhei sob sua direção em Oxford. A frase "máquina de sobrevivência", embora não seja, de fato, criação sua, poderia muito bem sê-lo. Mas a Etologia recentemente tem sido revigorada por uma invasão de idéias novas oriundas de fontes normalmente não consideradas etológicas.
Richard Dawkins
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Os Vírus da Mente - Richard Dawkins

Uma linda criança próxima de mim, com seis anos e a menina dos olhos de seu pai, acredita que
Thomas o Motor de Tanque [personagem de uma história infantil] realmente existe. Ela acredita em Papai Noel, e quando ela crescer sua ambição é ser uma fada do dente. Ela e seus amigos de escola acreditam na palavra solene de adultos respeitados de que fadas do dente e o Papai Noel realmente existem.
Esta pequena menina está em uma idade de acreditar em tudo que você lhe contar. Se você lhe contar sobre bruxas transformando príncipes em sapos ela acreditará em você. Se você lhe contar que crianças más ardem eternamente no inferno, ela terá pesadelos. Eu descobri há pouco que sem o consentimento do pai dela esta criança de seis anos encantadora, confiante e crédula está sendo enviada, para instrução semanal, a uma freira católica romana. Que chances ela tem?
Uma criança humana é moldada pela evolução para se saturar da cultura de seu povo.
Obviamente, ela aprende os essenciais do idioma de seu povo em questão de meses.
Um dicionário grande de palavras para falar, uma enciclopédia de informação para falar sobre, regras sintáticas e semânticas complicadas para ordenar a fala são todos transferidos de cérebros mais velhos ao dela antes que ela alcance metade de seu tamanho adulto.
Quando você é pré-programado para absorver informação útil a altas taxas, é difícil impedir ao mesmo tempo a entrada de informação perniciosa ou prejudicial. Com tantos bytes mentais para ser assimilados, tantos códons mentais para ser reproduzidos, não é nenhuma surpresa que cérebros de crianças sejam crédulos, abertos a quase qualquer sugestão, vulneráveis à
subversão, presas fáceis para Moonies, Cientologistas e freiras.
Como pacientes imuno-deficientes, crianças estão amplamente abertas a infecções mentais as quais adultos poderiam repelir sem esforço.
O DNA também inclui código parasitário. A maquinaria celular é extremamente boa em copiar DNA. No que tange o DNA, ele parece ter uma ânsia para copiar, parece ansioso em ser copiado. O núcleo da célula é um paraíso para o DNA, repleto de maquinaria de duplicação sofisticada, rápida e precisa.
A maquinaria celular é tão amigável para a duplicação de DNA que é pouca surpresa que células
tornem-se hospedeiras de parasitas de DNA – vírus, viróides, plasmídeos e um refugo de outros
camaradas viajantes genéticos. O DNA parasitário até mesmo se torna emendado aos cromossomos de forma quase imperceptível. “Genes saltantes” e extensões de “DNA egoísta” se cortam ou copiam para fora de cromossomos e se colam em outro lugar. Oncogenes mortais são quase impossíveis de distinguir de genes legítimos entre os quais eles estão trançados. No tempo evolutivo, há provavelmente um tráfico ininterrupto de genes “legítimos” para genes “foras-da-lei”, e de volta novamente (Dawkins, 1982).
O DNA é só DNA. A única coisa que distingue DNA virótico do DNA hospedeiro é seu método esperado de passar para gerações futuras. DNA hospedeiro “legítimo” é apenas DNA que aspira passar para a próxima geração pela rota ortodoxa de espermatozóide ou óvulo. DNA parasitário “fora-da-lei” é só DNA que busca uma rota mais rápida e menos cooperativa ao futuro, por uma minúscula gotinha ou fragmento de sangue, em lugar de por um espermatozóide ou óvulo.
Para dados em um disquete, um computador é um paraíso da mesma maneira que núcleos de
célula têm uma ânsia em duplicar DNA.
Computadores e seus leitores de disco e fita associados são projetados com alta-fidelidade em mente. Como com moléculas de DNA, bytes magnetizados não “querem” literalmente ser copiados de forma fiel. Não obstante, você pode escrever um programa de computador que toma medidas para se duplicar. Não apenas duplicar a si mesmo dentro de um computador, mas se espalhar para outros computadores. Computadores são tão bons em copiar bytes, e tão bons em obedecer as instruções contidas nesses bytes fielmente, que são vítimas fáceis para programas auto-reprodutores: amplamente abertos à subversão por parasitas de software.
Qualquer cínico familiar com a teoria de genes egoístas e memes teria sabido que computadores pessoais modernos, com seu tráfico promíscuo de disquetes e ligações de e-mail, estavam procurando por problemas. A única coisa surpreendente sobre a epidemia atual de vírus de computadores é que demorou tanto para ocorrer.
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quinta-feira, 12 de março de 2009
A Invasão Divina - Philip K. Dick
No distante planeta de metano CY30-CY30B, Herb Asher passa o tempo em seu domo ouvindo obsessivamente os teipes de sua cantora predileta, Linda Fox. Entretanto, no domo mais próximo, a jovem judia Rybys Rommey está morrendo de esclerose múltipla. Ela não sabe que, apesar de virgem, está grávida. A história se repete, só que em vez de estar levando no ventre o filho de Deus, como Maria, Rybys está gerando o próprio Deus.
Um dia Deus se manifesta a Herb e lhe ordena visitar Rybys. No domo da moça, os dois são visitados por um velho, conhecido há mais de 4.000 anos como o profeta Elijah. Elias, como se apresentou o profeta, diz aos dois que eles têm que se casar, pois deverão retornar à Terra com o pretexto de procurar auxílio médico para Rybys e assim a criança divina nasceria aqui.
Tudo foi feito como havia sido mandado, mas as autoridades política e religiosa tentam de todas as maneiras impedir o retorno dos três. Ao desembarcarem, Elias atrai a atenção dos policiais sobre si para que o casal possa sair sem problemas. No entanto, durante a fuga, o carro em que estão é envolvido em um acidente. Rybys temum trabalho de parto prematuro e morre. A criança nasce com lesão cerebral e Herb fica em suspensão criogênica durante 10 anos, aguardando um órgão para transplante.
Durante este período em que fica congelado, Herb lembra ou efetivamente revive tudo o que lhe aconteceu. Enquanto isso, Emanuel, o filho de Rybys, está sendo criado por Elias, que è obrigado a matriculá-lo numa escola especial, pois o acidente lhe provocou também uma espécie de amnésia. Lá Emanuel conhece uma menina misteriosa, uma entidade divina com poderes sobrenaturais, chamada Zina, com a qual discute Seu próprio destino e o da humanidade e reaprende Sua condição divina.
Com a combinação de seus poderes, Emanuel e Zina criam um mundo diferente, uma versão alternativa da Tetra, onde Rybys ainda vive e está casada com Herb que trabalha numa loja de aparelhos de som e está perdidamente apaixonado por uma cantora em início de carreira, Linda Fox. É neste mundo alternativo que começa a batalha entre Emanuel e o demônio Belial pela alma de Herb e pelo domínio ou liberação do mundo.
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Os Três Estigmas de Palmer Eldritch - Philip K.Dick
Num futuro não muito longínquo, Leo Bulero é um capitalista que distribui uma substância chamada Do-C aos habitantes de Marte, que à falta de outras distrações locais (se excluirmos o sexo) se entregam continuamente a ilusões da dita substância. No entanto, este monopólio de Bulero parece estar ameaçado por uma nova droga de translação designada U-Melhor. Palmer Eldritch, um homem de negócios exilado numa galáxia distante, é o detentor desta nova substância que em vez de ilusões, cria realidades, levando as pessoas a ela sujeitas a deslocarem-se, no espaço e no tempo, por vários futuros possíveis. O preço da utilização desta droga é o controlo de Palmer Eldritch do universo privado de cada um – universo esse do qual ninguém pode sair, nem mesmo morto.Quem se atreverá a deter esta terrível substância, capaz de transformar o mundo ou acabar com ele?
Os Três Estigmas de Palmer Eldritch - Philip K.Dick [ Download ]
Fonte: ZinedoVelho
O Homem do Castelo Alto - Philip K. Dick

Pensou: eu e ele podíamos nos engajar num foguete colonizador.
Mas os alemães não o aceitariam por causa de sua pele morena e a mim por meu cabelo escuro. Aqueles SS nórdicos, bichas, magros e pálidos, nos seus castelos de treinamento na Baviera.
Este sujeito — Joe não sei o quê — não tem nem mesmo a expressão correta no rosto; devia ter aquela expressão fria e contudo entusiasta de quem não crê em nada e assim mesmo tem fé absoluta. Sim, eles são assim. Não são idealistas feito Joe e eu; são cínicos dotados de uma fé total. É uma espécie de deficiência cerebral, como uma lobotomia — aquela mutilação que os psiquiatras alemães fazem e que é um miserável sucedâneo da psicoterapia.
O problema deles, concluiu, é o sexo; nos anos 30 já praticavam coisas infames e isso tem piorado. Hitler foi o iniciador com sua — o que era? Sua irmã? Tia? Sobrinha? E a família já sofria de consangüinidade; seus pais eram primos. Estão todos praticando incesto, voltando ao pecado original de desejar as próprias mães.
É por isso que eles, as bichas da elite do SS, têm aquele risinho angelical, aquela inocência loura de bebê; estão se guardando para a mamãe. Ou para os camaradas.
E quem é mamãe para eles? pensou ela. O líder, Herr Bormann, que dizem estar morrendo? Ou... o Doente.
O Velho Adolf, que se supõe estar num sanatório em alguma parte, num estado senil. Sífilis cerebral, datando de seus dias miseráveis de vagabundo em Viena... casacão preto comprido, cuecas sujas, abrigos para mendigos.
Obviamente, era a vingança irônica de Deus, como num filme mudo. Aquele homem horrível comido por uma sujeira interna, o castigo histórico para a maldade humana.
E o pior era que o Império Alemão atual era um produto daquele cérebro. No início um partido político, depois uma nação, depois metade do mundo. E os próprios nazistas haviam diagnosticado, haviam reconhecido, aquele curandeiro que cuidou de Hitler com plantas, aquele Dr. Morell que tratou Hitler com um remédio chamado Pílulas Antigas do Dr. Koester — fora inicialmente especialista em doenças venéreas.
O mundo inteiro sabia e, mesmo assim, o falatório do Líder ainda era sagrado, ainda era o Evangelho. Suas idéias já tinham agora contaminado uma civilização inteira e, como esporos do mal, as bichas louras cegas voavam da Terra aos outros planetas, espalhando a infecção.
Resultado do incesto: loucura, cegueira, morte.
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quarta-feira, 11 de março de 2009
A Coisa - Stephen King
Agora, ali estava ele, perseguindo seu barco que descia pelo lado esquerdo da Rua Witcham. Corria depressa, mas a água era ainda mais rápida e seu barco avançava velozmente. Ouviu um forte rugido e viu que, cinqüenta metros além, na descida da ladeira, a água na sarjeta encachoeirava-se para um bueiro que ainda estava aberto. Era um comprido semicírculo escuro, recortado na cantaria e, enquanto George espiava, um galho solto, de casca tão escura e lustrosa como pele de foca, foi abocanhado pelo bueiro. Pairou sobre ele um instante e depois deslizou para o interior. E era para lá que o barco se encaminhava.
— Oh, que droga, que droga! — gritou ele, agoniado.
George acelerou a corrida e, por um momento, pensou que alcançaria o barco.
Então, um de seus pés escorregou e ele caiu, escarrapachado, esfolando um joelho e gritando de dor. De sua nova perspectiva, ao nível do piso da rua, viu seu barco balançar duas vezes, momentaneamente apanhado por outro redemoinho, para em seguida desaparecer.
— Droga e droga! — tornou a gritar, dando um soco no chão. Isso também doeu e ele começou a chorar um pouco.
Que maneira imbecil de perder o barco! Levantando-se, caminhou até o bueiro. Ficou de joelhos e espiou. A água fazia um ruído surdo e oco, ao despencar nas profundezas escuras. Era um som esquisito. Fez com que ele se lembrasse de...
— Huh!
O som pareceu ser arrancado de sua garganta, como que em uma fieira, e ele encolheu-se. Havia olhos amarelos lá dentro: o tipo de olhos que sempre imaginara no porão, mas que nunca vira. É um animal, pensou incoerentemente, é isso aí, um animal, talvez algum gato, que ficou preso lá dentro.
Ainda assim, ele estava pronto para correr — correria em mais um ou dois segundos, quando seu painel mental de instrumentos houvesse manejado o choque recebido por aqueles dois brilhantes olhos amarelos. George sentiu a superfície áspera do asfalto debaixo dos dedos e a fina camada de água fria fluindo por entre eles. Viu-se ficando em pé e recuando, mas foi então que uma voz — uma voz perfeitamente razoável e bem agradável — falou com ele, saindo de dentro do bueiro.
— Oi, Georgie!
George piscou e tornou a olhar. Mal podia crer no que via. Era como algo de uma
história inventada ou de um filme onde sabemos que os animais falarão e dançarão. Se
ele fosse dez anos mais velho, não acreditaria no que viam seus olhos. Entretanto, não
tinha dezesseis anos, tinha apenas seis.
Havia um palhaço no bueiro.
A Coisa (completo)- Stephen King [ Download ]
O Nevoeiro - Stephen King

- Não saiam! -gritou a Sra. Carmody. - É a morte! Sinto que a morte está lá fora!
Bud e Ollie Weeks, que a conheciam, pareceram impacientes e irritados, mas alguns veranistas à volta dela afastaram-se alguns passos, pouco ligando para seus lugares na fila.
Nas cidades grandes, as bag-ladies parecem ter o mesmo efeito sobre os demais, como se fossem portadores de alguma doença contagiosa. Quem sabe? Talvez sejam mesmo.
Então, as coisas começaram a acontecer em ritmo acelerado e confuso. Um homem entrou aos tropeções no supermercado, empurrando a porta ENTRE até o fim. Seu nariz sangrava.
- Há alguma coisa naquele nevoeiro! - gritou.
Billy encolheu-se contra mim -fosse por causado nariz sangrento do homem ou pelo que ele dizia, eu não sei.
- Há alguma coisa naquele nevoeiro! - repetiu ele. - Alguma coisa no nevoeiro agarrou John Lee! Alguma coisa... - Ele tropeçou de costas em uma amostra de adubo para jardim, amontoada junto às vidraças e sentou-se ali. -Alguma coisa no nevoeiro pegou John Lee e eu o ouvi gritando!
A situação mudou. Já nervosas pela tempestade, pela sirene policial e o apito de incêndios, pelo sutil deslocamento que qualquer interrupção da força elétrica provoca na psique americana e pelo ambiente de cada vez maior inquietude quando as coisas, de algum modo... alguma forma, se transformam (não sei como expressá-lo melhor do que isto), as pessoas começaram a mover-se como um todo.
(...)
- O que é aquele homem cheio de sangue, papai? O que é?
- Está tudo bem, Grande Bill. É só o nariz dele. Ele está bem.
- O que ele quis dizer, com alguma coisa no nevoeiro?-perguntou Norton.
Vi que ele franzia a testa inteiramente, sem dúvida a sua maneira de parecer confuso.
- Estou com medo, papai - disse Billy, através de lágrimas. - Será que a gente não podia ir para casa?
O Nevoeiro - Stephen King [ Download ]
terça-feira, 10 de março de 2009
Tau Zero - Poul Andersonl
OLHE... ALI... subindo pela Mão de Deus. Não é?
— Sim, acho que sim. Nossa nave.
Foram os últimos a ir embora quando Millesgarden fechou. Perambularam a maior parte daquela tarde entre as esculturas, ele espantado e fascinado pela experiência do primeiro contato com elas, ela dando um adeus sem palavras ao que ocupara em sua vida uma parte maior do que até então imaginara. Tinham sorte com o tempo, o verão se aproximava do fim.
Esse dia na Terra fora luminoso, brisas que faziam as sombras da folhagem dançarem nos muros da vila, um límpido som de fontes.
Mas quando o sol caiu, o jardim pareceu tornar-se abruptamente ainda mais vivo. Era como se os delfins estivessem dando cambalhotas por entre suas águas, Pégaso esbravejando para o céu, Folke Filbyter xeretando atrás do neto extraviado enquanto seu cavalo tropeçava no vau, Orfeu ouvindo, as jovens irmãs abraçando-se em sua ressurreição — tudo sem ruído, porque foi percebido num instante singular, embora o tempo em que aquelas formas realmente se moveram não tenha sido menos real que o tempo que transportava homens.
— Como se eles estivessem vivos, prontos a partir com destino às estrelas e nós devêssemos ficar e envelhecer — murmurou Ingrid Lindgren.
Charles Reymont não a ouviu. Achava-se no lajedo, sob uma bétula, cujas folhas farfalhavam e muito timidamente haviam começado a mudar de cor. Reymont olhava para a Leonora Christine. No alto de seu pilar, a Mão de Deus sustentava o Gênio do Homem, erguido em silhueta contra uma penumbra azul-esverdeada. Atrás, a minúscula e rápida estrela atravessou de um lado para outro e mergulhou outra vez.
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Os Guardiões do Tempo - Poul Anderson
Uma das concepções mais curiosas (e mais populares) da ficção científica são as incursões temporais organizadas.
Na trilha aberta genialmente por H. G. Wells com a "máquina do tempo", na qual um viajante se desloca pelo futuro, dando um cunho de autenticidade à experiência - ao contrário das viagens feitas em sonho ou com o uso de forças mentais —, os autores do gênero "aperfeiçoaram" meios de transporte que permitem o livre trânsito entre o presente, o futuro e o passado. Com os progressos da Ciência, não será nenhum exagero acreditar que um dia ela resolva os paradoxos do tempo e, assim, produza uma tecnologia capaz de enviar os homens em qualquer direção temporal.
A ficção científica apenas se antecipa de alguns milênios a essa probabilidade. Afinal de contas, sabemos que certas partículas subatômicas se comportam como se rumassem do presente para o passado.
Mas, quando o homem puder viajar livremente para qualquer época, hão de se oferecer problemas extremamente delicados, e um deles é que alguém, por deliberação ou inadvertência, possa alterar a História. Nem todos se contentarão em desfrutar da paisagem primitiva ou em assistir, sem participação alguma, a certos acontecimentos que mudaram os destinos da humanidade. Para isso, pensa Poul Anderson, será preciso criar a Patrulha do Tempo, homens treinados com absoluto rigor e que devem estar sobretudo atentos aos "clandestinos" das viagens temporais.
Em Os Guardiões do Tempo somos colocados diante de algumas situações típicas que a Patrulha deve enfrentar. Entre suas decisões podem figurar algumas terrivelmente drásticas, como eliminar povos e civilizações inteiras que surgiram de uma distorção criminosa da História. Se bem que, em certos casos, haja meios de corrigir "anomalias" resultantes de decisões anti-regulamentares. No conto que abre o volume, Anderson nos dá idéia de como e por que se formou essa misteriosa vigilância, explicando-nos engenhosamente suas principais coordenadas. Esse conto, "A Patrulha do Tempo", figura constantemente entre os clássicos desse ramo temático e foi mesmo incluído por Hubert Juin nos 20 Meilleurs Récits de Science Fiction, ao lado, entre outros, de Jorge Luis Borges, Dino Buzzati, Howard Fast, Júlio Cortázar e Ray Bradbury.
Outro conto famoso de Poul Anderson que aparece em Os Guardiões do Tempo é "Delenda Est" - brilhante incursão histórica que tem por fulcro uma tentativa de mudar o resultado da guerra entre Roma e Cartago. Quase o mesmo se pode dizer de "A Glória de Ser Rei" e de "A Única Diversão na Cidade" ("As Quedas de Gibraltar" é de feitura mais recente, 1975), nos quais mais uma vez se superpõem dois terrenos, a Física e a História, em que Poul Anderson se move como peixe na água.
Para os leitores da coleção "Mundos da Ficção Científica", que já o conhecem de O Viajante das Estrelas e de Tau Zero, este Os Guardiões do Tempo, com sua leitura excitante, servirá para tornar mais conhecido um autor de obra numerosa, mas de consistente elaboração, que nos Estados Unidos os aficionados elegeram como o mais popular, vale dizer, o mais lido do gênero.
FAUSTO CUNHA
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segunda-feira, 9 de março de 2009
Sangue e Ouro - As crônicas vampirescas - Anne Rice
O OUVINTE
1
SEU NOME ERA THORNE. No antigo idioma das runas, era mais comprido — Thomevald. Mas, quando se tornou um bebedor de sangue, o nome fora mudado para Thorne. E Thorne ele continuava sendo agora, séculos depois, ali deitado na sua caverna no gelo, em sonhos.
Quando chegou pela primeira vez à terra congelada, sua esperança tinha sido a de dormir para sempre. No entanto, de vez em quando a sede de sangue o despertava; e, usando o Dom da Nuvem, ele alçava vôo e saía em busca dos Caçadores da Neve.
Alimentava-se deles, com cuidado para nunca tirar sangue demais, de tal modo que ninguém morresse por sua causa. E, quando precisava de peles e botas, também as apanhava antes de voltar para seu esconderijo.
Esses Caçadores da Neve não eram da sua gente. Tinham a pele morena e os olhos oblíquos, e falavam uma língua diferente, mas ele os havia conhecido nos tempos de outrora, quando viajara com o tio pelas terras do Oriente como mercador. Não gostara do comércio. Preferia a guerra. Mas havia aprendido muito naquelas aventuras.
Em seu sono no norte, ele sonhava. Não tinha como evitar.
O Dom da Mente fazia com que ouvisse a voz dos outros bebedores de sangue.
A contragosto, via através dos olhos deles e contemplava o mundo como eles o contemplavam. Às vezes não se importava. Até gostava. Objetos modernos o divertiam. Escutava a música elétrica ao longe. Com o Dom da Mente, compreendia coisas como locomotivas a vapor e estradas de ferro. Chegava mesmo a entender computadores e automóveis. Sentia que conhecia as cidades que deixara para trás, muito embora já se houvessem passado séculos desde que as abandonara.
Começara a ter consciência de que não iria morrer. A solidão em si não conseguiria destruí-lo. O desamparo não seria suficiente. E por isso dormia.
Aconteceu então uma coisa estranha. Uma catástrofe abateu-se sobre o mundo dos bebedores de sangue.
Surgira um jovem cantor de sagas. Chamava-se Lestat, e, em sua música elétrica, Lestat retransmitia antigos segredos, segredos que Thorne jamais conhecera.
Erguera-se então uma Rainha, ser nefasto e ambicioso. Alegava ter dentro de si o Cerne Sagrado de todos os bebedores de sangue, de tal modo que, se ela morresse, toda a espécie pereceria com ela.
Thorne ficara pasmo.
Nunca tinha ouvido esse tipo de mito a respeito da sua própria gente. Não sabia se acreditava naquilo.
No entanto, enquanto dormia, enquanto sonhava, essa Rainha começou, com o Dom do Fogo, a destruir os bebedores de sangue por toda parte no mundo inteiro. Thorne ouvia seus gritos quando tentavam fugir. Via sua morte quando outros a estavam presenciando.
Enquanto vagava pela terra, essa Rainha aproximou-se de Thorne, mas o ignorou. Ele estava mudo, oculto na sua caverna. Talvez ela não houvesse sentido sua presença. Mas ele havia percebido a dela, e nunca na vida encontrara tamanha idade ou força a não ser na bebedora que lhe dera o Sangue.
E ele se descobria pensando nela, na Criadora, a bruxa ruiva de olhos sangrentos.
A catástrofe entre sua gente piorou. Um número maior foi abatido; e dos esconderijos surgiram bebedores de sangue tão velhos quanto a própria Rainha; e Thorne viu esses seres.
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Quadribol através dos séculos - Kennilworthy Whisp

KENNILWORTHY WHISP é um famoso especialista em quadribol (e, segundo ele,um fã ardoroso deste esporte). É autor de muitas obras referentes ao quadribol,inclusive Os Assombrosos Vagamundos de Wigtown (The Wonder of Wigtown Wanderers), Um Louco no ar (He Flew Like a Madman) (uma biografia de Daí Llewellyn, "O perigo") e Como evitar Balaços - um estudo de estratégias defensivas em quadribol (Beatting the Bludgers - A Study of Defensive Strategies in Quidditch). Kennilworthy Whisp divide seu tempo entre uma residência em Nottinghamshire e "o lugar em que os Vagamundos de Wigtown estejam jogando na semana".
Seus passatempos incluem o gamão, a culinária vegetariana e uma coleção de vassouras antigas
PREFÁCIO
Quadribol através dos séculos é um dos títulos mais procurados da biblioteca escolar de Hogwarts. Madame Pince, nossa bibliotecária, me informa que o livro é "manuseado, babado e de um modo geral maltratado" diariamente - o que é um enorme elogio para qualquer livro. Quem joga ou assiste quadribol regularmente apreciará esta obra do Sr. Whisp, bem como os que se interessam de uma maneira mais ampla pela história da bruxaria. Do mesmo modo que fomos inventando o jogo de quadribol, ele também nos inventou; o quadribol une bruxos e bruxas de todas as posições sociais e os reúne para compartilhar momentos de euforia, vitória e desespero (no caso torcedores dos Chudley Cannons (Canhões de Chudley)).
Foi com alguma dificuldade, devo confessar, que convenci Madame Pince a emprestar um dos seus exemplares para mandar copiá- lo e, dessa maneira, torná- lo acessível a um número maior de leitores. De fato, quando lhe contei que iria copiá- lo para que os trouxas pudessem lê- lo, ela não só perdeu a fala como não se mexeu nem piscou durante alguns minutos. Quando voltou a si, teve a consideração de me perguntar se perdera o juízo. Tive, então, o prazer de tranqüiliza- la a esse respeito e de explicar minhas razões para tomar essa decisão sem precedentes.
Os leitores trouxas não precisam que eu lhes diga o que é o Trabalho da Comic Relief, mas vou repetir as explicações que dei a Madame Pince para o beneficio das bruxas e bruxos que comprarem o presente livro. O Comic Relief é uma obra que usa o riso para combater a pobreza, a injustiça e a calamidade. A alegria que a obra espalha é convertida em grandes somas de dinheiro (174 milhões de libra desde que começou em 1985 - mais de 34 milhões de galeões).Todos os envolvidos a trazer este livro até você, desde o autor até a editora; fornecedores de papel, gráficas, encadernadores e livreiros, contribuíram com seu tempo, energia e material gratuito ou com preços reduzidos, fazendo com que os lucros obtidos com a venda fossem destinados a fundo aberto em nome de Harry Potter pela Comic Relief e por J. K. Rowling. Este fundo foi criado especificamente para ajudar crianças necessitadas ao redor do mundo. Quando você comprar este livro - eu o aconselharia a comprá-lo porque se ficar folheando o livro sem pagar, vai descobrir que foi atingido pelo Feitiço contra Ladrão -, você também estará contribuindo para a missão mágica do Comic Relief.
Eu estaria enganando meus leitores se dissesse que essa explicação deixou Madame Pince mais feliz em ceder um exemplar da biblioteca para os trouxas. Ela sugeriu várias alternativas tais como dizer ao pessoal do Comic Relief que a biblioteca pegara fogo ou simplesmente fingir que eu morrera sem deixar instruções. Quando respondi que, de um modo geral, em preferia continuar meu plano original, ela concordou, com relutância, em me entregar o exemplar, ainda que na hora de soltá- lo tivesse perdido a coragem me obrigando a forçá- la a abrir cada um dos dedos com que apertava a lombada do livro.
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