quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Horror ou Terror ? (I)

Alberto Manguel faz uma distinção entre terror e horror, valendo-se de uma afirmação da escritora Ann Radcliffe, uma das pioneiras desse tipo de relato, ainda no século 18:
“O terror e o horror possuem características tão claramente opostas que um dilata a alma e suscita uma atividade intensa de todas as nossas faculdades, enquanto o outro as contrai, congela-as, e de alguma forma as aniquila”. Apesar de não discordar, este departamento prefere as diferenças apontadas pela escritora carioca Heloisa Seixas, ela própria uma cultora do que chama “contos assombrados” e, em grande medida, responsável pela recente onda de antologias do gênero no mercado brasileiro, pois organizou e traduziu a primeira delas, Depois (Record), em 1998. Escreve ela, à guisa de introdução:
“Qual seria a diferença entre história de horror e uma história de terror? Além da rima, essas duas palavras têm em comum o fato de que nos dão arrepios. Aliás, pelo menos uma delas – horror – vem do latim horrere, que quer dizer justamente arrepiar-se, estremecer. Mas a linha divisória entre uma e outra é de difícil definição. O horror seria talvez a resposta a uma realidade física horripilante. como por exemplo uma cena de assassinato ou tortura. Já o terror, forma mais poderosa de medo, seria o defrontar-se com o desconhecido – o sobrenatural”.
JORNAL DO BRASIL - Caderno idéias - Alvaro Costa e Silva
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