segunda-feira, 16 de abril de 2012
The Galaxy Is Rated G
Table of Contents
Introduction. Horizons of Possibility: What We Point to When We Say Science Fiction for Children
SANDY RANKIN AND R.C. NEIGHBORS
PART 1. D IS FOR DEVIANCE
ONE. Monsters Among Us: Construction of the Deviant Body in Monsters, Inc. and Lilo & Stitch
ELIZABETH LEIGH SCHERMAN
TWO. Susan Murphy, Ginormica, and Gloria Steinem: Feminist Consciousness-Raising as Science Fiction in Monsters vs. Aliens
HOLLY HASSEL
THREE. Performing Gender, Performing Romance: Pixar’s WALL-E
CAROL A. BERNARD
FOUR. Last in Space: The “Black” Hole in Children’s Science Fiction Film
DEBBIE C. OLSON
FIVE. A Few Beasts Hissed: Buzz Lightyear and the Refusal to Believe
DANIEL KENNEFICK
PART 2. S IS FOR STRUCTURES OF POWER
SIX. Forward to the Past: Anti-Fascist Allegory and “Blitz Spirit” Revisionism in Daleks’ Invasion Earth 2150 A.D
DANIEL O’BRIEN
SEVEN. The Search for a “More Civilized Age,” or the Failure of Utopian Desire in the Star Wars Franchise
R.C. NEIGHBORS
EIGHT. Inexplicable Utterances: Social Power and Pluralistic Discourse in Transformers
JACQUELINE WIEGARD
NINE. “Population: Us”: Nostalgia for a Future that Never Was (Not Yet) in The Iron Giant
SANDY RANKIN
TEN. Doctor Who: A Very British Alien
J.P.C. BROWN
PART 3. F IS FOR FUTURE SHOCK
ELEVEN. No Future Shock Here: The Jetsons, Happy Tech, and the Patriarchy
BRIAN COWLISHAW
TWELVE. “No One’s Lazy in LazyTown”: The Making of Active Citizens in Preschool Television
LYNN WHITAKER
THIRTEEN. Flash Gordon: Remembering a Childhood Hero (Past, Present, Future)
PATRICK D. ENRIGHT
FOURTEEN. Toys, a T-Rex, and Trouble: Cautionary Tales of Time Travel in Children’s Film
KRISTINE LARSEN
FIFTEEN. “Manmade Mess”: The Critical Dystopia of WALL-E
ALEXANDER CHARLES OLIVER HALL
SIXTEEN. A Bumbling Bag of Ball Bearings: Lost in Space and the Space Race
JONATHAN COHN
About the Contributors
Index
The Galaxy Is Rated G - Essays on Children’s Science Fiction Film and Television [ Download ]
sábado, 7 de abril de 2012
Saucer Movies
Contents
Chapter 1 Extraterrestrial Hypotheses
Chapter 2 First Contact (1898-1944)
Chapter 3 Invasion (1945-1959)
Chapter 4 Interregnum (1960-1969)
Chapter 5 Low Technology (1970-1976)
Chapter 6 High Technology (1977-1984)
Chapter 7 The Abduction Scenario (1985-1993)
Chapter 8 Science Fiction (1994-1997)
Bibliography
Filmography
Index
About the Author
Saucer_Movies_A_UFOlogical_History_of_the_Cinema [ Download ]
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Monsters in the closet
Contents
Acknowledgements
Introduction: The monster and the homosexual
1 Defining the monster queer in the classical Hollywood horror film
2 Shock treatment: Curing the monster queer during World War II
3 Pods, pederasts, and perverts: (Re)criminalizing the monster queer in Cold War culture
4 Exposing the monster queer to the sunlight, circa the 1969 Stonewall Rebellion
5 Satan spawn and out and proud: Monster queers in the postmodern era
Epilogue
Bibliography
Index
Monsters in the closet - Homosexuality and the horror film [ Download ]
quinta-feira, 29 de março de 2012
A narrativa mitológica de Joseph Campbell em Blade Runner
SUMÁRIO
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Resumo
Abstract
Sumário
INTRODUÇÃO
1 JUSTIFICATIVA/VALIDADE DO TRABALHO
1.1 Ligação com a comunicação
1.2 Ligação com o cinema
1.3 A razão da escolha de Blade Runner como objeto
1.4 Objetivo Geral
1.5 Objetivos Específicos
1.6 Hipótese
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Narrativa
2.1.1 Narrativa fílmica
2.2 Mito
2.2.1 Jung
2.2.2 Campbell e Jung
2.2.3 A linguagem simbólica
2.2.4 O mito do herói em Campbell
2.2.4.1 As etapas do mito do herói em Campbell
2.2.4.1.1 Separação ou Partida
A) O chamado à aventura
B) A negativa ao chamado
C) A ajuda sobrenatural
D) A passagem pelo primeiro umbral
E) O ventre da baleia
2.2.4.1.2 Provas e vitórias da iniciação
A) O caminho de provações
B) O encontro com a deusa
C) A mulher como tentação
D) A reconciliação com o pai
E) A apoteose
F) A última graça ou o prêmio final
2.2.4.1.3 O Regresso e a reintegração à sociedade
A) A negativa ao regresso
B) A fuga mágica
C) O resgate do mundo exterior
D) A passagem pelo umbral de regresso
E) A posse dos dois mundos
F) Liberdade para viver
2.3 Homens e máquinas
2.3.1 Limitações da reflexão pretendida
2.3.2 Uma brevíssima história da máquina na narrativa
2.3.3 O Teste de Turing
2.3.4 O ELIZA
3 METODOLOGIA
3.1 O paradigma indiciário
3.1.1 Morelli e Freud
3.2 Análise textual
3.3 A articulação de análise para Blade Runner
3.3.1 Decupagem
3.4 Limitações
4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
4.1 Análise do filme Blade Runner através do modelo de narrativa mitológica de mito do herói de Joseph Campbell
4.1.1 Separação ou Partida
A) O chamado à aventura
B) A negativa ao chamado
C) A ajuda sobrenatural
D) A passagem pelo primeiro umbral
E) O ventre da baleia
4.1.2 Provas e vitórias da iniciação
A) O caminho de provações
B) O encontro com a deusa
C) A mulher como tentação
D) A reconciliação com o pai
E) A apoteose
F) A última graça ou o prêmio final
4.1.3 O Regresso e a reintegração à sociedade
A) A negativa ao regresso
4.2 Reflexão sobre o significado de Blade Runner
4.2.1 O Teste de Turing e Blade Runner
4.2.2 O ELIZA e Blade Runner
5 CONCLUSÃO
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
MEIOS ELETRÔNICOS CONSULTADOS
VÍDEOS UTILIZADOS
ANEXOS
A narrativa mitológica de Joseph Campbell em Blade Runner - Isaías Ribeiro [ Download ]
quarta-feira, 28 de março de 2012
A relação humano-maquinico no imaginário cinematográfico
INTRODUÇÃO
CAP. 1 - SIGNOS DE CRIAÇÃO E DESTRUIÇÃO NA FICÇÃO CIENTÍFICA: NOVOS MUNDOS, NOVAS FORMAS DE VIDA.
1.1 O movimento cyberpunk
1.2 A figura do ciborgue no imaginário de ficção científica
CAP. 2 - O SIGNO METRÓPOLIS E SEU OBJETO: A OPOSIÇÃO ENTRE O HUMANO E O MAQUÍNICO NA REPÚBLICA DE WEIMAR
2.1 A ficção científica e o pós-guerra
2.2 Expressionismo cinematográfico alemão
2.3 A estética expressionista e as vanguardas modernas
2.4 O signo arquitetônico em Metrópolis
2.5 Representações do tempo em Metrópolis
2.6 Maria: o ser humano ideal e a metáfora da Torre de Babel
2.7 Robotrix
2.8 O híbrido Robot-Maria: criação e destruição na República de Weimar
2.9 Os interpretantes de Metrópolis
CAP. 3 - BLADE RUNNER E A FLUIDEZ NA RELAÇÃO HUMANO-MÁQUÍNICO
3.1 O desenvolvimento da Teoria Cibernética
3.2 Deckard: um observador no caos urbano
3.3 O signo arquitetônico em Blade Runner: um precursor do ciberespaço
3.4 Os interpretantes de Blade Runner
CAP. 4 - MATRIX E O ALTO NÍVEL DE INTERAÇÃO SIMBÓLICO ENTRE O HUMANO E O MAQUÍNICO
4.1 A cultura digital
4.2 O advento do pós-humano
4.3 O ciberespaço e o predomínio do legi-signo simbólico
4.4 Causação final, mente e mediação em Matrix
4.5 Os interpretantes de Matrix
CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS
A relação humano-maquinico no imaginário cinematográfico -Maristela Sanches Bizarro [ Download ]
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Tag: artigos, Blade Runner, Ciberpunk, cinema, Fantástico, Ficção Científica, Horror
sábado, 24 de março de 2012
O papel do cientista na FC
Introdução
I. Cinema - Contexto Histórico-Social
1.1. Um Olhar Especial para o Cinema Americano
1.1.1. Panorama Cronológico do Cinema e da Ficção Científica Norte-Americana
1.2. Uma Questão de Gênero
1.3. As Teorias do Cinema na Ficção Científica
1.4. Linguagem e as Relações Sociais do Cinema
II. Estereótipos Sociais, Ciência e Ficção
2.1. A Prática da Estereotipização e os Estereótipos no Cinema
2.2. A Crítica à Ficção Científica no Cinema sob o Olhar da Comunicação
III. O Cientista na Ficção Científica...
3.1. Exposição do Conteúdo dos Filmes
3.2. Tabelas de Categorização do Conteúdo dos Filmes
3.3.1 Análise dos Dados de Categorização do Conteúdo dos Filmes
IV. Considerações Finais
V.Referências Bibliográficas
APÊNDICE A
(3.1.) Exposição do Conteúdo dos Filmes: Descrição Analítica
3.1.1. A Ilha do Dr. Moreau
3.1.2. Projeto Brainstorm
3.1.3. De volta para o Futuro I
3.1.4. Limite da Loucura
3.1.5. APEX
3.1.6. O Falso Poder
3.1.7. O Defensor do Futuro
3.1.8. A Experiência
3.1.9. 5ª Dimensão - o filme
3.1.10. Esfera
3.1.11. Do fundo do Mar
O papel do cientista na FC: a construção de imagens sociais na linguagem do cinema norte-americano nas décadas de 70, 80 e 90. - Sandra Lucia Botelho Rodrigues de Oliveira [ Download ]
terça-feira, 20 de março de 2012
Nostromo Project
A Prop Store é especializada em restauração de objetos cenográficos e neste projeto que levou três anos para ser concluído, foi a vez do rebocador espacial NOSTROMO, de ALIEN.
sábado, 10 de março de 2012
"1"
Para sua estréia no cinema, o diretor húngaro Pater Sparrow utilizou-se como inspiração de um quase desconhecido conto do escritor polonês de FC, Stanislaw Lem, chamado 'One Human Minute' (Um minuto humano).
A história não poderia ser mais característica das obras de Lem, cheia de preocupações filosóficas sobre comunicação, arte e percepção da realidade, mas ao mesmo tempo sarcástica e que resume as atividades de cada pessoa na Terra durante um único minuto.
O filme intitulado "1" recebeu boas críticas nos festivais de cinema em que foi exibido.
Sinopse
... É o fim de mais um dia de trabalho em uma livraria famosa por sua vasta coleção de obras raras. A administradora Maya Satin está fechando-a quando um cliente misterioso de repente aparece na forma de um peregrino chamado Tamel. Ele alega ter viajado pelo mundo em busca de um livro que ele sonhara estar na loja e pede para ser levado ao estoque. Lá eles ficam surpresos ao descobrir que todos os livros foram substituídos por milhares de cópias de uma mesma obra desconhecida e quando voltam para a loja, vêem que o mesmo aconteceu com todos os livros em exposição.
Todos foram substituídos por um livro branco, sem autor ou editora, com o simples título "1".
Stanislaw Lem - One Human Minute [ Download ]
domingo, 19 de fevereiro de 2012
domingo, 12 de fevereiro de 2012
Os Significados de Ripley
As imagens da tenente Ellen Ripley no primeiro filme Alien - O oitavo passageiro, dificilmente são distinguidas hoje dos quatro filmes da série. Ela se tornou icônica, gerando uma reação ao desenvolvimento de sua imagem feminista. Isto sugere uma necessidade da sociedade em perpetuar esta diferença ao longo das décadas. Mas é significativo que a Ripley no filme original, criou uma imagem muito mais conflituosa do que aquela construída ao longo da série.
Ripley é uma representante do movimento feminista, e particularmente de sua Segunda Onda de afirmação, durante o período de produção do filme no final da década de 70.
Os conflitos no seio do movimento feminista atingiram de maneiras diferentes, escritores, produtores, diretores e atores, incluindo as duas mulheres que atuam no filme.
Sigourney Weaver como Ripley, é produto de uma consciência feminina, se não do pensamento associado com o movimento feminista em si, o personagem tanto incorpora idéias feministas quanto reações contrárias ao movimento.
Mas o mais forte contexto para a construção de Ripley é certamente o advento das feministas radicais, durante o final dos 60 e sua chegada ao poder dentro do movimento feminista na década de 70. O feminismo radical se distinguiu por seu apelo ao abandono do velho pensamento sobre a reconciliação com o inimigo, os homens, e uma demanda por uma sociedade com base principalmente, se não exclusivamente, nas necessidades das mulheres. O elemento radical foi associado com o radicalismo da Nova Esquerda nos anos 1960, e assim também pegou uma adesão inicial na ideologia marxista.
Porém Ripley não é Marxista, nem está totalmente sob o disfarce de uma extremista feminista.
Se não é extremista, o personagem Ripley mostra sinais claros de uma consciência das mudanças no movimento durante o final dos anos 70, que incluem a sua radicalização. Isto pode ser atribuído, em parte, por uma consciência geral do feminismo radical dos escritores do filme, produtores e atores que se envolveram na militância.
O propósito aqui é sugerir que o papel de Ripley e sua atitude é produto da mudança de uma consciência feminista. Embora não concebida como resposta às preocupações feministas, a importância da construção social de gênero e seu lugar, classe, raça e cultura na determinação dessas funções, o filme ajuda a historiar as preocupações do movimento durante este período especial de convulsão.
No final, Ripley está sob conflitos emergentes, centrados todos em torno do feminismo radical, que melhor se adapta ao seu papel e que fornece um meio de explorar as contradições encontradas em sua imagem, tanto como produto do discurso masculino (nos escritores, diretor e nos produtores) como também do desejo da sociedade de encontrar nela a imagem da mulher liberada.
Ripley e o Feminismo Radical na década de 70 na América
O que acontece com Ripley em Alien é uma radicalização de seu personagem através de eventos no filme que expõem a natureza patriarcal dos planos da Companhia. A Companhia representa interesses comerciais nefastos, capturar o Alien para possíveis propósitos de bio-armamento. A radicalização de Ripley ocorre no final do filme, enquanto no início do filme ela parece mais alinhar-se ao movimento feminista como era antes das primeiras liberacionistas, ou mulheres que decidiram que a separação e o estado auto-sustentável era melhor do que igualdade. Estas mulheres viram que a antiga promessa da igualdade de gênero significava apenas a perpetuação das forças mais conservadoras da sociedade que procuravam manter as mulheres esperançosas, mas esperando, e em cheque. Dentro do movimento, a igualdade de gênero foi substituída pela chamada libertação completa. Esta luta ocorreu paralela à produção do filme, e pode ser lida através de várias dimensões no engajamento do filme com as idéias feministas.
As feministas radicais ofereceram uma crítica extrema da sociedade americana, que, por não permitir espaço para compromisso, incentivou a possibilidade do separatismo, em vez de ativismo, e uma busca de soluções pessoais para os problemas políticos.
O separatismo se manifestou em um novo aspecto de independência e alienação social, ambos evidentes no personagem de Ripley.
Alien nos apresenta o paradigma perfeito (ou talvez paródia) da busca pela igualdade de gênero. Como único oficial do sexo feminino a bordo do veículo de reboque comercial, Nostromo, Ripley alcançou sua posição na cadeia de comando da Companhia através do trabalho duro, como é indicado por sua atitude, encarregando-se de coordenar procedimentos diários, e sua insistência em ser incluída em todas as discussões que afetam a missão e a operação da espaçonave.
Ela aparece para o público como uma mulher auto-motivada e centrada no seu trabalho, consciente do sexismo latente que o sistema exibe quando oficiais do sexo masculino e membros da tripulação simplesmente ignoram seus comentários e sugestões. Ela lida amigavelmente, ou autoritariamente, com essas situações, como no caso do engenheiro Parker, que faz exigências para o pagamento justo e na anulação da autoridade de Ash quando Dallas, o capitão, está fora da nave.
Parker reclama que ele e seu assistente, Brent, merecem "partes iguais" na prática de negócios da Companhia. Ripley aponta que ele já tem tal direito em contrato, demonstrando que sabe mais do que ele sobre as escalas pagas pela Companhia.
Com Ash há motivos mais obscuros envolvidos na abertura da comporta de ar, contrariando a ordem direta. Ela não correria o risco de infectar o resto da tripulação, mas ele iria arriscar tudo por uma chance de examinar uma espécie desconhecida. Depois disso ela manobra Ash a fim de baixar sua guarda sobre seus desejos não revelados, e ele mostra sua estranha admiração para com o alienígena letal, que agora está a bordo.
É certo que o público identifica ambos os casos, inicialmente Ripley lidando com o machismo, e só mais tarde, com Ash, um sub-enredo do desejo da Companhia em possuir o Alien.
De início então, Ripley demonstra sua posição dentro da hierarquia de comando da Companhia e parece apoiar uma posição de igualdade de direitos, mas somente se as convenções do comando e da lei apoiarem a sua autoridade.
Perto do final da década de 60 e na de 70, o movimento feminista na América concentrou seus esforços, em matéria de direitos das mulheres, na igualdade de oportunidades, na esperança de que o papel das mulheres mudaria se elas pudessem escapar dos limites tradicionais da casa e da família, que havia limitado seu sucesso no trabalho e na sociedade.
O resultado, no início dos anos 70, foi um aumento de mulheres em altas posições nas organizações empresariais e sociais, e uma compreensão mais geral da perspicácia da liderança feminina. Mas as mudanças eram lentas, e o próprio movimento teve de lidar com o descontentamento crescente em suas fileiras com a falta de ganhos significativos em duas décadas de luta. Esta crise deu origem às feministas radicais, e de fato, no ressurgimento da palavra feminista em geral.
Aqueles que se viam como feministas radicais agora exigiam algo mais do que mudanças no aspecto profissional; apontavam para uma compreensão separada dos assuntos das mulheres, e viam o sexismo e a opressão como as causas de todos os outros problemas enfrentados pelas mulheres.
O clamor mais radical para a independência coincidiu com o insucesso em ratificar a Emenda de Direitos Iguais (ERA, Equal Rights Amendment), depois de anos de batalhas, e com o ressurgimento do conservadorismo entre homens de poder e de mulheres que passaram a manifestar suas objeções à radicalização no movimento dos direitos.
A utilização do sistema para mudar o sistema estava falhando, e não é de se estranhar que as antigas reinvidicações sociais marxistas por reformas da Nova Esquerda encontrou o mesmo caminho na retórica do feminismo radical de abandono dos esforços em trabalhar dentro do sistema. Ao rejeitar os aspectos capitalistas e patriarcais da sociedade, elas começaram um esforço para criar uma sociedade em si próprias.
A ideologia da diferença trouxe com ela mais manifestações públicas, e logo desenvolveu uma imagem mais popular para as feministas, uma imagem que Hollywood e outros meios de comunicação iriam encontrar um rótulo fácil.
Mas também era natural, de acordo com Kathleen C.Berkeley, que a imagem radical tornar-se-ia popular: Mulheres com personalidades e estilos mais 'chamativos' tiveram pouca dificuldade em jogar com a atenção da mídia, e para essas mulheres, quanto mais escandaloso e radical era sua atitude, mais fácil popularizar a sua mensagem política.
O radicalismo foi uma resposta à frustração de algumas mulheres que sentiram a incapacidade de realizar conquistas duradouras.
Se o movimento feminista tinha alcançado os objetivos estratégicos, "acesso ao emprego, o direito ao aborto medicamente assistido, a igualdade de acesso ao crédito", haviam objetivos que continuavam a escapar-lhes, e muitos destes devido ao fracasso da ERA.
É significativo que o seu papel feminista inicial pareça mais radical para o público neste momento, do que antes, mas deixa claro que os produtores, roteiristas e diretor, e a indústria cinematográfica em geral, estavam cientes das reivindicações pela igualdade feitas pela movimento.
Ripley parece alcançar seu posto como terceiro oficial por uma confiança explícita nos pressupostos hierárquicos da organização e na micro-sociedade da nave.
Mas a natureza sexista do patriarcado, finalmente substitui a estrutura hierárquica de comando. O que a princípio parece ser apenas um desagradável caso de misoginia em Parker, Ash, e outros, acaba por ser uma ideologia sublinhando a micro-sociedade e sua supressão intencional da independência de uma mulher.
Ripley primeiro parece acreditar no sistema, no qual ela investiu tempo e energia, apontando a violação do protocolo e regulamentos, quando os outros demonstram descaso com a regra oficial, e assim ela assume seu papel feminista na mente do público, inicialmente através da sua atitude correta.
Alien sugere a natureza dessa mudança radical em direção a uma consciência social, na rejeição final de Ripley à Companhia, um ato que reflete uma grande mudança na política dentro do movimento feminista.
A Fox Studios já declarara interesse em papéis mais fortes para as mulheres, quando o roteiro de Alien foi submetido. Os produtores estavam cada vez mais conscientes do público feminino e procurando filmes com mulheres no comando. Ripley carrega esta nova bandeira, e confronta o chauvinismo relacionado com o trabalho em várias frentes. O problema é que a Companhia representa mais do que a legitimidade social, representa as desigualdades inerentes do poder.
O público finalmente percebe a Companhia como a força nefasta que orienta os empreendimentos comerciais e capitalistas central às missões da tripulação, enquanto secretamente instala prerrogativas de aquisição científica, priorizando a captura de uma espécie alienígena acima de qualquer preocupação com a vida humana.
As distinções de gênero coincidem com as prioridades da Companhia, que a descoberta científica e o ganho de capital potencial, representado pelo alienígena, superam as considerações humanas.
Como presença invisível, a Companhia exprime suas prioridades por meio de MÃE, o computador de bordo, e por Ash, o oficial de ciências mais tarde revelado como um andróide trabalhando no interesse da Companhia. A dimensão oculta da Companhia apóia a natureza do poder patriarcal, neste mundo micro-cósmico de estruturas quase militares de comando. Infelizmente, os pressupostos de Ripley sobre a autoridade também derivam desta mesma ordem oficial, embora no final, a Companhia considera a tripulação "dispensável" e mostra-se ainda mais maléfica do que o alienígena.
Os exemplos anteriores do sexismo de Parker e Ash, agora se tornam mais centrais, como exemplos da quebra da promessa de igualdade de direitos, e da reação da classe trabalhadora contra a nova radicalização do movimento feminino.
Quando Parker tenta controlar Ripley, ordenando para ela voltar para enfrentá-lo e responder às suas reclamações na sala de máquinas, ela ignora-o, voltando-se apenas para dizer: "Por que você não vai se fuder", suas palavras são abafadas pelo ruído da sala de máquinas. E então ela acrescenta um escárnio de despedida: "Eu estarei na ponte, se você precisar de mim." Ela confronta Parker no sentido de superioridade sexual, continuamente frustrado pela autoconfiança de Ripley como oficial.
No ano que o filme foi lançado, Catherine MacKinnon escreveu que "O poder econômico é para o assédio sexual, o que a força física é para o estupro".
A raiva de Parker sobre a desigualdade econômica tem conotações sexuais e às vezes parece que beira a violência física. Pode ser que esta perda de poder desencadeie uma violência velada apenas em suas ameaças e nas insinuações sexuais, como quando ele brinca sobre sexo oral com Lambert, na mesa de jantar em grupo.
Parker representa não só a conscientização da indústria cinematográfica da necessidade de igualdade racial, mas também de problemas relacionados com as feministas radicais, priorizando o gênero a despeito da raça.
Críticos como James Kavanagh vêem os esforços mútuos de Ripley e Parker contra o alienígena como uma comunhão social da libertação feminina e das classes trabalhadoras. Kavanagh identifica como minorias lutando para superar um sistema hegemônico representado pelo computador MÃE.
Mas as tensões mais profundas, sexuais, impedem qualquer tipo de simpatia verdadeira entre Parker e Ripley, mesmo na crise final, como é sabido por uma cena não utilizada no filme, onde Parker fala com Brett sobre seu desejo de "fazer com violência" com Ripley. Além disso, o papel de Parker é simplesmente reduzido após a morte de Dallas, quando Ripley finalmente assume o comando. O papel inicial de Parker está em oposição direta a Ripley como feminista, agravada pelo fato de que sua reinvidicação por uma equidade salarial é simplesmente rejeitada por ela. Se o movimento de mulheres inicialmente procurou incorporar a ideologia marxista da Nova Esquerda, acabou ao fim, rejeitando-a em favor de um argumento puramente baseado no gênero.
Parker se destaca em contraste com Ripley, que mantém sua autoridade especificamente em relação às hierarquias da nave. Também é evidente que ele não reage tanto a autoridade quanto como com a autoridade feminina, uma ameaça para o último domínio do poder acessível para ele: O poder sexual.
Ripley recusa este, juntamente com suas críticas à estrutura de classes e de salário, porque a sua autoridade é dependente de um sistema que, pelo menos oficialmente, ficou cego ao gênero. Ela não mostra simpatia com suas demandas da classe trabalhadora, e até mesmo ignora suas queixas iniciais.
Mas Parker também se encaixa em outro estereótipo dos tempos, que joga com a tensão sexual do filme. O mesmo velho truque: o macho definindo-se como homem-forte, distinguindo-se das mulheres-fracas, através de seu controle sobre ela... "Alcança uma falsa sensação de masculinidade (potência) por meio da dominação de todas as fêmeas em sua vizinhança."
A dominação de gênero, e os tons de luta de classe operária, são elementos na construção do personagem de Parker.
Concentrando-se quase que exclusivamente sobre o feminismo de Ripley, muitos críticos do filme perderam o estereótipo racial no caráter de Parker. Ele aparece novamente em sua exibição final de heroísmo tentando salvar Lambert do alienígena, em um ato de auto-sacrifício. Dallas sugerira antes que o heroísmo de Parker era um problema no passado, e avisa contra ações precipitadas. A auto-imagem máscula de Parker é importante, e pode ser vista às vezes em seu domínio sobre Lambert (quase como se em retaliação à recusa de Ripley dessa autoridade).
Ripley prioriza seu próprio poder, recusando reivindicações de Parker para a igualdade econômica ou sua autoridade sexual.
A ameaça de Ash à sua autoridade é diferente, embora ainda com base no gênero.
Ele ignora a sua autoridade quando abre a comporta de ar explicitamente contra sua ordem, quando ela queria que Kane infectado e o grupo de exploradores, passasse pela quarentena adequada. Ripley depois deixa explícito para ele sua posição de comando, e está claro que as ações de Ash são guiadas não apenas por sua vontade de capturar o alienígena para a Companhia, mas por sua antipatia para Ripley como uma mulher.
O público torna-se consciente do sexismo de Ash, assim como da tripulação.
Às vezes, Ripley e Ash parecem estar competindo pelas atenções de Dallas, com Ash tomando o lado da ciência e jogando até com aspectos da união masculina, quando compartilham um fascínio com a natureza do alienígena, e Ripley exige que Dallas reconheça a legitimidade do sua posição como oficial e iguais.
Quando comparado com o comportamento subserviente de Ash para Dallas, cujo comando ele questiona, mas nunca refuta, com Ripley ele finge uma preocupação pelo bem estar de Kane, a despeito de toda a pretensão de protocolo científico.
Curiosamente, onde a maioria dos críticos vê uma Ripley um pouco desumana em sua estrita adesão ao protocolo, a despeito do risco da vida de Kane, poucos têm reparado que Ash tenta manipular Ripley, apelando para a sua humanidade, os chamados "reinos tradicionais" da compreensão feminina.
Neste momento no entanto, inicia-se o conflito que vai culminar com o ataque de Ash contra ela, e sua própria exposição como andróide
.
Feministas hoje reconheceriam sua própria luta pela igualdade de direitos nas relações de Ripley com Parker, Ash, e Dallas, bem como identificariam as forças que deram origem à radicalização.
Esta percepção crescente de fracasso, e a perpetuação dos padrões tradicionais, foi um momento decisivo.
Quanto mais o sistema social se mostra incapaz de acomodar idéias de independência, mais as mulheres se recusam a trabalhar estritamente dentro da agenda de direitos iguais.
Subjacente à Ripley feminista, no entanto, ainda há mais problemas básicos da construção do personagem.
O diretor de Alien, roteiristas e produtores, são todos do sexo masculino, eles não estavam envolvidos simplesmente, mas reagindo as mudanças ideológicas na imagem popular do feminismo descrito acima. Em particular, o diretor Ridley Scott, e os produtores David Giler e Walter Hill, ambos roteiristas, foram obviamente tomados pela nova imagem militante feminista. No entanto, essas idéias do sexo masculino sobre o feminismo são o coração do problema. Uma compreensão comum de libertação das mulheres tende a estereótipos, e muitas vezes adversa em resposta ao feminismo radical.
A escolha de uma mulher para desempenhar o papel de Ripley e o foco em sua independência parece ter sido uma decisão final na evolução do filme.
De acordo com David McIntee, cujo trabalho criterioso "Beautiful Monsters: The Unofficial and Unauthorised Guide to the Alien and Predator Films" (Belos Monstros: Um guia não oficial e não autorizado aos filmes Alien e Predador"), oferece uma detalhada história do filme, Giler e Hill, em suas revisões de roteiro original de Dan O'Bannon, acrescentaram elementos anti-capitalistas e anti-corporativos. Mas estes contrastam fortemente com a insistência inicial de Ripley no protocolo oficial e de seu status oficial.
Com a promoção do papel de Ripley, Scott e os outros podem ter tido a esperança de ganhar a simpatia do público feminino. Porém, alinhando-a com a classe de oficiais, eles também confundem a natureza de seu feminismo radical. A ideia dela como uma simples reformista parece ser apoiada pelo fato de que o papel foi inicialmente escrito como um tipo comum na ficção científica, era para ser o personagem que questiona a autoridade e vai contra a opinião geral. Rebeldes são importantes para a identificação com a audiência; a construção do herói é baseado em insights sobre os perigos que as audiências estão sentindo.
Além disso, o papel de Ripley foi originalmente concebido e escrito por Dan O'Bannon como unissex, chamado de "Roby". Unissex, é claro, significa "masculino" no jargão da época, e assim foi inicialmente construído sem quaisquer qualidades tradicionalmente femininas.
Shussett admitiu que ambos pensavam nos personagens como homens, e apenas sentiram que a opção de usar mulheres, tornaria o filme mais comercial, e no roteiro original se lê:
"A tripulação é unissex e todos os papeis são intercambiáveis para homens ou mulheres".
Quando o sexo foi mudado por Giler e Hill em suas revisões do roteiro, eles mantiveram o caráter rebelde. Ripley começa como outsider, mas apenas em parte, porque os outros na tripulação são negligentes em suas funções e casuais sobre suas preocupações com a missão. Isto é, Kane, que é rápido e alerta sobre todas as questões científicas, morre e não deixa ninguém para isso, só o robô, Ash, ciente das verdadeiras conseqüências da presença do alienígena a bordo da nave.
Este é um filme de terror, afinal de contas, e deve ser lembrado que o suspense é construído deixando o público sem saber o que vai acontecer. No entanto, a identidade de Ripley se mistura com isso, e os cineastas começaram a ver a singularidade de vender uma protagonista feminina (e também uma mulher com uma atitude), e que acrescentou a sua perspectiva de que ela seria a única sobrevivente.
A interpretação de Sigourney Weaver vai além até mesmo, do roteiro final, na maneira que sugere sua própria participação na feminilização de Ripley, mas também por vezes em conflito com seu papel.
O filme é uma complexa interação de forças artísticas, e não simplesmente um "produto do discurso masculino", como alguns têm sugerido.
Por vezes, Ridley Scott parece pego de surpresa em entrevistas, sobre a questão feminista, e seus comentários nos dão insights sobre a noção popular do feminismo na época:
"Meus filmes tem mulheres fortes simplesmente porque eu gosto de mulheres fortes", diz ele: "É uma escolha pessoal. Não me interesso pelo chauvinismo, nem entendo o chauvinismo feminino Eu só acredito na igualdade de homens e mulheres. É simples assim.”
O "chauvinismo feminino" de Scott, pode refletir a idéia popular de que as feministas radicais seriam algo "anti-macho", por conta de suas reivindicações separatistas. Mas também é óbvio que o feminismo discutido pelos cineastas foi temperado pelas críticas feministas no início.
É sobre o ponto da igualdade de direitos que os críticos parecem condenar o papel de Ripley inicialmente.
Robin Wood, por exemplo, escreveu nos anos 70 que o feminismo encontrado em Ripley é simplista, uma redução de questões complexas em clichês. O filme, ele reclama, não faz jus a suas próprias expectativas: O filme oferece de fato, não mais do que um feminismo 'pop', que reduz toda a questão da diferença sexual envolvidas e milhares de anos de opressão patriarcal, na brilhante sugestão de que uma mulher pode fazer (quase) qualquer coisa que um homem pode fazer.
Meanings of Ripley - Elizabeth Graham (O Alien Feminista por George Moore)
sábado, 11 de fevereiro de 2012
O Oitavo Passageiro (Final)
Os ferrolhos de ligação saltaram fora, com suas minúsculas, cômicas explosões.
E houve também a explosão dos motores secundários, quando o módulo soltou-se do Nostromo.
As forças da gravidade desencadearam-se sobre Ripley e ela batalhou para amarrar-se no assento. A força-G logo se esvairia, com o abandono, pelo módulo, do campo de hiper-propulsão do Nostromo e entrada na sua própria rota através do espaço.
Ripley acabou de afivelar os cintos, depois permitiu-se respirar fundo o ar puro do módulo. Sons confusos de uivos- miados penetraram-lhe o cérebro esgotado. Da posição em que estava podia alcançar a caixa de Jones. Abaixou a cabeça para ela e lágrimas lhe vieram aos olhos vermelhos de fumaça. Ripley apertou a caixa contra o peito.
Seu olhar buscou, em seguida, a escotilha que dava para a ré.
Um pequeno ponto de luz mudou-se sem ruído numa bola de fogo majestosa, que se expandiu e lançou tentáculos de metal retorcido e plástico em farrapos. Sumiu-se mas foi seguida de uma bola de fogo ainda maior quando a refinaria explodiu. Dois bilhões de toneladas de gás e maquinaria vaporizada encheram o cosmos, e obscureceram-lhe a visão, até que elas também desapareceram gradualmente.
O choque atingiu o módulo pouco depois, quando o gás superaquecido passou perto, ao expandir-se. Quando a navezinha se equilibrou de novo ela retirou os cintos, foi até o fundo da exígua cabine e olhou pela escotilha. Seu rosto ba- nhou-se de uma luz cor de laranja e o último globo de fogo fervente desvaneceu-se.
Finalmente deu-lhe as costas. O Nostromo, seus colegas, tudo deixara de existir. Não eram Mais. Sentimento duro, mais duro ainda naquele momento de solidão e silêncio do que tinha imaginado. O definitivo daquilo tudo, o irremediável, era a parte mais difícil de aceitar. A certeza de que nave e pessoas não existiam mais como componentes, mesmo ínfimos, do universo. Nem mesmo como restos mortais.
Tinham, simplesmente, cessado de ser.
Não viu a mão enorme que se estendeu, de trás, para pegá-la.
Mas Jones viu.
E deu o alerta.
Ripley virou e se viu cara a cara com a criatura. Estivera no módulo todo o tempo.
Seu primeiro pensamento foi o lança-chamas. Jazia no chão, junto do alienígena agachado, armando o bote. Buscou com os olhos, em desespero, para onde fugir. Havia um pequeno armário embutido perto dela. Sua porta se abrira sozinha com o choque da expansão do gás. Começou a aproximar-se dele, disfarçadamente.
Mas a criatura pôs-se a levantar-se tão logo ela se moveu. Ripley pulou dentro do armário e estendeu a mão para a fechadura. Mas, com seu peso, a porta bateu e trancou-se com um baque.
Havia um pequeno óculo envidraçado na parte superior. Ripley se viu praticamente de nariz esborrachado contra ele, naquele espaço minúsculo. De fora, o alienígena chegou a cara à janela, olhando-a com a curiosidade com que se examina um espécime selvagem numa jaula. Quis gritar e não pôde. O grito morreu-lhe na garganta. Tudo o que pôde fazer foi olhar, de olhos arregalados, para a aparição, que lhe devolvia o olhar fixamente.
O armário não era estanque. Um gemido característico lhe chegou aos ouvidos, vindo do outro lado. Distraído, o alienígena deixou a porta do armário para inspecionai a origem daquele estranho som. Curvou-se, levantou no ar a caixa selada, e isso fez que Jones uivasse ainda mais alto.
Ripley bateu no vidro, para desviar a atenção da criatura e salvar o animal inerme. Funcionou. O alienígena estava de volta à escotilha num segundo. Ela ficou imóvel, e a criatura foi de novo inspecionar, mais minuciosamente, a caixa do gato.
Ripley encetou uma busca desesperada do seu cubículo. Havia pouca coisa ali dentro, exceto um traje espacial. Trabalhando depressa, malgrado as mãos, que tremiam desconsoladamente, a moça meteu-se dentro dele.
Fora, o alienígena sacudiu a caixa, experimentalmente. Jones miava pelo diafragma. Ripley já vestira metade da roupa quando a criatura jogou a caixa ao chão.
Ela ricocheteou, mas não se partiu nem abriu. Tomando-a de novo na manopla o alienígena bateu com ela numa parede. Jones, enlouquecido, fazia ruídos estranhos.
O alienígena meteu a caixa entre os dois canos verticais e começou a esmurrá-la enquanto Jones fazia esforços para escapar, soltando silvos e cuspindo.
Ripley pôs o capacete e fixou-o firmemente. Não havia ninguém para verificar se estava perfeito. Mas se a vedação ficara defeituosa, logo saberia... Bastou um toque para ativar o respirador, e a roupa se encheu de ar puro.
Era a vida. Vida engarrafada.
Procurou de novo no armário por alguma arma. Mas não havia laser nem nada que pudesse usar. Só um longo estilete de metal cuja ponta revelou-se aguda quando removeu a borracha protetora. Não era lá grande coisa, mas deu-lhe um pouco de confiança, e isso era importante.
Respirando fundo, destrancou devagar a porta, depois, com um pontapé, escancarou-a.
O alienígena voltou-se e recebeu o estilete de meta! no meio do corpo. Ripley golpeara, com toda a força, o aço era fino e penetrou fundo. O alienígena agarrou-se ao estilete com as duas mãos, e o ácido começou a espirrar, fervendo quando tocava o metal.
Ripley recuou, firmou-se com uma das mãos a uma coluna e com a outra, tateando, encontrou uma alavanca de emergência, que fez abrir a portinhola de trás. Instantaneamente, todo o ar no módulo e tudo o que não estava seguro por parafuso ou correia ou braço foi sugado no espaço. O alienígena passou, veloz, por ela e com reflexos inumanos quis ainda segurar-se a algo. E pegou-lhe a perna, logo acima do tornozelo.
Ripley se viu a meio fora do módulo, chutando desesperadamente a mão que se fechara como um anel de ferro, e que não largava. Mas havia uma alavanca perto. Ripley destravou-a e a porta fechou com estrondo, deixando-a dentro e decepando o membro do alienígena, que ficou dependurado no espaço.
A mão que a prendera começou a espalhar ácido, e o ácido fervia e fumegava embaixo da porta. Ripley foi às tontas até o console, encontrou os comutadores que ativavam motores secundários e apertou vários deles.
A popa do módulo vomitou energia, energia pura, sem cor.
Incinerado, o alienígena soltou-se no espaço. E do momento em que caiu, o ácido deixou de fluir.
Ela ficou a observá-lo nervosamente, pois ainda borbulhava um pouco. Mas houvera pouca hemorragia. Parou por fim. Ripley fez funcionar o teclado do pequeno computador e esperou, impávida, pela resposta.
PERGUNTA: DANO À SAÍDA DE RÉ
ANÁLISE: REDUÇÃO MENOR DA QUILHA. INTEGRIDADE DA NAVE NÀO COMPROMETIDA. CAPACIDADE DE CONSERVAR ATMOSFERA INTACTA. VEDAÇÃO COMPENSADA SATISFATORIAMENTE.
OBSERVAÇÃO: REPARAR SEÇÃO DANIFICADA IMEDIATAMENTE DEPOIS DE CHEGAR AO PORTO DE DESTINAÇÃO. CASO ATUAL NÃO PASSARÁ EM INSPEÇÃO.
Ripley soltou um hurra.
Depois foi olhar pela escotilha da popa. Uma forma convulsa, fumegante, rodopiava lentamente, afastando-se da nave. Pedaços de carne calcinada caíam dela no espaço.
Só então o fortíssimo organismo sucumbiu às leis da pressão diferencial, e o alienígena explodiu, inchando primeiro, depois rasgando-se e lançando partículas do corpo em todas as direções. Inofensivos agora, os fragmentos fumegantes sumiram-se dançando, na distância infinita.
Não se poderia dizer que ela estivesse jubilosa. Tinha vincos profundos no rosto e um vazio no cérebro, que nada jamais preencheria. Mas estava composta e tranqüila, o bastante pelo menos para recostar-se com alívio no assento do piloto.
Dedilhando diversos botões, repressurizou a cabine. Abriu então, só então, a caixa de Jones. Com a facilidade extraordinária dos felinos, ele já esquecera o ataque sofrido. Aninhou-se no regaço de Ripley quando ela se acomodou de novo na cadeira. Era uma vírgula — cor de ouro, cor de mel — de puro contentamento. E essa coisa fulva pôs-se a ronronar, como soem fazer os gatos felizes.
Ela o acariciou enquanto ditava no gravador da nave:
"Devo alcançar a fronteira em quatro meses mais ou menos. Com alguma sorte, a rede de estações receptoras captará meu S.O.S. e transmitirá a notícia. Terei uma declaração a fazer. Uma cópia será incorporada a este registro de bordo, inclusive alguns comentários do interesse das autoridades sobre determinadas atividades da Companhia.
Fala Ripley, identidade n.° W5645022460H, oficial de segurança e último sobrevivente da nave comercial Nostromo, que assina a presente entrada."
Apertou o botão de STOP.
Tudo estava calmo na cabine. Era o primeiro momento de calma em muitos dias. Ela pensou que talvez pudesse descansar um pouco. Talvez, e contanto que não sonhasse.
Com a mão distraída afagou o pêlo alaranjado de Jones, o gato.
— Vamos, gatinho... Vamos ver se dormimos...
FIM.
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domingo, 5 de fevereiro de 2012
Tudo que você sempre quis saber sobre Alien
O ROTEIRO ORIGINAL (Starbeast) de Dan O'Bannon (1976)
No roteiro original os personagens (todos unissex) chamavam-se:
Chaz Standard - O capitão, um líder e um político. acredita que qualquer ação é melhor do que nenhuma ação.
Martin Roby - Oficial executivo, cauteloso, mas inteligente (o sobrevivente).
Dell Broussard - O navegador, um aventureiro em busca de glória.
Sandy Melkonis - Oficial de comunicações, intelectual; um romântico.
Cleave Hunter - Engenheiro de mineração, forte e rude, veio para fazer fortuna.
Jay Faust - Técnico de motores, um trabalhador sem imaginação.
SINOPSE
No caminho de volta à Terra, de uma parte distante da galáxia, a tripulação da espaçonave SNARK capta uma transmissão em uma língua estrangeira, proveniente de um planeta nas proximidades.
A humanidade esperou séculos para entrar em contato com outra forma de vida inteligente no universo, então eles decidem investigar. A transmissão tem origem em uma nave espacial alienígena destruída e abandonada. Dentro eles encontram coisas estranhas, como o esqueleto de um dos viajantes espaciais.
Certas pistas os levam até uma pirâmide na superfície hostil do planeta, o registro de uma civilização desaparecida. Debaixo desta pirâmide encontram uma antiga tumba cheia de artefatos fantásticos.
Um exame no computador médico da espaçonave revela que a criatura inseriu um tubo em sua garganta, e que está depositando algo dentro dele. Então é descoberto que o sangue do parasita é um ácido corrosivo que derrete metal - por isso não se atrevem a matá-lo dentro da nave.
Eles vão decolar, mas antes que possam selar-se em animação suspensa para a longa viagem de volta para casa, um pequeno monstro horrível emerge do corpo da vítima - onde estivera crescendo, depositado pelo parasita... e agora ele está solto na nave.
Uma série de aventuras se segue.
Finalmente, há apenas um homem vivo, sozinho a bordo com a criatura, e apenas seis horas até que o ar se esgote, o que leva a um clímax cujo resultado irá determinar quem vai chegar vivo à Terra - homem ou alienígena.
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O FILME
Com um orçamento de 11 milhões de dólares, arrecadou oito vezes isso somente nos EUA. Devido ao sucesso, Ridley Scott obteve financiamento para seu filme seguinte, Blade Runner.
Indicado para duas categorias, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Direção de Arte, o filme ganhou um Oscar de Melhores Efeitos Visuais (atribuído a HR Giger e outras quatro pessoas da equipe).
Como é comum a todos os filmes, Alien teve várias cenas planejadas e não filmadas, ou filmadas e não aproveitadas. Uma que sequer foi filmada, tratava dos relacionamentos da tripulação; romântico, sexual, etc, o que incluiria uma cena de sexo entre Ripley e Dallas. Em outra, Ripley perguntava a Lambert se ela dormiu com Ash (esta foi filmada), e até mesmo a sugestão de um relacionamento amoroso entre Ripley e Lambert.
O ALIEN
O alien utiliza os corpos de suas vítimas como hospedeiros para seus ovos. Para reforçar esta estratégia, uma cena cortada da versão original precisou ser incluída na versão de 2003 ('director's cut' theatrical re-release). A cena apresenta Ripley entrando na área de carga onde Brett foi morto, e descobrindo Dallas e Brett envoltos por uma espécie de casulo, e Dallas, ainda vivo e consciente, implora: "Mate-me!"
Ripley, em seguida, usa seu lança-chamas misericordiosamente para matar Dallas e Brett.
Esta cena é significativa na medida em que depois nas seqüências, começando com Aliens (1986), seria introduzido o conceito da rainha que põe ovos, em vez das vítimas transformando-se em ovos.
MÃE (Mother)
MU-TH-R 182 - 2,1 terabytes modelo Mainframe IA, ou simplesmente Mãe, o computador de bordo do Nostromo.
USCSS NOSTROMO 180924609
O projeto básico é um Lockheed CM 88B transportador modificado e equipado com uma unidade estelar Yutani T7A NLS. Os motores originais Saturn J3000 foram substituídos por dois Rolls Royce N66 Cyclone com Tunnels Thrust bi-polares de vetoração. Cada usina desenvolve 7 milhões de toneladas de impulso dando um total de impulso em alta de 14,46 milhões de toneladas.
O design do Nostromo é creditado aos ilustradores Ron Cobb e Chris Foss. Em última análise, são visões altamente orgânicas de Chris Foss.
Ridley Scott fez também suas próprias contribuições ao projeto, bem como, acrescentou a parte da "refinaria-catedral'.
Originalmente batizada de SNARK , posteriormente foi rebatizada como "Nostromo", nome emprestado do livro de mesmo nome, de Joseph Conrad, publicado em 1904, uma história sobre exploração e capitalismo. O módulo de fuga "Narciso" é uma segunda referência a Joseph Conrad, de um romance publicado em 1897 chamado "The Nigger of the Narcissus".
E por fim, em "Aliens", a nave "Sulaco" é também uma homenagem a uma cidade do romance "Nostromo".
Seus paineis internos não poderiam ser mais realísticos, já que são peças retiradas de sucatas de aviões, antigos computadores e equipamentos eletrônicos de verdade.
Grande parte da arquitetura do navio, principalmente seu interior e dos pináculos colossais da estrutura da refinaria, são inspiradas no ambiente das cavernas altamente austrofóbico e também de casas mal-assombradas e castelos dos filmes de terror gótico, como Nosferatu.
RIPLEY
Ellen Ripley nasceu em 2092 na cidade domo de Olympia, na Lua. Ela teve uma filha, Amanda Ripley MacLaren, e não teve outros descendentes.
Em 2122, Ripley foi empregada como subtenente na Companhia Weyland-Yutani, servindo na USCSS Nostromo, veículo rebocador de minério bruto.
Juntamente com o resto da tripulação, ela foi despertada prematuramente do hipersono, dez meses antes da chegada à Terra, devido a um pedido de socorro recebido da lua LV-426.
Devido aos fatos ocorridos com a liberação de um perigoso alienígena à bordo, Ripley foi a única sobrevivente e responsável pela destruição da Nostromo, após ter escapando em segurança no módulo de sobrevivência Narciso, junto com o gato Jones . Ela esperava ser resgatada dentro de semanas, mas (com o gato Jones), permanece à deriva por 57 anos no hipersono.
A única filha de Ripley, Amanda, morreu com a idade de 66 anos, apenas dois anos antes de Ripley ser encontrada.
Relutante, Ripley (agora tenente) volta a LV-426 com uma equipe dos U.S. Colonial Marines para resgatar os colonos instalados na base Hadley's Hope, e basicamente se torna líder após a maioria dos fuzileiros serem mortos. Ripley escapa com um colono, um marine ferido, a metade de um andróide, e (sem seu conhecimento) com um embrião alienígena em seu organismo.
Ela vai acordar desta vez em Fiorina "Fury" 161, uma refinaria de minério e instalação correcional, onde se sacrifica para impedir que a Companhia Weyland-Yutani coloque suas mãos na rainha alienígena que estava dentro dela.
Vários clones de Ellen Ripley são posteriormente criados pelos militares, com a finalidade de experimentação com o alienígena.
"Ela veio de uma família de pilotos, pessoas neste tipo de negócio. Uma família do espaço, em vez de uma família do exército... Ripley era muito inexperiente, aquele era o maior trabalho que já teve. Ela foi escolhida por causa da inexperiência. No decorrer da história, ela passa a querer somente sobreviver, meio como um animal". disse Sigourney Weaver.
BRETT
Brett é descrito no roteiro de Dan O'Bannon como "sem imaginação". Curiosamente, esta descrição permanece até o final do filme, quando Parker, caminhando com Brett para o refeitório, provoca o amigo dizendo: "É por isso que ninguém vem aqui. É por causa de você. Você sabe que não tem nenhuma personalidade."
Embora seja amigo de Parker, Brett é sua antítese, geralmente reservado e monossilábico. Nas cenas de sua morte, excluídas do filme original, as últimas palavras de Brett são o nome de seu único amigo.
PARKER
Parker é o engenheiro-chefe da Nostromo. Ele é um tipo forte, grande e de natureza territorialista. Tem um bom senso de humor, mas é também susceptível a explosões de raiva. No entanto, pode-se argumentar que boa parte de sua bravata mascara uma natureza mais suave. Ele é amigo de Brett, e como este, está interessado em fazer o máximo de dinheiro que puder.
DALLAS
O Capitão Dallas quando está fora do hipersono , pode ser encontrado em algum lugar tranquilo da nave, ouvindo a Serenata nº13 de Mozart.
Ele é um líder corajoso e confiável, um homem que só deseja fazer seu trabalho da melhor forma. Tem uma tendência a perder a paciência quando confrontado com situações fora de seu controle, mas não hesita em arriscar sua própria vida para proteger sua tripulação. Na verdade, Dallas é um simpático e atencioso oficial comandante, que quer simplesmente voltar para casa, para a Terra.
LAMBERT
"Lambert foi quem primeiro expressou temor e quando viu o Alienígena, ela surtou, o que a maioria das pessoas nessa situação faria. Além disso, eu percebi quando eu estava trabalhando com ela, que esta seria sua última viagem e que estava a caminho de casa. Trabalhei no sentido de que ela tinha tido uma experiência anterior não muito agradável. Quero dizer, todo aquele sangue também não foi muito agradável. O tipo de coisa que a arremessou para um comportamento extremo." disse Veronica Cartwright.
KANE
Como no velho ditado, 'a curiosidade matou o gato' (embora o gato Jones tenha sobrevivido no filme), a ânsia de descobrir uma forma de vida alienígena provou ser a ruína do oficial executivo Kane, um homem inteligente mas de caráter aventureiro, o segundo no comando da Nostromo.
ASH
"Uma última palavra. Eu não posso mentir para vocês sobre suas chances, mas...vocês tem a minha simpatia."
O andróide traidor Ash foi uma invenção de David Giler e Hill Walter. Dan O'Bannon foi contra sua inclusão. Ron Shusset disse a respeito: 'Giler e Hill, que eram meus co-produtores vieram com essa idéia [de Ash ser um andróide]. Todo mundo odiou a ideia, mas eu não. O estúdio estava com medo. Dan disse: "Eu não gosto disso." Seu próprio parceiro [Gordon Carroll] disse: "Vai ser um fracasso." Eu disse: "Vamos filmar e ver no que dá." Eu pensei que era um conceito brilhante e deu uma ressonância para tudo que veio antes, porque quando Ash abriu a porta e deixou a criatura vir a bordo, você percebe que ele não era humano, então é claro que ele poderia ter a falta de humanidade de sacrificar todos os seres humanos, desde fora programado para salvar o alienígena.
JONES
Embora em momento algum do filme fique explicito que Jones pertença a Ripley, Ridley Scott comentou em uma entrevista: "Eu acho que se você passa muito tempo no espaço com outras pessoas, a camaradagem desaparece gradualmente, e cada pessoa acaba isolada com os seus próprios pensamentos, suas memórias e preocupações, de onde vieram, para onde estão indo. E portanto, todos os personagens são concebidos como não sendo realmente amigos. Há um tipo de relação fria entre eles e um ponto interessante é que no final do filme Sigourney faz uma coisa extraordinária, que é voltar para salvar o gato. Bem, talvez sua única relação real na nave fosse com o gato."

















































