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domingo, 2 de agosto de 2009

Jack Vance, o artista do gênero


Jack Vance, descrito por seus pares como um 'gênio maior' e 'o maior escritor vivo de FC&F’, é uma figura que no decorrer de sua carreira - seis décadas e contando - ficou afastada das vistas de todos.

Sim, ganhou os prêmios Hugo, Nebula e o World Fantasy e foi nomeado Grande Mestre pela SFFW of America. Recebeu o prêmio Edgar da MWA (Mistery Writers of America), mas todas estas honrarias serviram apenas para camuflá-lo. Assim com as capas de seus livros, com as usuais naves espaciais, monstros e nomes eufônicos de lugares como Lyonesse, Alastor, Durdane.

Se você nunca leu Jack Vance e está passando os olhos nos títulos de uma livraria, você pode não ter um motivo em particular para escolher um de seus livros, ao invés de outro próximo a ele, como um livro de A.E.Van Vogt ou John Varley. Escolhendo um destes outros escritores, você encontrará a emoção habitual, porém não terá idéia do que perdeu e que deixou de conhecer uma das vozes mais distintas e subestimadas da literatura americana.

Pelo menos, esta é a opinião dos fãs de Jack Vance.
Entre eles, autores bem remunerados e famosos, que Vance nunca apreciou.

Dan Simmons, escritor de best-sellers de horror e fantasia, descreveu a descoberta de Vance como “uma revelação, como descobrir Proust ou Henry James. Como nadar em águas profundas. Ele te dá vislumbres de mundos inteiros. Se ele tivesse nascido em outra parte, receberia um Nobel.”

Michael Chabon, que possui uma distinta reputação literária que o permite utilizar fórmulas populares, sem ser rotulado como um autor de um gênero só, disse: “Entre todos os escritores que adoro e que não receberam o crédito merecido, Jack Vance é o caso mais doloroso. Se 'The last Castle' ou 'Dragon Monsters' tivesse o nome de Italo Calvino ou outro estrangeiro qualquer, receberia profunda atenção; mas por que ele é Jack Vance e publica pela Amazing-qualquer-coisa, existe esta barreira insuperável.”

Esta barreira não se provou ser intransponível para outros escritores de gênero, como Ray Bradbury ou Elmore Leonard, que receberam o respeito da crítica enquanto geraram um bom número de produtos de qualidade aceitável, ou como H.P.Lovecraft e Raymond Chandler, escritores de livros populares (pulp), cuja reputação pós-morte se estende além do tempo, vencendo barreiras de aprovação.

Mas cada um deles, não importa o quão inovadores ou poéticos, entraram de alguma forma pela literatura popular através da exploração dos atributos de suas especialidades. Vance, ao contrário, trabalhou inteiramente de forma popular, sem prestar atenção a convenções ou estilos. Sua ênfase se concentra no incomum, no estranho. As naves espaciais são apenas meios para levar seus personagens de uma sociedade a outra; ele prefere resumir cenas de batalhas e outras partes, que potencialmente agradariam a qualquer multidão, e tem grande prazer em explorar a grande inclinação do ser humano para a crueldade.

Apesar de Vance poder jogar com as regras, em qualquer que seja o gênero em que esteja trabalhando, seu verdadeiro gênero é Jack Vance.

Seus leais leitores são loucamente apaixonados por ele.
Vários deles se juntaram no final dos anos 90 para montar a Edição Integral de Vance (V.I.E.), uma charmosa coleção de 45 volumes contendo a obra completa de Vance de todas as edições publicadas.
Liderados por Paul Rhoads, um pintor americano que vive na França (que comparou recentemente 'Winged being' de Vance a Oswald Spengler e Jane Austen entre outros, um anti-Paul Auster), os voluntários compararam detalhadamente todas as edições publicadas e manuscritos do autor a fim de recompor a prosa deturpada por editores.

Os Vancians (leitores de Vance) também criaram Totality (pharesm.org), um site onde se pode pesquisar os textos - no qual podemos ficar sabendo que ele usou a palavra 'punctilio' (ponto nevrálgico) exatas 33 vezes em sua obra.

Esta é uma amostra extraordinária do verdadeiro amor de seus leitores: um bando de entusiastas que deram a um escritor contemporâneo o tratamento dado a um Variorum (livro explicativo) de Shakespeare, porém em sua própria época.

Vance, que tem 92 anos, disse que seu novo livro (biográfico) - 'This is me, Jack Vance' - será seu último.

E chegando nas livrarias, 'Songs of Dying Earth', é uma coleção de histórias de vários autores que se passa em um futuro distante, baseado nas primeiras histórias de Vance, escritas a bordo de um navio de carga no Pacifico Sul, enquanto servia na Marinha Mercante durante a Segunda Grande Guerra. A lista inclui estrelas, nomes das listas de mais vendidos, entre eles Simmons, Neil Gaiman, Terry Dowling, Tanith Lee, George R. R. Martin e Dean Koontz.

Como um disco tributo literário, que dá conhecimento da influência de um tesouro nacional semi-obscuro, através da reinterpretação de suas canções.

Você deve estar se perguntando: Bem, se Vance é tão bom quanto Simmons, Chabon e Rhoads dizem que ele é, e se ele se recusa a ceder às demandas do gênero no qual trabalha, então talvez tivesse sido melhor que ele tentasse outras formas que o recompensassem melhor - não é uma vergonha que ele permaneça confinado a um gênero para adolescentes no qual seu talento maduro não pode brilhar de verdade?

Penso que a pergunta estaria errada em suas suposições: errada sobre Vance, sobre gênero e sobre o que ‘adolescente’ e ‘maduro’ significam quando falamos de sensibilidade literária.

Quando eu tinha 14 anos, ao final dos anos 70, conhecia um garoto que era expert em tudo que era mais legal do que qualquer outra coisa que seus colegas de classe estivessem fumando ou lendo. Eu me orgulhava de ser um especialista, de Tolkien a E.R.Eddison, até Michael Moorcock. 'Coisa para crianças' disse o espertinho, 'tente isso' e me passou um exemplar de 'Eyes of the Overworld' de Vance. Na capa uma criatura do tipo lagarto gigante atacava um barco a remo, dentro dele um homem com roupas 'medievais' e uma mulher de seios grandes e com a roupa transparente de sempre.


Ao ler as primeiras páginas, me senti aprisionado pelo estilo de um escritor como nunca havia experimentado antes. Li o livro como se estivesse preso em um delírio e acabei procurando por mais. Além de fantasia burlesca, Vance escreveu fantasia científica, romance planetário, mistério extraterrestre, sagas sobre vinganças e outras histórias de aventuras especulativas menos classificáveis, de contos a crônicas, em vários volumes.
Escreveu 11 livros de mistério sob seu nome de batismo John Holbrook Vance, e outros três com o pseudônimo de Ellery Queen.

Teve uma breve experiência no início de carreira como escritor da série de televisão Captain Video e, por anos, várias de suas histórias foram avaliadas para o cinema – porém Hollywood nunca lhe deu o tratamento devido como fez com Phillip K Dick, por exemplo.

Parte da falta de interesse de Hollywood em relação a Dick se deve, penso, à maneira leviana com que enxergam seus trabalhos, como um estilista barroco cuja forma de escrever dependesse mais da linguagem para alcançar seu efeito, do que da história, dos personagens ou de alguma premissa conceitual.

Vance crê que o fluxo musical da linguagem é tudo na maneira de se contar uma história.
'A prosa deve bailar', me disse certa vez, mas o problema social ou cultural deve sempre vir por debaixo da ação, convidando o intelecto a parar e pensar.

Em seu livro 'The Languages of Pao', Vance propõe que a linguagem pode ser manipulada para fazer as pessoas predispostas ao combate. Em 'Dragon Masters' prossegue numa analogia entre manipulação genética e sofisticação estética.

Uma trama intrincada não é seu forte, mas ele recombina com arte, elementos recorrentes: ritmos da viagem, prazeres da música, bebidas fortes e vingança, tocantes encontros com aristocratas, charlatões, estetas e fanáticos, rudes, invejosos de todas as classes e ingênuas e magras jovens com um hábito enigmático de olhar para trás por cima dos ombros.

Suas histórias transmitem uma integridade que se sustenta conforme avança, equilibrando-se entre o prazer devasso de imaginar outros mundos e o efeito hipnótico de uma tonalidade especial que é descrita de maneiras diversas, como farpado, aveludado, astuto, enigmático.

Ler Vance te leva, com certa formalidade, a estar presente no sério mundo do entretenimento literário, apesar de toda graça e diversão com palavras inventadas. E finalmente, isso demonstra a grande habilidade artística do escritor.

Não importa a capa, você pode ter certeza que é altíssima literatura.

Esta é uma reação comum do primeiro encontro com a prosa de Vance, quando se está numa idade impressionável. Alguns dos mais famosos escritores de fantasia e que contribuíram para “Songs of Dying Earth” me contaram histórias semelhantes.

Dan Simons tinha 12 anos de idade quando seu irmão mais velho o deixou ler “The Dragon Masters” e subitamente ele se viu “no lado fundo da piscina”.

Neil Gaiman tinha 12 ou 13 quando deu com Dying Earth Tale. “Me apaixonei pelo seu estilo. Era elegante, inteligente, cada palavra parecia saber o que fazia. Era divertido, mas nunca fácil ou óbvio.”

Tanith Lee me contou que aos 20 anos de idade “eu era muito desajustada, infeliz e sabia que queria escrever'. Sua mãe lhe comprou o primeiro livro da série Dying Earth - que deu á existência desmotivada de Lee uma possibilidade de se tornar escritora. “Amei o humor negro, a elegância e amei aquela depravação sofisticada. E quando conheci Cugel, eu amei. Ele foi a salvação.” Depois de nos falarmos, ela me enviou um email com uma das suas frases prediletas de Vance: “Eu o cumprimentaria se não fosse por este tentáculo apertando minha perna.”

Michael Chabon, que não faz parte do tributo, tinha 12 ou 13 quando leu “The Dragon Masters”. Ele inclui Vance na autêntica tradição americana do que é importante e poderoso, mas pouco reconhecido. “Não é Twain ou Hemingway, é mais como Poe, uma mistura do refinamento europeu com o espírito indômito de fronteira. Consigo ver um marinheiro de uniforme no deque de um navio no Pacífico sul, imaginando o futuro dali a um milhão de anos.”

Chabon contrasta Vance a Tolkien e C.S.Lewis, mestres britânicos com quem “divide a grandiosidade, o impulso de sintetizar uma mitologia para toda uma cultura. Não há nenhum deles em Vance. A engenhosidade de Vance está sempre à vista. São sempre histórias de aventuras, mas também existem quebra-cabeças a serem solucionados. Ele pontua estes 'o que aconteceria se' como um silogismo. Ele é um amante da lógica, como Poe, o engenhoso espírito ianque, aliado ao amor erudito, à pompa e a ostentação. E ele tem um ouvido magnífico para construir belas sentenças.”

A maioria destes leitores era adolescente quando foi apresentada ao primeiro Vance de suas vidas, o que despertou neles uma apreciação para as possibilidades artísticas do uso da palavra.

Quando se trata de literatura, “Adolescente” não quer dizer somente uma prosa chata e sem imaginação que evoca fortes sentimentos em pessoas emocionalmente inexperientes.

“Adolescente” pode significar também uma literatura que inspira as primeiras emoções conscientes de uma sensibilidade literária. Então sim, Vance trabalha exclusivamente os gêneros adolescentes - se sob esta orientação, incluirmos a experiência transformadora de se apaixonar pela primeira vez por uma bela frase.

Vance mora em Oakland Hills, numa casa que ele colocou no chão e a reconstruiu ao longo de anos de forma idiossincrática. Ele possui a reputação de recluso e irritadiço, e encontros entre estranhos em suas histórias, sempre se dão de maneira truculenta.

Enquanto alcançava a entrada de sua casa numa tarde cinzenta de inverno, um cachorro grande latiu com minha aproximação - eu tentava apagar a expectativa irracional de uma troca de diálogos à moda de Vance. Eu diria “Porque persiste escrevendo romances burlescos e sem importância para palermas?” Ele diria: “Sua pergunta é nuncupatória. Estou cansado de ser importunado. Vá embora.”

Porém ele foi gracioso e me brindou com histórias sobre suas aventuras nos mares do sul.
Sentado numa cadeira de balanço à sua mesa, bem agasalhado, com um cobertor nos ombros e um aquecedor junto aos pés. Sua idade avançada o curvou e o fez menor, mas sua voz grave ainda é carregada de autoridade.

Ele passa os dias em sua mesa, ouvindo histórias de mistério no tape-deck (ficou cego nos anos 80), conversando ao telefone, ouvindo ou tocando o jazz tradicional que ele tanto adora.
Em um ponto da minha visita, tocou um ukulele. Também toca, ou tocava, harmônica, washboard (uma espécie de tábua de lavar roupa) kazoo (um instrumento musical que parece um brinquedo) e corneta.

(uma foto antiga de Vance tocando Banjo e Kazoo)

Diferente de muitos de seus personagens, que estão sempre se vangloriando, sua presença é bastante fraterna e ‘pé no chão’. Ele evitou minhas perguntas sobre seus fãs, pessoas como Ursula K.Le Guin, o zilionário da indústria de software Paul Allen e o desenhista de games Gary Gygax, que teve o seu Dungeons and Dragons tremendamente influenciado por Vance.
No entanto explicou com alegria como resgatou uma casa flutuante submersa usando um compressor de ar e oito tambores de 50 galões.

Vance nunca foi rico, mas ganhou o bastante para sustentar sua esposa Norma (que morreu no ano passado, após 61 anos de casamento) e seu filho John, um engenheiro. Juntos viajaram por lugares exóticos - Ilha da Madeira, Tahiti, Cidade do Cabo, Kashimir, onde ficavam em hospedarias baratas o tempo suficiente para Vance escrever outro livro.

'Ficávamos em qualquer buraco desde algumas semanas até meses'
John me disse: 'Ele com sua prancheta, e ela com sua máquina de escrever. Ele escrevia à mão e ela datilografava. O primeiro manuscrito, o segundo, o terceiro.”

Proporcionar uma vida confortável com o trabalho de escritor era imensamente importante para Vance, que nasceu em São Francisco, numa família que passou por momentos difíceis durante sua infância. Ele cresceu durante a Grande Depressão na fazenda de seus avós em Little Dutch Slough, de onde veio seu amor pela vela, sua confiança e apreciação pela ficção de gênero.

Admirava Edgar Rice Borroughs (John Carter of Mars) e disse 'eu esperava na caixa de correio todo mês, ansioso pelo último número de Weird Tales', uma revista popular (pulp) que trazia escritores seminais de fantasia como Lovecraft, Robert E. Howard, C. L. Moore e Clark Ashton Smith.

Vance freqüentou a Universidade da Califórnia, mas sua educação prática como escritor veio da leitura destas revistas e outros autores: a série de livros sobre OZ de L. Frank Baum, Jeffery Farnol e a comédia leve de P. G. Wodehouse, seu herói literário.
Vance parece ter pouco em comum com Wodehouse, ao menos em sua visão da natureza humana.

Os personagens de Vance tendem a possuir uma qualidade sombria, onde a crueldade facilmente aflora. Em “Araminta Station,” o primeiro livro da sua trilogia eco-política, “Cadwal”, Vance zomba ao citar “The Worlds of Man,” um estudo feito pelos viajantes das galáxias Fellows of the Fidelius Institute:
“Em nossas jornadas de um lado a outro da Gaean Reach, nós não descobrimos nada que indicasse que a raça humana, em qualquer parte, tenha se tornado mais generosa, tolerante, gentil ou sábia. Nada, em parte alguma.”

Vance me contou que ele e sua família sempre encontraram bom tratamento e boa companhia em suas viagens, comeram e beberam bem e encheram os olhos com as belezas do mundo.
Então o que teria inspirado esta maldade pandêmica de sua obra?
Ele se recusa a especular, mas seu filho diz: “Acho que veio do tempo que sua família perdeu tudo. Os tempos eram difíceis, as pessoas eram rudes. Meu palpite é que este padrão vem daqueles dias, quando jovem na Califórnia, e na Marinha Mercante.”

Vance tem orgulho de sua habilidade, mas não dá nenhuma importância em falar sobre algum detalhe, indo distante em sua memória e permite assim, transferir quase toda discussão sobre sua escrita, a um breve capítulo ao final.

Jeremy Cavaterra, um compositor que vive em um apartamento colado à casa de Vance, e que ajuda nos cuidados com ele (recrutado por ser um fã antigo, ao ler “The eyes of the Overworld” aos 14 anos de idade) disse sobre esta sua reticência: “Parte disso se deve por ele se sentir como o mágico contando as pessoas como funciona o truque, e parte disso é porque ele escreve pelo sentimento, e não se pergunta sobre isso.”

O conhecido desgosto de Vance em falar sobre si mesmo como um escritor de fantasia pode estar em sua adolescência, quando chegou muito jovem na escola após pular algumas séries. O personagem do jovem desajeitado, com um mundo inventado em sua cabeça é recorrente em sua obra, assim como a cena dos garotos populares atormentando o garoto solitário.

O mais prolífico homicida de seus estranhos sonhos é provavelmente o Príncipe Demônio Howard Alan Treesong. Norma costumava dizer que seu marido era Treesong.
John me contou que seu pai prefere pensar em si mesmo como um Cugel, um pouco menos covarde. Coloque-os juntos, o sonhador Treesong, com o malandro Cugel, e você tem Vance, cuja longa atividade em seu negócio cresceu a partir de uma descoberta juvenil de que se pode transformar sonhos sem valor em arte com propósitos, e esta arte em um holerite.

Agora Jack Vance começou a perder palavras.
Quando se exibiu mostrando seu bar dizendo: 'Vá pegar um uísque para você', ele riu e acrescentou 'Tem uma palavra que não consigo me lembrar. Ela tem um sentido de maestria estética, de controle, mas também de pensar muito em si mesmo'.

Sua velha favorita “punctillo” me veio na cabeça, assim como 'hauter' (arrogância), que aparece 16 vezes em Totality. Mas nenhuma me pareceu exata, então eu nada disse. Durante nossa conversa, ele já havia sumariamente rejeitado várias pessoas, incluindo dois escritores célebres de FC que eu cresci lendo, como imbecil e exibido. Dizer a palavra errada poderia qualificar-me como ambos.

Fui pegar meu drinque, deixando-o pensar sobre a forma exata do buraco que a palavra perdida deixara em sua mente.

Pode não estar perdida para todo sempre.
Pode muito bem aparecer na prosa de Michael Chabon, ou para um dos participantes de 'Songs of the Dying Earth' ou ainda para Ursula K.Le Guin. Talvez até para mim.


The Genre Artist por CARLO ROTELLA (July 19, 2009)
Carlo Rotella é diretor no Boston College.

Jack Vance


John Holbrook Vance (28 de Agosto de 1916) nasceu em San Francisco, California (EUA).

Jack Vance é geralmente descrito como um gênio, um escritor de fantasia e ficção científica que transcende o rótulo dos gêneros em que escreve. Ao longo de mais de 6 décadas, escreveu também utilizando-se de diversos pseudônimos como Ellery Queen, Alan Wade, Peter Held e John van See.

Estudou na Universidade da California, Berkeley e passou a maior parte de sua vida na região de Oakland. Sua carreira como escritor começou ao final dos anos 40, em parte na onda do movimento que ficou conhecido como San Francisco Renaissance, de experimentação artística, sendo que muitas referências à vida boêmia de San Francisco, aparecem em seus primeiros trabalhos, como 'Sailmaker Beach', o quarteirão boêmio de Avente, no planeta Alphanor.

Apesar de ter ficado cego nos anos 80, por conta de um tratamento mal sucedido de glaucoma, Vance continuou escrevendo com a ajuda de um software de voz.

Seu último livro lançado, uma auto-biografia chamada 'This is me, Jack Vance' será, segundo as palavras do próprio, seu último livro.

Jack Vance (Alastor Cluster series, Demon Prince series, Dying Earth series, Elder Isles series, Lyonesse series, Planet of adventure series, Tschai series, The loom of darkness, Green Magic, Meet Miss Universe, The sorcerer Pharesm, A short biography, La mariposa lunar, Abercrombie station, Tle last castle, Telek,Rumfuddle, Sail 25, Assault on a city, The moon moth, The brains of Earth, The miracle workers, Son of the tree, The houses of iszm, The many worlds of Magnus Rudolph, The Gray Prince, The eyes of the Overworld, The narrow land, To live forever, The languages of Pao, Maske Theary, Hombres y Dragones, The Dragon Masters, Mundo Azul, Cugel's Saga, Emphyrio ) [ Download ]

Jack Vance Archive site

sábado, 1 de agosto de 2009

Jack Vance, criando um planeta após o outro


Ninguém pode negar o impacto de Jack Vance sobre os gêneros Ficção Científica e Fantasia.

Na Enciclopédia da FC, Vance é descrito como um 'jardineiro de mundos, um artista de paisagens', um 'gênio'. Esta genialidade o levou a escrever histórias fantásticas sobre mundos incríveis por mais de 50 anos.


Pergunta: Quando criança, você imaginava que o mundo pudesse ser como é hoje?
Vance: Não quero ofende-la tão cedo nesta entrevista, mas este é o tipo de pergunta que não possui uma resposta lógica, de verdade; porque uma criança, quero dizer, todo mundo especula sobre todo tipo de mundos em que viverão quando crescer. Mas eu raramente pensava sobre isso. Eu achava que automóveis seriam mais rápidos e aviões voariam mais rápido. Eu sabia que as viagens espaciais eram iminentes, mas eu não fazia muita especulação.

P: Você sempre quis ser um escritor?
V: Sim. Não por que tivesse um enorme instinto criativo. Eu apenas queria trabalhar em alguma coisa onde eu não tivesse um patrão, um trabalho onde não precisasse estar todo dia no mesmo lugar. Eu nunca trabalhei em um escritório na minha vida. Isso limita você, quando você trabalha num escritório, você é uma criatura numa pequena jaula, sob a supervisão e vigilância de alguém. Mas é lógico que já trabalhei em empregos onde estive sob a supervisão de alguém. Fui carpinteiro por algum tempo e todo mundo vigia o que você faz. Na verdade, quase todo trabalho que se faz, tem alguém te observando.

P: Mesmo agora como escritor.
V: Eu não ligo. Me preocupava com isso quando era jovem, mas quando comecei a vender minhas histórias, não pensava mais sobre isso. Eu somente escrevia o que eu sentia e esperava que vendesse. Nunca fiz muito dinheiro com isso, mas vendi bastante. Nunca escrevi para o publico. Nunca. Se eu o fizesse, eu estaria escrevendo Star Trek.

P: Como eram as coisas quando você começou a escrever?
V: Bem difíceis. Era difícil entrar no mercado e não se ganhava dinheiro com isso. Eu trabalhei por metade de um centavo por palavra. Para começar eu não sou rápido em escrever, então precisei trabalhar em outras coisas. Mencionei que fui carpinteiro. Trabalhei numa empresa que construía divisórias para escritórios.Era um bom trabalho. Eu tinha um caminhão e podia ir por ai, fazia meu próprio horário de trabalho. Era fácil. Bastante simples, como montar um lego. A carpintaria tinha um trabalho danado, sério. Exige muito de você, física e mentalmente, você tem que estar alerta para evitar erros e tem sempre um capataz fungando no seu pescoço. Se não produzir você está fora!

P:Você teve influências quando começou a escrever?
V: Bem, acho que quase tudo que li contribuiu para formar o pano de fundo sobre o qual eu escrevia. Mas quando eu era jovem, eu lia todos os livros de Oz, que tiveram enorme influência em mim.
E havia Edward Stratemeyer e sua fábrica de escritores de ficção, [Howard R. Garis e outros] com o pseudônimo de Roy Rockwood, escreviam diversos tipos de histórias de FC. ‘Through Space to Mars’ e ‘Lost on the Moon’ e ‘The Mystery of the Centre of the Earth’. Este tipo de coisa. Acho que foram de verdade, as primeiras histórias de FC publicadas. É claro, se não considerar Jules Verne e H .G. Wells, que nunca tiveram a intenção de serem escritores de Ficção Científica. Eles estavam comprometidos com outros motivos. H.G.Wells era filósofo e Verne, era engenheiro, acho. As histórias de Verne são uma mistura de engenharia e aventura, enquanto que H.G. Wells tinha este eixo filosófico a explorar. Mas não sou um estudioso da obra, nem de um nem de outro. Esta é a minha impressão geral apenas.
Mas Roy Rockwood era FC como conhecemos hoje.
Eu adorava P.G. Wodehouse. Era um escritor maravilhoso. Ainda acho hoje. Acho que não foi apreciado o bastante, por sua magnífica criatividade e a beleza de sua escrita. Eles riam dele, não o levavam a sério por o acharem frívolo.
E havia um escritor chamado Jeffrey Farnol, no inicio dos anos 20. Escrevia ótimas histórias de aventura, que li na minha adolescência.
Eu era fascinado pela sua maestria ao criar atmosferas e ritmos, excitação e ousadia. Ficou um pouco datado. Era um pouco sentimental demais em suas atitudes sobre mulheres e velhos. Muito nobre. Ele não é conhecido hoje tanto quanto foi. Ele escreveu ‘The Amateur Gentleman’, que se tornou um filme. São dois homens que admiro.
E tinha Clark Ashton Smith, que escreveu para Weird Tales e tinha uma imaginação incrível. Não era um escritor talentoso, mas sua imaginação era poderosa. E também Edgar Rice Burroughs. Não penso que foi uma influência para mim, mas adorava ler suas histórias. Eu era jovem. Especialmente Barsoom. Burroughs sabia como criar uma atmosfera..
Estes são apenas a ponta do iceberg, por que eu lia, lia, lia, lia tudo. Não fui publicado quando jovem. Eu era onívoro em matéria de leitura, então tudo que li de certa forma, contribuiu.
Tinha um escritor nos anos 20 chamado Christopher Morley, que me influenciou um pouco, mas eu não consigo me lembrar bem.

P: Você fez um enorme e árduo trabalho ajudando a definir os gêneros da Fantasia Científica e Romance planetário. Você foi a maior influência para outros autores. O que pensa sobre o impacto de seu trabalho?
V: Não penso nisso. Não me interessa. Nem particularmente me impressiona. O que não significa dizer que não é melhor que seja assim do que se não o fosse. Não sou vaidoso, só não sei o que fiz. Só o fiz por ser capaz de fazê-lo, e o fiz sem nenhuma pretensão. Se isso (o impacto) aconteceu, significa que sou bom no que faço, o que evidentemente sou. Eu devo falar sobre isso na convenção (Vance foi o escritor convidado de honra na NorwesCon).
Este reconhecimento chegou lentamente, me parece que as coisas vem muito tardiamente. Recebo crédito pelo que fiz. O que é gratificante, mas um pouco tarde. Preferia que tivesse vindo acompanhado de cheques quando eu era jovem (risos).
E sobre esta influência a qual você se referiu, não me afeta de maneira alguma.

P: Você se vê em outros ao ler Ficção Científica ?
V: Não leio a FC de outros. Nenhuma na verdade. Não vou a cinema desde que alguém me deu algumas entradas grátis para Star Trek, que assisti. Tenho um desconforto total em ser parte da audiência. Ficar sentado lá com todo mundo rindo e chorando ao mesmo tempo, como se os botões fossem apertados ao mesmo tempo. Parece um tipo de prostituição em massa. me sinto sujo sentado numa audiência.
Eu leio livros. O que suponho que seja mais ou menos a mesma coisa, mas pelo menos estou sozinho e sou um indivíduo. Posso parar quando quiser, o que freqüentemente faço. Mas eu desprezo a mídia de massa. Como disse, nunca assisto FC, nem sei o que está acontecendo.
Eu conheço (Robert) Silverberg é claro, mas nunca li nada que escreveu.
E Poul Anderson, que era amigo meu, eu li um de seus livros apenas por que era curto e foi editado pela Ballantine com quatro histórias. Uma era minha. Mas essencialmente era um livro meu e de Poul, e ele tinha uma história ótima no livro. Falava sobre sereias e sua vida debaixo d'água, era maravilhosa.

P: O que você lê hoje em dia?
V: Mistérios policiais. Em fitas cassetes (Jack Vance ficou cego por conta de um glaucoma). Eu as encomendo e tenho aqueles que são meus favoritos, como uma escritora chamada M.C.Beaton, que escreve sobre uma vila escocesa no noroeste da Escócia, e que tem livros maravilhosos. Seu protagonista é Hamish Macbeth, um policial de vila. Ela é uma escritora maravilhosa. E escreve com humor.
Anne Perry escreve livros sobre a Inglaterra Vitoriana. Eu gosto do que escreve, apesar do seu último, chamado Half Moon Street, eu não ter gostado tanto. Ela tem o mau hábito de espalhar capítulos inteiros com diálogos que não levam a história para frente.
Também gosto da velha Agatha Christie. Há um tipo de honestidade no que faz. Não tem pretensões de ser uma grande escritora ou coisa assim.
John MacDonald é um bom escritor. Não gosto dos episódios com sexo, em cada livro seu. Eles estragam os livros. São totalmente desnecessários. Sinto certa vergonha por ele ter que colocar esta certa quantidade de sexo em seus livros. Tirando isso, é um escritor maravilhoso.


P: O que faz os livros de mistério serem mais interessantes para você do que os de FC?
V: Não sei. Não sei. Acho em geral o trabalho 'artesanal' de melhor qualidade. Gosto do senso de localização. Alguns escritores fizeram de certos lugares suas propriedades privadas. M.C. Beaton fez isso com a vila no noroeste da Escócia. MacDonald com Miami.

P: Como escritor, existe algo que você não tenha feito?
V: Eu não sei. Eu não vendi para o cinema. Em outras palavras, não recebi ainda um cheque polpudo. E agora que sou velho se eu o recebesse não saberia o que fazer com ele. Não viajo mais. Não preciso, nem quero, coisa alguma. Daria para o meu filho, imagino, e o deixaria desfrutar dele.

P: Você tem mais histórias para contar? Não tem uma seqüência de seu último livro, Ports of Call?
V: Sim. Estou trabalhando nele agora (Lurulu), é claro.Mas sou muito lento para escrever por que acho terrível fazê-lo com computadores. Os computadores falam comigo, mas é tão lento, e sou terrivelmente devagar usando-os. E não gosto. Depois dele eu não sei. Provavelmente ficarei nervoso por não estar trabalhando em algo, mas não tenho nada em mente no momento. Talvez apareça alguma coisa.

P: Ports of Call e Lurulu se passam no Universo Gaean Reach. O que tem de especial nele para você?
V: Nada em especial. Nele existem naves espaciais que permitem que se vá de uma estrela para outra em um tempo razoável, uma coisa que não podemos fazer agora, é claro. Levaria uma vida sob condições de prisão, para alcançar outra estrela. É tão impraticável que eu duvido que alguém vá tentar fazê-lo. A não ser que se descubra um jeito mais rápido.
Alguns escritores assumem que haverá maneiras de viajar rapidamente de uma estrela a outra, em um tempo razoável e isso é uma das convenções na FC escrita, que possui muitas convenções. E várias delas não são muito razoáveis.
Outra é que a qualquer parte que vá as pessoas falam a mesma língua, o que no caso de Gaean Reach seria dificilmente lógico. As pessoas depois de ficarem isoladas por centenas de anos, desenvolvem dialetos que não seriam compreensíveis para estranhos. Mas para podermos tornar possível que possamos ir a outro mundo e nos comunicar com as pessoas que vivem nele, você precisa assumir que todos falam a mesma língua. É uma convenção da FC que fazemos de conta ser possível.

P: Qual foi o maior desafio que enfrentou em sua vida?
V: Oh, as grandes quantias de dinheiro. Desafiadoras. Tenho um instinto competitivo, é claro. Não que eu queira ser melhor do que ninguém, mas penso que se alguém recebe 100 mil dólares, eu quero o mesmo. Não fico furioso pelo cara ganhar 100 mil. Não o invejo. Mas por que eu não posso? Fico louco comigo mesmo! Com meu agente! Quando comecei a escrever eu usei, sem pensar Jack Vance. Penso que deveria ter usado John Holbrook Vance, que é bem melhor do que Jack Vance. John Holbrook Vance é bem mais sonoro e sério e acho que algumas pessoas pensariam que se trata de um homem lúcido e sério, coisa que sou, é claro. Bem, de qualquer forma, quando assino meus livros, fico feliz de ter usado Jack Vance (risos).

P: Talvez fizesse mais diferença se você escrevesse mainstream ao invés de FC&F.
V: Também acho. Não vou mentir. Se alguém me pergunta o que eu escrevo, eu nunca digo FC. Penso em Kurt Vonnegut, ele era intenso e bravo, ele combinava bem com a imagem de escritor de FC. No meu caso, eu digo:'Bem, não sei o que escrevo. É Ficção Especulativa. Ficção sobre o futuro. Ficção social-antropológica. E mesmo assim se usarem o termo FC, do qual não gosto, eu tenho que agüentar. Seria simples se eu pudesse me permitir dizer FC, mas não posso por que eu detesto esta área. Não gosto das pessoas envolvidas com ela. Não os escritores, mas os fãs. Os jovens fãs e algumas pessoas com atitude adolescente e que vão a convenções com roupas engraçadas e trekies, e tem todas aquelas sociedades esquisitas. Não quero estar associado a esta gente. Existe um monte de gente nestas convenções, eu conheci várias, extremamente educadas e que são inteligentes.

P: O que mais o surpreende ao longo dos anos?
V: Ainda estar vivo, eu acho.

P: Vivo e trabalhando.
V: Sim. Se alguém me dissesse que eu ia chegar nesta idade e trabalhando ao invés de estar sentado em frente a uma televisão, eu ficaria surpreso. É claro que se me dissessem que eu ficaria cego, eu não iria gostar disso também. Quando eu tinha 8 ou 9 anos fui a um oftalmologista que tinha a fama de ser o melhor de São Francisco e ele me perguntou: 'Meu jovem, você lê muito?' 'Sim doutor, eu leio.' 'Bem, não leia tanto assim. Você precisa parar ou então você vai ficar cego quando velho.'
Não acho que ele sabia o que dizia, por que perdi meus olhos por decorrência de um glaucoma, que nada tem a ver com meu hábito de leitura. Foram outros fatos. Como o fato do médico que tentou reparar meus olhos usando laser a cada vez que me operava, meus olhos ficavam ainda piores. Até que ele desistiu. E fiquei assim.

P: Você é um escritor bastante visual. Ter perdido a visão teve impacto na sua escrita?
V: Não me atrapalha nem um pouco. Tenho memória e posso ver as coisas na minha cabeça. Não, não tive problemas em não poder mais ver.

P: De tudo que escreveu, do que gosta mais?
V: Não queria responder esta. Eu gosto de todas minhas últimas coisas. Só não gosto muito das primeiras que fiz. Acho que não havia aprendido a minha arte, o que não deveria fazer, sendo tão exibicionista, tentando aprender como escrever.

P: Qual o segredo de continuar a escrever tão bem?
V: Primeiro não ter Alzheimer. Sabe disso tanto quanto eu. Continuar a ter algum sentimento de querer escrever e continuar a ter idéias e ficar inquieto se não estiver escrevendo. Agora mesmo, eu ficaria feliz se não tivesse que escrever mais, até ter outra idéia. Não me importo com minha idade. Não tenho medo de morrer por que primeiro isso não faz bem. É uma tolice ter este tipo de medo, eu acho. Não gostaria de ter câncer, como o coitado do Poul Anderson. Me senti muito mal por ele, eu o admirava muito. Ele era um ótimo camarada. Um dos meus melhores amigos, Poul.

P: Você tem imaginado o futuro a muito tempo. Para onde você acha que a humanidade caminha?
V: Não me faça estas perguntas. Você espera que eu venha com alguma sabedoria, com comentários filosóficos que irão surpreender a todos e irão dizer 'Este Jack Vance sabe de tudo! Ele é um filósofo de verdade!' É óbvio que não sei sobre o futuro, mais do que qualquer um sabe.

P: Quais são seus interesses quando não está escrevendo?
V: Um deles é Cosmologia. Coisas como mecânica quântica. Física astronômica, o que é essencialmente cosmologia. Estou lendo um livro muito bom de um sujeito chamado Martin Rees, chamado ‘Before the Beginning’. Não vou aborrecê-lo com minhas teorias, mas sou particularmente cético sobre certas idéias. Adoro discuti-las e argumentar com astrofísicos. Por algum tempo um dos meus maiores interesses na vida era - de fato penso em mim mesmo mais como um música na metade do tempo, do que como um escritor - o jazz. O jazz original, não o que chamam de novo jazz, que eu não considero que seja jazz de verdade. Só um barulho abstrato. O jazz de Nova Orleans, que ainda existe hoje. Não é música popular, mas é ótimo. Eu costumava tocar corneta e banjo, mas quando meus olhos se foram eu desisti.

P: Você tocava bem?
V: Meu melhor instrumento era a harmônica (risos). Não, não posso dizer que era bom. Meus dedos eram finos demais, mas toquei em banda certa vez. Ninguém me chamava para tocar quando precisavam de alguém, a não ser como último recurso. mas eu me diverti bastante.

P: Que conselho você dá para os novos escritores que estão começando e que querem ser publicados?
V: O óbvio, apenas trabalhe. Esta é a chave. E não tente escrever com exibicionismo. Em outras palavras, não tente ser ultra-espetaculoso. Tente fazer com que funcione, não inflar seu trabalho com montes de adjetivos e advérbios. O principal é ter uma boa história, uma boa trama. Ter bons personagens e não tentar ser sensacional sempre. Seja comedido ao escrever.

Entrevista concedida a Kathie Huddleston (Science Fiction Weekly - 2002)