segunda-feira, 25 de julho de 2011
The Science of Sherlock Holmes
Contents
Preface
Acknowledgments
1 Dialogue with the Dead
2 Beastly Tales and Black Dogs
3 A Fly in the Ointment
4 Proving Poison
5 Disguise and the Detective
6 The Crime Scene by Gaslight
7 A Picture of Guilt
8 Shots in the Dark
9 Bad Impressions
10 The Real Dirt
11 Notes from the Devil
12 A Voice in the Blood
13 Myth, Medicine, and Murder
Glossary
Bibliography
Index
The Science of Sherlock Holmes From Baskerville Hall to the Valley of Fear, the Real Forensics Behind the Great Detective’s Greatest Cases [ Download ]
domingo, 26 de setembro de 2010
A relação racionalismo vs sobrenatural nas obras de Sir Arthur Conan Doyle
Introdução
O século XIX assistiu ao sucesso de um dos mais conhecidos escritores da sua época que ficou conhecido, essencialmente, pela invenção de uma das mais conhecidas personagens de ficção: Sherlock Holmes.
Ainda hoje, volvidos tantos anos após a sua morte, o nome Conan Doyle continua a provocar reacções de rara passividade, dividindo opiniões entre críticos, estudiosos e leitores.
O ano de 1887 viria a ser o ponto de partida para uma vida dedicada à escrita e a obra A Study in Scarlet publicada no Beeton’s Christmas Annual seria o primeiro conto de muitos cuja personagem principal era Sherlock Holmes.
Tomando em consideração o impacto que as obras de Conan Doyle tiveram na sociedade vitoriana, bem como as posições assumidas ao longo da sua vida, é sempre questionável como é que um homem que criou uma personagem racional, presa a métodos científicos e com ela alcançou a glória e a fama, consegue, em primeiro lugar escrever obras onde o sobrenatural está latente, numa época em que o gótico persistia e, em segundo lugar, abandonar todas as convicções que deixava transparecer nas suas obras e dedicar-se ao espiritualismo.
Conan Doyle tornou-se, sem dúvida, uma identidade difícil de conciliar com Sherlock Holmes.
Desde o supraracionalismo de Holmes até à afirmação da sua fé no Espiritualismo percorreu-se um grande caminho. Que tipo de homem concebe aquela personagem para, a seguir se dedicar a uma causa totalmente contraditória? Os críticos têm procurado, em vão, encontrar, nas suas obras, uma resposta satisfatória “… even though some of his work took an autobiographical direction since his earliest days.” (Lellenberg 9)
Com efeito, os seus trabalhos autobiográficos não responderam às questões que críticos e estudiosos consideravam mais intrigantes acerca dele. A causa de grande perplexidade reside no facto de Sherlock Holmes ter sido criado por alguém que pouco se assemelhava a esta personagem: “…Watsonian in appearance, none too dedicated as a physician, a commercial writer, a British patriot, a spokesman for some unfashionable causes, and finally a Spiritualist missionary.” (Idem 10)
Segundo Lellenberg, as informações que a autobiografia não conseguiu fornecer, as biografias tentaram fazê-lo. Desde a sua morte em 1930, treze biografias de Conan Doyle foram publicadas em Inglaterra e nos Estados Unidos – bastante impressionante para um escritor pouco reconhecido pela academia: “He has had little standing in the academic sight of things, regarded there as merely a popular writer of escapist mysteries, adventures, and outdated historical fiction.” (Ibidem 11)
Contudo, Conan Doyle e a sua obra continuam a ser estudados, particularmente Sherlock Holmes. As reedições das suas histórias sucedem-se uma após outra, traduzidas para inúmeras línguas, e Conan Doyle continua, incontestavelmente, a ser o criador de uma das mais poderosas figuras da ficção.
Na nossa opinião, a questão deve ser colocada da seguinte forma: “Did this British author with a scientific education have a simple or complex psyche?” (Ibidem 10) Como argumenta Lellenberg, poderia um homem cientificamente educado abraçar o Espiritualismo, sem reservas, ou ser ludibriado como no caso das fotografias das fadas de Cottingly. Além disso, quem teria servido de modelo para Sherlock Holmes: “… Joseph Bell, his super observant professor of medicine, as Conan Doyle claimed? Or Conan Doyle himself, as son Adrian would later argue?” (Ibidem 10)
Numa tentativa de entender e explicitar o lugar da lógica e da racionalidade em obras consideradas góticas, iremos analisar as suas narrativas The Hound of the Baskervilles e The Sussex Vampire.
Nesse sentido, considerámos relevante estabelecer algumas analogias com Dracula de Bram Stoker.
Deste modo, procuraremos analisar a interacção entre as narrativas de Conan Doyle com a época em que foram produzidas, demonstrando a intemporalidade de certos símbolos nelas presentes, tendo sempre por base o contraste entre racionalidade e o sobrenatural, nomeadamente, os elementos do gótico.
A presente dissertação dividir-se-á, neste contexto, em três capítulos:
no primeiro capítulo abordaremos aspectos biográficos de Conan Doyle, considerando o seu trabalho literário, as influências e a sua recepção crítica, tentando encontrar as razões para a sua ligação ao ocultismo e ao espiritualismo. Para este efeito, convocar-se-ão, entre outros documentos, três biografias de Doyle produzidas respectivamente por Charles Higham, Hesketh Pearson e John Dickson Carr, que irão concorrer para uma complementação de informação relevante para o tema do estudo.
No segundo capítulo da dissertação procederemos a uma contextualização sociocultural e literária da época observando o papel das artes na sociedade vitoriana, estabelecendo uma conexão com a literatura, e prestando maior atenção à narrativa gótica e ao estudo do sobrenatural no finde-siècle. Tendo em atenção que é neste período que assumem particular relevo as histórias de detectives iremos enquadrar Sherlock Holmes nesse âmbito. Para tal, abordar-se-ão, entre outras, as perspectivas de Martin Priestman, Peter Brooks, John Hodgson, Stephen Knight e Catherine Belsey, enquanto investigadores da importância de Sherlock Holmes na vida e obra de Conan Doyle.
Com efeito, Sherlock Holmes, o primeiro detective não oficial entrou nas páginas da literatura inglesa há mais de cem anos e rapidamente se tornou conhecido em todo o mundo. De facto, a partir de um algo obscuro começo numa revista em 1887, depressa se tornou uma das personagens literárias mais características assim permanecendo até hoje. Os vocábulos “Sherlockian”, “Holmesian” e “Watsonian” fazem, agora, parte do nosso discurso, enquanto a imagem do brilhante detective e do seu leal companheiro, se tornaram arquétipos e clichés da nossa cultura. Como muitas histórias e episódios contados pelos seus biógrafos, havia muito de Sherlock Holmes em Arthur Conan Doyle. Também como o seu famoso protagonista, Doyle possuía uma enorme sensibilidade para os detalhes, uma imaginação activa, uma experiência social e intelectual muito grande e uma inclinação para o dramático. Estas características serão essenciais para a desconstrução das suas obras.
No último capítulo do presente estudo procederemos à análise da obra The Hound of the Baskervilles tentando encontrar os elementos que a caracterizam como gótica. Faremos, ainda, uma abordagem a outras obras de Conan Doyle que devido às suas características, são consideradas histórias de horror.
Procederemos, também, à análise sucinta de Dracula – uma vez que não é este o intuito do trabalho – revelando pontos de contacto e/ou afastamento com a short-story “The Sussex Vampire”, de Arthur Conan Doyle.
No caso deste autor, o cepticismo de Sherlock Holmes não lhe permite, sequer, que a trama da história se centre num vampiro. Em Dracula, o vampiro existe e toda a acção se move à sua volta.
Por volta de 1970, os estudos sobre Dracula eram pouco mais de meia dúzia de artigos e uma biografia de Stoker realizada por Harry Ludlam em 1962. Só mais tarde Dracula começou a ser estudado nas universidades. Segundo Clive Leatherdale, com Dracula, the novel and the legend (2001), há quem considere a obra de Bram Stoker o segundo livro mais vendido no mundo a seguir à Bíblia: “Dracula has been translated into numerous languages, and the image of “the count” is familiar the world over. He is part of the landscape of a universal culture: the black cape, the dripping fangs, the scream of terror…”(Leatherdale 9)
Ainda na opinião de Leatherdale “… Dracula is almost the Gothic novel par excellence and has given rise to arguably the most potent literary myth of recent decades”. (Idem 10)
Quer para analisar “The Sussex Vampire”, quer para analisar Dracula, teremos de explorar a noção de vampiro e o seu papel no folclore e na literatura Europeia. O que este estudo visa, afinal, é encontrar uma explicação para a existência das histórias de Sherlock Holmes, demonstrar a sua intemporalidade e tentar compreender as razões que levaram o seu autor a querer abandonar este tipo de produções para se dedicar a uma causa, nem sempre bem aceite pela sociedade e mal compreendida pelos seus leitores como foi a sua orientação espiritualista.
Índice
Agradecimentos
Nota prévia
Introdução
Capítulo 1 – Vida e obra de Arthur Conan Doyle
1.1. Biografia e influências literárias nas obras de Conan Doyle
1.2. A ligação ao espiritualismo e a recepção crítica à obra de Conan Doyle
Notas
Capítulo 2 – Contextualização sociocultural e literária
2.1. A sociedade vitoriana e as artes
2.2. O sobrenatural, o gótico e os elementos da novela gótica
2.3. As histórias de detectives, as short-stories e Sherlock Holmes
Notas
Capítulo 3 – O vampirismo e o sobrenatural nas histórias de Sherlock Holmes: análise das obras The Hound of the Baskervilles (1901) e “The Adventure of the Sussex Vampire” (1924) – breve leitura comparada com Dracula (1897) de Bram Stoker
3.1. Elementos míticos em The Hound of the Baskervilles
3.2. O vampiro na literatura
3.3. Breve leitura comparada de “The Adventure of the Sussex Vampire” e Dracula de Bram Stoker
Notas
Conclusão
Notas
Bibliografia
Anexos
A relação racionalismo vs sobrenatural nas obras de Sir Arthur Conan Doyle [ Download ]
Ana Cristina Antunes Serigado de Oliveira Diogo - Mestrado em Estudos Ingleses - Lisboa/2007
Nota: 'Frances Griffiths with the fairies', por Elsie Wright (Julho/1916) faz parte das famosas fotos das 'Fadas de Cottingley', que na época provocaram uma enorme discussão sobre a suposta evidência real da existência de fadas em nosso mundo. Conan Doyle, um estudioso do misticismo e espíritualista, não apenas acreditou em sua veracidade, mas também escreveu um livro intitulado 'The coming of the fairies' (1922).
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Lançamento do livro O Desejo de Lilith
Um descuido dos tradutores da Bíblia revelou o pior dentre todos os demônios. Um velho e decadente detetive de polícia investiga um macabro suicídio, mas o que ele não sabia era que sua vida estava por um fio e seria envolvido em uma conspiração contra toda a humanidade. Uma palavra-chave, transliteração de uma palavra hebraica repetida em 63 trechos da bíblia, dará início à mais sombria das investigações. Uma organização secreta milenar abriga incríveis segredos e bizarras e inimagináveis personagens. Afinal, o que teria em comum Platão, Vlad Tepes, Erzsébet Báthory, John Milton, Thomas Chatterton, Mary Shelley, Percy B. Shelley, Robert L. Stevenson, Aleister Crowley e Jim Morrison? Descubra em O Desejo de Lilith, um romance sobrenatural vivenciado nas principais avenidas e ruas de São Paulo, repleto de segredos, revelações, aventuras e muito rock n’ roll. Mas atenção, seja forte e esteja preparado ao ler estas páginas, pois você não confiará mais em seu vizinho ou qualquer outro transeunte que cruzar o seu caminho. Você nunca mais enxergará o mundo como antes…
Afinal, qual seria o desejo de Lilith?
Lançamento:
Dia: 20/02/2010
Local: Bardo Batata: Gastronomia e Cultura. Rua Bela Cintra, nº 1333, Jardins, S. Paulo, SP
Horário: À partir das 18h30
terça-feira, 11 de agosto de 2009
A sangue frio - Truman Capote
"Holcomb, Kansas, 15 de Novembro de 1959 (UPI) -- Um fazendeiro, sua esposa e seus dois filhos foram encontrados mortos em sua casa. Foram assassinados por disparos à curta distância após serem amarrados e amordaçados. Não foram encontrados sinais de luta e nada foi roubado. As linhas telefônicas foram cortadas."
Capote leu com esta matéria de menos de 300 palavras publicada no New York Times, descrevendo o assassinato de uma família inteira no Kansas.
Recortou o artigo e no dia seguinte partiu para Holcomb.
De lá voltou com a ideía de um livro que levaria seis anos para ser finalizado.
'In Cold Blood' (A Sangue frio) semeou o gênero que mais tarde, através de outros escritores como Tom Wolfe, ficaria conhecido como 'Novo Jornalismo'.
A cerca de quatrocentas milhas a leste do lugar onde naquele momento se encontrava Arthur Clutter estavam dois rapazes a comer num reservado do Eagle Buffet, de Kansas City.
Um, de rosto magro, com um gato tatuado nas costas da mão direita, havia devorado já várias sanduíches de galinha com salada e olhava agora para o jantar do companheiro: um bife picado em que ele ainda não tocara e um copo de cerveja onde se dissolviam três comprimidos de aspirina.
- Então, Perry, que é isso, rapaz? Não queres o bife? Se assim é como-o eu.
Perry empurrou o prato na direcção do amigo:
- Santo Deus! porque não me deixas concentrar?
- Não precisas ler isso cinquenta vezes!
Referiam-se a um artigo de primeira página publicado no Star, de Kansas City, no dia 17 de Novembro, com o título:
FRACOS INDÍCIOS NO QUÁDRUPLO ASSASSÍNIO,
onde se prosseguia nas notícias da véspera acerca do crime, e terminava com o parágrafo seguinte:
Os investigadores procuram o assassino ou os assassinos, cuja esperteza é evidente, muito embora, o seu automóvel se mantenha oculto, visto que ele ou eles tiveram o cuidado de:
1. Cortar os fios dos dois telefones da casa;
2. Amordaçar e amarrar habilmente as vítimas sem que se notem vestígios de luta;
3. Não retirar nada da casa nem deixar indícios de terem procurado fosse o que fosse, com excepção, possivelmente, da carteira de Clutter;
4. De matar a tiro quatro pessoas em diversos pontos da casa, tendo o cuidado de recolher os
cartuchos vazios;
5. Entrar e sair da casa, levando provavelmente consigo a arma do crime, sem serem vistos
por ninguém;
6. Agirem sem motivo, se não quisermos ter em conta uma tentativa falha de roubo, o que é a
opinião geral.
Perry leu alto:
- ”Este assassino ou assassinos”, aqui está um erro de gramática. Deviam dizer ”este assassino, ou estes assassinos”.
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quarta-feira, 8 de abril de 2009
Gêneros de ficção científica, fantástico, terror e policial perdem a função profilática (John Clute - 1999)

Nos últimos 20 anos, o Ocidente voltou-se para a leitura de gêneros que privilegiam a angústia e tudo indica que essa febre ganhará nova intensidade com a aproximação do fim do século.
Embora o número de anos de um século seja algo bem definido, entendendo-se por ano o tempo gasto por um planeta em sua órbita em torno do Sol , o clímax chamado Milênio, que construímos com base nesse acúmulo de órbitas, foi quase inteiramente urdido em sonhos e na numerologia. Milênio é o que acontece quando uma espécie com dez dedos decide usá-los.
É claro que a história não termina por aí.
O Milênio no qual estamos prestes a entrar não é simplesmente o desfecho arbitrário de um acidente biológico. Ele se tornou um símbolo poderoso de um momento o qual receamos que se tenha tornado grande demais, um abismo negro de futuridade no qual estamos nos lançando com rapidez para que possamos compreendê-lo.
Os símbolos, naturalmente, não são reais, porém, modelam as mentes que os criam. O Milênio é um símbolo ativo, poderoso, criado por uma espécie que conquistou o poder de fazer com que seus símbolos trabalhem para ela.
Somos uma espécie cujo nome é Frankenstein.
Essa febre de fim de século, portanto, tem substância.
Ela molda nossa imaginação e nossa imaginação forja o mundo. É, portanto, uma febre com pedigree. Por baixo do atual modismo febricitante acerca do Milênio, estendem-se dois séculos de obsessão com o tempo no mundo ocidental, uma obsessão de múltiplas raízes
(embora a Revolução Francesa assinale, talvez, seu primeiro momento histórico significativo) e cujas manifestações são praticamente infinitas.
Vamos nos deter aqui nas histórias que contamos para nós mesmos para nossa diversão e instrução, histórias que nos desviam das trevas que nos aguardam.
Foi pouco antes do ano de 1800 a primeira virada de século no Ocidente a ganhar atenção generalizada que o relógio do Manifesto do Tempo começou a bater, e o motor da história passou a funcionar de modo visível.
Os cidadãos do mundo ocidental começaram a duvidar das Escrituras quando diziam que não havia nada de novo sob o sol, que a humanidade não tinha outra alternativa a não ser repetir as grandes histórias que o Senhor idealizara para nós.
Novo ritmo - Começamos a sentir que o chão do mundo se movia, como se respondesse a um novo ritmo imposto por Deus. O tempo decorrido parecia imensuravelmente profundo.
O tempo presente era totalmente reescrito (pelos ideólogos da Revolução Francesa que, apagando o passado, recomeçaram a história do mundo com um calendário novo em folha). E o futuro era inventado: começávamos a crer que as coisas mudariam. À luz do dia, chamamos essa mudança de Progresso; mas não quando caem as sombras.
À noite, por volta do ano de 1800 em diante, os cidadãos do Ocidente começaram a ter pesadelos com uma existência vertiginosa. Nossos mestres e senhores responsáveis pelo script de nossas atividades diurnas, de nossos casamentos e trabalhos, guerras e os esporádicos momentos de paz não foram capazes de admitir a existência desses sonhos. (Até hoje, insistem ainda em não admitir que as pessoas do opulento mundo ocidental, a despeito dos milagres do Progresso, continuam a se comportar como se o mundo estivesse se desintegrando.) À noite, deixamos de crer nos mestres.
Mudança - Não é de espantar, portanto, que, por volta do ano de 1800, a literatura ocidental tenha começado a mudar. Foi aproximadamente nessa época, talvez uma década a mais ou a menos, que aquilo a que se pode chamar de gêneros de angústia surgiram. Esses gêneros
são geralmente conhecidos hoje como ficção científica, fantástico, terror e policial.
Eis aqui o instante para onde tudo converge: estamos no início de um romance. Uma estranha e assustadora figura mecânica é vista no momento em que se arrasta pela hediondez sublime do deserto ártico, oprimida por mais do que angústias humanas. Ele é uma criação. Seu mestre, o dr. Frankenstein, fê-lo com partes de corpos humanos.
O romance onde ele aparece, Frankenstein ou O Prometeu Moderno (1818), de Mary Shelley, é, portanto, um romance de ficção científica e, possivelmente, o primeiro. Mas a criação de Frankenstein é também um monstro, um espectro mecânico saído dos piores pesadelos do doutor (e do mundo), em que o inanimado se torna animado e rouba de nós nossa substância (e
nossas esposas), como nas histórias contemporâneas de E.T.A. Hoffmann.
Ele é uma visão precoce engendrada pela literatura de terror, um gênero assombrado por gêmeos perversos que brotam na consciência, oriundos das fissuras de um mundo que se tornou repentinamente mórbido. Ele é também uma criação mitológica, um embusteiro
deformado que traz um estranho fogo de presente dos novos mundos da futuridade; e, nesse sentido, Frankenstein é também um dos primeiros romances fantásticos escritos.
Ele cometeu crimes, está sendo perseguido; ele prefigura todos os vagabundos fantasmagóricos dos séculos 19 e 20, de Melmoth a Marlowe (personagens de Conrad e Chandler).
Narrativa perfeita - Frankenstein é um texto que transpira angústia em relação ao passado, presente e futuro. É a narrativa perfeita para marcar o início dos textos de angústia que nos têm encantado, tranqüilizado e desviado do temor da mudança, um temor que é natural à espécie, como todas as espécies da Terra que precisam aceitar o mundo à sua volta para que possam sobreviver.
A ficção científica normaliza o mundo em mutação, quando afirma que é possível fazer com que as coisas funcionem, que existem meios de consertar o que está arruinado, que se mantivermos o equilíbrio e esperarmos pelo amanhã, sobreviveremos. Para os autores e leitores da ficção científica tradicional, a história dos dois últimos séculos é a história de como tomar posse da mudança.
Para eles, o Milênio desponta como o marco de julgamento do nosso sucesso ou fracasso na grande empresa humana da conquista. Para os autores de ficção científica de mente mais fecunda, dentre os quais figuram Kim Stanley Robinson, Neal Stephenson, Bruce Sterling e Gene Wolf, os obstáculos tecnológicos que a ficção científica apresenta parecem, na melhor das
hipóteses, dúbias; e, na pior das hipóteses, fatais à vida no planeta.
Esses autores, entretanto, parecem estar transcendendo o gênero no qual se formaram. O terror pacifica nossas angústias ao situá-las em histórias cujo propósito principal parece ser o de dar comichões na nossa nuca. Creio ser essa apenas uma pequena parte da empresa literária de terror. Os grandes romancistas de terror, como Shelley, Bram Stoker, Stephen King e Peter
Straub, lidam, meio secretamente, com algo mais profundo.
Caldeirão da história - Acho que estão tentando nos dizer que os gêmeos perversos vão nos assustar, que os segredos do passado, que sempre ameaçam nos aterrorizar e nos expor a violações eternas, nada mais são do que visões domesticadas saídas do caldeirão da história; que a verdade atrás das portas do ano 2000 (ou atrás de outras portas que possamos discernir) é
muito mais terrível do que qualquer coisa que o passado possa evocar.
O horror secreto que esses romancistas transmitem é a suspeita de que o gêmeo perverso não está atrás de nós, e sim na nossa frente. Que o mundo depois do Milênio talvez seja um mundo estilhaçado, uma casca de ovo que talvez não suporte nossa pisada aterradora.
O fantástico é mais franco que o terror. Escritores fantásticos como J.R.R. Tolkien, cujo O Senhor dos Anéis (1954-1955) é muito provavelmente a ficção de maior influência em língua inglesa do século 20, ou Steven Donaldson, John Crowley ou Robert Holdstockall deixam bastante claro que, em sua opinião, existe algo de muito errado no mundo.
Para os autores fantásticos, as mudanças desordenadas dos anos que se seguiram a 1800 são tão aflitivas quanto as visões apocalípticas que ganharam vida graças à nossa presente obsessão com o Ano 2000. Para eles, o século 20 está errado desde o início. Os maiores romances fantásticos pacificam nossas angústias pela criação de outros mundos que contradizem frontalmente as histórias oficiais que nossos mestres nos contam sobre o Progresso, a Velocidade e a Uniformidade.
Tecido do mundo - É fácil acreditar que o romance policial atinge seu apogeu nas comédias clássicas de detetives, de escritores como Arthur Conan Doyle, Agatha Christie ou Rex Stout. Nos milhares de histórias contadas por esses autores e seus colegas, o detetive é chamado a solucionar um crime que transtornou o mundo que pôs a nu o caos que subjaz às atividades da sociedade à luz do dia e que, quando esclarecido, recompõe o tecido do mundo.
Mas a verdadeira história do romance policial tem outros autores. Shelley, Edgar Allan Poe, Dostoievski, Kafka, Chandler, Ross MacDonald e suas melhores histórias chegam perigosamente perto da revelação do segredo. Macdonald, James Lee Burke ou um outro autor inglês menos conhecido (mas imensamente sombrio), o falecido Derek Raymond, quase nos dizem explicitamente que há, no fim das contas, algo de errado com o próprio sabor do mundo que tentamos identificar; que há algo de errado no modo como tentamos lidar com ele.
Os romances policiais nos dizem que as pegadas que deixamos na casca de ovo do nosso frágil mundo são as marcas do pecado. Praticamente tudo o que foi publicado em 1999, em qualquer um dos quatro gêneros de angústia é, naturalmente, lixo retrô.
Na verdade, qualquer obra em qualquer um dos quatro gêneros ao longo dos últimos 200 anos tem, é claro, em certa medida, um efeito narcótico. A ficção científica, o terror, o fantástico e as histórias policiais surgiram, no fim das contas, para lidar com nosso temor da mudança dos tempos e para nos tranqüilizar.
Os tempos estão mudando de fato. Estamos entrando em um mundo que simbolizamos pelo Milênio de tamanha mutabilidade e tensão que talvez venhamos a precisar de novos narcóticos para que possamos sobreviver às estranhas noites do amanhã. Pode ser que os gêneros em
si mesmos, que tanto fizeram para aliviar-nos a fronte, tenham chegado ao fim de sua utilidade.
Existem algumas indicações de que é isso o que se passa. A mania do retrô em todos os quatro gêneros é um sinal quase certo de morte. A fusão de gêneros destrói muito da função profilática do gênero. Talvez isso seja inevitável; na verdade, é mesmo.
Dois séculos é muito tempo.
Surgem perguntas para as quais não há respostas.
Que faremos quando nossas histórias estiverem mortas?
O que vamos contar a nós mesmos amanhã?
(The Washington Post - tradução de Antivan Guimarães Mendes)
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segunda-feira, 16 de março de 2009
Os Meninos do Brasil - Ira Levin

Na noite de sexta-feira, 31 de janeiro, Mengele usava o nome Mengele.
Voara com os seus guarda-costas para Florianópolis, na ilha de Santa Catarina, mais ou menos a meio caminho entre São Paulo e Porto Alegre, onde, no salão de festas do Hotel Novo Hamburgo, decorado para a ocasião com suásticas e flâmulas vermelhas e negras, os Filhos do Nacional-
Socialismo davam um jantar-dançante a cem cruzeiros por cabeça.
Que emoção quando Mengele apareceu! Os nazistas importantes, os que haviam desempenhado papéis de grande importância no Terceiro Reich e eram conhecidos no mundo todo, costumavam mostrar-se esnobes com relação aos Filhos, recusando os seus convites sob pretexto de doença e fazendo comentários irritadiços a respeito do seu líder, Hans Stroop (que, até mesmo os Filhos reconheciam, às vezes excedia-se na sua imitação de Hitler).
Mas ali estava o próprio Herr Doktor Mengele, em pessoa e de dinner jacket branco, apertando mãos, beijando rostos, sorrindo, rindo, repetindo novos nomes.
Que gentileza a sua de vir!
E como parecia saudável e feliz!
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Coma - Robin Cook

Ao sair do restaurante, Susan desfrutava de uma determinação maior do que sentira durante todo o dia. Embora não fizesse a mínima idéia de como ia investigar o problema de coma prolongado após a anestesia, achava que aquilo representava um desafio intelectual, que
poderia ser enfrentado aplicando os métodos científicos e o raciocínio.
Pela primeira vez naquele dia ela teve a impressão de que os dois primeiros anos passados na Escola de Medicina nada significavam. Suas fontes de pesquisa achavam-se na literatura, na biblioteca e nas papeletas dos pacientes, em particular de Greenly e Berman.
Perto do restaurante ficava a loja de variedades do hospital.
Era um lugar agradável, povoado e dirigido por um grupo de senhoras idosas, de aspecto suburbano, metidas em graciosos guarda-pós cor-de-rosa. As janelas da loja davam para o corredor principal do hospital e as cortinas eram barradas, conferindo ao estabelecimento a
aparência de uma casa de campo disposta no meio do atarefado hospital.
Susan entrou na loja e logo achou o que queria: um caderninho de notas, de folhas destacáveis. Metendo o caderno no bolso do avental branco, dirigiu-se para o CTI.
Seu ponto de ataque seria o caso de Nancy Greenly.
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
The Yiddish Policemen's Union - Michael Chabon
Uma história alternativa vencedora do Hugo e do Nebula Awards, de um autor já laureado com o Pulitzer e que será transportada para o cinema pelos irmãos Coen.
A história... Israel não aconteceu.
Para lidar com o problema do pós-Holocausto, os EUA cedem um pedaço do Alaska para onde os judeus poderem migrar. Em 2005, no entanto, 60 anos após a cessão, as terras estão para voltar à posse do governo norte-americano. A língua que se fala nas ruas é o iídiche, não o hebraico. Está todo mundo meio desesperado para conseguir um visto para algum lugar do planeta – é preciso se mudar. E, em meio a esta confusão, acontece o assassinato de um homem desconhecido que, naturalmente, tem tudo a ver com tudo. Esse é o cenário em que um policial tem que desvendar o crime, que inclui um menino gênio de xadrez que pode ser o messias!
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fonte Pedro Doria Leituras
Writing popular fiction - Dean R. Koontz

A NOTE TO THE READER
This book can be valuable to the new writer. It provides insights into category fiction, offers suggestions not to be found elsewhere, and ought to save you time and rejection slips on the way to a sound, professional writing career. I will be pleased to hear from anyone who, having read the book, feels he's gained from it. However, spare me letters that say:
—"You forgot to mention theme!" I didn't forget. I neglected it on purpose. The theme, the "meaning" of a story, is not something you can sit down and plan out ahead of time. Or, anyhow, it shouldn't be. Theme should grow from your characters and your plot, naturally, almost subconsciously. If you sit down to deliver a Great Message to the reader, above all else, then you are an essayist, not a novelist.
—"Some of these writers whose books you recommend are not really that terribly good." I know. For the most part, I've tried to point you to the best people in each field. But, occasionally, a mediocre writer achieves such stunning success that he must be mentioned in the discussion of his genre. If, out of the hundreds of books I recommend, I steer you to a couple of bums, please realize that you can learn something from those bums, if only the taste of a large part of that genre's readership.
-"You list seven science fiction plot types, but I have found an eighth!" Okay. But it may be the only one of its kind; and with enough thought and enough familiarity with the field-Western, suspense, science fiction or whatever—you probably will find it fits into my list just fine.
—"You don't show us how to make writing easy!" I know I don't. It's hard work, and it's frustrating, and it's lonely. I'm writing this to inform you, not deceive you. So set to work, and good luck!
CONTENTS
1 Hammer, Nails, and Wood
2 Science Fiction and Fantasy
3 Suspense
4 Mysteries
5 Gothic- Romance
6 Westerns
7 Erotica
8 The Most Important Chapter in This Book
CHAPTER TWO - Science Fiction and Fantasy
Rayguns, helpless maidens stranded on alien planets, bug-eyed monsters, invasions of the Earth by wicked creatures, arch-fiends bent on the destruction of the race, super heroes—if you believe this is what science fiction is about, you either stopped reading it circa 1930, or have formed your opinion from motion pictures and television programs.
The science fiction stories of the 1930's and 1940's were often ludicrous, but they have long ago given way to the same sophistication of theme, background, characters, and style found in other genres.
The film medium has rarely done justice to the field—notable exceptions being 2001: A Space Odyssey, A Clockwork Orange, Village of the Damned, and THX-1138. Before trying to write science fiction, read it (a truism applicable to each category of fiction, because each has its special requirements). When you read the work of Poul Anderson, John Brunner, Arthur Clarke, Harlan Ellison, Robert Heinlein, Barry Malzberg, Samuel R. Delany, Theodore Sturgeon, Robert Silverberg, and Roger Zelazny, you'll discover that the rayguns have been packed in mothballs; the helpless maidens have taken to women's liberation; the heroes, once flawless, are now quite human.
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Tag: Fantástico, Ficção Científica, Horror, livros, Mistério/Policial
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
American Detective Stories - Tony Hillerman

Edgar Allan Poe's "Murders in the Rue Morgue" launched the detective story in 1841. The genre began as a highbrow form of entertainment, a puzzle to be solved by a rational sifting of clues. In Britain, the stories became decidedly upper crust: the crime often committed in a world of manor homes and formal gardens, the blood on the Persian carpet usually blue. But from the beginning, American writers worked important changes on Poe's basic formula, especially in use of language and locale.
In The Oxford Book of American Detective Stories, Tony Hillerman and Rosemary Herbert bring together thirty-three tales that illuminate both the evolution of crime fiction in the United States and America's unique contribution to this highly popular genre. From elegant "locked room" mysteries, to the hard-boiled realism of the '30s and '40s, to the great range of styles seen today, this superb collection includes the finest crime writers, including Erle Stanley Gardner, Raymond Chandler, Ross Macdonald, Rex Stout, Ellery Queen, Ed McBain, Sue Grafton, and Hillerman, a best-selling crime writer himself. And we sample a wide variety of styles, from tales with a strongly regional flavor, to hard-edged pulp fiction, to stories with a feminist perspective.
Throughout, the editors provide highly knowledgeable introductions to each piece, written from the perspective of fellow writers and reflecting a life-long interest--not to say love--of this quintessentially American genre. Hillerman and Herbert bring us a gold mine of glorious stories that can be read for sheer pleasure, but that also illuminate how the crime story evolved from the drawing room to the back alley, and how it came to explore every corner of our nation and every facet of our lives.
Contents:
- The Murders in the Rue Morgue (1841) by Edgar Allan Poe
- The Stolen Cigar Case (1900) by Bret Harte
- The Problem of Cell 13 (1905) by Jacques Futrelle
- The Doomdorf Mystery (1914) by Melville Davisson Post
- Missing: Page Thirteen (1915) by Anna Katharine Green
- The Beauty Mask (1917) by Arthur B. Reeve
- A Jury of Her Peers (1917) by Susan Glaspell
- The False Burton Combs (1922) by Carroll John Daly
- The Keyboard of Silence (1923) by Clinton H. Stagg
- A Nose for News (1934) by Richard Sale
- Spider (1934) by Mignon G. Eberhart
- Leg Man (1938) by Erle Stanley Gardner
- I’ll Be Waiting (1939) by Raymond Chandler
- The Footprint in the Sky (“Clue in the Snow”, 1940) by John Dickson Carr, writing as Carter Dickson
- Rear Window (“It Had to Be Murder”, 1942) by Cornell Woolrich, writing as William Irish
- The Lipstick (1942) by Mary Roberts Rinehart
- Homicide Highball (1943) by Robert Leslie Bellem
- An Error in Chemistry (1946) by William Faulkner
- From Another World (1948) by Clayton Rawson
- A Daylight Adventure (1950) by T.S. Stribling
- See No Evil (“See No Murder”, 1950) by William Campbell Gault
- Crime Must Have a Stop (1951) by Anthony Boucher
- Small Homicide (1953) by Ed McBain
- Guilt-Edged Blonde (1954) by Ross Macdonald, writing as John Ross Macdonald
- Christmas Party (“The Christmas Party Murder”, 1957) by Rex Stout
- A Matter of Public Notice (1957) by Dorothy Salisbury Davis
- The Adventure of Abraham Lincoln’s Clue (1965) by Ellery Queen
- Words Do Not a Book Make (1968) by Bill Pronzini
- Christmas Is for Cops (1970) by Edward D. Hoch
- Lucky Penny (1985) by Linda Barnes
- The Parker Shotgun (1986) by Sue Grafton
- Chee’s Witch (1986) by Tony Hillerman
- Benny’s Space (1991) by Marcia Muller
sábado, 8 de dezembro de 2007
Projeto Gutenberg
Postado por
Capacitor Fantástico
às
10:59
Tag: Fantasia, Ficção Científica, Horror, livros, Mistério/Policial, Sites








