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quinta-feira, 29 de março de 2012
A narrativa mitológica de Joseph Campbell em Blade Runner
SUMÁRIO
Dedicatória
Agradecimentos
Epígrafe
Resumo
Abstract
Sumário
INTRODUÇÃO
1 JUSTIFICATIVA/VALIDADE DO TRABALHO
1.1 Ligação com a comunicação
1.2 Ligação com o cinema
1.3 A razão da escolha de Blade Runner como objeto
1.4 Objetivo Geral
1.5 Objetivos Específicos
1.6 Hipótese
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 Narrativa
2.1.1 Narrativa fílmica
2.2 Mito
2.2.1 Jung
2.2.2 Campbell e Jung
2.2.3 A linguagem simbólica
2.2.4 O mito do herói em Campbell
2.2.4.1 As etapas do mito do herói em Campbell
2.2.4.1.1 Separação ou Partida
A) O chamado à aventura
B) A negativa ao chamado
C) A ajuda sobrenatural
D) A passagem pelo primeiro umbral
E) O ventre da baleia
2.2.4.1.2 Provas e vitórias da iniciação
A) O caminho de provações
B) O encontro com a deusa
C) A mulher como tentação
D) A reconciliação com o pai
E) A apoteose
F) A última graça ou o prêmio final
2.2.4.1.3 O Regresso e a reintegração à sociedade
A) A negativa ao regresso
B) A fuga mágica
C) O resgate do mundo exterior
D) A passagem pelo umbral de regresso
E) A posse dos dois mundos
F) Liberdade para viver
2.3 Homens e máquinas
2.3.1 Limitações da reflexão pretendida
2.3.2 Uma brevíssima história da máquina na narrativa
2.3.3 O Teste de Turing
2.3.4 O ELIZA
3 METODOLOGIA
3.1 O paradigma indiciário
3.1.1 Morelli e Freud
3.2 Análise textual
3.3 A articulação de análise para Blade Runner
3.3.1 Decupagem
3.4 Limitações
4 ANÁLISE DOS RESULTADOS
4.1 Análise do filme Blade Runner através do modelo de narrativa mitológica de mito do herói de Joseph Campbell
4.1.1 Separação ou Partida
A) O chamado à aventura
B) A negativa ao chamado
C) A ajuda sobrenatural
D) A passagem pelo primeiro umbral
E) O ventre da baleia
4.1.2 Provas e vitórias da iniciação
A) O caminho de provações
B) O encontro com a deusa
C) A mulher como tentação
D) A reconciliação com o pai
E) A apoteose
F) A última graça ou o prêmio final
4.1.3 O Regresso e a reintegração à sociedade
A) A negativa ao regresso
4.2 Reflexão sobre o significado de Blade Runner
4.2.1 O Teste de Turing e Blade Runner
4.2.2 O ELIZA e Blade Runner
5 CONCLUSÃO
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
MEIOS ELETRÔNICOS CONSULTADOS
VÍDEOS UTILIZADOS
ANEXOS
A narrativa mitológica de Joseph Campbell em Blade Runner - Isaías Ribeiro [ Download ]
quarta-feira, 28 de março de 2012
A relação humano-maquinico no imaginário cinematográfico
INTRODUÇÃO
CAP. 1 - SIGNOS DE CRIAÇÃO E DESTRUIÇÃO NA FICÇÃO CIENTÍFICA: NOVOS MUNDOS, NOVAS FORMAS DE VIDA.
1.1 O movimento cyberpunk
1.2 A figura do ciborgue no imaginário de ficção científica
CAP. 2 - O SIGNO METRÓPOLIS E SEU OBJETO: A OPOSIÇÃO ENTRE O HUMANO E O MAQUÍNICO NA REPÚBLICA DE WEIMAR
2.1 A ficção científica e o pós-guerra
2.2 Expressionismo cinematográfico alemão
2.3 A estética expressionista e as vanguardas modernas
2.4 O signo arquitetônico em Metrópolis
2.5 Representações do tempo em Metrópolis
2.6 Maria: o ser humano ideal e a metáfora da Torre de Babel
2.7 Robotrix
2.8 O híbrido Robot-Maria: criação e destruição na República de Weimar
2.9 Os interpretantes de Metrópolis
CAP. 3 - BLADE RUNNER E A FLUIDEZ NA RELAÇÃO HUMANO-MÁQUÍNICO
3.1 O desenvolvimento da Teoria Cibernética
3.2 Deckard: um observador no caos urbano
3.3 O signo arquitetônico em Blade Runner: um precursor do ciberespaço
3.4 Os interpretantes de Blade Runner
CAP. 4 - MATRIX E O ALTO NÍVEL DE INTERAÇÃO SIMBÓLICO ENTRE O HUMANO E O MAQUÍNICO
4.1 A cultura digital
4.2 O advento do pós-humano
4.3 O ciberespaço e o predomínio do legi-signo simbólico
4.4 Causação final, mente e mediação em Matrix
4.5 Os interpretantes de Matrix
CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS
A relação humano-maquinico no imaginário cinematográfico -Maristela Sanches Bizarro [ Download ]
Postado por
Blekbird
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Tag: artigos, Blade Runner, Ciberpunk, cinema, Fantástico, Ficção Científica, Horror
terça-feira, 27 de março de 2012
Cyberpunk 2.0 - Fiction and Contemporary
Contents
INTRODUCTION: THE MATRIX RELOADING (update)
FOREWORD: WHAT DOES THE FUTURE RESERVES TO SUCH A PRESENT? (update)
I
INTRODUCING THE CYBERPUNK IMAGINARY
CYBERPUNK – BETWEEN PUNKS AND CYBORGS
WHY CYBER?
AND WHY PUNK?
THE RELEVANCY OF CYBERPUNK
ABOUT CYBERSPACE AND THE MATRIX
THE CYBERPUNK VISUAL ARTIFACTS
THE CYBERPUNK PREMISES
II
FAMOUS CYBERPUNK ICONS
BLADE RUNNER: RIDLEY SCOTT’S 1982 MOVIE
NEUROMANCER: WILLIAM GIBSON’S 1984 NOVEL
III
OTHER CYBERPUNK FICTION
COMICS
AKIRA
DARK MINDS (update)
GHOST IN THE SHELL
MOVIES
DARK ANGEL (update)
ESCAPE FROM NEW YORK
GHOST IN THE SHELL 2: INNOCENCE (update)
JOHNNY MNEMONIC
MAX HEADROOM
STRANGE DAYS
TERMINATOR 2 3-D: BATTLE ACROSS TIME (update)
TERMINATOR: THE SARAH CONNOR CHRONICLES (update)
THE MATRIX TRILOGY (update)
THE TERMINATOR
TOTAL RECALL
UNTIL THE END OF THE WORLD
SONGS
NEUROMANCER (BILLY IDOL, 1993)
SHOCK TO THE SYSTEM (BILLY IDOL, 1993)
VIDEOGAMES
ANOTHER WORLD
BENEATH A STEEL SKY
BLADE RUNNER
CYBERSPACE
DELTA V
ENTER THE MATRIX (update)
GHOST IN THE SHELL
INTERPHASE
MIRROR’S EDGE (update)
SKYNET (update)
SYNDICATE/SYNDICATE WARS
THE MATRIX: ONLINE (update)
THE MATRIX: PATH OF NEO (update)
THE TERMINATOR: FUTURE SHOCK (update)
IV
CONTEMPORARY CYBERPUNK FIGURES
ROMANTIC CYBORGS
FUTURE SHOCK: NO FUTURE VERSUS NEW FUTURE
THE END OR GENERALIZING CYBERPUNK?
GRAFFITER: THE INTERTEXTUALITY HIP-HOPPER
RHACKER: WHEN ROCKER AND HACKER ARE CYBORGED
RAVER: THE ACID POLYRHYTHM SURFER
FASHION PUNKS IN MATRIX STYLE (update)
BANKSY: POSTCOMPUTER GRAFFITI (update)
TETSOO: MOTION DESIGN SHOCKWAVES (update)
CULTURE JAMMING: REDESIGN CORPORATE LOGOS (update)
TECKTONIK: BRANDING DANCE CULTURE (update)
V
THE ACOUSTIC CYBERSPACES
OF PRESENT DAY’S ELECTROCULTURE
SOUNDSCAPES: THE SONIC LANDSCAPES
TECHNO: THE CYBERDELIC MUSIC
RAVES: THE CONCENTRATION CAMPS OF THE 90’s
AFTERWORD: SCANNING THE FUTURE (update)
REFERENCES
BOOKS
ONLINE DOCUMENTS (update)
MUSIC (update)
FILMOGRAPHY
VIDEOGRAPHY (update)
GLOSSARY (update)
Cyberpunk 2.0 - Fiction and Contemporary [ Download ]
Herlander Elias
segunda-feira, 26 de março de 2012
I am the monster's mother
["No nosso subconsciente cultural, estamos constantemente conscientes de que "o monstro sempre escapa" e que a sua descendência monstruosa vai voltar...Como Mary Shelley em sua introdução à edição de 1831 de Frankenstein, sua "descendência hedionda" significa "ir adiante e prosperar". Ao longo dos dois séculos seguintes, desde a criação original do monstro, ele apareceu e re-apareceu em várias adaptações para teatro, cinema e hipertexto. Inicialmente um monstro sem nome, que agora é freqüentemente identificado pelo nome do seu criador, no entanto, ele foi longe o bastante para tornar-se um mito cultural com direito próprio."]
Aesthetic strategies of monstrous creation in contemporary Gothic narrative [ Download ]
Anya Heise-von der Lippe
sábado, 24 de março de 2012
O papel do cientista na FC
Introdução
I. Cinema - Contexto Histórico-Social
1.1. Um Olhar Especial para o Cinema Americano
1.1.1. Panorama Cronológico do Cinema e da Ficção Científica Norte-Americana
1.2. Uma Questão de Gênero
1.3. As Teorias do Cinema na Ficção Científica
1.4. Linguagem e as Relações Sociais do Cinema
II. Estereótipos Sociais, Ciência e Ficção
2.1. A Prática da Estereotipização e os Estereótipos no Cinema
2.2. A Crítica à Ficção Científica no Cinema sob o Olhar da Comunicação
III. O Cientista na Ficção Científica...
3.1. Exposição do Conteúdo dos Filmes
3.2. Tabelas de Categorização do Conteúdo dos Filmes
3.3.1 Análise dos Dados de Categorização do Conteúdo dos Filmes
IV. Considerações Finais
V.Referências Bibliográficas
APÊNDICE A
(3.1.) Exposição do Conteúdo dos Filmes: Descrição Analítica
3.1.1. A Ilha do Dr. Moreau
3.1.2. Projeto Brainstorm
3.1.3. De volta para o Futuro I
3.1.4. Limite da Loucura
3.1.5. APEX
3.1.6. O Falso Poder
3.1.7. O Defensor do Futuro
3.1.8. A Experiência
3.1.9. 5ª Dimensão - o filme
3.1.10. Esfera
3.1.11. Do fundo do Mar
O papel do cientista na FC: a construção de imagens sociais na linguagem do cinema norte-americano nas décadas de 70, 80 e 90. - Sandra Lucia Botelho Rodrigues de Oliveira [ Download ]
domingo, 4 de março de 2012
A ficção utópica como representação – negação da realidade histórica: “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury
A ficção especulativa tece com a História uma relação específica e original, por um lado recusando a referencialidade empírica, por outro ancorando em mecanismos próprios do seu género literário que recriam contextos reais e conhecidos.
A análise deste aparente paradoxo sugere o contributo incontornável desta ficção para o debate sobre a Literatura e a História.
O conceito de ficção especulativa associa-se à criação de um mundo imaginário que transcende a noção do “mundo possível” dos textos ficcionais, porquanto se caracteriza por um afastamento do real empírico, desenvolvendo-se em torno de uma diegese particular: o espaço, o tempo, os objectos, as personagens do texto narrativo especulativo podem não corresponder à lógica do mundo real. Esse universo narrativo constrói-se à revelia da representação mimética da realidade que muitos autores imputam aos modos ficcionais; todavia, ele não deixa, ainda assim, de projectar uma relação com o mundo real que pode traduzir-se numa transfiguração desrealizante do mesmo (Reis, 1994: 245).
O próprio termo “especulativo” remete para a ligação entre conhecimento histórico e imaginação, uma extrapolação que, segundo Robert Heinlein, traduz o espírito do tempo (Davenport, 1969: 29) e que assume diferentes expressões em textos de ficção científica, fantástica, maravilhosa ou utópica. A ficção especulativa conquista, assim, um papel contíguo e complementar ao do romance histórico, que aqui nos propomos exemplificar com a obra de Ray Bradbury, Fahrenheit 451.
Defensores da ficção especulativa acentuaram a sua vertente de crítica social, devido ao seu carácter mais abrangente face ao romance histórico e à sua interpretação do ritmo e das mutações constantes da vida moderna (Davenport, 1969: 41). Esta perspectiva redutora encontra oposição no seio dos próprios escritores de ficção científica, como Kornbluth, que lhe outorgam uma simbologia profunda e a capacidade de abordar temas mais universais (Davenport, 1969: 49/50). Porém, nas suas vertentes utópica e distópica, a primeira posição parece ter fundamento, já que o paradigma utópico se associa à criação de uma sociedade imaginária perfeita, ao sonho da felicidade colectiva, isto é, à negação da sociedade real.
Embora o texto Utopia, de Thomas More, constitua a matriz referencial desta definição e das múltiplas expressões que se lhe seguiram, a República de Platão havia já traçado o projecto de uma cidade ideal, política e socialmente perfeita. Os textos utópicos mais recentes são fiéis à coordenada central destas narrativas matriciais: a ideia absoluta de uma alteridade radical face à realidade coeva e conhecida.
Deste modo, a crítica social e política e às instituições (Baczko, 1985: 357) não é explícita, ela descodifica-se a partir de uma leitura em negativo: a Cidade Nova das Utopias é a substituição, por oposição absoluta, à cidade real – metonimicamente, à sociedade real. A ficção científica surge, no século XIX, como a expressão mais optimista da utopia, fruto das revoluções industrial e científica e consumidora incondicional dos referentes postos à sua disposição pela ciência e pelo progresso. São exemplo desta corrente autores como Júlio Verne, H. G. Wells, Bellamy, Lasswitz (McQuairie, 1980: 242).
A história do século XX, particularmente da segunda metade, com a Segunda Guerra Mundial, vê consolidar-se uma outra dimensão da utopia: as correntes antiutópicas, ou distópicas, associadas ao crescente questionar do impacto da tecnologia no comportamento da humanidade, e a uma leitura dos acontecimentos históricos em que a utilização perversa do conhecimento e do progresso tecnológico e científico se relaciona com os regimes totalitários. A antiutopia exprime desconfiança face ao avanço desordenado, desregrado, da ciência (Taylor, 1972: 861). Baczko indica dois textos fundamentais do século XX como expressão exemplar da antiutopia: Brave New World, de Aldous Huxley (1932) e 1984, de George Orwell (1949). Enquanto o primeiro se centra na crítica implícita ao progresso técnico e científico, o segundo veicula uma crítica de natureza política aos regimes comunistas totalitários. Numa e noutra obra, o conflito entre o indivíduo e a sociedade assume um crescendo significativo, pois os protagonistas progridem no sentido da recuperação do poder do pensamento e da identidade individual, numa ruptura gradual com o poder e a ideologia instituída. O herói torna-se antiherói devido à solidão a que a sua capacidade de pensar o remete, e é também o pensamento que, ao dar-lhe o sonho da liberdade, o condena no final de cada uma destas narrativas. A vitória é, assim, da sociedade e do colectivo.
Um aspecto pertinente comum a estes dois textos é sem dúvida o contributo que dão à expressão de angústias colectivas associadas a um determinado período ou contexto histórico (Baczko, 1985: 363).
A antecipação é o meio escolhido para exprimir uma leitura negativa da história; o efeito de verosimilhança e a coerência interna do texto apoiam-se em recursos característicos da ficção científica, entre os quais se salienta a utilização de um tempo futuro. Este aspecto é distintivo na ficção especulativa, opondo-a ao romance histórico, já que este se reporta a acontecimentos passados, enquanto a narrativa especulativa não narra o que aconteceu, mas o que poderia acontecer: para isso, interpreta o presente com minúcia cirúrgica, apropriando-se assim da dimensão de historicidade da literatura. Fahrenheit 451 foi escrito por Ray Bradbury em 1953 e herda dos dois textos a que aludimos aspectos significativos, em especial de 1984, de Orwell.
Trata-se de um romance que entronca numa concepção de narrativa especulativa, visto criar uma sociedade imaginária que degenera de aspectos da sociedade contemporânea à própria narrativa.
A história desenvolve-se em torno da actividade levada a cabo pelos bombeiros, cuja missão é localizar e queimar todos os livros existentes na cidade. O livro e a leitura constituem algo de proíbido, de exógeno à sociedade de Fahrenheit. A questão do controle e censura estatal sobre a imprensa e a escrita em geral foi tratada nos exemplos clássicos de distopia a que aludimos, como 1984 e Brave New World (Seed, 1994: 237), e aparece depurada e celebrizada no título deste romance de Bradbury, que como se sabe refere, em graus da escala de Fahrenheit, a temperatura à qual os livros ardem.
Esta imagem central é atribuída, segundo alguns críticos, à inspiração na destruição nazi dos livros pelo fogo, frente à Universidade de Berlim, em plena ascensão do nazismo (Seed, 1994: 236). Como é que a actividade de incendiar os livros, subversão moral da função altruísta e humanista dos bombeiros no mundo real, empírico, e que se constitui como leitmotiv da narrativa, reflecte a sociedade americana?
O protagonista de Fahrenheit, Guy Montag, é justamente um dos bombeiros encarregues de tal tarefa.
No início da narrativa, ele é a expressão do próprio sistema, executa a ideologia do poder, usa a sua farda e insígnia (identificadas com a América) e vive inebriado pela própria rotina. Usufrui do conforto material que a profissão lhe proporciona e não se questiona sobre a sua acção, até conhecer Clarisse, uma jovem de 17 anos, cuja influência é determinante na sua percepção do mundo, visto que o leva progressivamente a questionar os seus actos; são as suas perguntas e a sua curiosidade que o incitam a buscar a verdade e o auto-conhecimento, o que redunda numa ruptura assumida relativamente ao sistema e que se exprime através do confronto entre Montag e Beatty, o chefe dos bombeiros.
Clarisse é, assim, uma personagem catalisadora (Seed, 1994: 233), porquanto é ela que faz despoletar a trama narrativa – ela pensa e sente, enquanto as outras personagens, tal como Montag, aceitam.
Este é, de resto, um traço distintivo das distopias dos anos cinquenta, o pressuposto de que a insatisfação face ao regime contemporâneo será, mais cedo ou mais tarde, registada pelos protagonistas, frequentemente devido à função catalisadora de personagens como Clarisse (Seed, 1994: 233).
Assim, é esta personagem que desencadeia também uma interpretação crítica da sociedade, e é através dela que Montag verbaliza e caracteriza o mundo que o rodeia. Porém, o que é interessante em Clarisse é que, como refere McGiveron (McGiveron: 3), ela apenas enuncia os factos, sem teorizar sobre eles.
A verdade sobre os factos tem de ser descoberta e enunciada: Clarisse é a linguagem, Montag é o leitor que a interpreta. Assim, Clarisse antecipa a metáfora final das book people (pessoas que memorizaram livros), pois ela própria é metáfora do texto literário, os seus enunciados oferecem outros níveis de sentido. E que sociedade é esta que a interpretação das palavras de Clarisse desvenda?
Por exemplo, o universo familiar de Montag insere-se no contexto de prosperidade económica que marcou os anos cinquenta na América, de que a sua casa é exemplo. O quarto de Mildred, a mulher de Montag, é hipérbole deste fascínio novo, com as paredes forradas de écrans gigantescos, o que se associa igualmente ao impacto da televisão. Esta personagem retrata justamente a inércia, a inactividade, o conformismo e a ausência de pensamento político que marcaram a sociedade dos anos cinquenta. O mundo de Mildred é constituído pela televisão, pelo automóvel, pelas festas e pelo consumo de tranquilizantes, expressão última da anulação do próprio pensamento, do vazio que se instala e se repercute nas próprias relações humanas, de que o casamento de Montag e Mildred é paradigmático.
Televisão e tranquilizantes, aliás, assumem igual preponderância na destruição da capacidade de reflexão e de pensamento; ambos desempenham uma função narcótica que, no caso da televisão, veicula ainda uma crítica à tecnologia de que é metonímia e ao consumismo de que é, a um tempo, expressão e pivô.
A televisão não substitui apenas o pensamento, visto que a própria trama narrativa, com o móbil da destruição dos livros pelo fogo, legitima, no nosso entender, que ela represente a substituição absoluta do livro, a grande ameaça que a sociedade contemporânea viu posteriormente comprovada.
Enquanto Mildred veicula uma leitura da sociedade e da cultura da época, a proibição da leitura que justifica a trama narrativa acusa questões do foro ideológico e político, acentuando a negação da liberdade individual, a violação de direitos humanos inalienáveis e a perseguição dos indivíduos pelo sistema.
A cultura de suspeição sobre o indivíduo reflecte ainda o conflito entre este e a maioria instituída, a cultura de massas e o conformismo que lhe é consequente (Hoskinson, 1995: 2). Estas são características dos regimes totalitários que já Orwell reproduzira em 1984, e que se explicam no contexto da América dos anos cinquenta, com a fobia aos regimes comunistas, concretizada na acção política do macartismo. The witch hunt, ironia no país baluarte dos direitos humanos e do culto da liberdade individual, metamorfoseia-se em expressões múltiplas de confiscação da liberdade – no caso de Fahrenheit, a liberdade de possuir livros e de os ler.
Mas a década de cinquenta protagoniza ainda outras vulnerabilidades da sociedade americana inerentes ao clima de Guerra Fria, razão pela qual Fahrenheit é considerado, por alguns críticos, como uma cold war novel. Por exemplo, outro importante aspecto que o romance reflecte é a fragilidade da vida humana numa era de consciência atómica (Hoskinson, 1995: 4) e de sentimentos escatológicos impulsionados por essa consciência.
A parte final de Fahrenheit apropria-se dessa dimensão, já que, ao concretizar a sua fuga da cidade, Montag assiste ainda à destruição desta por uma bomba, testemunhando igualmente a morte da sua mulher, Mildred, expressão e vítima do próprio sistema. Este recurso final oferece ainda outras perspectivas de leitura, uma vez que o regime, o sistema, a maioria, resistem ao indivíduo – este é bem sucedido na fuga e na criação de uma alternativa, mas não os derrota; eles são, antes, destruídos por um factor endógeno, a bomba. Ou seja, o criador é vítima da sua criação e, como no mito de Frankenstein, soçobra ao monstro que criou. Em última análise, enfatiza-se assim uma perspectiva didáctica relativa-mente aos perigos que minam a sociedade da época, com a bomba e os riscos de uma guerra.
No final de Fahrenheit, contrariamente a Brave New World e a 1984, o protagonista conquista a liberdade e a felicidade individual, ainda que sacrificadas à clandestinidade. Os dissidentes encontram refúgio no meio rural, no contacto com a natureza, uma espécie de paraíso perdido que convoca o mito da Arcádia, e transferem para si próprios o conteúdo dos livros que não podem ter existência física: cada pessoa memoriza um livro, cada pessoa é um livro.
Este final confere a Fahrenheit uma dimensão utópica que questiona o pendor distópico de toda a narrativa. Assim, o final do romance aponta para um contraste entre os valores e as características da sociedade coeva da narrativa, que inequivocamente nega, e princípios estruturantes da cultura americana, como o mito do novo começo e o primado da liberdade individual.
Em termos da coerência interna do texto, o recurso às book people e à estratégia de memorização de livros é particularmente relevante, pois a relação homem-livro é estilizada até à dimensão da própria identidade. Além disso, essa fusão representa a apologia do registo do passado, da expressão do imaginário, da memória e da história colectivas. Assim, este final optimista que confere a Fahrenheit um carácter híbrido, ilustra de modo singular a questão inicial que apontámos, isto é, de que modo a ficção especulativa se inscreve na relação entre Literatura e História.
Fahrenheit é exemplar, porque se desdobra em plataformas de leitura: comunga da dimensão premonitória e didáctica da ficção científica e utópica – como refere o protagonista, …books just might stop us from making the same insane mistakes (Bradbury, 1991: 74); cria uma metalinguagem que nasce da leitura da realidade coetânea; recorre magistralmente à representação metafórica, substituindo essa realidade por um mundo imaginário que nos devolve as angústias e as esperanças reais de uma época. Por fim, interpreta a História de forma imediata, aduzindo, no nosso entender, perspectivas complementares e incontornáveis à representação histórica noutros géneros ou subgéneros literários.
Fernanda Luísa da Silva Feneja
© Universidade Aberta
ACTAS DO COLÓQUIO — LITERATURA E HISTÓRIA — 2002
sábado, 3 de março de 2012
Ficção científica e Educação
Em 1926, um luxemburguês radicado nos EUA, Hugo Gernsback, criou o termo ficção científica (sempre que nos referirmos a ficção científica usaremos a sigla FC) para classificar o tipo de histórias que ele se dispunha a publicar, exclusivamente, numa revista que estava lançando “Amazing Stories” (Histórias Assombrosas). A iniciativa de Gernsback estimulou autores jovens e popularizou o gênero junto ao público.
Em termos de narrativas populares envolventes e apelo de massa como o emblemático filme Blade Runner e Mad Max, verdadeiros divisor0es de águas no cinema, a FC também oferece épicos como ‘Ilíada’ e ‘Odisséia’ cujo conteúdo temático espelha-se nas space operas – termo utilizado pelos autores do gênero para designar livros ou filmes contendo sagas históricas, Impérios galácticos, etc. –, cujas mitologias religiosas e narrativas heróicas em geral têm catalisado gerações entre o grande público, seguindo uma fórmula aqui bem definida pelo escritor Bráulio Tavares:
(...) uma narrativa popular tem que envolver o leitor – ou telespectador (sic), através de descrições vívidas, ação intensa e estruturas com as quais ele se identifique facilmente.
Outro exemplo emblemático do apelo popular da FC, encontramos na literatura, na qual temos a cultuada trilogia ‘Fundação’ de Isaac Asimov. Também no cinema, encontramos a mitológica saga de ‘Guerra nas Estrelas’ – ‘Star Wars’, mobilizando massas de aficcionados. Este tipo de literatura ou filme, apesar de, muitas vezes, estar longe da ciência formal ou de seus preceitos, atrai em demasia a curiosidade dos jovens em geral.
Quanto a legitimidade educacional de sua busca científica, Tavares (1986) lembra-nos que a FC se utiliza muito da matéria-prima da ciência, mas manipula seus instrumentos, resultando em um compromisso com a imaginação e a fantasia. Sabe-se, atualmente, que a verdade científica não é definitiva, e a própria ciência cartesiana já a modificou com o passar do tempo, inúmeras vezes. A verdade de um século não é, necessariamente, a mesma de outro, e a mesma ciência de hoje já não é mais sinônimo de verdade absoluta. Dentro de sua visão de causa e efeito, não explica mais a complexidade do universo moderno percebido e sempre irá esbarrar nos limites impostos pelo pensamento racional. Portanto, o discurso ficcional da FC, caracterizado pela extrapolação da imaginação científica, vem para manipular a matéria-prima do pensamento lógico-formal e estimular a busca de novos parâmetros para o pensamento científico.
Por outro lado a “(...) ficção científica tem recursos inesgotáveis, demonstrando uma infinita confiança nos recursos da imaginação humana.”
Heróis, ação e aventura não faltam nas space-operas para aqueles que se identificam com suas personalidades. Como estímulo à busca de novas respostas, um de seus recursos temáticos é o confronto diante do conhecido e do desconhecido, o qual cria uma tensão dinâmica e permanente para o herói e para o leitor. Algumas dessas circunstâncias de desafio forçam o leitor e os personagens “(...) a se depararem com situações ‘além da imaginação’, nas quais ele é obrigado a identificar, prever e controlar fenômenos inexplicáveis – mais ou menos a situação do cientista diante de um problema de laboratório.”
O filme sempre foi um instrumento poderoso para ser utilizado em sala de aula. Mas sua utilização acaba sendo abandonada muitas vezes por falta de tempo: como a duração dos filmes feitos para o cinema é longa, privilegiam-se, primordialmente, os conteúdos escolares que devem ser trabalhados. Exibir um filme com duração de aproximadamente duas horas, realmente, toma muito tempo do professor. Entretanto, propomos que a escola continue utilizando esse recurso tão necessário em nossos dias.
O vídeo (DVD) e a televisão não devem ficar abandonados em um armário da escola. Também é discutível utilizá-los apenas para exibir documentários educativos que, para os estudantes, acabam sendo monótonos e cansativos. Eles apreciam, em demasia, filmes e desenhos de ficção científica. Então, por que não lançarmos mão desse gênero cinematográfico que atravessa a história cultural de várias gerações, que já está integrado à vida de nossos alunos?
Muito se tem falado, também, da distância prática entre a proposta educacional da escola e o mundo real vivido pelo educando. Essa distância fica mais evidente ainda, quando determinado currículo aborda, por exemplo, disciplinas que exigem conhecimentos técnicos, como a Física, mas cuja vivência e observação de certos fenômenos é uma realidade remota, somente possível de ser experienciada pelos educandos através de livros, filmes de televisão ou cinema, quando são abordados assuntos tais como: Sistemas Solares, Laser; Computadores; Distâncias Interplanetárias, Teorias sobre a Velocidade da Luz, Viagens no Tempo, Antigravidade; Robôs e Andróides, Cérebro Positrônico, Scanners Portáteis (tricorders); especulações sobre Antimatéria, Velocidade de Dobra, Buracos Negros ou Buracos de Vermes; Miniaturizações, Dimensões Paralelas, Transmissores de Matéria; Invisibilidade, Imortalidade, Telepatia e muitos outros. Temas esses, geralmente utilizados na FC ou na ciência imaginária: “A ciência imaginária não só é justificada por sua importância para o enredo de uma história de FC, como pelo seu aspecto profético ou de antecipação.(...) Alguns destes elementos são inviáveis e obviamente fantásticos, outros são possíveis e mesmo previsíveis.” No que tange a essa viabilidade profética da FC, Fausto Cunha também nos chama a atenção para este importante aspecto da legitimidade de sua busca científica:
Alguns temas que antigamente eram de domínio da pura fantasia, como os foguetes teleguiados, os transplantes de órgãos, os satélites artificiais, as técnicas de conservação pelo frio (o velho sonho da animação suspensa) e especialmente, para nossa infelicidade, as bombas nucleares, são hoje realidades com as quais temos que conviver. A elas se juntam outras antecipações convertidas em ameaças, como a poluição atmosférica, e envenenamento dos rios e dos mares, o fim do verde, a superpopulação, a fome, as novas doenças. Em suma a morte da Terra.
Na sala de aula, o docente geralmente prende-se a esquemas, fórmulas e problemas teóricos que fogem à realidade animada, disponível em literatura ou filmes do gênero. A esse respeito, David Allen, em sua obra ‘No Mundo da Ficção Científica’ observa: “Desse modo, o campo da FC inclui várias obras que utilizam os dispositivos da FC para examinar questões, idéias, e temas de uma perspectiva diferente da que está comumente disponível para nós, a partir de outros tipos de ficção e em nossa vida diária.”
Similarmente, os recursos tecnológicos utilizados pela FC na literatura, no cinema ou nas histórias em quadrinhos (HQs) - que os jovens também apreciam em demasia -, podem facilitar ao docente o ensino ilustrativo de uma matéria específica. Mas, para isso, faz-se necessário que este também tenha algum interesse pelo tema em questão, e que esteja atualizado, constantemente, com as últimas descobertas científicas pertinentes à sua área de conhecimento; bem como, com filmes, livros e revistas em quadrinhos sobre ficção científica, seja através de bibliotecas, bancas de revistas, cinema, televisão ou locadoras de filmes de sua cidade. Alguns professores podem preferir (e isso também vale para os educandos) comparecer com sua turma de alunos ao próprio cinema para, juntos, poderem assistir a um determinado filme pré-selecionado, com a finalidade de, em seguida, discutirem em sala de aula os conteúdos apresentados em forma de relatórios, mesas redondas ou outro recurso didático disponível. Aspectos sociais, filosóficos, tecnológicos, éticos, biológicos, antropológicos, matemáticos, lingüísticos, físicos, astronômicos, químicos, estéticos, etc., são apenas alguns aspectos que podem ser extraídos, analisados ou dissecados pelo educando. Conteúdos esses, devida e respectivamente, orientados pelo docente, relacionando-os à sua disciplina, facilitando assim a aprendizagem. Como afirma Clarke: “Uma pessoa que conheça tudo sobre as comédias de Aristófanes e nada sobre a Segunda Lei da Termodinâmica é tão inculta como aquela que dominou a teoria quântica, mas pensa que Van Gogh pintou a Capela Sistina.”
Outros professores podem sugerir que o próprio aluno selecione o filme de FC desejado, desde que, obviamente, o mesmo já seja antecipadamente conhecido pelo referido professor, para que este elabore os devidos paralelos com conteúdos programáticos.
As escolas podem perfeitamente se tornar locais singulares, como mundos próprios nos quais cyborgs geracionalmente diferentes se encontram e trocam narrativas sobre suas viagens na tecno-realidade – desde que nós nos permitamos reimaginá-los e reconstruí-los de uma forma inteiramente nova, em negociação com aqueles que um dia tomarão nosso lugar.
A primazia e a riqueza de conteúdo chegou a tal ponto que, até os cursos universitários vêm utilizando a ficção científica em suas disciplinas, como evidenciado em minha dissertação de mestrado. Menosprezar um gênero que já trabalhou uma versão espacial Shakespeareana como ‘O Planeta Proibido’, é menosprezar o conhecimento.
A estética da arte e os cursos de comunicação já analisam os filmes cinematográficos e televisivos desde sua criação em meados de 1920. Entre muitos exemplos podemos citar ‘Metrópolis’ de Fritz Lang, ‘Skanner: sua mente pode destruir’ e ‘Vídeo Drome’, ambos de David Cronemberger. Discussões políticas podem ser realizadas com ‘Dr. Fantástico’, ‘O Dia em que a Terra Parou’ e ‘Star Trek’ - Jornada nas Estrelas’, neste último analisando a Federação dos Planetas Unidos, órgão federativo que tenta promover a paz na Galáxia. Cabe às diferentes áreas do conhecimento também descobrirem a importância desses filmes como recurso pedagógico.
Professores de História sempre utilizaram filmes de época ou filmes de guerra, para discutir seus conteúdos (com primazia e didatismo). O mesmo vale para os professores de Geografia que têm no cinema um rico instrumento didático. Conhecer o mundo através da tela em nossos dias é mais fácil do que viajar e conhecê-lo pessoalmente.
Professores de inglês aproveitam a língua inglesa encontrada nos filmes atuais, simplesmente desligando o recurso de legenda, no caso dos DVDs, ou ocultando a parte inferior da televisão, no caso das fitas de vídeo, para trabalhar a pronúncia correta.
Albert Einstein costumava dizer que a imaginação é mais importante do que o conhecimento. Ela estimula a criatividade e, por conseguinte, auxilia na solução de problemas. Ora, a imaginação que utilizamos na criação de invenções, nas novas descobertas, na pesquisa científica e na solução de problemas é a mesma que nos permite escrever contos, criar roteiros, imaginar futuros que estão por vir. Alguns autores de ficção científica chegam a imaginar nossa história de forma diferente e para isso é necessário um exercício soberbo. Mundos alternativos onde verificamos como o mundo poderia ter sido se…Hitler não tivesse perdido a guerra; se o primeiro Presidente dos Estados Unidos da América fosse uma mulher; se os cientistas fossem venerados como as estrelas do Rock e por ai vai. Esses exemplos podem ser verificados literalmente nos episódios da série de FC ‘Sliders’ de Tracy Torme e Robert K. Weiss.
Sempre que falamos em trabalhar ficção científica em sala de aula logo vem a imagem de seu uso na disciplina de física e naturalmente ela teria um número muito maior de alternativas de uso em relação a seus conteúdos. Lamentavelmente alguns professores a utilizam apenas como exemplos negativos e deixam de lado bons exemplos. As séries de ‘Star Trek’ – ‘Jornada nas Estrelas’ são o melhor exemplo de vários conceitos corretos da física, da holografia, da astronomia e da cosmologia. Certamente alguns não procedem, como sons no espaço, teletransporte de matéria, viagens no tempo, mas que, ainda assim, podem ser discutidos pelo professor.
Um bom livro para professores de física que se interessem em utilizar a ficção científica em suas salas de aula é: ‘A Física de Jornada nas Estrelas’ . Ele discute todos os conceitos encontrados nos filmes e nas séries televisivas de ‘Star Trek’.
Ainda dentro dos exemplos de física, podemos citar alguns filmes feitos para o cinema: ‘A.I. Inteligência Artificial’, ‘2001: Uma Odisséia no Espaço’ e ‘2010: O Ano em que faremos Contato’, ‘Apollo 13’, ‘Contato’, ‘O Planeta Vermelho’, ‘Missão Marte’ etc.
Mas não é apenas a física que pode enriquecer-se com esse gênero cinematográfico e televisivo. A filosofia também encontra seus conceitos por aqui. Já existem várias obras especializadas que o demonstram. Os livros: ‘A Metafísica de Jornada nas Estrelas’ , da editora Makron Books, ‘Matrix: bem- vindo ao deserto do real’ , ‘A Pílula Vermelha: Questões de Ciência, Filosofia e Religião em Matrix’ , e o mais recente ‘Scifi=scifilo: a filosofia explicada pelos filmes de ficção científica’ , são alguns belos exemplos do que explanamos. Conceitos que vão além da Caverna de Platão, como a morte, a vida, realidade, ética, identidade, livre-arbítrio, moralidade, metafísica, onisciência, determinismo, entre outros. Mas os professores de filosofia descobriram uma outra ótima saída para despertar a curiosidade dos adolescentes, também seus alunos. O mercado editorial brasileiro, através da editora Madras, recheou as prateleiras com livros versando sobre filosofia e séries de televisão: ‘A filosofia de Bufy’, ‘A filosofia de Harry Potter’, ‘A filosofia de Senfield’ e a ‘filosofia de Sipsons’ são alguns que foram lançados até o momento.
Entre os filmes que trazem questões filosóficas bastante instigantes destacamos a trilogia de ‘Matrix’, ‘Gattaca: A Experiência Genética’, ‘O Exterminador do Futuro 1 e 2’, ‘Minority Report: A Nova Lei’, ‘Independance Day’, ‘Alien’, ‘Blade Runner, o Caçador de Andróides’, ‘Star Wars’, ‘O Sexto Dia’, ‘O Homem sem Sombra’, ‘Frankenstein’, entre muitos outros.
Professores de Biologia vêm trabalhando com filmes de ficção científica há algum tempo, pois eles trazem conceitos e questões relacionadas a essa área que podem ser analisados e discutidos em classe. Alguns exemplos são: ‘Viajem Fantástica’, ‘Gattaca: A Experiência Genética’, ‘A Corrida Silenciosa’ (o preferido dos professores da área), ‘Waterworld: o Segredo das Águas’, ‘Aquaria’, ‘O dia Depois de Amanhã’, ‘O Dia Seguinte’, ‘Missão Marte’, ‘O Planeta Vermelho’, ‘O Segredo do Abismo’, ‘Jornada nas Estrelas IV - A volta para casa’, ‘Duna’ e a abertura fantástica de ‘X-Man: o filme’, bem como seu conteúdo, para discutir mutação. Vida, genética, bio-ética, demografia, sobrevivência, ecologia, biodiversidade entre outros, são apenas alguns exemplos do que pode ser debatido em sala de aula a partir da visulização desses filmes. Um livro que pode dar suporte a essa relação biologia/cinema é ‘A Ciência de Star Wars’ .
A Psicologia, consciência e inconsciência, o eu, ego e outros tantos conceitos-chave das teorias freudiana, jungiana e lacaniana também podem ser identificados no conteúdo de filmes como ‘Esfera’, ‘Solaris’ (de Andrei Tarkovski), ‘Gattaca: A Experiência Genética’, a trilogia de ‘Matrix’, ‘Enigma do Horizonte’, ‘Q-Pax’, ‘O Vingador do Futuro’, ‘Laranja Mecânica’, ‘O Segredo do Abismo’. Um exemplo mais recente é o filme ‘O Diário do Mochileiro das Galáxias’, onde pode ser encontrado um robô maníaco-depressivo, portas que gemem ao serem abertas ou fechadas, um rei da galáxia que tem um ego gigantesco, uma arma que ao ser apontada para alguém o induz a dizer a verdade (mesmo oculta). A burocracia e o tédio são notavelmente escrachados denotando uma realidade pós-moderna bem ao estilo Monty Python.
De certa forma o exercício da exploração de potenciais futuros é um dos principais objetivos disciplinares da FC na educação. Vivemos em uma sociedade atribulada com mudanças sociais rápidas, as quais nos forçam a olhar para o futuro. Essa busca futurística deve ser uma função básica e contínua no campo da educação. Se levarmos em conta o princípio de que os educandos devem estar preparados para um mundo em que uma iminente diversidade embrionária de novos estilos de vida, valores e sistemas sociais concorrerão para coexistir, então, a educação deve necessariamente expandir seu domínio disciplinar para o campo da projeção futurística também, a fim de poder abarcar o exame do que é possível no potencial do desenvolvimento humano.
Naturalmente, a FC também é um importante instrumento didático para se dar a conhecer aos estudantes futuros alternativos. Essa literatura vem, há pelo menos um século, discorrendo sobre temas pertinentes às transformações incipientes da sociedade humana em seus aspectos sócio-psicológicos, antropológicos e, em particular, às derivadas da ciência e tecnologia. Assim sendo, a FC é uma verdadeira biblioteca de imagens futuristas, depósito de esperanças, receios, projeções e conjecturas de homens e mulheres, cujo espírito de vanguarda acompanha e perscruta a condição evolutiva da humanidade. Conseqüentemente, é um campo inestimável de treinamento para seus leitores, na antecipação e criação de fatos que estão por vir.
Comungando com essa idéia, em entrevista cedida ao jornalista Wilson H. da Silva para a revista ‘Livro Aberto’, o professor de física da PUC-SP Pierluigi Piazzi, que ministra a disciplina de cibernética em cursos de Pós-Graduação, afirma que: “a ficção científica é uma ferramenta pedagógica poderosíssima e minha esperança é que a escola descubra a ficção como esta ferramenta, para preparar, inclusive, as pessoas para um futuro imprevisível, oferecendo todas as opções especulativas que existem.” Outra professora em consonância de opinião ressalta que os filmes cinematográficos em sua natureza eminentemente pedagógica são o maior interesse para o campo educacional e destaca que os filmes de FC tem um lugar especial na educação.
Neste contexto, pode-se afirmar, sem muito exagero, que não se trata da legitimidade da FC como força cultural e social que está em discussão, mas a legitimidade da própria escolarização. Apesar de os autores e estudiosos de FC reagirem com certa frustração por sua preferência literária não constar nas listas indicadas nas escolas, a esta altura, parece que as escolas é que estão precisando mais da FC do que ela precisa de sua validação escolar. Legitimarem o status pedagógico da FC perante a comunidade acadêmica, através de seu emprego na educação, não é meramente desejo pessoal dos escritores e professores admiradores do gênero. Mais do que isso é motivado pelo espírito de renovação educacional, que estes docentes, em crescente número, já contemplam as vantagens de sua possível inclusão em seus conteúdos programáticos, ou já a utilizam, eficazmente, em suas turmas.
Em termos de criatividade escolar, portanto, reitera-se aqui que a imaginação, ferramenta responsável pela criação, é um dos muitos olhares diferenciados da realidade que permitem ao estudante explorar a criatividade em sua vida.
Citando Siclier e Labarthe, finalizamos este artigo com uma advertência digna de nota, como incentivo à busca essencial da FC:
(...) o cinema de ficção científica não sobreviverá, se não tomar consciência de algumas evidências: que, antes de mais nada, é o veículo de novas formas de pensar; e que, como tal, é principalmente um instrumento abstrato comparável às matemáticas tradicionais, e que deverá evitar as ilustrações pseudo-realistas, se pretende valorizar com rigor uma geometria inédita baseada sobre postulados modernos.
A Ficção Científica e sua aplicação na Educação - Um instrumento auxiliador para o professor
Carlos Alberto Machado - Doutorando em educação pela PUCRio - cipexbr@yahoo.com
FONTE
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Imaginando o futuro, dramatizando nossos medos
1726
Jonathan Swift - Gulliver's Travels (As viagens de Gulliver) Academy of Lagado - satriza inventores.
1818
Mary Shelley - Frankenstein (romance). Considerado por muitos como o primeiro romance de Ficção Científica1872
Samuel Butler - Erewhon (romance) - utopia anti -tecnológica satírica
1888
Edward Bellamy - Looking Backwards (romance) - utopia popular, porém simplória, onde a sociedade é uma gigantesca fábrica
1890
William Morris - News From Nowhere (romance) - utopia pastoral
1893
Ambrose Bierce - Moxons Master (conto) - jogador artificial de xadrez mata seu inventor
1905
H. G. Wells - A Modern Utopia (romance) - visão otimista da dependência tecnológica
1909
E. M. Forster - The Machine Stops (conto). Primeira distopia tecnológica, com ênfase na dependência das máquinas
1920
Yevgeny Zamiatin - We (romance), (traduzido para o inglês em 1924) - visão distópica da sociedade, pessoas sendo tratadas como máquinas
1921
Karel Capek - R.U.R. [Rossums Universal Robots] (peça para o teatro) - criação dos robôs (andróides) que desenvolvem consciência, pessoas como máquinas.
1926
Hugo Gernsback funda a revista Amazing Stories
Fritz Lang - Metropolis (filme) - uma sociedade controlada, pessoas como máquinas
1930
Miles J. Breuer - Paradise and Iron (conto) - cérebro mecânico se torna um tirano, utopia tecnológica
Laurence Manning & Fletcher Pratt - City of the Living Dead (conto) - experiência de realidade simulada através de máquinas
1931
Frankenstein (filme) com Boris Karloff, difere do romance de 1818, mas estabelece a figura do cientista louco
1932
Aldous Huxley - Brave New World (romance, Admirável Mundo Novo) - distopia rejeitando o progresso tecnológco
1933
H. G. Wells - The Shape of Things to Come (romance). Romance utópico tecnológico (tornou -se filme em 1936)
J. Storer Clouston - Button Brains (romance) - identidade trocadas (robô/humano)
1934
Harl Vincent - Rex (conto) - O robô Rex domina o mundo, mas comete suicídio
1936
Modern Times (Tempos Modernos, filme) - Charlie Chaplin tentando adaptar-se à disciplina das máquinas
1937
John W. Campbell torna -se editor da revista Astounding (Stories of) Science Fiction
1939
The Son of Frankenstein (filme)
1940
Isaac Asimov - Robbie (conto) - robô salva a vida de uma criança
1941
Isaac Asimov - Reason (conto) - um robô começa a tornar -se curioso sobre sua própria existência
1942
As Três Leis da Robótica de Isaac Asimov -
1 - Um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal.
2 - Um robô deve obedecer às ordens dadas por seres humanos, exceto quando essas ordens entrarem em conflito com a Primeira Lei.
3 - Um robô deve proteger sua própria existência desde que tal não entre em conflito com a Primeira ou a Segunda Lei.
1943
Robert Bloch - It Happened Tomorrow (conto) - total dependência tecnológica
1944
Theodore Sturgeon - Killdozer (conto) - parábola sobre máquinas agindo independentes do controle humano
1945
Bombas atômicas usadas contra o Japão
1946
O primeiro computador - ENIAC
Isaac Asimov - Evidence (conto) - robôs que imitam seres humanos
Murray Leinster (sob o pseudônimo Will F. Jenkins) - A Logic Named Joe (conto) - total dependência tecnológica
1947
Isaac Asimov - Little Lost Robot (conto) - robôs carecem de humor
Jack Williamson - With Folded Hands (conto) - robôs utilizam de lobotomia para proteger seres humanos
1949
George Orwell - 1984 (romance) - distopia na qual a tecnologia é utilizada para repressão
1950
Isaac Asimov - The Evitable Conflict (conto) - visão otimista dos computadores governando o mundo
Clifford D. Simak - Skirmish (conto) - revolta das máquinas
Kurt Vonnegut - EPICAC (conto) - computadores poetas
1951
Primeiro computador comercial - UNIVAC
Isaac Asimov - The Fun They Had (conto) - professor mecânico
Isaac Asimov - Satisfaction Guaranteed (conto) - troca de identidades (robô/humano)
Lord Dunsany - The Last Revolution (romance) - revolução das máquinas
C. M. Kornbluth - With These Hands (conto) - escultor mecânico
A. E. van Vogt - Fulfilmeent (conto) - cérebro artificial adquire consciência e auto-determinação
1952
Walter Miller - Dumb Waiter (conto) - falhamos em entender e a controlar nossas máquinas
Kurt Vonnegut - Player Piano (romance) - visão distópica da automação
1953
Poul Anderson - Sam Hall (conto) - tecnologia utilizada pelo governo para nos vigiar
Ray Bradbury - Fahrenheit 451 (romance, filmado em 1966) - distopia na qual a tecnologia é utilizada para repressão
Arthur C. Clarke - The Nine Billion Names of God (conto) - o computador traz o fim
Philip K Dick - Second Variety (conto) - robô fora de controle
Philip K Dick - Imposter (conto) - troca de identidades (robô/humano)
Fritz Leiber - Bad Day for Sales (conto) - sistemas tecnológicos ineficientes
1954
Isaac Asimov - Caves of Steel (conto). As cidades do planeta estão poluídas e os habitantes vivem sob as cúpulas. Robôs gerenciam toda a vida.
Fredric Brown - The Answer (conto) - o computador como Deus
Frederick Pohl - The Midas Plague (conto) - sistemas computadorizados ineficientes
1955
Estados Unidos e União Soviética anunciam intenções de construir bases lançadoras de foguetes
Isaac Asimov - Risk (conto) - robô piloto de testes de espaçonaves é substituído por um ser humano
Robert Bloch - Comfort Me, My Robot (conto) - troca de identidades (robô/humano)
Philip K. Dick - Autofac (conto) - máquinas auto-reprodutivas
Walter Miller - The Darfsteller (conto) - atores se tornam redundantes graças ao teatro de robôs, troca de identidades (robô/humano)
1956
Isaac Asimov - The Last Question (conto) O maior computador do mundo precisa responder uma pergunta sem resposta.
Isaac Asimov - The Jokester (conto) - computador descobre o humor
Isaac Asimov - The Naked Sun (romance) - robô descontrolado
Robert Silverberg - The Macauley Circuit (conto) - computador-músico
Clifford D. Simak - So Bright the Vision (conto) - literatura produzida por máquinas
1957
Lançado o Sputnik, inicia a corrida espacial
The Invisible Boy (filme) - o computador como uma ameaça à humanidade.
1958
Brian Aldiss - But Who Can Replace a Man? (conto) - um mundo governado por máquinas
1959
Primeiro teste bem sucedido com um míssil balístico intercontinental (Titan)
Dois macacos são os primeiros seres vivos a retornarem com vida de vôo orbital (Jupiter AM-18).
Explorer 6 envia a primeira foto do nosso planeta a partir do espaço
Edmond Cooper - Seed of Light (romance) superpopulação leva sobreviventes a buscar um novo mundo
Mordecai Roshwald - Level Seven (romance) distopia nuclear
1960
Criado o circuito integrado
Philip K. Dick - Vulcans Hammer (romance) - desenvolvimento da consciência artificial
R. C. Phelan - Something Invented Me (conto) - literatura produzida por máquinas
1961
J. G. Ballard - Studio 5, The Stars (conto) - literatura produzida por máquinas
Hal Draper - Ms Fnd in a Lbry (conto) - sistemas computadorizados em colapso
Fritz Leiber - The Silver Eggheads (romance) - literatura produzida por máquinas
1963
A série Dr.Who começa a ser exibida na televisão inglesa
1964
Criada a linguagem BASIC de programação de computadores
Philip K. Dick - The Three Stigmata of Palmer Eldritch (romance) - psiquiatra-robô
Stanislav Lem - The Invincible (romance) - máquinas autônomas
1965
Primeiro mini computador lançado comercialmente (PDP 8 da DEC, custava 18 mil dólares e pesava 300 quilos)
Peter Currell Brown - Smallcreeps Day (romance) - sátira surreal sobre automação
Gordon R Dickson - Computers Don't Argue (conto) - sistemas computadorizados ineficientes.
Ron Goulart - Badinage (conto) - sistemas computadorizados ineficientes
1966
A série Star Trek começa a ser exibida na televisão americana
Robert Escarpit The romance Computer (do francês) - literatura produzida por máquinas
Robert Heinlein - The Moon is a Harsh Mistress (romance) - desenvolvimento da consciência artificial
Frank Herbert - Destination Void (romance) - desenvolvimento da consciência artificial
Olof Johannesson - The Tale of the Big Computer (romance) - máquinas autônomas; desenvolvimento da consciência artificial
Keith Roberts - Synth (conto) - desenvolvimento da consciência artificial
Roger Zelazny - For a Breath I Tarry (conto) - desenvolvimento da consciência artificial
Samuel R. Delanys - Babel -17 (romance) TW -55, um clone com propósitos maléficos.
1967
Harlan Ellison - I Have no Mouth and I Must Scream (conto) - desenvolvimento da consciência artificial
Bruce Kawin - Form 5640A - Report of a Malfunction (conto) - sistemas computadorizados ineficientes
Stanislav Lem - The Cyberiad (romance) - desenvolvimento da consciência artificial
Fred Saberhagen - a série Berserker(romance) - máquinas autônomas; desenvolvimento da consciência artificial; computadores buscam eliminar toda a vida no universo
1968
Primeiros robôs industriais
Richard Brautigan - All Watched Over by Machines of Loving Grace (poema) - elegia (ou ironia?) à união da natureza com a tecnologia
Martin Caidin - The God Machine (romance) - desenvolvimento da consciência artificial
Philip K. Dick - Do Androids Dream of Electric Sheep? (romance) - frágil distinção entre humanos e robôs
Michael Frayn - A Very Private Life (romance) - distópica visão da automação
Stanley Kubrick - 2001 - A Space Odyssey (filme) - HAL, o computador da nave mata a tripulação humana que deveria proteger
Robert Silverberg - Going Down Smooth (conto) - robô-psiquiatra
John Sladek - The Reproductive System (romance) - máquinas auto-reprodutivas
1969
Primeiro homem na Lua
John Brunner - The Jagged Orbit (romance) - total dependência tecnológica
Philip K. Dick - The Electric Ant (conto) - homem descobre ser um robô, frágil distinção entre humanos e robôs
1970
Lançada a calculadora eletrônica de bolso
D. G. Compton - The Steel Crocodile (romance) - exploração da interseção de religião e ciência.
Norman Corwin - Belles Lettres, 2272 (conto) - literatura produzida por máquinas
Philip K Dick - We Can Build You (romance) - frágil distinção entre humanos e robôs
Ira Levin - This Perfect Day (romance) - distopia, computador governa um mundo sem diferenças de gênero, raça e credo.
1971
Microprocessador comercial (Intel)
The Andromeda Strain (filme baseado no romance de Michael Crichton de 1969) - visão claustrofóbica científica
THX 1138 (filme) - repressão por robôs policiais
Richard e Nancy Carrigan - The Siren Stars (romance) - desenvolvimento da consciência artificial
John Sladek - The Muller -Fokker Effect (romance) - computadores produzindo arte
1972
Primeiros vídeo games (Odyssey)
David Gerrold - When Harlie Was One (romance) - desenvolvimento da consciência artificial
Ira Levin - The Stepford Wives (romance filmado a primeira vez em 1975) - esposas substituídas por robôs
1973
Westworld (filme) - robôs fogem ao controle
1974
Bomb 20 - bomba nuclear senciente do filme Dark Star de John Carpenter
Isaac Asimov - That Thou Art Mindful of Him (conto) - robô desenvolve julgamento
Barrington J Bayley - The Soul of the Robot (romance) - 'Cogito, ergo sum' levado a sério por um robô
1975
Primeiros microcomputadores (Commodore)
Isaac Asimov - The Life and Times of Multivac (conto) - o computador que governa uma sociedade pacífica é desligado por aqueles que se sentem escravizados por ele
John Brunner - The Shockwave Rider (romance) - repressão tecnológica
1976
Isaac Asimov - The Bicentennial Man (conto) - robô busca tornar-se humano
1977
Frederik Pohl - Gateway (romance) - robô psiquiatra
Demon seed (filme) - desenvolvimento da consciência artificial
1978
Se inicia a venda de computadores pessoais no Reino Unido
Nasce o primeiro 'bebê de proveta' (Louise Brown)
Chelsea Quinn Yarbro - False Dawn (romance) - eco-catástrofe.
1979
Acidente nuclear de Three Mile Islands
1980
Walter Tevis - Mockingbird - um andróide suicida tenta salvar uma humanidade decadente, dependência tecnológica
1981
O vírus da Aids é identificado em laboratório
William Gibson - Johnny Mnemonic (conto) – distopia ciberpunk, o real versus o virtual
1982
A Times escolhe o computador como 'O Homem do Ano'
1983
Surge a Internet (ARPANET)
Joshua - uma rotina de computador se utiliza do WOPR (simulador da guerra nuclear) em Jogos de Guerra (filme) para iniciar a WWIII
1984
Viagem de estréia do ônibus espacial
The Terminator (filme) - a Skynet redesenha o destino da humanidade, desenvolvimento da consciência artificial
Kim Stanley Robinson - The Wild Shore (romance) utopia pós apocalipse; tecnologia como grande vilã
1985
Buraco na camada de ozônio
Brazil (filme) - sociedade altamente tecnológica manipulada pela informação
1986
Lançamento da estação espacial MIR
Runaway (filme de Michael Crichton.) - Jack Ramsay caça robôs descontrolados
1987
Robocop (filme) - o homem (Murphy) “ressuscita” como máquina, sistema de opressão robótico
1988
Rudy Rucker - Wetware (romance) - O planeta populado por uma raça híbrida (homem/máquina)
1992
O aquecimento Global chega às manchetes dos jornais
A fortaleza (filme) - controle populacional, controle total do indivíduo
1993
Vernor Vinge - The Coming Technological Singularity (ensaio), marco na elaboração do pensamento do futuro da inteligência artificial
1994
WWW. A internet começa a se popularizar. Vinte e cinco milhões de usuários no mundo.
Neal Stephenson - The Diamond Age (romance) a nanotecnologia recriando vida
1995
Ghost in the Shell (animação japonesa) Inteligência artificial para fins militares
John Barnes - Mother of Storms (romance) humanos superpoderosos graças ao link com máquinas
1996
William Gibson - Idoru (romance) homem se casa com uma celebridade pop virtual
1997
O primeiro clone de uma ovelha (Dolly)
O Grão-mestre Kasparov perde no xadrez para o supercomputador Deep Blue
Greg Egan - Diaspora (romance) – transhumanismo, evolução do homem pela ciência
Gattaca (1997) - aprimoramento e exclusão, extremos do avanço da ciência genética
1998
Pat Cadigan - Tea from an Empty Cup (romance) imersão (sem volta) no mundo virtual
1999
Um vírus de computador (Melissa) infecta 1 milhão de computadores ao redor do mundo causando 80 milhões de dólares em prejuízos
The Matrix (filme) - simulador de realidade virtual escravizando a humanidade
2000
O primeiro esboço do genoma humano é divulgado
Adaptação ao texto de Daniel Chandler - http -//www.aber.ac.uk/media/Documents/SF/chrono.html
Timeline SCIFi - http -//www.magicdragon.com/UltimateSF/timeline.html
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Tudo que você sempre quis saber sobre Alien
O ROTEIRO ORIGINAL (Starbeast) de Dan O'Bannon (1976)
No roteiro original os personagens (todos unissex) chamavam-se:
Chaz Standard - O capitão, um líder e um político. acredita que qualquer ação é melhor do que nenhuma ação.
Martin Roby - Oficial executivo, cauteloso, mas inteligente (o sobrevivente).
Dell Broussard - O navegador, um aventureiro em busca de glória.
Sandy Melkonis - Oficial de comunicações, intelectual; um romântico.
Cleave Hunter - Engenheiro de mineração, forte e rude, veio para fazer fortuna.
Jay Faust - Técnico de motores, um trabalhador sem imaginação.
SINOPSE
No caminho de volta à Terra, de uma parte distante da galáxia, a tripulação da espaçonave SNARK capta uma transmissão em uma língua estrangeira, proveniente de um planeta nas proximidades.
A humanidade esperou séculos para entrar em contato com outra forma de vida inteligente no universo, então eles decidem investigar. A transmissão tem origem em uma nave espacial alienígena destruída e abandonada. Dentro eles encontram coisas estranhas, como o esqueleto de um dos viajantes espaciais.
Certas pistas os levam até uma pirâmide na superfície hostil do planeta, o registro de uma civilização desaparecida. Debaixo desta pirâmide encontram uma antiga tumba cheia de artefatos fantásticos.
Um exame no computador médico da espaçonave revela que a criatura inseriu um tubo em sua garganta, e que está depositando algo dentro dele. Então é descoberto que o sangue do parasita é um ácido corrosivo que derrete metal - por isso não se atrevem a matá-lo dentro da nave.
Eles vão decolar, mas antes que possam selar-se em animação suspensa para a longa viagem de volta para casa, um pequeno monstro horrível emerge do corpo da vítima - onde estivera crescendo, depositado pelo parasita... e agora ele está solto na nave.
Uma série de aventuras se segue.
Finalmente, há apenas um homem vivo, sozinho a bordo com a criatura, e apenas seis horas até que o ar se esgote, o que leva a um clímax cujo resultado irá determinar quem vai chegar vivo à Terra - homem ou alienígena.
Starbeast - Dan O'Bannon (1976) [ Download ]
O FILME
Com um orçamento de 11 milhões de dólares, arrecadou oito vezes isso somente nos EUA. Devido ao sucesso, Ridley Scott obteve financiamento para seu filme seguinte, Blade Runner.
Indicado para duas categorias, Melhores Efeitos Visuais e Melhor Direção de Arte, o filme ganhou um Oscar de Melhores Efeitos Visuais (atribuído a HR Giger e outras quatro pessoas da equipe).
Como é comum a todos os filmes, Alien teve várias cenas planejadas e não filmadas, ou filmadas e não aproveitadas. Uma que sequer foi filmada, tratava dos relacionamentos da tripulação; romântico, sexual, etc, o que incluiria uma cena de sexo entre Ripley e Dallas. Em outra, Ripley perguntava a Lambert se ela dormiu com Ash (esta foi filmada), e até mesmo a sugestão de um relacionamento amoroso entre Ripley e Lambert.
O ALIEN
O alien utiliza os corpos de suas vítimas como hospedeiros para seus ovos. Para reforçar esta estratégia, uma cena cortada da versão original precisou ser incluída na versão de 2003 ('director's cut' theatrical re-release). A cena apresenta Ripley entrando na área de carga onde Brett foi morto, e descobrindo Dallas e Brett envoltos por uma espécie de casulo, e Dallas, ainda vivo e consciente, implora: "Mate-me!"
Ripley, em seguida, usa seu lança-chamas misericordiosamente para matar Dallas e Brett.
Esta cena é significativa na medida em que depois nas seqüências, começando com Aliens (1986), seria introduzido o conceito da rainha que põe ovos, em vez das vítimas transformando-se em ovos.
MÃE (Mother)
ORDEM ESPECIAl 937 - Somente para os olhos do Oficial de Ciências.
Nostromo reencaminhada para novas coordenadas.
Investigar formas de vida.
Recolher amostras.
Prioridade Um.
Garantir retorno de organismo para análise.
Todas as outras considerações são secundárias.
Tripulação dispensável.
MU-TH-R 182 - 2,1 terabytes modelo Mainframe IA, ou simplesmente Mãe, o computador de bordo do Nostromo.
USCSS NOSTROMO 180924609
O projeto básico é um Lockheed CM 88B transportador modificado e equipado com uma unidade estelar Yutani T7A NLS. Os motores originais Saturn J3000 foram substituídos por dois Rolls Royce N66 Cyclone com Tunnels Thrust bi-polares de vetoração. Cada usina desenvolve 7 milhões de toneladas de impulso dando um total de impulso em alta de 14,46 milhões de toneladas.
O design do Nostromo é creditado aos ilustradores Ron Cobb e Chris Foss. Em última análise, são visões altamente orgânicas de Chris Foss.
Ridley Scott fez também suas próprias contribuições ao projeto, bem como, acrescentou a parte da "refinaria-catedral'.
Originalmente batizada de SNARK , posteriormente foi rebatizada como "Nostromo", nome emprestado do livro de mesmo nome, de Joseph Conrad, publicado em 1904, uma história sobre exploração e capitalismo. O módulo de fuga "Narciso" é uma segunda referência a Joseph Conrad, de um romance publicado em 1897 chamado "The Nigger of the Narcissus".
E por fim, em "Aliens", a nave "Sulaco" é também uma homenagem a uma cidade do romance "Nostromo".
Seus paineis internos não poderiam ser mais realísticos, já que são peças retiradas de sucatas de aviões, antigos computadores e equipamentos eletrônicos de verdade.
Grande parte da arquitetura do navio, principalmente seu interior e dos pináculos colossais da estrutura da refinaria, são inspiradas no ambiente das cavernas altamente austrofóbico e também de casas mal-assombradas e castelos dos filmes de terror gótico, como Nosferatu.
RIPLEY
"Este é o reboque comercial Nostromo voltando de Solomons. Número de registro 180924609 chamando Controle de Tráfego Antarctica. Estão me ouvindo? Câmbio."
Ellen Ripley nasceu em 2092 na cidade domo de Olympia, na Lua. Ela teve uma filha, Amanda Ripley MacLaren, e não teve outros descendentes.
Em 2122, Ripley foi empregada como subtenente na Companhia Weyland-Yutani, servindo na USCSS Nostromo, veículo rebocador de minério bruto.
Juntamente com o resto da tripulação, ela foi despertada prematuramente do hipersono, dez meses antes da chegada à Terra, devido a um pedido de socorro recebido da lua LV-426.
Devido aos fatos ocorridos com a liberação de um perigoso alienígena à bordo, Ripley foi a única sobrevivente e responsável pela destruição da Nostromo, após ter escapando em segurança no módulo de sobrevivência Narciso, junto com o gato Jones . Ela esperava ser resgatada dentro de semanas, mas (com o gato Jones), permanece à deriva por 57 anos no hipersono.
A única filha de Ripley, Amanda, morreu com a idade de 66 anos, apenas dois anos antes de Ripley ser encontrada.
Relutante, Ripley (agora tenente) volta a LV-426 com uma equipe dos U.S. Colonial Marines para resgatar os colonos instalados na base Hadley's Hope, e basicamente se torna líder após a maioria dos fuzileiros serem mortos. Ripley escapa com um colono, um marine ferido, a metade de um andróide, e (sem seu conhecimento) com um embrião alienígena em seu organismo.
Ela vai acordar desta vez em Fiorina "Fury" 161, uma refinaria de minério e instalação correcional, onde se sacrifica para impedir que a Companhia Weyland-Yutani coloque suas mãos na rainha alienígena que estava dentro dela.
Vários clones de Ellen Ripley são posteriormente criados pelos militares, com a finalidade de experimentação com o alienígena.
"Ela veio de uma família de pilotos, pessoas neste tipo de negócio. Uma família do espaço, em vez de uma família do exército... Ripley era muito inexperiente, aquele era o maior trabalho que já teve. Ela foi escolhida por causa da inexperiência. No decorrer da história, ela passa a querer somente sobreviver, meio como um animal". disse Sigourney Weaver.
BRETT
"... mas todo mundo ganha mais do que nós."
Brett é descrito no roteiro de Dan O'Bannon como "sem imaginação". Curiosamente, esta descrição permanece até o final do filme, quando Parker, caminhando com Brett para o refeitório, provoca o amigo dizendo: "É por isso que ninguém vem aqui. É por causa de você. Você sabe que não tem nenhuma personalidade."
Embora seja amigo de Parker, Brett é sua antítese, geralmente reservado e monossilábico. Nas cenas de sua morte, excluídas do filme original, as últimas palavras de Brett são o nome de seu único amigo.
PARKER
"Posso terminar meu café? É a única coisa que presta nesta nave."
Parker é o engenheiro-chefe da Nostromo. Ele é um tipo forte, grande e de natureza territorialista. Tem um bom senso de humor, mas é também susceptível a explosões de raiva. No entanto, pode-se argumentar que boa parte de sua bravata mascara uma natureza mais suave. Ele é amigo de Brett, e como este, está interessado em fazer o máximo de dinheiro que puder.
DALLAS
"Quais são as minhas chances?"
O Capitão Dallas quando está fora do hipersono , pode ser encontrado em algum lugar tranquilo da nave, ouvindo a Serenata nº13 de Mozart.
Ele é um líder corajoso e confiável, um homem que só deseja fazer seu trabalho da melhor forma. Tem uma tendência a perder a paciência quando confrontado com situações fora de seu controle, mas não hesita em arriscar sua própria vida para proteger sua tripulação. Na verdade, Dallas é um simpático e atencioso oficial comandante, que quer simplesmente voltar para casa, para a Terra.
LAMBERT
"Onde está a Terra?"
"Lambert foi quem primeiro expressou temor e quando viu o Alienígena, ela surtou, o que a maioria das pessoas nessa situação faria. Além disso, eu percebi quando eu estava trabalhando com ela, que esta seria sua última viagem e que estava a caminho de casa. Trabalhei no sentido de que ela tinha tido uma experiência anterior não muito agradável. Quero dizer, todo aquele sangue também não foi muito agradável. O tipo de coisa que a arremessou para um comportamento extremo." disse Veronica Cartwright.
KANE
"Eu me lembro de algo como um sonho horrível, sufocante..."
Como no velho ditado, 'a curiosidade matou o gato' (embora o gato Jones tenha sobrevivido no filme), a ânsia de descobrir uma forma de vida alienígena provou ser a ruína do oficial executivo Kane, um homem inteligente mas de caráter aventureiro, o segundo no comando da Nostromo.
ASH
"Uma última palavra. Eu não posso mentir para vocês sobre suas chances, mas...vocês tem a minha simpatia."
O andróide traidor Ash foi uma invenção de David Giler e Hill Walter. Dan O'Bannon foi contra sua inclusão. Ron Shusset disse a respeito: 'Giler e Hill, que eram meus co-produtores vieram com essa idéia [de Ash ser um andróide]. Todo mundo odiou a ideia, mas eu não. O estúdio estava com medo. Dan disse: "Eu não gosto disso." Seu próprio parceiro [Gordon Carroll] disse: "Vai ser um fracasso." Eu disse: "Vamos filmar e ver no que dá." Eu pensei que era um conceito brilhante e deu uma ressonância para tudo que veio antes, porque quando Ash abriu a porta e deixou a criatura vir a bordo, você percebe que ele não era humano, então é claro que ele poderia ter a falta de humanidade de sacrificar todos os seres humanos, desde fora programado para salvar o alienígena.
JONES
"Aqui gatinho! Aqui gatinho, gatinho! Gatinho maldito. Jones! Jonesinho. Aqui gatinho. Miau! Miau! Jonesinho..."
Embora em momento algum do filme fique explicito que Jones pertença a Ripley, Ridley Scott comentou em uma entrevista: "Eu acho que se você passa muito tempo no espaço com outras pessoas, a camaradagem desaparece gradualmente, e cada pessoa acaba isolada com os seus próprios pensamentos, suas memórias e preocupações, de onde vieram, para onde estão indo. E portanto, todos os personagens são concebidos como não sendo realmente amigos. Há um tipo de relação fria entre eles e um ponto interessante é que no final do filme Sigourney faz uma coisa extraordinária, que é voltar para salvar o gato. Bem, talvez sua única relação real na nave fosse com o gato."
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