sábado, 16 de fevereiro de 2008

STEAMPUNK



'Steam’ quer dizer ‘vapor’, mas também é uma abreviação para um conceito tecno-industrial, uma passagem para um novo mundo, de caldeiras chiando, engrenagens, rodas dentadas e maravilhas vivas de latão. A máquina desta transformação é tradicionalmente a força-vapor, responsável por tantas mudanças na história durante a revolução industrial, mas a tecnologia por trás é irrelevante.

Não importa se as máquinas eram movidas por vapor, óleo ou magicamente por demônios; é a presença e o conceito da máquina que importa.

A máquina é também um símbolo de grandes transformações.

Outras grandes construções, como castelos ou monumentos, podem existir numa espécie de vácuo, sua mera existência pouco implica comparativamente sobre a sociedade que as construiu.

As máquinas, entretanto, requerem uma significativa infra-estrutura.

Uma gigantesca indústria movida a vapor, implica na existência de dezenas de fundições, trabalhadores braçais, incluindo artesões e engenheiros para construir e fazer funcionar as máquinas e uma civilização com vasta demanda só se satisfaz pela produção em massa - tal não ocorre de maneira isolada.




Adicionar vapor e tudo que isso, em períodos e cenários diferentes, é chamado de STEAMPUNK.


Onde o cyberpunk examina o que a tecnologia fará com a sociedade, o steampunk pega os sonhos científicos da revolução industrial e os torna realidade.

O infortunado epíteto ‘punk’ é derivado do gênero ‘cyberpunk’ da Ficção Científica.

Um dos primeiros livros de steampunk foi ‘The difference engine’, escrito por William Gibson e Bruce Sterling, autores consagrados no movimento cyberpunk, porém o termo já existia anteriormente a publicação.

‘The difference engine’ coloca supercomputadores com imagem digital e inteligência artificial, na Londres Vitoriana, bastante transfigurada devido a presença de tal tecnologia.



Um dos pontos peculiares na ficção steampunk; ‘steam’ não significa somente trazer para outra realidade, máquinas como trens e teares de algodão, mas criar o anacronismo ou a impossibilidade de máquinas como computadores, televisores, robôs (mesmo Mecha’s a vapor) um agente de ‘suspensão da realidade’.

Ao invés de meramente reconstruir engenhocas do nosso tempo, o steampunk pega a tecnologia moderna e a remodela em latão, rebites e caldeiras fumacentas em um novo ambiente.


A maioria das representações steampunk tem em comum um visual com motivos e imagens que se repetem, obviamente, os ornamentos e os mecanismos da força vapor, tubos, canos, caldeiras, foles, bielas, válvulas e coisas assim, por toda parte, mas mesmo aquelas desprovidas de tecnologia guardam traços do steampunk. Uma armadura blindada com rebites,um escudo moldado para parecer uma roda dentada.

A arquitetura do steampunk se apropria das construções vitorianas, exuberantes estruturas góticas, repletas de chaminés e gárgulas, monstruosidades barrocas de metal e pedra apontando para nuvens de fuligem.


STEAMPUNK Vitoriano

O Steampunk vitoriano é a expressão mais comum deste gênero.
A era Vitoriana (referência a Rainha Vitória, que aos 18 anos subiu ao trono da Inglaterra, ocupando-o de 1837 a 1901) foi a época das grandes fábricas, da aceleração do processo produtivo, da consolidação da produção capitalista, de grandes saltos tecnológicos, era das ferrovias, do favorecimento da ciência e também do surgimento das workhouses (casas ou asilos que exploravam mulheres, crianças e desabrigados em trabalhos pesados, já que a maquinaria colocava abaixo os limites morais e naturais da jornada de trabalho).


A era Vitoriana foi também o auge do romance científico, e a maioria dos livros de Jules Verne, especialmente ’20.000 Leagues under the sea’ (‘20.000 léguas submarinas’) e ‘From Earth to the Moon’ (‘Da terra a lua’) podem ser facilmente classificadas como steampunk.

Outra contribuição histórica ao gênero, são os contos Edisonianos (referente ao inventor Thomas Edison) de Edward S.Ellis, Luis Senarens e outros, com seus personagens que utilizam veículos avançados movidos a vapor, em suas aventuras através do mundo.





Além de servirem como inspiração pueril para a futura ‘ficção científica’ (o nome só foi cunhado em 1929), estas histórias tiveram uma influência no tema ‘boy inventor’ (Garoto inventor), personificado pelo jovem inventor e aventureiro Tom Swift, em sua série de livros juvenis.






O PULP

Com H.G.Wells surgiu a literatura pulp (1920-1930).

A literatura pulp e o steampunk compartilham uma atitude similar frente a ciência. Ciência e tecnologia se mudaram das províncias do mistério e da alquimia e se tornaram mais familiares, mais otimistas.


Onde o pulp ressalta a atitude maravilhada frente a ciência, com seus cintos foguetes, relógios comunicadores e coisas assim, o steampunk o faz de maneira diferente.

Tudo tende a ser absolutamente sujo, imundo, graças a fumaça, a fuligem e o lixo produzido pelas indústrias, ou então brilhantes e polidos, em cada rebite e chapa vaidosamente brilhantes. De maneira similar, os personagens tendem aos extremos, dos pequenos e desprezíveis batedores de carteira de rua, descritos na obra de Charles Dickens, aos heróicos, honoráveis cientistas de Verne e mais tarde, personificados em Artemus Gordon (o agente-cientista, inventor que percorre o oeste americano imaginário, pós guerra da secessão, com suas invenções bizarras.)




Adicionando-se steampunk à fantasia, onde a magia não está oculta, nem é misteriosamente ambígua, mas uma força relativamente comum que pode ser manipulada, canalizada e usada para disparar bolas de fogo, chegamos a Fantasia Steampuk.

FANTASIA STEAMPUNK.

Tanto a magia quanto o steampunk podem ser fundidos pela indústria, feitiços mágicos são analisados e produzidos em massa.


China Mielville escreveu o excelente livro ‘Perdido Street Station’ que descreve um tipo de ‘fantasia industrial’, onde taumaturgos são artesões, como engenheiros, e conjuram poderosas máquinas mágicas para capturar leviatãs de outros planos de existência.

Steampunk contudo, também pode ser adicionado a clássica fantasia medieval sem adicionar os maneirismos vitorianos.

A renascença ainda é recente, próxima o bastante para poder ser trabalhada, e aquele tempo trás lembranças do imaginário de Leonardo da Vinci, que desenhou tanques a vapor, helicópteros e outros dispositivos em seus famosos cadernos.


A Fantasia steampunk pode retratar a tecnologia do século 20 através dos materiais do século 19 pelos cientistas do século 16

A CIÊNCIA NA FANTASIA.

Em um cenário steampunk, novas tecnologias subjugam todos os fenômenos que de certa vez, foram considerados milagrosos.

O poder dos motores a vapor, podem trazer a vida a outras máquinas.Uma chave em uma pipa inspirou o primeiro vislumbre da eletricidade como uma ferramenta.


Regiões inacessíveis, como o oceano selvagem, mares congelados, ou mesmo os pontos mais altos foram conquistados por máquinas a vapor.

De qualquer modo, se as tecnologias steampunk podem ser usadas amplamente para incrementar um barco voador, e uma placa de ferro pode ser usada para manter o ar do lado de dentro e o frio do espaço de fora, então o steampunk consegue abrir outros campos para novas aventuras.



Steampunk então não é sobre vapor.

É sobre avanço tecnológico por caminhos diferentes, propondo cenários alternativos à nossa realidade.



Foi a força-vapor que disparou a revolução industrial, uma mudança que varreu para longe a velha ordem, de forma mais eficientemente que qualquer filosofia ou mesmo a renascença.

Steampunk é mudança, através do desconhecido e do extraordinário.

E sempre existirão novas maravilhas a serem descobertas.