sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Os prêmios na ficção científica



"...No caso do Brasil, para um Jabuti, existem dezenas de concursos de maior e menor prestígio, a maioria destinada ao escritor iniciante. Um desenvolvimento recente são concursos literários que não analisam obras completas, mas romances ou livros de conto em andamento, com o fim de fornecer uma bolsa para o término do projeto escolhido. É o caso do Programa Petrobrás Cultural

Há, enfim, prêmios outorgados - para o conjunto da obra ou para um feito literário em particular que os organizadores do prêmio consideram particularmente relevante. O mais famoso deles é certamente o Prêmio Nobel e suas variantes como o Prêmio Camões, para a língua portuguesa, ou o Prêmio Miguel de Cervantes, para a língua espanhola, o Goethe Prize da Alemanha.

No Brasil, e no campo da ficção científica, nosso primeiro prêmio provavelmente pertenceu a essa última categoria - o troféu Monólito Negro, entregue a Arthur C. Clarke durante o Festival Internacional do Cinema e o Simpósio de FC no Rio de Janeiro em 1969. O Simpósio aconteceu embutido dentro do Festival e foi idéia do fã, tradutor e editor de FC José Sanz. Consta que Sanz pretendia que o troféu fosse entregue anualmente a um grande realizador da FC mundial, mas isso acabou não acontecendo. Não era, evidentemente, um prêmio destinado ao melhor gênero no Brasil. Clarke ficou com a peça única, obra em hematita criada pelo escultor Caio Mourão.

O editor baiano Gumercindo Rocha Dorea, que quase sozinho foi responsável pela Primeira Onda da Ficção Científica Brasileira na década de 60, chegou a anunciar na quarta capa de sua edição de Os Senhores do Sonho (Unearthly Neighbors; 1964), de Chad Oliver, um concurso literário para romance inédito de FC, o "Prêmio Bartolomeu de Gusmão". A proposta era de um concurso anual, mantido por Dorea e pelo livreiro Adonias Filho, pagando Cr$ 300.000,00. Mas ele não se realizou - aparentemente por falta de concorrentes.

Dessa forma, o primeiro concurso brasileiro de FC de que se tem notícia acabou sendo o Prêmio Fausto Cunha, de contos, promovido pelo Clube de Ficção Científica Antares de Porto Alegre, com duas ou três edições na primeira metade da década de 80. Homenageava o autor da Geração GRD Fausto Cunha (1923-2004), e dele participaram autores que se tornariam relativamente conhecidos, nos anos seguintes: Jorge Luiz Calife, Gerson Lodi-Ribeiro, Miguel Carqueija.

O Clube de Leitores de FC, na gestão de Dorea, teve seu concurso de contos, com apenas uma edição, em meados da década de 90.

O primeiro concurso de âmbito verdadeiramente nacional, porém, foi o Prêmio Jerônimo Monteiro, realizado pela Editora Record e pela Isaac Asimov Magazine em 1990. Recebeu 444 contos de 17 estados brasileiros. Os três classificados foram Roberto Schima (em primeiro com "Como a Neve de Maio"), Cid Fernandez (em segundo, com "Lost") e Roberto de Sousa Causo (em terceiro, com "Patrulha para o Desconhecido"). Além de prêmio em dinheiro, os três foram publicados na revista.

A revista semi-profissional Scarium MegaZine, de Marco Bourguignon, mantém um concurso de contos - e a edição N.º 23, recém-lançada, traz os contos vencedores da terceira edição do concurso. Recentemente, o concurso FC do B, da BHB Eventos, uma empresa extra-fandom, movimentou as coisas com esse concurso de contos, com os classificados reunidos no volume

FC do B: Ficção Científica Brasileira: Panorama 2006/2007.

O primeiro prêmio do tipo melhores do ano foi criado por mim em 1988, o Prêmio Nova de Ficção Científica. Na época, votavam os colaboradores do meu fanzine, Anuário Brasileiro de Ficção Científica, e as categorias eram poucas: conto, livro e fanzine. Conforme a FC evoluía no Brasil, as categorias se alteravam para acompanhar essa evolução. Em 1990 ele foi dividido em dois campos: profissional e amador, definidos da maneira mais simples possível - é "profissional" o que fosse publicado em veículos ou por editoras profissionais, e amador o que fosse publicado em fanzine ou em edição do autor..."

Roberto de Sousa Causo
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Conheça também o Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica 2007