quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

A apropriação da literatura cyberpunk pela esfera feminina de ação



A literatura cyberpunk corresponde a um tipo de ficção científica, surgida a partir dos anos 80, que coloca em primeiro plano as tecnologias digitais envolvidas, por exemplo, na produção de ciborgues. Neuromancer, de William Gibson, de 1984 (primeiro romance da trilogia Matrix, que tanto inspiraria o trabalho homônimo dos irmãos Warshowski no campo do cinema), é considerado o locus classicus desse subgênero literário.

Este, além de lidar com a idéia do ciberespaço (um termo cunhado por Gibson para descrever o espaço metafórico onde a informação armazenada eletronicamente pode ser experimentada sensorialmente), inclui entre seus componentes a presença da modificação tecnológica do corpo humano, da degradação ambiental e de encraves culturais pós-nacionais.

Seus heróis sao hackers e outros derivados de meios high tech e música pop, e seu estilo narrativo ecoa as histórias de aventura e de detetives, o que tem levado autoras como Jenny Wolmark a afirmar que a literatura cyberpunk é “marcada fortemente pelo masculino”.

Andrew Ross vai mais longe, afirmando que “Mal se precisa arranhar a superfície do gênero cyberpunk, não importa quanta maturidade tenha sido empregada em sua concepção, para expor o edifício barroco das fantasias masculinas adolescentes”.

A apropriação da literatura cyberpunk pela esfera feminina de ação
Lucia de La Rocque [ Download ]