
É assustador tentar falar sobre o futuro de algum tipo de ficção, mesmo do futuro dos livros, quando se publicar hoje se encontra no meio desta tumultuada mudança tecnológica.
Será que o sistema sob-demanda salvará o livro?
Será que em breve leremos os livros em nossos celulares, como os japoneses?
Textos interativos?
Ou será que a carta está morta?
Ninguém sabe.
Mas meu palpite é que algum tipo de FC irá ganhar força em outras formas como a graphic novel ou filme de animação.
Filmes de sci-fi com caros efeitos se tornaram um elefante branco dos blockbusters, mas as graphics e animações são leves e livres - a maior parte - como a imaginação dos escritores e leitores, e nós apenas começamos a enxergar a inteligência e a beleza que estas formas podem incorporar.
A Ficção Científica que se propõe mostrar-nos o futuro, falhou com o nosso presente.
Não fomos capazes de enxergar a revolução eletrônica por exemplo.
Agora que a ciência e a tecnologia caminham cada vez mais rápido, há muita FC que é na verdade fantasia, vestida com um traje pro espaço; esperamos desejosos por impérios galácticos e cibersexo - quase sempre um pouco reacionário.
As coisas são mais vivas do lado político-social, onde a natureza humana, não precisa se aprimorar a cada ano, pode ser contada, provendo bom material para romances.
Escritores como Geoff Ryman e China Miéville estão mostrando o caminho, ou Michael Chabon, que antecipa o futuro nos presenteando com presentes alternativos maravilhosos como em ‘The yiddish policemen’s Union’.
A distinção entre FC e realismo nunca foi tão clara quanto o gênero 'arrogante' gostaria que fosse. Eu me alegro ao pensar que ambos os termos já são grandemente históricos, eles são moldes dos quais a literatura está se libertando, e como sempre faz, encontrando novas formas.
Ursula publicou em 2008, seu livro muito elogiado pela crítica, 'Lavínia'.
Site oficial de Ursula K.Le Guin



