sexta-feira, 20 de março de 2009

A mágoa de Odin - Poul Anderson


Ao crepúsculo, o vento soprava quando a porta se abriu.

Os fogos que ardiam ao longo do salão cintilaram nos seus sulcos; as chamas ondularam efluíram dos candeeiros de pedra; o fumo acre rolava dos orifícios no tecto por onde deveria ter saído.

Esta repentina luminosidade refletia-se nas pontas das lanças, dos machados, nas bainhas das espadas, nos ornamentos dos escudos, nas ara-mas guardadas perto da entrada.

Os homens que enchiam aquela grande sala, ficaram imóveis e atentos, tal como as mulheres que distribuíam os chifres de cerveja.

Eram os deuses esculpidos nos pilares que pareciam mover-se por entre as sombras inquietas. O pai Tiwaz, o maneta, Donar do Machado e os Cavaleiros Gêmeos - eles e as bestas e os heróis e os
ramos entretecidos gravados no lambril. Uuuu... gemia o vento, um ruído gélido como ele próprio.

Hathawulf e Solbem entraram. A mãe, Ulrica, estava no meio deles e a expressão da sua cara era não menos terrível que a expressão dos seus filhos. Os três pararam por um breve momento, mas demasiado longo para aqueles que aguardavam as suas palavras.
Então, Solbern fechou a porta enquanto Hathawulf dava uns passos em frente e levantava o seu
braço direito. O silêncio abateu--se sobre o salão, a não ser pelo estalar dos fogos e os bafos agitados.

No entanto, foi Alawin quem falou primeiro. Levantando-se do seu banco, a figura frágil, tremendo, gritou:
-Então, iremos vingar-nos! - a voz falhou-lhe; tinha apenas quinze-Invernos.

A mágoa de Odin (O Patrulheiro do Tempo) -Poul Anderson [ Download ]