sábado, 18 de julho de 2009

Olho, Máquina e Coração


A trama do filme se inicia quando o blade runner Deckard é convocado pela polícia para eliminar cinco replicantes (andróides) de última geração, praticamente idênticos aos humanos, que haviam fugido de uma colônia interplanetária.

Os andróides, que eram utilizados como escravos em minas espaciais, se escondiam em uma Los Angeles escura e labiríntica, onde sempre chovia e se falava um dialeto que misturava o inglês ao chinês e outras línguas.

Ao contrário dos seres humanos, os andróides eram privados de memória própria, por isso não eram capazes de sentir e de ser livres como os homens. As lembranças que tinham eram resultado de implantes de memória pertencentes a outras pessoas e tanto sua existência como sua morte eram programadas.

As fotografias têm no filme uma simbologia especial: serviam para legitimar as falsas lembranças dos andróides.
Em uma das mais tocantes passagens do filme, a andróide Rachel, por quem Deckard se apaixona, mostra para ele uma antiga fotografia, onde aparece ainda menina junto com sua mãe. Rachel, que não tinha consciência de sua condição de replicante, enxerga na fotografia uma maneira de comprovar suas lembranças e seus laços afetivos com outros humanos.

Esta imagem, completamente falsa para o espectador, é o único indício que Raquel possui de seu passado, vivência que, na realidade, só existe na fotografia.

Com este filme, que definiu um novo gênero pra o cinema de ficção, Ridley Scott apresenta uma projeção de nossos medos atuais. Vivendo em cidades superpovoadas e violentas, em um meio ambiente destruído, e sob o domínio econômico de grandes corporações, homens e andróides buscam um sentido para a existência, lutando pela preservação da vida e da própria identidade.

Em geral, da mesma forma que Rachel no filme Blade Runner, acreditamos ter certeza da diferenças entre sonho e realidade. Costumamos localizar em polaridades opostas cada um destes territórios: a realidade diz respeito ao dia, à luz, à lógica e a sabedoria.

O sonho, ao contrário é um freqüentador da noite, “floresce nas trevas, como essas raras flores noturnas que dão margem à imaginação e ao devaneio” (Schultz, 1998).


Olho, Máquina e Coração - Um estudo sobre as imagens fotográficas e sua relação com a memória e a afetividade - Amalia Creus [ Download ]