domingo, 2 de agosto de 2009

Jack Vance, o artista do gênero


Jack Vance, descrito por seus pares como um 'gênio maior' e 'o maior escritor vivo de FC&F’, é uma figura que no decorrer de sua carreira - seis décadas e contando - ficou afastada das vistas de todos.

Sim, ganhou os prêmios Hugo, Nebula e o World Fantasy e foi nomeado Grande Mestre pela SFFW of America. Recebeu o prêmio Edgar da MWA (Mistery Writers of America), mas todas estas honrarias serviram apenas para camuflá-lo. Assim com as capas de seus livros, com as usuais naves espaciais, monstros e nomes eufônicos de lugares como Lyonesse, Alastor, Durdane.

Se você nunca leu Jack Vance e está passando os olhos nos títulos de uma livraria, você pode não ter um motivo em particular para escolher um de seus livros, ao invés de outro próximo a ele, como um livro de A.E.Van Vogt ou John Varley. Escolhendo um destes outros escritores, você encontrará a emoção habitual, porém não terá idéia do que perdeu e que deixou de conhecer uma das vozes mais distintas e subestimadas da literatura americana.

Pelo menos, esta é a opinião dos fãs de Jack Vance.
Entre eles, autores bem remunerados e famosos, que Vance nunca apreciou.

Dan Simmons, escritor de best-sellers de horror e fantasia, descreveu a descoberta de Vance como “uma revelação, como descobrir Proust ou Henry James. Como nadar em águas profundas. Ele te dá vislumbres de mundos inteiros. Se ele tivesse nascido em outra parte, receberia um Nobel.”

Michael Chabon, que possui uma distinta reputação literária que o permite utilizar fórmulas populares, sem ser rotulado como um autor de um gênero só, disse: “Entre todos os escritores que adoro e que não receberam o crédito merecido, Jack Vance é o caso mais doloroso. Se 'The last Castle' ou 'Dragon Monsters' tivesse o nome de Italo Calvino ou outro estrangeiro qualquer, receberia profunda atenção; mas por que ele é Jack Vance e publica pela Amazing-qualquer-coisa, existe esta barreira insuperável.”

Esta barreira não se provou ser intransponível para outros escritores de gênero, como Ray Bradbury ou Elmore Leonard, que receberam o respeito da crítica enquanto geraram um bom número de produtos de qualidade aceitável, ou como H.P.Lovecraft e Raymond Chandler, escritores de livros populares (pulp), cuja reputação pós-morte se estende além do tempo, vencendo barreiras de aprovação.

Mas cada um deles, não importa o quão inovadores ou poéticos, entraram de alguma forma pela literatura popular através da exploração dos atributos de suas especialidades. Vance, ao contrário, trabalhou inteiramente de forma popular, sem prestar atenção a convenções ou estilos. Sua ênfase se concentra no incomum, no estranho. As naves espaciais são apenas meios para levar seus personagens de uma sociedade a outra; ele prefere resumir cenas de batalhas e outras partes, que potencialmente agradariam a qualquer multidão, e tem grande prazer em explorar a grande inclinação do ser humano para a crueldade.

Apesar de Vance poder jogar com as regras, em qualquer que seja o gênero em que esteja trabalhando, seu verdadeiro gênero é Jack Vance.

Seus leais leitores são loucamente apaixonados por ele.
Vários deles se juntaram no final dos anos 90 para montar a Edição Integral de Vance (V.I.E.), uma charmosa coleção de 45 volumes contendo a obra completa de Vance de todas as edições publicadas.
Liderados por Paul Rhoads, um pintor americano que vive na França (que comparou recentemente 'Winged being' de Vance a Oswald Spengler e Jane Austen entre outros, um anti-Paul Auster), os voluntários compararam detalhadamente todas as edições publicadas e manuscritos do autor a fim de recompor a prosa deturpada por editores.

Os Vancians (leitores de Vance) também criaram Totality (pharesm.org), um site onde se pode pesquisar os textos - no qual podemos ficar sabendo que ele usou a palavra 'punctilio' (ponto nevrálgico) exatas 33 vezes em sua obra.

Esta é uma amostra extraordinária do verdadeiro amor de seus leitores: um bando de entusiastas que deram a um escritor contemporâneo o tratamento dado a um Variorum (livro explicativo) de Shakespeare, porém em sua própria época.

Vance, que tem 92 anos, disse que seu novo livro (biográfico) - 'This is me, Jack Vance' - será seu último.

E chegando nas livrarias, 'Songs of Dying Earth', é uma coleção de histórias de vários autores que se passa em um futuro distante, baseado nas primeiras histórias de Vance, escritas a bordo de um navio de carga no Pacifico Sul, enquanto servia na Marinha Mercante durante a Segunda Grande Guerra. A lista inclui estrelas, nomes das listas de mais vendidos, entre eles Simmons, Neil Gaiman, Terry Dowling, Tanith Lee, George R. R. Martin e Dean Koontz.

Como um disco tributo literário, que dá conhecimento da influência de um tesouro nacional semi-obscuro, através da reinterpretação de suas canções.

Você deve estar se perguntando: Bem, se Vance é tão bom quanto Simmons, Chabon e Rhoads dizem que ele é, e se ele se recusa a ceder às demandas do gênero no qual trabalha, então talvez tivesse sido melhor que ele tentasse outras formas que o recompensassem melhor - não é uma vergonha que ele permaneça confinado a um gênero para adolescentes no qual seu talento maduro não pode brilhar de verdade?

Penso que a pergunta estaria errada em suas suposições: errada sobre Vance, sobre gênero e sobre o que ‘adolescente’ e ‘maduro’ significam quando falamos de sensibilidade literária.

Quando eu tinha 14 anos, ao final dos anos 70, conhecia um garoto que era expert em tudo que era mais legal do que qualquer outra coisa que seus colegas de classe estivessem fumando ou lendo. Eu me orgulhava de ser um especialista, de Tolkien a E.R.Eddison, até Michael Moorcock. 'Coisa para crianças' disse o espertinho, 'tente isso' e me passou um exemplar de 'Eyes of the Overworld' de Vance. Na capa uma criatura do tipo lagarto gigante atacava um barco a remo, dentro dele um homem com roupas 'medievais' e uma mulher de seios grandes e com a roupa transparente de sempre.


Ao ler as primeiras páginas, me senti aprisionado pelo estilo de um escritor como nunca havia experimentado antes. Li o livro como se estivesse preso em um delírio e acabei procurando por mais. Além de fantasia burlesca, Vance escreveu fantasia científica, romance planetário, mistério extraterrestre, sagas sobre vinganças e outras histórias de aventuras especulativas menos classificáveis, de contos a crônicas, em vários volumes.
Escreveu 11 livros de mistério sob seu nome de batismo John Holbrook Vance, e outros três com o pseudônimo de Ellery Queen.

Teve uma breve experiência no início de carreira como escritor da série de televisão Captain Video e, por anos, várias de suas histórias foram avaliadas para o cinema – porém Hollywood nunca lhe deu o tratamento devido como fez com Phillip K Dick, por exemplo.

Parte da falta de interesse de Hollywood em relação a Dick se deve, penso, à maneira leviana com que enxergam seus trabalhos, como um estilista barroco cuja forma de escrever dependesse mais da linguagem para alcançar seu efeito, do que da história, dos personagens ou de alguma premissa conceitual.

Vance crê que o fluxo musical da linguagem é tudo na maneira de se contar uma história.
'A prosa deve bailar', me disse certa vez, mas o problema social ou cultural deve sempre vir por debaixo da ação, convidando o intelecto a parar e pensar.

Em seu livro 'The Languages of Pao', Vance propõe que a linguagem pode ser manipulada para fazer as pessoas predispostas ao combate. Em 'Dragon Masters' prossegue numa analogia entre manipulação genética e sofisticação estética.

Uma trama intrincada não é seu forte, mas ele recombina com arte, elementos recorrentes: ritmos da viagem, prazeres da música, bebidas fortes e vingança, tocantes encontros com aristocratas, charlatões, estetas e fanáticos, rudes, invejosos de todas as classes e ingênuas e magras jovens com um hábito enigmático de olhar para trás por cima dos ombros.

Suas histórias transmitem uma integridade que se sustenta conforme avança, equilibrando-se entre o prazer devasso de imaginar outros mundos e o efeito hipnótico de uma tonalidade especial que é descrita de maneiras diversas, como farpado, aveludado, astuto, enigmático.

Ler Vance te leva, com certa formalidade, a estar presente no sério mundo do entretenimento literário, apesar de toda graça e diversão com palavras inventadas. E finalmente, isso demonstra a grande habilidade artística do escritor.

Não importa a capa, você pode ter certeza que é altíssima literatura.

Esta é uma reação comum do primeiro encontro com a prosa de Vance, quando se está numa idade impressionável. Alguns dos mais famosos escritores de fantasia e que contribuíram para “Songs of Dying Earth” me contaram histórias semelhantes.

Dan Simons tinha 12 anos de idade quando seu irmão mais velho o deixou ler “The Dragon Masters” e subitamente ele se viu “no lado fundo da piscina”.

Neil Gaiman tinha 12 ou 13 quando deu com Dying Earth Tale. “Me apaixonei pelo seu estilo. Era elegante, inteligente, cada palavra parecia saber o que fazia. Era divertido, mas nunca fácil ou óbvio.”

Tanith Lee me contou que aos 20 anos de idade “eu era muito desajustada, infeliz e sabia que queria escrever'. Sua mãe lhe comprou o primeiro livro da série Dying Earth - que deu á existência desmotivada de Lee uma possibilidade de se tornar escritora. “Amei o humor negro, a elegância e amei aquela depravação sofisticada. E quando conheci Cugel, eu amei. Ele foi a salvação.” Depois de nos falarmos, ela me enviou um email com uma das suas frases prediletas de Vance: “Eu o cumprimentaria se não fosse por este tentáculo apertando minha perna.”

Michael Chabon, que não faz parte do tributo, tinha 12 ou 13 quando leu “The Dragon Masters”. Ele inclui Vance na autêntica tradição americana do que é importante e poderoso, mas pouco reconhecido. “Não é Twain ou Hemingway, é mais como Poe, uma mistura do refinamento europeu com o espírito indômito de fronteira. Consigo ver um marinheiro de uniforme no deque de um navio no Pacífico sul, imaginando o futuro dali a um milhão de anos.”

Chabon contrasta Vance a Tolkien e C.S.Lewis, mestres britânicos com quem “divide a grandiosidade, o impulso de sintetizar uma mitologia para toda uma cultura. Não há nenhum deles em Vance. A engenhosidade de Vance está sempre à vista. São sempre histórias de aventuras, mas também existem quebra-cabeças a serem solucionados. Ele pontua estes 'o que aconteceria se' como um silogismo. Ele é um amante da lógica, como Poe, o engenhoso espírito ianque, aliado ao amor erudito, à pompa e a ostentação. E ele tem um ouvido magnífico para construir belas sentenças.”

A maioria destes leitores era adolescente quando foi apresentada ao primeiro Vance de suas vidas, o que despertou neles uma apreciação para as possibilidades artísticas do uso da palavra.

Quando se trata de literatura, “Adolescente” não quer dizer somente uma prosa chata e sem imaginação que evoca fortes sentimentos em pessoas emocionalmente inexperientes.

“Adolescente” pode significar também uma literatura que inspira as primeiras emoções conscientes de uma sensibilidade literária. Então sim, Vance trabalha exclusivamente os gêneros adolescentes - se sob esta orientação, incluirmos a experiência transformadora de se apaixonar pela primeira vez por uma bela frase.

Vance mora em Oakland Hills, numa casa que ele colocou no chão e a reconstruiu ao longo de anos de forma idiossincrática. Ele possui a reputação de recluso e irritadiço, e encontros entre estranhos em suas histórias, sempre se dão de maneira truculenta.

Enquanto alcançava a entrada de sua casa numa tarde cinzenta de inverno, um cachorro grande latiu com minha aproximação - eu tentava apagar a expectativa irracional de uma troca de diálogos à moda de Vance. Eu diria “Porque persiste escrevendo romances burlescos e sem importância para palermas?” Ele diria: “Sua pergunta é nuncupatória. Estou cansado de ser importunado. Vá embora.”

Porém ele foi gracioso e me brindou com histórias sobre suas aventuras nos mares do sul.
Sentado numa cadeira de balanço à sua mesa, bem agasalhado, com um cobertor nos ombros e um aquecedor junto aos pés. Sua idade avançada o curvou e o fez menor, mas sua voz grave ainda é carregada de autoridade.

Ele passa os dias em sua mesa, ouvindo histórias de mistério no tape-deck (ficou cego nos anos 80), conversando ao telefone, ouvindo ou tocando o jazz tradicional que ele tanto adora.
Em um ponto da minha visita, tocou um ukulele. Também toca, ou tocava, harmônica, washboard (uma espécie de tábua de lavar roupa) kazoo (um instrumento musical que parece um brinquedo) e corneta.

(uma foto antiga de Vance tocando Banjo e Kazoo)

Diferente de muitos de seus personagens, que estão sempre se vangloriando, sua presença é bastante fraterna e ‘pé no chão’. Ele evitou minhas perguntas sobre seus fãs, pessoas como Ursula K.Le Guin, o zilionário da indústria de software Paul Allen e o desenhista de games Gary Gygax, que teve o seu Dungeons and Dragons tremendamente influenciado por Vance.
No entanto explicou com alegria como resgatou uma casa flutuante submersa usando um compressor de ar e oito tambores de 50 galões.

Vance nunca foi rico, mas ganhou o bastante para sustentar sua esposa Norma (que morreu no ano passado, após 61 anos de casamento) e seu filho John, um engenheiro. Juntos viajaram por lugares exóticos - Ilha da Madeira, Tahiti, Cidade do Cabo, Kashimir, onde ficavam em hospedarias baratas o tempo suficiente para Vance escrever outro livro.

'Ficávamos em qualquer buraco desde algumas semanas até meses'
John me disse: 'Ele com sua prancheta, e ela com sua máquina de escrever. Ele escrevia à mão e ela datilografava. O primeiro manuscrito, o segundo, o terceiro.”

Proporcionar uma vida confortável com o trabalho de escritor era imensamente importante para Vance, que nasceu em São Francisco, numa família que passou por momentos difíceis durante sua infância. Ele cresceu durante a Grande Depressão na fazenda de seus avós em Little Dutch Slough, de onde veio seu amor pela vela, sua confiança e apreciação pela ficção de gênero.

Admirava Edgar Rice Borroughs (John Carter of Mars) e disse 'eu esperava na caixa de correio todo mês, ansioso pelo último número de Weird Tales', uma revista popular (pulp) que trazia escritores seminais de fantasia como Lovecraft, Robert E. Howard, C. L. Moore e Clark Ashton Smith.

Vance freqüentou a Universidade da Califórnia, mas sua educação prática como escritor veio da leitura destas revistas e outros autores: a série de livros sobre OZ de L. Frank Baum, Jeffery Farnol e a comédia leve de P. G. Wodehouse, seu herói literário.
Vance parece ter pouco em comum com Wodehouse, ao menos em sua visão da natureza humana.

Os personagens de Vance tendem a possuir uma qualidade sombria, onde a crueldade facilmente aflora. Em “Araminta Station,” o primeiro livro da sua trilogia eco-política, “Cadwal”, Vance zomba ao citar “The Worlds of Man,” um estudo feito pelos viajantes das galáxias Fellows of the Fidelius Institute:
“Em nossas jornadas de um lado a outro da Gaean Reach, nós não descobrimos nada que indicasse que a raça humana, em qualquer parte, tenha se tornado mais generosa, tolerante, gentil ou sábia. Nada, em parte alguma.”

Vance me contou que ele e sua família sempre encontraram bom tratamento e boa companhia em suas viagens, comeram e beberam bem e encheram os olhos com as belezas do mundo.
Então o que teria inspirado esta maldade pandêmica de sua obra?
Ele se recusa a especular, mas seu filho diz: “Acho que veio do tempo que sua família perdeu tudo. Os tempos eram difíceis, as pessoas eram rudes. Meu palpite é que este padrão vem daqueles dias, quando jovem na Califórnia, e na Marinha Mercante.”

Vance tem orgulho de sua habilidade, mas não dá nenhuma importância em falar sobre algum detalhe, indo distante em sua memória e permite assim, transferir quase toda discussão sobre sua escrita, a um breve capítulo ao final.

Jeremy Cavaterra, um compositor que vive em um apartamento colado à casa de Vance, e que ajuda nos cuidados com ele (recrutado por ser um fã antigo, ao ler “The eyes of the Overworld” aos 14 anos de idade) disse sobre esta sua reticência: “Parte disso se deve por ele se sentir como o mágico contando as pessoas como funciona o truque, e parte disso é porque ele escreve pelo sentimento, e não se pergunta sobre isso.”

O conhecido desgosto de Vance em falar sobre si mesmo como um escritor de fantasia pode estar em sua adolescência, quando chegou muito jovem na escola após pular algumas séries. O personagem do jovem desajeitado, com um mundo inventado em sua cabeça é recorrente em sua obra, assim como a cena dos garotos populares atormentando o garoto solitário.

O mais prolífico homicida de seus estranhos sonhos é provavelmente o Príncipe Demônio Howard Alan Treesong. Norma costumava dizer que seu marido era Treesong.
John me contou que seu pai prefere pensar em si mesmo como um Cugel, um pouco menos covarde. Coloque-os juntos, o sonhador Treesong, com o malandro Cugel, e você tem Vance, cuja longa atividade em seu negócio cresceu a partir de uma descoberta juvenil de que se pode transformar sonhos sem valor em arte com propósitos, e esta arte em um holerite.

Agora Jack Vance começou a perder palavras.
Quando se exibiu mostrando seu bar dizendo: 'Vá pegar um uísque para você', ele riu e acrescentou 'Tem uma palavra que não consigo me lembrar. Ela tem um sentido de maestria estética, de controle, mas também de pensar muito em si mesmo'.

Sua velha favorita “punctillo” me veio na cabeça, assim como 'hauter' (arrogância), que aparece 16 vezes em Totality. Mas nenhuma me pareceu exata, então eu nada disse. Durante nossa conversa, ele já havia sumariamente rejeitado várias pessoas, incluindo dois escritores célebres de FC que eu cresci lendo, como imbecil e exibido. Dizer a palavra errada poderia qualificar-me como ambos.

Fui pegar meu drinque, deixando-o pensar sobre a forma exata do buraco que a palavra perdida deixara em sua mente.

Pode não estar perdida para todo sempre.
Pode muito bem aparecer na prosa de Michael Chabon, ou para um dos participantes de 'Songs of the Dying Earth' ou ainda para Ursula K.Le Guin. Talvez até para mim.


The Genre Artist por CARLO ROTELLA (July 19, 2009)
Carlo Rotella é diretor no Boston College.