domingo, 27 de setembro de 2009

Alive in Joburg



Em 2005, o diretor de cinema Neill Blomkamp lançava um curta chamado Alive in Joburg.

O sucesso de crítica e junto ao público, favoreceu ao diretor conseguir um contrato (Sony Pictures) e verba necessária para dirigir o badalado longa District 9, uma clara metáfora ao racismo, utilizando de elementos da Ficção Científica.

Não foi a única incursão de Neill no gênero. No ano seguinte ele filmaria um curta, Tempbot, uma análise sensível em imagens, sobre a relação amorosa entre um estágiário robô e uma colega de escritório

Neill, que nasceu na África do Sul, é documentarista e possui na sua carreira, trabalhos de boa repercussão em festivais, sempre explorando as diferenças, os contrastes entre raças (alienígenas e humanos, negros e brancos), ou de poder (ricos e pobres, patrões e empregados) ou mesmo na mescla de foto-realismo e imagens computadorizadas.

A história de Alive in Joburg se passa nos anos 90 em Johannesburg, lar para refugiados extraterrestres cujas naves imensas (mais de um quilômetro de diâmetro) pairam sobre a cidade.

Ao chegarem em nosso planeta, os visitantes foram bem recebidos e foi permitido que eles (usando bio-trajes) vivessem entre as pessoas. No entanto, pouco a pouco, os extraterrestres foram levados para outras partes da cidade, começaram a cometer crimes para sobreviver e frequentemente acabavam entrando em choque com a polícia.

Em tom de documentário (especialidade do diretor), o filme mostra através de flashes jornalísticos e cenas de rua no estilo câmera-na-mão, a tensão crescente entre humanos e visitantes, principalmente quando se descobre que uma das naves está roubando energia da cidade.

Fica evidente, através das entrevistas, que os visitantes trabalham em sua maioria, quase como escravos e que foram forçados a viver sob péssimas condições. Como o Apartheid ainda existia, os visitantes vivem entre a população negra oprimida.

Uma bela fábula-filme que nos convida a refletir, além de um apelo à compaixão.