domingo, 29 de agosto de 2010

Jorge Luis Borges



Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo (24 de Agosto de 1899 – 14 de Junho de 1986) nasceu em Buenos Aires, Argentina. Filho de uma família de classe média-alta, de pai advogado e mãe professora, cresceu em um ambiente intelectual.

Aos dez anos de idade, Jorge Luis Borges, que vivia enfiado na grande biblioteca da família, já traduzira um conto de Oscar Wilde para o espanhol.

Seu pai sofria de um seríssimo problema de vista e na busca de uma cura para o mal que o retirara de sua profissão, levou a família à princípio para Genebra, posteriormente peregrinando de país em país, sendo assim, boa parte da educação de Borges foi através dos melhores colégios na Suiça e na Espanha.

Na Espanha, Borges começou a participar de movimentos literários modernistas, e escreveu seus primeiros poemas, inspirados no poeta americano Walt Whitman.

A família retornaria para a Argentina em 1921, onde Borges realmente iniciaria sua carreira como escritor profissional, vendendo ensaios, contos e poemas para diversos jornais e revistas. Ainda nesta época, Borges seria apresentado a outro jovem escritor, Adolfo Bioy Casares, que se tornaria seu principal colaborador.

Borges trabalhou também como assistente de biblioteca e escrevia nas horas vagas. Quando Péron foi eleito em 1946, Borges foi demitido e teve que assumir o cargo de inspetor do mercado municipal de Buenos Aires. Apesar de se declarar um anarquista, aceitou resignado a função "menor", por pouco tempo.Nesta época, Borges já era o principal colaborador do maior jornal da Argentina, o Sur.

Sua criação elitista, sua personalidade multi-cultural, e a experiência acumulada de um viajante privilegiado, entravam em choque com a ditadura de extrema nacionalista de Péron.

Incapaz de sustentar-se somente como escritor, Borges (que sofria represálias por conta de seu posicionamento ideológico), ingressou na carreira de professor de Literatura Americana, levado por amigos, e logo recebeu apoio para tornar-se Presidente da Sociedade de Escritores da Argentina (1950-1953). Nesta época, devido a sua amizade com intelectuais do cinema, também passou a escrever roteiros.  

Borges agora podia escrever intensamente, não somente contos, mas poemas, ensaios, críticas literárias, roteiros, resenhas, editou diversas antologias, além de ser um proeminente tradutor de inglês, francês e alemão. Entre outros, traduziu para o espanhol, Edgar Allan Poe, Franz Kafka, Hermann Hesse, Rudyard Kipling, Herman Melville, André Gide, William Faulkner, Walt Whitman, Virginia Woolf, Sir Thomas Browne e G. K. Chesterton. Também foi co-autor de contos, utilizando-se de diversos pseudônimos.

Uma de suas características mais peculiares, era sua maestria em criar narrativas fantásticas, forjando autores e livros fictícios. Seus livros mais famosos, Ficciones (1944) e O Aleph (1949), são coletâneas de contos interligados por sonhos, bibliotecas, labirintos e Deus. Por exemplo, no conto "Tlön, Uqbar, Orbis Tertius", uma enciclopédia é mantida por uma sociedade secreta por gerações, que inventa (como lembra o próprio Borges, "inventar" e "descobrir" são sinônimos em latim) todo um planeta imaginário, com seus idiomas, sua física, sua política, ciências e cultura.

Já bastante afetado pelo problema de visão (herdado de seu pai), Borges receberia seu primeiro grande prêmio literário nacional, assim como muitas outras honrarias. Em pouco tempo, já praticamente cego (se recusava a aprender o sistema Braille), passaria a depender de sua mãe, de quem sempre foi muito próximo, para servir-lhe como secretária particular.

Seus estudiosos atribuem a sua progressiva cegueira, sua faculdade extraordinária em fazer surgir novos símbolos literários através da imaginação, já que "os poetas, como os cegos, podem ver no escuro". 
 
A fama internacional de Borges teve seu auge nos anos 60, graças aos seus livros traduzidos para a lingua inglesa (a colaboração com seu tradutor para o inglês, Norman Thomas di Giovanni foi fundamental para isso), o reconhecimento de seu talento tomou proporções ainda maiores; recebendo as maiores condecorações possíveis para um escritor, desde títulos ('Commendatore', O.B.E., Legion of Honour) a prêmios (Prêmio Cervantes, Prêmio Formentor, este dividido com ninguém menos que Samuel Beckett).

Borges continuava a publicar com certa frequência até que em 1975, sua mãe veio a falecer, e Borges inicia uma série de viagens pelo mundo, afastando-se gradativamente das letras. Morreria em 1986 de câncer, em Genebra, cidade para a qual escolheu voltar, e onde foi sepultado.

 Borges por Borges:


"Exageraram o valor de meus livros. Porém alguma coisa pode-se salvar. Como todos os escritores escrevi centenas de páginas para se salvar uma linha..."


"não tem uma página minha, por mais descuidada e espontânea que seja, que não tenha exigido vários e vacilantes rascunhos"


"Se recuperasse a visão, não sairia desta casa, ficaria lendo os muitos livros que estão aqui, tão perto e tão longe de mim, ficaria lendo."
"Penso a leitura como um ato criativo. Porém, repito, a emoção é necessária: sem emoção não se pode escrever. O importante é sonhar e ser sincero com o sonho quando se escreve, ou seja, somente contar fábulas nas quais se acredita. Isto viria a ser a sinceridade literária, e o único dever do escritor: ser fiel aos seus sonhos, não às meras circustâncias".


"Sou um homem de letras, nada mais. Não estou certo de ter pensado nada de original em minha vida. Sou um fazedor de sonhos." 


Jorge Luis Borges ( Utopia de un hombre que está cansado, There are more things, Las ruinas circulares, La loteria de Babilonia, La Biblioteca de Babel, Libro del cielo y del inferno e Antologia de la literatura fantastica (ambos com Bioy Casares), The Babylon Lottery, Obra Completa Vol. I e II, Livro dos Sonhos, Escrita Atemporal, El libro de los seres imaginarios, El Aleph, El Disco, Manual de Zoologia Fantástica, Tlõn Uqbar, Orbis Tertius ) [ Download ]