quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Tales of Future Past



Há pouco tempo atrás tínhamos um futuro.

Quero dizer, nós temos um agora, o mundo não vai colidir com o Sol ou qualquer coisa assim.

O que quero dizer é que tínhamos um futuro que podíamos claramente imaginar.

O futuro não era amanhã, na próxima semana, no próximo ano ou no próximo século.

Era um lugar com uma forma, uma estrutura, um estilo. É verdade que nós não sabíamos exatamente o que o futuro seria, mas nós sabíamos que tinha que ser uma destas poucas alternativas, algumas boas, outras nem tanto.

O futuro era um mundo com uma arquitetura distinta. Ele tinha sua própria maneira de nos falar. Ele tinha sua própria tecnologia. Para todos os efeitos, era uma terra diferente, onde as pessoas se vestiam de maneira diferente, falavam diferente, comiam de maneira diferente, e mesmo o pensamento era diferente. Os cientistas eram magos, as máquinas eram magicamente eficazes e eficientes, onde os tiranos eram ao menos romanticamente malvados, e não banais, e onde os céus eram um parque onde os sonhos podiam literalmente se tornar realidade.

Alguns anos atrás as pessoas falavam sobre a construção de uma ponte para o século 21. Agora que estamos lá, a frase parece tão estranha. Para as pessoas da minha geração, que viveram as promessas da Era Atômica, da Era Espacial, da Era do Computador, o ano de 2001 era uma porta para outro tempo.

Esperamos vinte, trinta, quarenta anos e alguns mais para passar por ela, para o tempo de naves espaciais do tamanho de transatlânticos viajando entre planetas colonizados, onde as cidades eram coloridas, sem um único edifício antigo ou uma folha de grama, onde as pessoas vestiam macacões como se fossem as togas de uma Roma tecnocrática, onde os robôs eram nossos poderosos servos obedientes, e onde mochilas voadoras eram tão comuns como galochas.

Cara, como estávamos errados.

Não eram simplesmente as previsões que estavam erradas. Ninguém com metade de um cérebro realmente esperava que esse tipo de coisa fosse acontecer. E é verdade, apesar de algumas destas maravilhas não acontecerem, outras que não foram previstas aconteceram.
Certamente vivemos vidas muito diferentes dos nossos pais e avós, isso não está em questão, mas...

Supondo que escapássemos de 1984 e do Admirável Mundo Novo, o nosso futuro era para ser uma espécie de tecnocracia atômica, controlada por computadores, anti-séptica, viajaríamos para achar Jerusalém no espaço, e que finalmente nos libertaria da maldição do Éden e do original pecado. Nós esperávamos de alguma forma, de alguma maneira, estarmos no caminho da libertação da condição humana.

Esperavamos uma Revolução Francesa benigna com Hugo Gernsback como o nosso Voltaire e Carl Sagan como o nosso Robespierre. E o que temos? Tivo.

O fato é que a ficção científica e a ciência popular tinham elevado tanto as nossas expectativas que só uma Segunda Vinda com armas de raios, teria nos deixado satisfeitos.

Ainda assim, havia uma inocência romântica sobre a visão do século 20 do futuro.
Uma espécie de Camelot de plástico, em ambos os sentidos do termo.

Então pegue sua mochila voadora, engatilhe o seu Blaster e sintonize a Videotron numa turnê pelo Future Past!