quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

As Terras de Elyon - Livro I - As Montanhas Misteriosas - Patrick Carman



Fechei o livro e segurei-o na mão.

— Não se saiu nada mal — comentei. Era um costume meu, falar assim com os autores; de alguma forma isso tornava-os mais reais. — As tuas viagens estão prestes a incluir um vôo até o fundo de um assustador poço negro. — Segurei o livro sobre a abertura e larguei-o, lançando o Cabeza de Vaca num vôo de queda livre na escuridão.

O livro levou muito mais tempo do que eu esperava para atingir o fundo. Não sendo cientista, faltava-me a capacidade de calcular o tempo, a velocidade e a profundidade, por isso só podia adivinhar que o fundo do buraco ficaria a cerca de uns nove assustadores metros. Não fazia a mínima idéia do que iria descobrir lá no fundo. Talvez houvesse mesmo um gigante adormecido, à espera de uma jovem saborosa para lhe aconchegar o estômago.

Virando-me, percorri a biblioteca com os olhos. O falcão ainda estava lá, mas os gatos tinham desaparecido. Levantei-me e tentei assustar o pássaro, agitando os braços no ar e batendo com os pés no chão. Porém, a ave permaneceu imóvel e em silêncio, com os olhos fixos nos meus mais insignificantes movimentos.

A seguir pus-me de cócoras, enfiei a mão no meio do escuro e tirei a candeia do prego. O vidro que protegia o pavio estava colado e tive de fazer força para conseguir tirá-lo. Molhei o pavio com óleo do recipiente e parti dois fósforos antes de conseguir acender um terceiro. Tendo resolvido o problema da iluminação, voltei novamente a minha atenção para o túnel.

A brisa sinistra e escura continuava a sentir-se, fazendo tremelicar a minha candeia, que projetava sombras nas paredes. Balancei os pés para o outro lado e apoiei-os na escada. Depois entrei pela abertura e agarrei-me com a mão esquerda ao degrau de cima. Pegando na candeia com a outra mão, pendurei-a no velho prego enferrujado. Só me restava fazer uma coisa: fechar-me lá dentro para que ninguém descobrisse onde tinha me metido. Ainda pendurada na escada, meti novamente uma das mãos na biblioteca, agarrei na perna da cadeira e dei-lhe vários puxões. Tendo colocado a cadeira no seu lugar, puxei a porta secreta até ouvir um clique fechando-a do lado de dentro.

Do lado de dentro o fecho era simples de usar, mas acionei-o várias vezes para ter certeza de que funcionava. Depois peguei na candeia e desci-a o máximo que consegui, voltando a pendurá-la no quinto degrau. Fui repetindo este processo até pisar um chão de terra, vinte e nove degraus abaixo.

Olhando para cima, via o mesmo que vira ao olhar para baixo: apenas a alguns metros acima, a luz diluía-se num céu negro e sem estrelas. Havia paredes em três lados e um túnel que seguia para oeste, debaixo da biblioteca, em direção às montanhas. O livro que tinha atirado para a escuridão jazia no chão.

O Cabeza de Vaca tinha caído de mau jeito e, ao que parecia, tinha agora em minha posse dois livros que precisariam dos cuidados de Grayson. Estava destruindo livros a um ritmo assustador.



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