domingo, 6 de fevereiro de 2011

Jack London



John Griffith Chaney (12 de Janeiro de 1876 - 22 de Novembro de 1916) nasceu em um bairro operário de São Francisco (EUA).

Escritor, jornalista e ativista social, Jack London foi um dos primeiros romancistas a obter celebridade mundial, além de uma grande fortuna.

Dotado de um estilo próprio, vigoroso, sintético (dizer muito com poucos vocábulos), amante da aventura e dono de uma grande sensibilidade artística, London em apenas 14 anos, escreveu 43 livros, além de centenas de contos, artigos e reportagens.

Filho de um escritor e marinheiro que ganhava a vida como astrólogo, e de uma professora de música e médium (que alegava receber o espírito de um chefe indígena), Chaney ao nascer foi logo entregue aos cuidados da ex-escrava Virginia Prentiss (sua mãe acabara de tentar um mal sucedido suicídio), e que seria uma figura materna fundamental por toda a vida. Antes de completar um ano de vida, sua mãe se casaria com John London, um viúvo, veterano da Guerra da Secessão e chefe de ferrovia.

London era essencialmente um autodidata. Lia sem parar tudo que aparecia, e segundo ele, este seria o segredo de seu sucesso literário. Apesar de terminar os estudos obrigatórios na escola (com destaque como orador), o jovem London não pode comparecer a formatura, por não possuir roupas adequadas.

A verdadeira paixão de sua vida eram os livros. Leu 'Uma vida' de Garfield, e 'Viagens Africanas', de Paul de Chaillu, e 'Signa', de Ouida, história que Jack havia de reproduzir, em linhas gerais, em sua própria vida, pois descreve como um menino italiano sem educação formal, alcançou a fama como um compositor de ópera.

Aos 11 anos já trabalhava como jornaleiro, aos 14 passava o dia na fábrica de enlatados Hickmott's (seu padrasto, ferido em um acidente de trem, estava preso a uma cama, inválido, sem poder prover financeiramente a família).

Com dinheiro emprestado de sua mãe adotiva negra, comprou uma chalupa (pequeno barco a vela) de um pirata de ostras chamado French Frank, e se se tornou ele próprio um pirata de ostras, pilhando os bancos de ostras particulares e vendendo as ostras nas docas. Após alguns meses, o barco ficou avariado, mas graças as suas novas amizades, London foi contratado como membro da Patrulha Pesqueira da Califórnia.

Depois de ter lido Moby Dick, de Herman Melville, se alistou para embarcar numa expedição em um veleiro americano de pesca de focas, percorrendo Coreia, Japão e Sibéria,. Ao retornar aos EUA, porém, deparou-se com a crise trabalhista e foi demitido.

Em Okland, sua mãe mostrou-lhe um anúncio do jornal San Francisco Call, sobre um concurso literário que oferecia um prêmio em dinheiro ao primeiro colocado. Jack sentou-se à mesa da cozinha e começou a escrever 'Typhoon off the Coast of Japan' (‘Tufão nas costas do Japão’), que contava sua experiência da viagem recente. Ganhou o prêmio: vinte e cinco dólares! Entusiasmado, continuou a escrever e a enviar originais para revistas, que entretanto, lhe foram devolvidos sem publicar. Assim sendo, voltou a trabalhar temporariamente como foguista na usina elétrica de Oakland.

Era o início dos movimentos trabalhistas na costa oeste, e London, de novo desempregado aos 19 anos, se uniu à marcha de protesto de trabalhadores, ao mesmo tempo em que começou uma vida como andarilho, passando a fazer viagens de trem como clandestino, o que o levaria a cumprir um mês de prisão em Niágara Falls, por vadiagem.

O episódio do encarceramento, a experiência de perder sua preciosa liberdade, criou nele a determinação de abandonar a pobreza.

Matriculou no Ginásio Oakland, tomou gosto por escrever artigos diversos para o jornal acadêmico, o Aegis. Embora quisesse cursar a Universidade da Califórnia, circunstâncias financeiras forçaram-no a abandonar os estudos e ele nunca se formou. Neste período, em Berkeley, London procurou e encontrou um jornal com a notícia sobre a tentativa de suicídio de sua mãe e descobriu posteriormente, através de uma troca de cartas, que seu pai biológico não era quem ele pensava ser.

Abalado com a descoberta, aos 21 anos, ele e seu amigo James Shepard, embarcaram na Corrida do Ouro do Klondike, que se tornaria o cenário de suas primeiras histórias de sucesso. Esta passagem nas lavras de ouro, não lhe rendeu o dinheiro esperado, mas escorbuto, além de é claro, mais material para contos como ‘To Build a Fire’ (A fogueira), que muitos críticos consideram o seu melhor.

De volta a Califórnia em 1898, London começou a escrever deliberadamente para ser publicado. Segundo ele, sua única esperança de escapar da pobreza, era se educar e 'vender seu cérebro'.

Sua primeira história publicada foi ‘To the Man On Trail’, frequentemente incluída em antologias. Mas nem tudo era perfeito para o jovem escritor. Quando o jornal The Overland Monthly ofereceu somente cinco dólares por sua história, e demorou a pagar-lhe, London quase desistiu de seguir a carreira. Em suas palavras: 'Fui salvo literalmente e literariamente, quando a revista The Black Cat aceitou 'A Thousand Deaths', pagando 40 dólares'.

London teve a sorte de escolher o momento de iniciar sua carreira de escritor. Na época, novas tecnologias possibilitaram o surgimento de revistas de baixo custo. Isso resultou em uma explosão de revistas populares voltadas para o grande público, e um mercado enorme para contos. Em um ano ganhou aproximadamente 2.500 dólares somente escrevendo, uma fortuna para a época, considerando que um bom salário na época, não excedia 60 dólares ao mês.

Em janeiro de 1903, Jack London entregou o manuscrito concluído da primeira de uma série de histórias sobre o Alaska, 'The Call of the Wild' (Chamado selvagem) ao The Saturday Evening Post. A história tinha como personagem um cão mestiço de São Bernardo com Pastor escocês, chamado Buck, inspirado em um cão seu.
 
Agora com uma carreira lucrativa, London casou-se com Elizabeth Maddern no mesmo dia em que 'The Son of the Wolf' (‘O filho do lobo’) foi publicado. Sua primeira filha, Joan, nasceu um ano depois (e Becky no ano seguinte). O temperamento de London porém, levaria-o ao divórcio e, sem perder tempo, ao segundo casamento.

Em 1905, London comprou por 26 mil dólares, um rancho de 1.000 acres chamado Glen Ellen, no condado de Sonoma, Califórnia. Escreveu: ‘Juntamente com minha esposa, o rancho é a coisa que mais prezo neste mundo.’

Ele tentou desesperadamente fazer do rancho um empreendimento comercial bem-sucedido. Escrever se tornara mais ainda, um meio para um fim: ‘Escrevo com nenhum outro propósito senão fazer crescer a beleza que agora pertence a mim. Escrevo um livro por nenhum outro motivo que não seja acrescentar três ou quatro centenas de acres à minha magnífica propriedade.’

Após 1910, seus trabalhos literários eram, na maioria, escritos para atender à necessidade de receita para o rancho, que acabou sendo um enorme fracasso econômico e que o obrigou a regressar a produção em série de livros e contos de aventuras e viagens, como 'Lost Face', 'Burning Daylight', 'Smoke Bellew', 'The Cruise of the Snark', 'When God Laughs', 'Adventure', 'South Sea Tales', 'A Son of the Sun' e 'The House of Pride'.

A vida de Jack London sempre fora uma montanha russa de altos (muito altos) e baixos (muito baixos), e a desgraça seguinte seria perder sua bela mansão, por conta de um incêndio possivelmente criminoso.

Como se não bastasse, London enfrentava com freqüência, processos de plágio, não somente por ser um escritor conhecido e rico, mas também por causa de seus métodos de trabalho. Em uma carta, declarou: ‘expressar para mim é mais fácil que inventar’. London comprava enredos e romances de jovens autores e utilizava também de incidentes recortados de jornais, como material para seus textos, sem dar devido crédito às fontes.

Alguns de seus melhores contos foram deste período difícil, como um romance de ficção científica chamado 'The Scarlet Plague' (1915). Contudo, a sua obra mais extraordinária em termos de imaginação neste período foi o romance sobre viagens no tempo, 'The Star Rover' (traduzido no Brasil como ‘O andarilho das estrelas’).

Dívidas, uma falha renal que lhe provocava dores intensas, alcoolismo e o medo de perder a sua criatividade o assombravam nos últimos dias de vida. London morreu na varanda de seu rancho em Glenn Ellen, sendo possível que uma overdose deliberada de morfina tenha sido a causa, tal qual seu conto ‘The Little Lady of the Big House’, onde a heroína, sofrendo a dor de um tiro mortal, comete suicídio com morfina.

Sobre ele, escreveu L.E.Doctorow para o New York Times:
‘Jack London nunca foi um pensador original. Ele devorara o mundo, física e intelectualmente... era o tipo de escritor que encontra uma idéia e a dilata a partir de sua psique. Era um operário genial da literatura, que sabia instintivamente que ela era uma generosa anfitriã, sempre com espaço para mais um à sua mesa’.

Fórum brasileiro sobre Jack London



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