sábado, 23 de abril de 2011

Os Genocidas - Thomas Disch (Parte 7)



SEIS
Ação de Graças

Nuvens cinzentas estavam se concentrando acima.
O chão estava seco, nu, cinzento, sem grama, sem árvores, só as plantas, dobrando para o inverno, como guarda-sóis, cresciam aqui.
A luz, sem brilho outonal enfraquecida às vezes, e uma brisa passava pelo parque, trazendo poeira.

Sentado na mesa de piquenique de concreto em bancos frios, uma pessoa poderia ver a sua própria respiração. As mãos nuas dormentes e duras de frio. Por todo o parque, as pessoas exercitavam seus dedos congelados dentro de seus sapatos e desejavam que Anderson terminasse logo a oração.

Em frente ao parque estava o que restou da Igreja Congregacional.
Anderson não tinha deixado que seu próprio povo canibalizasse a madeira da igreja, mas no último inverno saqueadores tinham arrancado as portas para usar de lenha e quebrado as janelas para se divertir. Os ventos tinham enchido a igreja de neve e poeira, e na primavera o chão de carvalho tinha sido coberto com um tapete verde de plantas jovens.
Felizmente, ele descobrira a tempo (pelo o qual eles deveriam ser gratos), mas mesmo assim o chão, provavelmente em breve sofreria o colapso de seu próprio peso.

Buddy, vestindo seu único terno, tremia com a oração se arrastando lenta. Anderson, em pé na cabeceira da mesa, também vestindo um terno para a ocasião, mas Neil, sentado no lado esquerdo de seu pai em frente a Buddy, nunca tinha possuído um terno. Ele de camisa de lã e jaqueta jeans, estava invejavelmente confortável.

Era costume da gente da cidade, como expatriados que voltavam para casa em breves visitas para estabelecer a sua residência de posse, celebrar todas as festividades, exceto Natal, aqui no parque da cidade velha. Devido as tantas coisas desagradáveis e desanimadoras que tiveram que fazer, aquilo era necessário para a sua moral.

Anderson, tendo finalmente estabelecido o princípio de que o Deus Todo-Poderoso foi responsável por suas múltiplas bênçãos, começou a enumerá-las. A mais notável dessas bênçãos nunca foi diretamente referida de que, após sete anos e meio, eles estavam todos vivos (todos os que estavam), enquanto muitos outros, a grande maioria, estava morta. Anderson, porém, se ocupava em bênçãos mais periféricas, relativas a esse ano: a abundância da colheita, a saúde de Gracie em seu décimo mês com bezerro (não referindo-se às perdas associadas), as duas últimas ninhadas de porcos, e os caçadores terem voltado para casa com caça. Infelizmente, esta tinha sido pouca (um cervo e vários coelhos), uma nota mal-humorada, ao final da oração.

Anderson logo chegou ao fim, agradecendo o seu Criador pela riqueza de sua criação e seu grande Salvador pela promessa da Salvação.
Orville foi o primeiro a responder. Seu amém era reverente e ao mesmo tempo viril. Neil resmungou alguma coisa como o resto deles e estendeu a mão para a jarra de uísque (aquilo que chamavam de uísque), que ainda estava três quartos cheia.
Senhora e Flor, que estavam sentadas junto da cabeceira da mesa mais próxima da churrasqueira, começaram a servir a sopa. Tinha leve sabor de coelho e temperada com ervas do lago.

"Mande ver!" Disseram alegremente. "Há muito mais chegando."
O que mais você poderia dizer em Ação de Graças?
Já que era um feriado importante, toda a família reunira-se, em ambos os lados da mesa. Além dos sete Andersons, estavam Mae, a irmã mais nova da Senhora, o marido Joel Stromberg, ex-Lakeside Stromberg's Resort Cabanas, e os dois pequenos Strombergs, Denny, de dez anos, e Dora, de oito. Além destes os “convidados especiais” dos Andersons (ainda em liberdade condicional), Alice Nemerov RN, e Jeremias Orville.

Senhora não podia fazer nada a não ser lamentar a presença dos Strombergs, pois ela tinha certeza de que Denny e Dora só a fariam lembrar do marido, ausente da mesa. Aquele ano não tinha sido amavel com a sua irmã querida. Mae, admirada pela beleza em sua juventude
(Embora provavelmente não no mesmo grau que Senhora tinha sido), mas aos quarenta e cinco anos ela era uma mulher desmazelada e uma encrenqueira. Na verdade, ela ainda tinha o cabelo vermelho-fogo, mas que apenas apontava para a decadência do que permaneceu. A única virtude que restava era que ela era uma mãe solícita. Demasiado, Lady pensava.

Senhora que sempre odiou feriados. Agora, quando não havia nem mesmo a gula do ritual de um jantar com peru para aliviar a tristeza sob a aclamação do feriado, a única esperança era terminar o mais rapidamente possível.
Estava agradecida, pelo menos, por estar ocupada com o serviço. Se fosse cuidadosamente desleixada, poderia sair de perto.

"Neil," Greta sussurrou. "Você está bebendo demais. É melhor você parar."
"Hã?" Neil respondeu, olhando para a esposa (ele tinha o hábito, quando comia, de se inclinar sobre o seu alimento, especialmente se fosse sopa).
"Você está bebendo demais".
"Eu não estava bebendo, pelo amor de Deus!", Disse ele, para a platéia inteira ouvir. "Eu estava comendo minha sopa!"

Greta levantou os olhos para o céu, um mártir da verdade. Buddy sorriu transparecendo seu propósito, e ela pegou o seu sorriso. Houve um lampejo de cílios, nada mais.

"Em qualquer caso, não é problema de vocês o quanto eu bebo ou não bebo. Eu vou beber tanto quanto eu quero. "Para demonstrar isso, serviu-se de um pouco mais da bebida destilada a partir do bagaço das folhas da Planta. Não possuía o gosto de Jim Beam, mas Orville era testemunha da sua pureza por sua própria experiência em Duluth. Fora a primeira utilização, como alimento, que Anderson tinha encontrado para as plantas, e desde que ele não era um abstêmio, deu sua benção ao projeto. Anderson franziu as sobrancelhas pela forma que Neil enchia a cara, mas não disse nada, não querendo que pensassem que ele estivesse tomando as dores de Greta. Anderson acreditava firmemente na supremacia do sexo masculino.

"Alguém quer mais sopa?" Flor perguntou.
"Eu" disse Mary Ann, que estava sentada entre o marido e Orville. Ela comia tudo o que podia agora, por causa do bebê. Por seu pequeno Buddy.
"E eu também", afirmou Orville, com aquele sorriso especial dele.
"Eu também", disse Denny e Dora, cujos pais lhes tinham dito que poderiam comer tudo durante o jantar, que Anderson estava oferecendo.
"Alguém mais?"

Todo o resto tinha se voltado para o uísque, que tinha se provado desagradavel como licorice.
Joel Stromberg estava descrevendo o progresso de sua doença para Alice Nemerov RN.
"E isso realmente não doi, essa é a coisa mais engraçada. E sempre que eu quero usar as minhas mãos elas começam a tremer. E agora a minha cabeça da mesma maneira. Alguma coisa tem de ser feito."
"Temo, Sr. Stromberg, que nada possa ser feito. Costumava haver algumas drogas, mas mesmo elas não funcionam muito bem. Seis meses, e os sintomas reaparecem. Felizmente, como você diz, não doi."
"Você é uma enfermeira, não é?"

Ele ia ser um desses! Muito cuidadosamente, ela começou a explicar tudo o que sabia sobre a doença de Parkinson, e algumas coisas que ela não sabia. Se ela pudesse envolver mais alguém na conversa! A outra única alma próxima era o menino Stromberg roubando bebidas dos outros copos (o gosto ruim foi o suficiente para Alice) sentado diante o prato vazio de Senhora.
Se Senhora ou Flor pudessem parar de servir comida e sentar-se por um minuto, ela poderia escapar do hipocondríaco intolerável.

"Diga-me," ela disse, "quando tudo começou?"

Os peixes foram comidos, e Flor começou a recolher os restos. O momento que todos estavam esperando, o momento terrível não poderia ser mais adiado. Enquanto Flor trazia o prato de polenta fumegante na qual foram jogados poucos fragmentos de frango e de legumes, a Senhora distribuía as salsichas.
Um silêncio caiu sobre a mesa.

Cada um deles tinha uma única salsicha. Cada salsicha tinha cerca de nove centímetros de comprimento e três quartos de polegada de diâmetro. Eles haviam sido grelhada sobre o fogo e chegou à mesa ainda chiando.
Tinha alguma carne de porco nelas, Alice tranquilizou-se.
Provavelmente não seriam capazes de dizer a diferença.

A atenção de todos voltou-se para a cabeceira da mesa.

Anderson ergueu a faca e garfo. Então, ciente da solenidade do momento, ele cortou um pedaço de salsicha quente, colocou em sua boca, e começou a mastigar. Depois do que pareceu um minuto inteiro, ele engoliu.
Pela graça de Deus… Alice pensou.
Flor estava muito pálida, e debaixo da mesa Alice alcançou a sua mão para emprestar a sua força, apesar de Alice não se sentir tão bem assim...

"O que todo mundo está esperando?" Anderson reclamou. "Tem comida na mesa."

A atenção de Alice se desviou para Orville, que estava sentado ali com a faca e o garfo na mão, e aquele sorriso estranho dele. Ele pegou Alice fitando-o e piscou para ela. Por tudo que era sagrado! Seria para ela? Orville cortou um pedaço da salsicha, e mastigou com gosto. Ele sorriu otimista, como um homem em um anúncio de creme dental.

"Sra. Anderson" ele disse: "você é uma cozinheira maravilhosa. Como você faz isso? Eu não tive um jantar de Ação de Graças assim desde Deus sabe quando."

Alice sentiu os dedos de Flor relaxar e largá-la. Ela está se sentindo melhor, agora que o pior já passou, pensou Alice.  Mas estava errada. Houve um barulho forte, como quando um saco de farinha ao cair ao chão, e Mae Stromberg gritou. Flor tinha desmaiado.

Ele, Buddy, não devia ter permitido isso, muito menos ter dado a idéia  e insistido nisso, mas muito provavelmente ele, Buddy, não teria sido capaz de manter à aldeia através desses sete anos infernais. Primitivo, pagão, sem precedentes, como era, havia uma lógica para isso.
Isso. Estavam todos com medo de chamar pelo seu nome correto. Mesmo Buddy, na privacidade inviolável de seu próprio conselho, evitou a palavra para isso.
A necessidade pode ter alguma justificativa. Havia todo um amplo precedente (O banquete Donner, o naufrágio da Medusa), e Buddy teria não teria que ir mais longe do que isso para arranjar uma desculpa, se eles estivessem famintos.

Além da necessidade, explicações podiam ser elaboraradas particularmente pela metafísica. Assim, metafisicamente, nesta refeição a comunidade estava unida por um complexo vínculo, o ponto central pelos quais os elementos uniam-se na cumplicidade do assassinato, cumplicidade alcançada por um ritual tão solene e misterioso como o beijo com o qual Judas traiu Jesus Cristo, um sacramento. O mero horror incluso da tragédia, e o almoço de Ação de Graças da cidade foi o crime e a expiação, por assim dizer, de um só golpe.

Apesar da teoria, Buddy em seu coração, não sentia nada além do horror, o horror apenas, e nada em seu estômago senão a náusea.
Bebeu outro gole firme do álcool com sabor de alcaçuz.
Neil, tinha terminado com sua segunda salsicha, começou a contar uma piada suja. Todos, com exceção de Orville e Alice, tinham ouvido-o contar a mesma piada no almoço de Ação de Graças passado. Orville foi o único a rir, o que piorou a situação ao invés de melhorar.

"Onde diabos está o veado?" Neil gritou, como se  naturalmente, fosse a continuação do desfecho da piada.
"O que você está falando?" perguntou o pai. Anderson, quando bebia (e hoje ele quase equiparava a Neil), alterava-se. Em sua juventude ele tinha uma reputação como um brigão depois da oitava ou nona cerveja.
"O veado, por amor de Cristo! O cervo! Eu atirei noutro dia! Não vamos ter um veado? Que raio de Ação de Graças é essa?"
"Neil" Greta repreendeu: "Você sabe que tem que ser salgado para o inverno. Haverá pouca carne até lá."
"Bem, onde estão os outros veados? Três anos atrás, as florestas estavam repletas de veados. "
"Estive pensando sobre isso mesmo", afirmou Orville, e novamente foi David Niven ou, talvez, um pouco mais sombrio, James Mason. "A sobrevivência é uma questão de ecologia. Isso é como eu explico. Ecologia é a maneira das plantas e animais diferentes viverem juntos. Ou seja, quem come quem, o veado... e tudo mais, eu temo, estão se tornando extintos."

Houve um silêncio, mas perceptível suspiro de diversas pessoas na mesa que tinham também pensado o mesmo, mas nunca ousaram dizer na presença de Anderson.

"Deus proverá", Anderson contrapôs sombriamente.
"Sim, deve ser a nossa esperança, para a Natureza por si só, não. Basta considerar o que aconteceu com o solo. Isto costumava ser o solo da floresta . Olhe para ele!" Pegou um punhado de pó cinzento no chão. "Poeira. Em alguns anos, sem grama para segurá-lo, cada centímetro do solo irá dar no lago. O solo é uma coisa viva. Está cheio de insetos, vermes, e não sei o quê."
"Toupeiras", Neil colocou.
"Ah, toupeiras!" disse Orville. "E todas aquelas coisas que vivem sob as plantas e nas folhas em decomposição no solo ou dependem delas, da mesma maneira que fazemos. Você já deve ter notado que as Plantas não perdem as folhas. Assim, exceto onde plantamos, o solo está morrendo. Não, ele já está morto. E quando o solo está morto, as plantas, as nossas plantas não serão capazes de viver novamente. Não do jeito que costumavam."
Anderson bufou seu desprezo por tão absurda noção.
"Mas veados não vivem no subsolo!" Neil opôs.
"É verdade, eles são herbívoros. Herbívoros precisam comer grama. Por um tempo, eu suponho que possa ter vivido das plantas jovens surgindo perto do lago, ou então, como coelhos, podem comer a casca das plantas mais velhas. Mas nem isso serve como uma dieta nutricionalmente adequada, ou não foi suficiente ou... "
"Ou o quê?" Anderson exigiu saber.
"Ou a vida selvagem está sendo eliminada da maneira como suas vacas foram no último verão, do jeito que Duluth foi, em agosto."
“Não pode prová-lo!" Neil gritou. "Eu vi montes de cinzas nas florestas. Eles não provam nada. Nada!" Ele tomou um longo gole da jarra e levantou-se, acenando com a mão direita para mostrar que não podia ser provado. Ele não estimou a posição ou a inércia da mesa de concreto muito bem, de modo que,
vindo de encontro a ela, bateu de volta ao seu assento e em seguida, puxado pela gravidade para o chão. Rolou na lama cinza, gemendo.
Tinha se machucado.

“Ele está bêbado!” Greta cacarejou desaprovando, e levantou-se da mesa para ajudá-lo.
"Deixe-o!" Anderson disse.
"Perdão!" ela declamou grandiosamente. "Desculpe-me por viver."
"De que cinzas ele estava falando?" Orville perguntou a Anderson.
"Eu não tenho a menor idéia" disse o velho. Tomou um gole do jarro e lavou sua boca com aquilo. Então deixou escorrer-lhe a garganta, tentando esquecer o sabor concentrando-se no efeito dela.
O pequeno Denny Stromberg se inclinou sobre a mesa e perguntou a Alice Nemerov se ela ia comer mais de sua linguiça. Ela tinha comido apenas uma única mordida.
"Não" Alice respondeu.
"Posso comer então?" perguntou ele. Seus olhos verdes azulados brilhavam do licor que ele tinha ingerido durante toda a refeição. Caso contrário, Alice estava certa, seus olhos não iriam brilhar. "Por favor?"
"Não perturbe Miz Nemerov, Denny. Ele não quis ser rude. Não é querido?"
"Pode comê-la" disse Alice empurrando a lingüiça fria no prato do menino.
Coma e que se dane, pensou.
Mae tinha acabado de observar que eles eram treze à mesa. ". . . por isso, se você acredita nas superstições antigas, um de nós vai morrer antes do fim do ano", ela concluiu com um riso alegre, ao qual apenas se juntou seu marido.
"Bem, eu acredito que está ficando muito frio", acrescentou ela, levantando as sobrancelhas para mostrar que suas palavras tinham mais do que um significado único.
"Mas o que esperar, já que é final de novembro?"
Ninguém parecia esperar qualquer coisa.
"Sr. Orville, me diga, você é nativo de Minnesota? Pergunto por causa do seu sotaque. Parece inglês, se entende o que eu quero dizer. Você é americano?"
"Mae, que coisa!" Senhora repreendeu-a.
"Ele fala engraçado. Denny notou isso também."
"Sério?" Orville olhou para Mae Stromberg atentamente, como se quisesse contar cada cabelo crespo vermelho, e com o estranho sorriso.
"Isso é estranho. Fui criado toda a minha vida em Minneapolis. Acho que é apenas a diferença entre a cidade e o interior."
"E você é uma pessoa da cidade, de verdade, tal como o nosso Buddy. Eu aposto que você queria estar lá agora, né? Eu conheço o seu tipo." Ela piscou lasciva para indicar o tipo que era.
"Mae, pelo amor de Deus"
Mas Denny teve sucesso onde Senhora não pode, em fazer a Sra. Stromberg parar. Vomitou tudo sobre a mesa. Os respingos salpicaram as quatro mulheres ao redor dele - Senhora, Flor, Alice, e sua mãe e houve uma grande comoção ao tentarem escapar do perigo que era a boca de Denny. Orville não podia ajudar a si mesmo, e riu. Ele foi acompanhado, felizmente, por Buddy e pequena Dora, cuja boca estava cheia com salsicha. Mesmo Anderson fez um barulho que poderia caridosamente ser interpretado como riso.

Buddy desculpou-se e Orville fez mais elogios para o cozinheiro e um gesto quase imperceptível para a direção de Flor que, no entanto, Flor percebeu. Stromberg levou seu filho para a floresta, mas não longe o suficiente para impedir que o resto deles ouvisse as chicotadas.
Neil dormia no chão.
Maryann, Dora, e Anderson ficaram sozinhos na mesa. Maryann ora chorando e ora não, o dia todo. Agora, uma vez que ela também bebera, começou a falar: "Ah, eu lembro do tempo...".
"Perdoe-me", disse Anderson deixando a mesa, e levando a jarra com ele.
"...nos velhos tempos", Maryann continuou. "Era tudo tão bonito, o peru e a torta de abóbora, e todo mundo feliz...".

Greta, depois de sair da mesa, tinha ido vagar pela igreja. Antes de desaparecer no vestíbulo escuro, ela e Buddy haviam trocado um olhar e Buddy fez um sinal com a cabeça afirmativamente. Quando o jantar acabou, ele seguiu para lá.

"Olá estranho!" Aparentemente, ela insistia nesta jogada permanentemente.
"Olá, Greta. Você está em forma hoje."

No vestíbulo, eles estavam fora da linha de visão da área de piquenique. O chão era sólido. Greta segurou a nuca de Buddy firmemente em suas duas mãos frias e puxou seus lábios para os dela. Seus dentes rangiam, e as suas línguas reconheceram-se com familiaridade.
Quando ele começou a puxá-la para mais perto, ela recuou a rir baixinho. Tendo conseguido o que queria, ela podia se dar ao luxo de provocar.
Sim, esta era a velha Greta.

"Neil não estava bêbado?" Ela sussurrou. "Ele não estava chapado?"
A expressão em seus olhos não era exatamente como ele se lembrava, e ele não poderia dizer, se o corpo sob suas roupas de inverno havia mudado da mesma forma. Ocorreu a ela perguntar o quanto ele havia mudado, mas o desejo crescendo dentro dele anulou tais irrelevâncias. Agora era ele quem a beijou. Lentamente, em um abraço, que começou a descer ao chão.
"Oh não", ela sussurrou: "Não."

Eles estavam de joelhos quando Anderson entrou. Ele não disse nada durante muito tempo, nem eles se levantaram. Um olhar estranho, manhoso no rosto de Greta e Buddy pensou que tinha sido por isso, que Greta esperava.
Ela tinha escolhido a igreja para isso mesmo.
Anderson fez um gesto para que se levantassem, e permitiu que Greta saisse, depois de cuspir na cara dela.
Foi esta a compaixão, que não exigia punição pela lei...a sua propria, de adúlteros: que sejam apedrejados! Ou era apenas fraqueza em relação a familia? Buddy não podia ler nada da careta do velho.

"Eu vim aqui para rezar", disse a seu filho quando eles estavam a sós.
Então, ao invés de terminar sua frase, balançou a perna e o chutou
(lentamente, talvez fosse o licor) a tempo de Buddy escapar do pontapé.
"Ok, garoto, vamos cuidar disso mais tarde", prometeu Anderson, sua voz engolindo as palavras.
Então ele entrou na igreja para rezar.
Parecia que Buddy não desfrutaria da posição que ele tinha herdado em junho do ano passado, de ser o preferido de seu pai.
Assim que deixou a igreja, os primeiros flocos de neve da nova estação caíam do céu cinzento.
Buddy assistiu-os derretendo na palma de sua mão.



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