sábado, 12 de novembro de 2011

O Oitavo Passageiro - Alan Dean Foster (Parte 14)





Nada havia a fazer no Nostromo agora senão esperar. Esperar que Parker e Brett completassem seu trabalho, esperar uma alteração para melhor no estado de Kane.

Na ponte, Lambert divertia Jones, o gato, com um pedaço de barbante. Supostamente, rolo de barbante estava em cima do console para divertir o animal. Mas Jones tinha outras idéias. Cabia-lhe, em certas ocasiões, divertir os humanos. Davam-lhe, pelo menos, a impressão de que gostavam que ele desse tapas na linha branca. Embora a manipulasse mal com suas grandes patas peladas, pesadonas...
Lambert chamava ao jogo cama-de-gato. Jones, o gato, chamava-o cama-de-gente. Felino dos mais concienciosos, fazia o possível para que a navegadora sorrisse. Eram tão solenes, às vezes, os humanos! Tarefa penosa, para um simples gato. Mas Jones era um gato aplicado. E brincava — pensando em comida e em ratos, quentinhos, gordos.

— Que lhe parece? — Brett levantou a cabeça, que tinha debaixo de uma projetura da parede.
Parker ajustou um controle, enxugou o suor da testa.
— Quase. Mais um meio grau e acabamos. Talvez isso satisfaça Ripley.
— Bah! — fez Brett. — Então você não sabia? É impossível satisfazer Ripley...
Estranhos zunidos se fizeram ouvir por detrás do painel em que ele trabalhava no momento.
Parker olhou com apreensão para o mudo alto-falante do intercomunicador e grunhiu uma resposta:
— Se não nos derem participação plena depois disso, registro uma queixa formal. Podemos pedir cotas de risco de vida, também. Desta vez a Companhia terá de nos ouvir ou apelamos. Nada de meias medidas.
— Certo — concordou Brett. Sua mão surgiu de dentro do tubo cuja tela acabava de fixar. — O número 3 está pronto e deve funcionar.

Parker meteu a mão numa caixa plástica, lindamente etiqueta, mas suja, e passou-lhe um minúsculo quadrado cinzento marcado a verde e vermelho. E olhou de novo para o inofensivo intercomunicador...
A melodia era primitiva, faltava-lhe sofisticação. O disco perdera o brilho com a idade e o uso, mas Dallas, recostado, e embevecido, absorvia a música como se tivesse estado presente àquela antiga sessão de gravação. Marcava compasso com o pé, num descuidado contraponto ao ritmo.
O comunicador soltou um pequeno apito. Pedia atenção. Repetiu-o duas vezes antes que o capitão, com um suspiro resignado, estendesse a mão, desligasse a música e acionasse o comutador apropriado.

— Aqui Dallas.
— Ash. Penso que deve dar uma olhada em Kane. Alguma coisa aconteceu.
Dallas tirou as pernas de cima do sofá, endireitou-se. O tom de Ash não era de alarme, o que lhe pareceu animador. Mas parecia confuso, o que causava preocupação.
— Grave?
— Curioso.
— Vou já.

Levantou-se desligou de todo a máquina, vendo com tristeza a lampadazinha verde apagar-se. Ash havia dito 'curioso', o que era muito vago. Um mundo de coisas poderia ter acontecido. Coisas boas e más. Mas, se Kane tivesse expirado, Ash teria usado outra expressão. Isso pelo menos já era um consolo.
O oficial executivo estava, então, vivo... mas seu estado era agora 'curioso'...
Na verdade, Ash não quisera referir-se a Kane. Chamara Dallas pelas mudanças observadas em outra coisa.
O capitão encontrou o oficial de ciência do lado de fora da sala, o que também era curioso. Tinha o nariz apertado contra o vidro. Só voltou o rosto quando viu que Dallas se aproximava.

— O que está acontecendo? — perguntou Ripley, que surgiu nesse momento na outra extremidade do corredor. Seu olhar foi de Dallas a Ash. — Eu ouvi por um monitor acidentalmente aberto.
— Escuta também atrás da porta?
Dallas olhou-a intrigado e Ripley fez uma cara comprida.
— Que fazer nesta nave? Por quê? Você se incomoda com isso?
— Não. Anoto, apenas.
Olhou também pelo vidro grosso para dentro da enfermaria e indagou de Ash quando nenhuma revelação lhe Pareceu manifesta:
— O que é, afinal de contas?
— Kane — o oficial de ciência apontou com o dedo — Olhe bem para ele. Para o corpo dele, o corpo inteiro.
Dallas olhou, apertou os olhos, depois percebeu o que Ash vira. Ou melhor, não vira.
— A criatura se foi.

Uma busca pela enfermaria não descobriu traço dela. Kane continuava imóvel na plataforma do médico automático. Seu peito subia e descia ritmadamente. Dava a impressão de respirar normalmente e sem esforço, a despeito da ausência da besta.
Uma inspeção mais minuciosa mostrou em torno do seu rosto como que uma costura de pontinhos negros.
— O bicho terá semeado alguma coisa nele? — indagou Dallas, a contragosto.
A idéia lhe era repugnante.
— Não — disse Ash. E com tanta convicção que Dallas acreditou nele. De qualquer maneira, os dossiês de pessoal registravam que ninguém tinha melhor cabeça a bordo.
— Trata-se de entalhes e não de saliências. Imagino que sejam marcas de ventosas — e acrescentou: — Afora isso, Kane não sofreu qualquer dano visível com a experiência por que passou.
— E que pode não estar encerrada! — observou Ripley. Como a porta fecha hermeticamente a criatura tem de estar por aí mesmo. — Era um rompante. No fundo, a idéia de que aquele aracnídio maniforme com seu olho vidrado e fixo de ciclope estava solto pela nave aterrorizava-a mais do que se permitia mostrar.
— Não devemos abrir a porta — disse Ash, pensativo —, não podemos permitir que ande pela nave às soltas.
— Isso mesmo — disse Ripley, cujos olhos percorriam em vão o piso de metal brilhante da enfermaria. — Não podemos agarrá-lo nem matá-lo a distância. Como ficamos então?
— Quando tentamos removê-lo do rosto de Kane — disse Dallas — nós o ferimos. Talvez se não o tivéssemos ameaçado tão abertamente ele não tivesse oferecido resistência. Talvez seja possível simplesmente apanhá-lo no chão...

Visões de espetaculares elogios da Companhia, talvez uma promoção, certamente um bônus, passaram-lhe pela cabeça. Percebeu depois a forma de Kane, ainda inconsciente, e teve um sentimento de culpa.

Ripley ainda se arrepiava ao pensamento de que alguém pudesse efetivamente pegar na criatura.
— Você a apanha, então. Eu vigio a porta.
— A idéia é boa — Ash abandonava o vidro. — O espécime é valioso. Devemos sem dúvida capturá-lo vivo e intacto.

Acionou, em seguida, o mecanismo que controlava a porta. A enfermaria era um lugar excelente para conter o maniforme e caçá-lo. Tinha paredes duplas e, salvo a câmara de compressão e descompressão, não havia lugar mais bem fechado no Nostromo.
A porta deslizou para o lado. Ash olhou para Dallas, que assentiu com um leve movimento de cabeça. De novo o controle foi acionado e a porta abriu mais alguns centímetros. Agora já dava passagem a um homem. Dallas entrou primeiro seguido de Ripley, que não escondia seu nervosismo. Ash entrou por último e logo apertou o botão interno, fechando a porta.

Ficaram juntos, os três, em frente à entrada, escrutinando o salão com o olhar.
Não havia sinais do intruso. Dallas apertou os lábios, deixou escapar um assobio agudo. O que não fez surgir a criatura. Mas arrancou de Ripley um riso um tanto inseguro.
Com os olhos nos recantos mais escondidos, Dallas marchou para um armário aberto. Seria um magnífico esconderijo. Mas uma inspeção minuciosa do interior revelou apenas suprimentos de remédios, arranjados numa ordem que nada perturbara.
Se sua intenção era capturar o desaparecido alienígena, não podiam fazê-lo de mãos vazias. Dallas escolheu o primeiro objeto disponível de tamanho apropriado, uma bandeja metálica de aço inoxidável. E, ao recomeçar a busca com aquilo na mão, deu-se conta de que, sentindo-se ameaçada, a criatura poderia abrir caminho através da bandeja tão sem esforço como o faria se ele estivesse de mãos abanando. Mas o peso inspirava confiança.

Ash inspecionou o fundo da sala. Ripley aborreceu-se na guarda da porta. Trancou-a, e olhou debaixo da mesa de operação, pensando que a criatura podia ter tido a idéia de fixar-se debaixo do tampo. Cada músculo do seu corpo estava tenso, ela pronta a correr ao primeiro sinal do minúsculo invasor. Alegrou-se ao verificar que não estava lá.
Endireitando-se, pensou onde mais deveria procurar, seu corpo roçou contra um tabique e alguma coisa firme e sólida tombou sobre seu ombro.

Ela voltou instintivamente o rosto e deu com longos dedos esqueletais e um braço curvo de um olho aberto.
De algum modo, conseguiu limitar-se a um grito só, agudo. Os músculos tiveram um grande espasmo reflexo e ela se contorceu numa agonia. Ao fazê-lo, a criatura caiu pesadamente no deque. E ali ficou, imóvel.

Dallas e Ash apareceram. E os três ficaram olhando a forma inerte a seus pés. Os dedos estavam fechados sobre a palma, como na mão de um cadáver — era com isso que ela se parecia mais. Mas a ilusão era quebrada pelos dedos sobressalentes, pela cauda, pelo olho morto, sem pálpebras.

Ripley tocou com a mão direita o ombro em que a coisa aterrissara há pouco. Engolia o ar a grandes golfadas, já não respirava normalmente. E só aos poucos a adrenalina se espalhava. Ainda podia sentir na espádua o peso desagradável do alienígena.

Com o pé da bota, ousou tocá-lo, de leve. A coisa não se moveu nem ofereceu resistência. Não só o olho ciclópico estava cego, mas a pele coriácea parecia agora enrugada e seca. Ela o virou com a ponta do pé. O tubo, antes viçoso, estava agora quase completamente retraído e jazia mole, contra a palma.

— Acho que está morto — disse Dallas. Mesmo assim, estudou a inesperada carcaça um pouco mais, depois perguntou, olhando para Ripley:
— Você está bem?
Língua e laringe combinaram-se no mesmo esforço, e ela conseguiu articular:
— Sim. Não me fez mal. Creio que estava morto muito antes de cair sobre mim.

Foi até o armário aberto, escolheu nele um comprido fórceps de metal. Um toque nos dedos não provocou reação, nem um toque mais delicado no olho. Dallas ofereceu sua bandeja. Usando o fórceps, Ripley conseguiu fazer que o alienígena caísse dentro dela e Dallas fechou a bandeja com uma tampa brilhante.

Dirigiram-se, então, para uma mesa, o alienígena foi removido com cuidado da bandeja e posto em cima da superfície chata. Ash então acendeu uma luz poderosa. A iluminação fazia ressaltar ainda mais o palor fantasmagórico do maniforme.
Escolhendo uma pequena pinça, examinou, com ela, a forma inerte e estranha.

— Vejam aquelas ventosas — e mostrou uma série de pequeninos orifícios profundos que marcavam o contorno da “palma” da criatura. Davam-lhe toda a volta.
 — Não é de espantar que tivéssemos tentado inutilmente retirá-la; com as ventosas, os dedos e ainda a cauda enrolada no pescoço.
— Tem boca? — Era custoso para Dallas desviar a atenção do olho. Morto embora, e sem luz, exercia ainda uma espécie de atração hipnótica.
— Deve ser esse órgão em forma de tubo ou tromba. A coisa que estava metida na garganta de Kane. Mas nunca mostrou que se alimentava.

Ash virou o cadáver de costas. Depois, segurando o tubo pela borda puxou-o com o fórceps para fora da palma. E quando ele ficou um pouco mais extenso, mudou de cor e empalideceu como o resto do corpo.

— Endurece, vocês viram, logo que entra em contato com o ar.
Ash pôs o corpo debaixo do microscópio e ajustou os controles. Números e letras apareceram logo nas pequenas janelas do instrumento.
— É isso — informou. — É o fim. Está morto. Talvez não possamos descobrir muita coisa a respeito da criatura, mas não é afinal tão alienígena assim que não se possa determinar se está morta ou viva.
O ombro de Ripley formigava.
— Encerremos isso. Vamos livrar-nos do bicho.
Ash encarou-a como se não pudesse acreditar no que ouvia.
— Você está brincando.
Ela sacudiu a cabeça.
— Não, não estou, falo sério.
— Mas Ripley, isso tem de ser levado conosco. É o primeiro contacto com uma criatura dessas. Não há nada a respeito no Banco de Memória, nem mesmo como hipótese. Toda sorte de testes terão de ser feitos...
— Pois faça os testes. Depois, a gente dá cabo disso.
— Mas não. Os testes vão exigir um laboratório biológico inteiramente equipado. O máximo que posso apurar são detalhes de construção, de composição. Nem posso abordar sequer problemas tão relevantes quanto sua história evolutiva, por exemplo.Não podemos jogar fora, como lixo, uma das maiores descobertas xenológicas da década. Eu protesto pessoalmente e na minha autoridade de oficial de ciência desta nave. Kane teria feito o mesmo.
— Ademais, a coisa solta ácido, quase perfurou o navio de cima a baixo. Deus sabe o que poderá fazer depois de morta.
— Não fez nada até agora — respondeu Ash. — O fluido-acidífero já terá sido provavelmente absorvido pelas células mortas e neutralizado. Não fez nada.
— Pode fazer ainda.

Ash fez um apelo mudo a Dallas.

— A coisa não se mexe e não resiste quando a gente a toca. Mesmo no olho. A máquina afirma que está morta e presumo que não se trata de um zumbi. Dallas, você deve guardar esse espécime.
E como Dallas não respondesse, ele continuou.
— Se não conseguirmos tirar Kane do coma, a equipe médica desejará examinar a criatura que induziu tal estado. Jogando-a fora talvez estejamos destruindo a chave para a recuperação de Kane.

Dallas lavou as mãos.

— Você é o oficial de ciência. O departamento é seu, a decisão é sua.
— Então, está feito — e Ash lançou um olhar de orgulho para sua aquisição. — Vou botá-la num tubo de estase, lacrado. Isso impedirá qualquer possibilidade de re- vivificação. Estamos equipados para lidar com isso.
— Foi provavelmente o que Kane pensou — resmungou Ripley, entre os dentes.

Dallas olhou-a severamente e ela olhou para outro lado.

— Isso dispõe do futuro do monstro, ao que me parece — disse. E com um gesto na direção da plataforma:
— E quanto a Kane?...
Ash foi examiná-lo e aos painéis. Depois de estudar longamente seu rosto e as marcas das ventosas, ativou diversos instrumentos na mesa. O médico automático zumbiu, roncou, e as leituras começaram a aparecer.
— Ele tem febre.
— Alta?
— Não. Nada que seu sistema não seja capaz de agüentar. A máquina vai fazer baixar a temperatura. Continua inconsciente.
— Podemos ver isso — disse Ripley, amarga.
Ash respondeu:
— Não necessariamente. Ele poderia estar simplesmente dormindo, e a situação seria diferente.
Ripley tentou responder, mas foi interrompida por Dallas,
— Vocês dois: chega disso.

Como se já não tivesse preocupações de sobra, era obrigado agora a preocupar-se com a tensão entre membros da tripulação. Considerando as pressões a que tinham ficado submetidos recentemente, tais conflitos eram naturais, mas apenas toleraria um mínimo disso, o bastante para descarregar a atmosfera. Antagonismo aberto era coisa a evitar a todo custo. Não tinha tempo, não podia permitir o endurecimento de cliques.
Para distrair os dois levou a conversa de volta a Kane.

— Inconsciente e com febre. O que mais?
Ash estudou seus dados.
— Nada que se veja aqui. Os sinais vitais continuam bons.
— Prognóstico a longo prazo?
O oficial de ciência hesitou.
— Não sou um oficial médico. O Nostromo não é bastante grande para fazer jus a um.
— Nem bastante importante, eu sei. Mas você é o que temos de mais parecido com um médico e só desejo sua opinião. Ela não vai para o diário de bordo nem vou exigir que você se adapte a ela. — Seu olhar pousou de novo na figura de Kane, companheiro de armas e amigo.
— Não desejo parecer indevidamente otimista — disse Ash, pausadamente —, mas baseado no presente estado dele e no que os monitores me comunicam, diria que ele vai se recuperar.

Dallas sorriu, e fez que sim com a cabeça, lentamente e mais de uma vez.

— Para mim é suficiente. Não poderia pedir mais que isso.
— Espero que esteja com a razão — disse Ripley.
   
Divergimos em algumas coisas, mas desta vez peço a Deus que tenha razão.
Ash deu de ombros.

— Quisera poder fazer mais por ele. Mas como disse não fui treinado para isso. Cabe ao médico automático. No momento, estou recebendo leituras muito estranhas, mas não há precedente de que a máquina possa ser útil nesse caso. Tudo o que podemos fazer é aguardar que descubra o que a criatura fez com ele. Então ela poderá receitar e nós poderemos dar início ao tratamento. Lamento não ter conhecimentos médicos. 'Não gosto de servir a máquinas.

Ripley pareceu surpresa.

— É a primeira vez que vejo você dizer alguma coisa contra máquinas, Ash.
— Não há máquina perfeita. E falta-lhes a todas versatilidade. Deviam ser mais flexíveis. Precisaríamos de um completo hospital aqui e não apenas esse ridículo médico automático. Não está preparado para lidar com um caso como o desse... bem, seja... desse alienígena. O problema transcende a sua capacidade. Como toda máquina, esta só vale para o que foi programada, só opera o material de que o alimentador a supriu. É de lamentar, por isso, que eu não saiba um pouco mais de medicina.
— Mas Ash! — exclamou Ripley. — É também a primeira vez que ouço você expressar sentimentos de inadequação!
— A gente nunca sabe tudo. E se não sabe tudo tem de se sentir inadequado e insuficiente. Não seria possível sentir de outra maneira — disse. E olhando para Kane: — Esse sentimento é agravado e exagerado quando o universo confronta a gente com algo que é de todo estranho à experiência que se tem. Não sei o bastante para lidar com isto, e por esse motivo me sinto desarmado e impotente.

Manejando o fórceps com extremo cuidado, levantou o alienígena no ar por dois dos seus dedos e depositou-o num grande frasco transparente. Tocou um controle embutido na tampa do frasco e lacrou-o completamente. Um fulgor amarelo encheu o vidro.
Ripley assistira à operação fascinada. Esperara ver a criatura abrir o olho, derreter o tubo de estase e lançar-se contra eles com a garra em riste. Convencida, finalmente, de
que não mais a ameaçaria, exceto em seus pesadelos, deu-lhe as costas e saiu da enfermaria.

— Não sei de vocês. Quanto a mim, estou precisando de um bom café.
— É uma idéia — disse Dallas. E para Ash: — Você ficará sozinho?
— Quer dizer, sozinho com aquilo? — e mostrou o recipiente selado com o polegar. — Eu sou um cientista, não se esqueça. Coisas desse tipo aguçam-me a curiosidade sem alterar meu pulso. Sim, ficarei muito bem, obrigado. Se algo acontecer ou se o estado de Kane der sinais de alterar-se, chamo imediatamente.
— Combinado. — E olhando para Ripley, que esperava na porta: — Vamos procurar esse café.

A porta da enfermaria fechou-se hermeticamente e os dois se afastaram, deixando o médico automático a trabalhar em Kane, e Ash a trabalhar no médico automático...





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