sábado, 28 de janeiro de 2012

O Oitavo Passageiro (Parte 25)






 XIII


— Um robô... Um miserável robô! — dizia Parker, que ainda tinha na mão o rastreador. Nenhum sangue o maculara.

Aparentemente, havia áudio-censores localizados no corpo tanto quanto na cabeça, porque a forma poderosa voltou-se imediatamente ao som da voz de Parker e começou a avançar contra ele. Levantando o rastreador, o engenheiro golpeou com ele o ombro de Ash, depois de novo e de novo, mas sem qualquer efeito. O braço do boneco o envolvera num amplexo que nada tinha de afetuoso. Depois as mãos acharam-lhe o pescoço e apertaram com força inumana.

Ripley, que se recuperara, procurava uma arma. Achou um dos velhos tubos elétricos, com que tinham pensado 'picar' o alienígena. Viu que sua carga estava intacta.
Lambert agarrara-se às pernas de Ash, procurando derrubar a máquina. Fios descobertos continuavam a brotar do toco do pescoço aberto. Ripley enfiou a ponta da vara naquela maçaroca. Os olhos de Parker já vidravam, e de sua garganta saíam sons inarticulados, resfolegantes.

Tendo achado um nó grosso de circuitos, Ripley enterrou nele a ponta da vara e disparou. Ash titubeou e suas mãos pareceram fraquejar um pouco no pescoço de Parker. Ripley retirou a arma, ajustou-a diferentemente e disparou de novo, para baixo.
Fagulhas azuis surgiram do toco de pescoço. Ela insistiu, apoiou no gatilho. Houve um grande clarão e o cheiro de material isolante queimado.

Ash tombou. Com o peito a arfar, Parker rolava pelo soalho, tossindo e cuspindo muco. Depois, olhou a forma, agora imóvel, do humanóide.
— Porcaria! Porcaria de máquina da Companhia!
Furioso, levantou-se e pôs-se a chutar o metal. Que não reagiu. Jazia inerte, inocente, pacificado, no deque.
Lambert olhou, confusa, para Parker e Ripley.
— Alguém poderá ter a bondade de me dizer o que está acontecendo?
— Há só um modo de descobrir — disse Ripley. Depondo cuidadosamente o tubo e sua carga elétrica, mas vendo que estava à mão em caso de necessidade, aproximou-se do corpo.
— O que vai fazer? — perguntou Lambert.
Ripley olhou para Parker, que fazia massagens no pescoço.
— Vamos ligar a cabeça outra vez. Penso que queimamos o sistema locomotor do torso, mas cabeça e memória devem funcionar, se alimentadas. Ele vinha protegendo o alienígena desde o começo. Tentei avisar vocês — e fez um gesto na direção do cadáver. Pois era difícil pensar em Ash, um colega de tripulação, como uma outra peça do equipamento.
— Ele o fez entrar, lembram-se?, contra o regulamento. — Ripley tinha uma expressão estranha ao dizer isso. Continuou: — Usava a vida de Kane como desculpa, mas nunca se interessou por Kane. Deixou que aquela coisa crescesse dentro dele, sabia o que estava acontecendo. E foi ele quem apertou o sinal de emergência para salvar a criatura.
— Mas por quê? — Lambert, por mais que tentasse, não conseguia organizar todos esses disparates na cabeça.
— Estou apenas supondo. Mas quero crer que, se puseram um robô a bordo como membro da tripulação sem aviso, foi porque desejavam um observador escravo nesta nave para relatar-lhes, na volta, tudo o que se tivesse passado.
— Quem designa o pessoal para as naves? — perguntou a Lambert. — Quem faz mudanças de última hora, como, por exemplo, trocar o oficial de ciência? Qual seria a única entidade capaz de colocar um robô na tripulação? Para o fim que fosse, não importa?
Lambert não estava mais confusa.
— A Companhia.
— Muito bem — Ripley sorriu amargamente. — A Companhia deve ter captado as transmissões da nave sinistrada. O Nostromo era apenas a primeira nave escalada para aquele quadrante do espaço. Ash foi posto a bordo para controlar as coisas para eles, e para garantir a execução por nós, que a ignoramos, da ordem especial n.° 937. Pelo menos é assim que a Mãe a chama.
— Se nada resultasse da visita à nave sinistrada, Ash lhes diria isso. E nós jamais ficaríamos sabendo de coisa nenhuma. Se, ao contrário, valesse a pena, então a Companhia saberia do que precisava antes de enviar uma equipe de exploração cara e bem equipada. Uma simples questão de garantir o maior lucro possível e reduzir ao mínimo as despesas. Nada de dramático.
— Muito bonito — disse Parker. — Até aí tudo bem. Diga-me agora como emendar esse filho da mãe outra vez — e cuspiu no corpo de Ash.

Ripley já pusera a cabeça de Ash em cima de um balcão e ligara-lhe um fio, tirado da tomada mais próxima ao cozinheiro automático. A cabeça não protestara.
— Temos de descobrir se nos escondem mais alguma coisa — disse. — Concordam?
Parker concordou com relutância.
— Está bem. Deixe-me, porém, fazer isso.

Num minuto estava às voltas com os fios e ligações da nuca de Ash, debaixo da peruca. Quando as pálpebras do oficial de ciência começaram a tremer, Parker grunhiu de satisfação e parou.
Ripley se curvou sobre aquela espécie de estátua jacente.
— Ash, você me ouve?
Nenhuma resposta. Ela consultou Parker com o olhar.
— Olhe, a ligação de circuitos está em boa ordem. Quanto à energia, ajusta-se automaticamente. A não ser que alguns circuitos cruciais tenham sido interrompidos quando a cabeça bateu no chão, ele deve responder. As células de memória e os componentes verbo-visuais são acondicionados com grande economia de espaço nesses modelos mais sofisticados. Eu contava que ele falasse.
Ela tentou de novo.
— Você me ouve, Ash?
Uma voz familiar, e não muito distante, soou no salão.
— Sim, posso ouvi-la.
Era difícil para Ripley dirigir-se assim a uma cabeça separada do corpo. Esta, tanto quanto ela sabia, era apenas parte de um maquinismo, como a válvula dos rastreadores. Acresce que ela servira por muito tempo com Ash.
— O que significa Ordem Especial 937?
— Divulgá-lo é contra os regulamentos e contra a minha programação interna. Você sabe que não posso fazê-lo.
Ela se endireitou.
— Muito bem. Então de nada adianta continuar a falar. Parker, corte os circuitos.

O engenheiro estendeu a mão para os fios e Ash reagiu com tal presteza, que provou a integridade dos seus circuitos cognitivos:

— Em suma, as ordens que recebi foram as seguintes.
As mãos de Parker permaneceram ameaçadoras, prontas a interromper a corrente.
— Disseram-me que reorientasse o Nostromo ou cuidasse para que sua tripulação modificasse seu curso primitivo, a fim de captar o sinal. Programasse a Mãe para tirá-los do hipersono e programasse a memória dela para contar-lhes a mentira de um pedido de socorro. Especialistas da Companhia já sabiam que se tratava de um sinal de alerta e não de um pedido de socorro.
As mãos de Parker se fecharam de raiva.
— Quanto à fonte do sinal — continuou Ash —, tínhamos a missão de investigar uma forma de vida quase certamente hostil, segundo o que os especialistas da Companhia depreenderam da transmissão; e trazer de volta um espécime para exame e verificação de eventuais aplicações comerciais. Usando a máxima discrição, naturalmente.
— Naturalmente — glosou Ripley arremedando o tom neutro da máquina. — Isso explica muita coisa. Pois fomos mandados nós, pobres diabos, e não uma valiosa equipe de exploração.
Parecia satisfeita, embora não entusiasmada, por ter levantado toda a trama que se escondia por detrás das palavras inócuas de Ash.
— A importação para qualquer mundo habitado, sobretudo a Terra, de uma forma de vida alienígena é estritamente proibida. Fazendo parecer que nós, simples tripulantes de um obscuro rebocador, a encontramos por acaso no caminho, a Companhia dispunha de um meio de vê-la chegar à Terra 'acidentalmente*. Nós outros poderíamos ser postos na cadeia. Mas alguma coisa teria de ser feita com a inocente criatura. Naturalmente, os cientistas da Companhia se mostrariam dispostos, magnanimamente, a tirar o perigoso hóspede das mãos dos funcionários da alfândega, com umas poucas e judiciosas propinas distribuídas com a necessária antecedência para garantir a transação.
— Com alguma sorte, poderíamos, nós também, nos beneficiarmos da magnanimidade dos nossos senhores. A Companhia pagaria fiança e cuidaria de nós logo que as autoridades policiais se convencessem, ou fossem convencidas, de que éramos tão estúpidos quanto parecíamos. E fomos. E fomos!
— Por quê? — quis saber Lambert. Por que você não nos avisou? Por que não nos disse, ou não nos disseram, onde íamos nos meter?
— Porque vocês poderiam recuar — explicou Ash, com a mais fria lógica. — A política da Companhia precisava da cooperação de todos. O que Ripley disse sobre a 'honesta ignorância' da tripulação como fator essencial na inevitável confrontação com a autoridade alfandegária é correto.
— Você e essa miserável Companhia! — resmungou Parker. — E as nossas vidas, homem?
— Homem, não — corrigiu Ash. — Quanto às suas vidas, temo que para a Companhia fossem, sejam, sacrificáveis. Preocupavam-se sobretudo com a forma alienígena de vida. Esperava que vocês a capturassem e conservassem viva, e sobrevivessem, para receber seus bônus ao fim; mas isso, estou certo, era consideração secundária. A escolha não foi pessoal. Uma questão de sorte — ou de azar — só isso.
— Que pensamento confortador! — exclamou Ripley. Pensou um momento e acrescentou: — Você já nos disse que nosso propósito, ao vir até esse mundo remoto, era "investigar uma forma de vida, quase certamente hostil". E que os peritos da Companhia sabiam que aquele sinal era de alerta e não de socorro.
— Sim — respondeu Ash. — Sim. Era muito tarde, segundo determinaram os tradutores, para que um pedido de socorro pudesse ter qualquer utilidade. O sinal era, em si mesmo, específico, alarmante!
— A nave que encontramos descera no planeta no curso de uma exploração rotineira. Como Kane, encontraram um ou mais dos ovos, ou esporos, do alienígena. A transmissão não disse se tiveram tempo de determinar se os esporos são originários do planetóide ou se migraram para lá de algum outro lugar.
— Antes que fossem dominados, conseguiram montar o mecanismo de alerta, a fim de evitar que os tripulantes de outras naves tivessem o mesmo destino. De onde quer que tivessem vindo, eram gente nobre. Esperemos que a humanidade retome contacto com eles em circunstâncias mais propícias.
— Pois são gente melhor que muitos que eu poderia nomear — disse Ripley, com a boca seca. — E o alienígena que temos a bordo? Como matá-lo?
— Os exploradores que tripulavam a nave sinistrada eram maiores e, possivelmente, mais inteligentes do que os humanos. Não creio que vocês possam matá-lo. Mas talvez eu seja capaz disso. Não sou orgânico, o alienígena não vê em mim um perigo potencial. Nem uma fonte de alimento. Sou, também, consideravelmente mais forte do que qualquer de vocês. Eu talvez seja páreo para o alienígena. Só que não estou, no momento, na minha melhor forma. Se vocês simplesmente substituírem...
— Você tentou, Ash, tentou brilhantemente — interrompeu Ripley, abanando a cabeça de um lado para outro. — Mas é inútil.
— Idiotas! Ainda não sabem o que têm pela frente! O alienígena é um organismo perfeitamente organizado, soberbamente estruturado, espertíssimo e violento. Com as limitadas capacidades de vocês, não têm nenhuma chance contra ele.
— Meu Deus! — fez Lambert, olhando estupidamente para a cabeça falante. — A gente tem de admirar essa criatura danada!
— Como não admirar a simetria que ela apresenta? Um parasita entre uma espécie e outra, capaz de viver de qualquer outra forma de vida que respire, seja qual for a atmosfera em causa. Capaz de jazer sem acordo nem movimento por períodos indefinidos, e em circunstâncias as mais hostis. Seu único propósito é reproduzir-se, isto é, fazer outros da mesma espécie, o que consegue com suprema eficiência. Não existe nada na experiência da humanidade que se compare a isso...
—  Os parasitas que o homem está acostumado a combater são mosquitos e artrópodos infinitesimais. Coisas dessa ordem. Esta criatura está para eles em selvageria e eficácia como o homem está para o verme em inteligência. Não se pode sequer imaginar como lidar com ela.
— Chega. Já ouvi bastante dessa lenga-lenga — disse Parker. E pôs a mão no fio. Mas Ripley o deteve com um gesto.
— Você nos pertence, Ash. É complementação nossa. Você não é apenas um instrumento cego da Companhia. É o meu oficial de ciência.
— Vocês me deram inteligência. Com o intelecto vem a inevitabilidade da escolha. Sou leal apenas à verdade. Uma verdade científica exige beleza, harmonia e, acima de tudo, simplicidade. O problema tal como está posto, isto é, vocês contra o alienígena, produzirá uma única e elegante solução. Só um de vocês sobrevivera.
— Imagino que isso nos coloque, a nós humanos, no nosso lugar, não é? Diga-me uma coisa, Ash. A Companhia esperava que o Nostromo atracasse de volta só com você e o alienígena a bordo, é isso?
— Não. Honestamente, eu esperava que vocês sobrevivessem e dominassem o alienígena. Os altos funcionários, da Companhia simplesmente ignoravam quão perigosa e hábil era a forma de vida a capturar.
— O que pensa que vai acontecer à chegada, supondo que estejamos todos mortos, e o alienígena, ao invés de dominado, senhor desta nave?
— Não sei dizer. Há uma possibilidade muito boa de que o alienígena infecte a turma de abordagem e quaisquer outros viventes com que se ponha em contacto antes que tomem consciência da enormidade do perigo que ele representa e tomem medidas para conjurar esse perigo. Mas aí talvez seja tarde demais.
— Milhares de anos de esforços não permitiriam ao homem livrar-se de outros parasitas. E jamais teve de ha- ver-se com um tão adiantado. Imaginem vários bilhões de mosquitos a funcionar em uníssono em contacto inteligente uns com os outros. Teria a humanidade qualquer chance?
— Naturalmente, se eu estiver lá, e funcionando, quando o Nostromo atraque, posso informar à equipe de recepção do que os espera, e dizer-lhes como proceder com segurança contra a criatura. Destruindo-me, vocês arriscam libertar na Terra uma praga terrível!

Houve silêncio no cassino dos oficiais, mas não por muito tempo. Parker falou primeiro:

— A humanidade, representada pela Companhia, não parece dar nada pelas nossas vidas. Correremos, então, nossos próprios riscos contra o alienígena. Pelo menos sabemos onde ele está — e olhando para Ripley: — Nenhuma praga poderá incomodar-me quando eu já não estiver por lá. E eu digo: desliguemos isso.
— De acordo — disse Lambert.
Ripley deu a volta à mesa e começou a desligar o fio.
— Uma última palavra — disse Ash, depressa: — Um testemunho, se assim quiserem.
Ripley hesitou.
— O que é?
— Talvez a criatura seja deveras inteligente. Talvez vocês devam comunicar-se com ela.
— Você se comunicou?
— Deixem que minha cova guarde pelo menos alguns segredos.
Ripley puxou o fio.
— Até logo, Ash.
E voltou sua atenção da cabeça emudecida para seus companheiros.
— Quando se trata de escolher entre parasitas, prefiro o que não mente. Além disso, mesmo que não seja possível derrotar o alienígena, podemos morrer satisfeitos, sabendo que ele irá ferrar as unhas em alguns tecnocratas da Companhia...

Ela estava sentada diante do console do computador central, no anexo principal da Mãe, quando Parker e Lambert foram ter com ela, mais tarde. Falou-lhes com desânimo.
— Ash estava certo quanto a uma coisa. Não temos de fato muita chance — e indicando uma leitura no console: — Resta-nos menos de doze horas de oxigênio. Então tudo estará acabado.
Parker olhou para o chão.
— Ligar Ash de novo será uma forma mais rápida ainda de suicídio. Oh, estou seguro de que ele tentaria controlar o alienígena. Disso não tenho dúvida. Mas não nos deixaria vivos. Essa é uma ordem da Companhia que ele não nos comunicou. Mas como contou todo o resto, não nos poderia deixar livres para denunciar no porto, às autoridades, o que a Companhia planejou — e, com um sorriso: — Ash era um engenho leal à Companhia.
— Não sei o que pensam vocês dois, mas prefiro morrer sem dor, tranqüilamente. Não me agradam as alternativas disponíveis — disse Lambert.
— Ainda não chegamos lá.

Lambert mostrou aos outros um cartãozinho com pílulas. Ripley reconheceu os comprimidos suicidas pela cor vermelha e pela caveira e os nós cruzados.
— Não! Huh! Você se deixou convencer por Ash. Eu lhe digo que não chegamos a esse extremo. Ele disse que era quem tinha a melhor chance de lidar com o alienígena. Mas é ele que está em pedaços no cassino, não nós. Temos uma saída: fazer explodir a nave.
— Mas é essa a sua alternativa? — disse Lambert. — Prefiro meus comprimidos, se você permite.
— Não, não. Lembra-se do que você mesma propôs antes, Lambert? Sairíamos para o módulo, abandonando a nave. Levaríamos conosco o ar remanescente em tanques portáteis. O módulo tem suas próprias reservas. Com o ar extra, há uma possibilidade de alcançarmos as rotas principais do espaço e de sermos salvos. Talvez estejamos respirando o nosso próprio gás carbônico quando isso acontecer, mas é uma possibilidade. E isso liquidaria o alienígena.
Todos se calaram, pensando. Parker levantou os olhos primeiro e assentiu.
— Gosto mais disso que de veneno. E gosto de ver pelos ares algo que pertence à Companhia. Vou começar a transferir o ar para garrafões.
Supervisou efetivamente, a transferência do ar comprimido dos principais tanques do Nostromo para pequenas caixas portáteis que pudessem levar no módulo.
— É tudo? — perguntou Ripley, quando o engenheiro se recostou, exausto, num umbral.
— É tudo o que podemos levar — disse, mostrando com um gesto os bujões enfileirados. — Talvez não pareça muita coisa, mas é ar sob pressão. Altamente comprimido. Dar-nos-á literalmente uma pausa para tomar fôlego... — e riu-se.
— Magnífico. Vamos reunir provisões, ligar os motores e cair fora. Com Jones, naturalmente. Por onde anda Jones?
— Quem sabe? — disse Parker. A última coisa que o interessava era o paradeiro do gato de bordo.
— Da última vez que o vi — disse Lambert — estava andando pelo refeitório cheirando o corpo de Ash.
— Vá ver. Não podemos deixá-lo. Ainda temos suficiente humanidade para isso.
Lambert olhou desconfiada para a amiga.
— Não. Nada feito, não vou a lugar nenhum desta nave sozinha.
— E eu sempre odiei o presunçoso animal — disse Parker.
— Não importa. Vou eu — disse Ripley. — Vocês embarquem o ar e a comida.
— Muito bem — concordou Lambert. E ela e Parker apanharam bujões de oxigênio e levaram-no para o módulo. Ripley correu à sala comum.

Não teve de procurar o gato. Depois de revistar a sala, com o maior cuidado para não esbarrar na forma decapitada de Ash, subiu à ponte. E deu com Jones imediatamente. Estava em cima do console de Dallas, cuidando da toalete com ar enfadado.
Ela sorriu.
— Jones, você é um gato de sorte.
Aparentemente, o gato discordava. Quando quis pegá-lo, pulou longe e pôs-se a andar lambendo os pêlos. Ela curvou-se, seguiu-o, adulando-o com a entonação da voz e com carícias.
— Vamos, Jones. Não se faça difícil. Não agora. Os outros não vão esperar por você.






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