sábado, 29 de novembro de 2008

Morto até o anoitecer - Charlaine Harris




















Capítulo 1

Esperei pelo vampiro durante anos, até que, um dia, ele entrou no bar.

Desde que os vampiros começaram a “sair do caixão” (como se dizia, por gozação) quatro anos atrás, eu tinha a esperança de que algum deles aparecesse em Bon Temps. Tínhamos todas as minorias em nossa cidadezinha — por que não teríamos a mais nova, os mortos-vivos agora legalmente reconhecidos? Mas o norte caipira da Louisiana, na verdade, não era muito sedutor para vampiros, ao que parecia; por outro lado, Nova Orleans era um centro legítimo para eles — por causa daquela coisa toda de Anne Rice, certo?

A distância entre Bon Temps e Nova Orleans não é assim tão grande, e todos que vinham ao bar diziam que, se você jogasse uma pedra numa esquina daqui, acertaria um lá.
Embora fosse mais sensato não fazer isso.

Mas eu esperava pelo meu próprio vampiro.

Pode-se notar que não saio muito. E não é porque eu não seja bonita. Eu sou. Sou loura, de olhos azuis, tenho 25 anos, minhas pernas são fortes e meu peito é volumoso, e tenho uma cinturinha de vespa. Eu fico bem no uniforme de verão de garçonete que Sam estabeleceu para nós: calções pretos, camiseta branca, meias brancas, Nikes pretos.
Mas eu tenho um inconveniente. É como eu tento definir esta coisa.
Os fregueses de bar afirmam que sou louca.

Em todo caso, o resultado é que eu quase nunca arranjo um namorado. Portanto, pequenas amabilidades fazem uma grande diferença para mim.
E ele sentou-se numa de minhas mesas — digo, o vampiro.

Saquei imediatamente o que ele era. Espantou-me que ninguém mais ao redor tivesse se virado para olhar. As pessoas não notavam! Mas, para mim, a pele dele tinha um pequeno brilho, e reconheci a sua condição no ato.

A alegria foi tanta que eu poderia dançar, e de fato ensaiei um passo caminhando pelo bar. Sam Merlotte, meu chefe, ergueu o olhar da bebida que estava preparando e deu-me um sorrisinho. Apanhei minha bandeja e a toalha e rumei na direção da mesa do vampiro. Tinha a esperança de que meu batom estivesse ainda firme e que meu rabo-de-cavalo não tivesse saído do lugar.
Eu sou meio ansiosa, e sentia meu sorriso puxando os cantos de minha boca para cima.
Ele parecia perdido em seus pensamentos, e eu tive oportunidade de dar uma boa olhada nele de alto a baixo antes que erguesse os olhos. Ele tinha pouco menos que l,82m, calculei.
Tinha cabelos castanho-escuros bem espessos, penteados diretamente para trás e chegando à gola de sua camisa, e suas longas costeletas pareciam curiosamente fora de moda.

Naturalmente, era pálido; claro, ora, pois estava morto, se você acredita naquelas velhas histórias. A teoria politicamente correta, aquela que os vampiros defendiam em público, é que a criatura era vítima de um vírus que a deixava aparentemente morta por alguns dias e, portanto, alérgica à luz do sol, prata e alho. Os detalhes variavam conforme os jornais que você lesse.
Eles andavam cheios de matérias sobre vampiros, ultimamente.

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