terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Fahrenheit 451 - Ray Bradbury


QUEIMAR ERA UM PRAZER!

Era um prazer muito especial ver as coisas arderem, vê-las calcinar-se e mudar.

Punho de cobre na mão, armado desse imenso piton que cuspia o veneno da sua gasolina sobre o mundo, sentia o sangue bater-lhe nas têmporas, e as suas mãos tornavam-se as mãos de uma espécie de maestro prodigioso dirigindo todas as sinfonias do fogo e do incêndio, ao ritmo das quais se desmoronavam os farrapos e as ruínas carbonizadas da história.

Avançou entre um fulgor de pirilampos.

Teria gostado acima de tudo, segundo a velha tradição, de mergulhar no braseiro uma alcachofra presa na ponta de um pau, enquanto os livros, com um bater de asas, morriam no umbral da casa e no jardim. Enquanto os livros se estorciam entre nuvens de fagulhas e partiam, calcinados, com o vento.

Montag sorriu, com o áspero sorriso de todos os homens chamuscados e repelidos pelas chamas.





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