sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A Ficção Científica está morrendo? - Kim Stanley Robinson


Ficção Científica é hoje nada mais do que realismo, a definição do nosso tempo.

Você pode imaginar o gênero então se fundindo a outra coisa qualquer e desaparecendo, mas as histórias estarão sempre lá, no futuro, atraindo interesse e existe uma categoria devotada a publicá-las.

Então existe um futuro para a Ficção Científica.
Será algo mais trabalhoso, penso, porque precisa lançar-se da realidade do nosso tempo, não do passado, não das idéias do passado.

Os dias de hoje, com tal velocidade de acontecimentos tecnológicos, a política volátil global e as inevitáveis mudanças climáticas, tudo combina com a contingência de se imaginar nosso real futuro. Algo vai acontecer, mas nós não sabemos o que.

Uma solução é saltar para o próximo século, para o conforto familiar da ficção espacial.
Se sobrevivermos, poderemos sair de lá e será ótimo. Sem isso, a conexão entre o hoje e o próximo século, estará quebrada, e a ficção espacial se tornará um tipo de fantasia.
Temos que imaginar a coisa toda.

O que temos que fazer é o impossível, ou seja, imaginar o próximo século.

A probabilidade pra começar é ruim – não só uma distopia, mas uma catástrofe, um evento de extinção em massa que nós seremos responsáveis por ter causado e sofreremos por isso.
É uma história que poderíamos contar, repetidamente, mas é só a metade desta zona de probabilidade. Também está dentro de nossos poderes, criar uma cultura sustentável em uma biosfera saudável.

O futuro é desta forma, um tipo de uma suave península, crescendo para frente com escarpas de ambos os lados. Não há possibilidade de escolher outra direção, ou resolvemos nossos problemas ou despencamos desastrosamente. É a utopia ou a catástrofe. E a FC é boa para estas duas modalidades.

Se será divertido também? Divertido sim, uma diversão provocante.

O próximo livro de Kim Stanley Robinson, irá se chamar Galileo's Dream.