sábado, 10 de janeiro de 2009

Little Brother - Cory Doctorow


Quando eu era criança, eu via os computadores como ferramentas de libertação.
Quando meu pai trouxe para casa o primeiro PC (um Apple), em 1979, com uma placa modem embutida, minha vida mudou para sempre.
Eu podia ir para lugares, aprender coisas, acessar mais ferramentas, ideías e grupos, mais do que jamais alguém na década passada poderia imaginar.

E com o passar do tempo, a coisa foi ficando cada vez melhor.
As redes ficaram mais rápidas, a quantidade de pessoas com quem eu conseguia me comunicar ficou maior, a capacidade de armazenação ficou mais barata, a variedade de informações cresceu, eu assisti o triunfo da tecnologia, convencido de que minhas amadas máquinas salvariam o mundo, e terminariam com todo autoritarismo e repressão.

Hoje, eu não estou tão certo disso.

Se eu fosse uma criança hoje, eu penso que, com razão, teria medo dos computadores e do que eles podem fazer. Nunca houve tanta ameaça quanto a privacidade e a liberdade das crianças como existe hoje. Companhias especializadas em software de censura de conteúdo, se propõe a bloquear todas as coisas ruins e somente liberar as boas. Não fazem nem uma coisa nem outra.
Não há gente treinada suficiente para catalogar e avaliar cada página da internet, por isso as crianças acabam tendo seu acesso bloqueado a milhões de temas legítimos e sendo expostas a outros milhões bastante perigosos - sem contar o risco de permitir a estas empresas terem um registro de cada página que acessamos da internet.

As crianças são espionadas por controles de qualidade das televisões desde a infância, rastreadas com braceletes GPS desenhados originalmente para vigiar criminosos, vítimas na WEB de pavarosas campanhas de marketing, gravadas e seguidas em lugares públicos. Seus telefones e consoles de video-game tem instalados 'DRM' (controle de direitos digitais) feitos para controlar a cópia e o uso do software - mas que permite monitoramento remoto para impingir políticas em sua propriedade, sem seu consentimento ou conhecimento.

Isso é o bastante para fazer você querer viver em uma caverna.

Mas as crianças estão contra-atacando. Elas entendem que tomando controle de seus aparelhos - dominando os meios de informação - elas podem desequilibrar o balanço de forças a seu favor.
A diferença entre uma distopia como '1984' e uma utopia como 'Eu, o robô', está entre nós controlarmos as máquinas, ou elas nos controlarem.

Nunca antes houve um tempo tão importante para garantirmos nossa liberdade tecnológica.
O fantasma do terrorismo é uma ótima desculpa para sequestrar nosso poder. Arquitetura é política; as máquinas de hoje irão determinar a sociedade em que viveremos amanhã - e foi por isso que eu escrevi 'Little Brother' (Pequeno Irmão); para dar às crianças as ferramentas que elas precisam para tomar para elas o poder que resulta em ser o senhor de suas máquinas, de fazê-las dançar conforme a sua música.

Eu espero que você compartilhe este livro com as suas crianças e eu espero que elas compartilhem com seus amigos, antes que isso se torne algo impossível de ser feito.

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