quarta-feira, 18 de março de 2009

Espadas de Marte - Edgar Rice Burroughs


Prólogo

A lua tinha aparecido por cima do bordo do canhão próximo às fontes do Pequeno Avermelhado. Banhava com uma luz tênue os leitos que bordeaban a ribeira da pequena corrente da montanha e os álamos, sob os quais se encontrava a pequena cabana onde eu levava várias semanas acampado nas Montanhas Brancas do Arizona.

Encontrava-me no alpendre da pequena cabana, desfrutando da suave beleza da noite do Arizona e, ao contemplar a paz e serenidade da cena, me parecia impossível que só uns poucos anos atrás o feroz e temível Jerónimo tivesse estado neste mesmo lugar, diante desta mesma cabana, ou que, gerações atrás, uma raça agora extinta tivesse povoado aquele canhão aparentemente deserto.

Tinha procurado em suas cidades em ruínas o segredo de sua origem e o ainda mais estranho secreto de sua extinção. Como eu gostaria que aqueles desmoronados escarpados de lava pudessem falar e me contar tudo o que tinham presenciado desde que brotaram como arroios incandescentes dos frios e silenciosas crateras que salpicavam a meseta que se elevava mais à frente do canhão!

Meus pensamentos voltaram de novo para o Jerónimo e a seus ferozes guerreiros, e estas erráticas reflexões me fizeram recordar ao capitão John Carter da Virginia, cujo corpo inerte tinha descansado durante dez largos anos em uma cova esquecida de umas montanhas situadas não muito longe daqui, para o sul..., a cova onde escondeu-se de seus perseguidores índios apaches.

Seguindo o caminho de meus pensamentos, esquadrinhei os céus com o olhar até descobrir o olho encarnado de Marte brilhando no vazio negro azulado; assim pois, Marte estava presente em meus pensamentos quando voltei para minha cabana a me preparar para uma boa noite de descanso sob as susurrantes folhas dos álamos, cuja suave e hipnótica canção de ninar se misturava com o gorgoteante murmúrio das águas do Pequeno Avermelhado.

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