quarta-feira, 18 de março de 2009

Tarzan no Centro da Terra - Edgar Rice Burroughs

Prefácio

Pellucidar, como é do conhecimento de todos os estudantes, significa, antes de mais nada, um mundo dentro do outro, localizado, como de fato está, no interior da superfície externa da esfera oca que é o nosso planeta, a Terra.

E esse mundo foi descoberto ocasionalmente por David Innes e Abner Perry, quando empreenderam uma viagem experimental a bordo de uma aeronave, idealizada por Perry, com o objetivo de descobrir novas jazidas de antracito (tipo de carvão fóssil). Devido à inabilidade dos exploradores em desviar o bico da nave, depois de começarem a descida em direção à crosta terrestre, percorreram oitocentos quilômetros na vertical, até que, no terceiro dia de viagem, quando Perry já se encontrava inconsciente pela falta de oxigênio, devido ao consumo de toda a reserva que levava, e quando David Innes já começava, também, a perder a lucidez, chegaram à face interna da Terra e a cabina de comando foi imediatamente invadida pelo ar fresco que trouxe pronta recuperação aos tripulantes.

Nos anos que se seguiram, estranhas e inconcebíveis aventuras sobrevieram aos dois exploradores. Perry nunca retornou à crosta externa do nosso planeta, e David voltou apenas uma vez, utilizando-se da mesma aeronave, numa viagem difícil e perigosa, a fim de trazer ao império que fundara, no mundo interior, meios de progresso e desenvolvimento de seus primitivos súditos, criaturas humanas que ainda estavam em plena Idade da Pedra, em relação ao adiantamento do mundo civilizado do século XX.

No entanto, devido às constantes lutas contra as feras e os répteis pré-históricos, bem como contra certas tribos de homens ainda mais primitivos do que os acima mencionados, o avanço do império de Pellucidar, no sentido da civilização, foi muito pequeno. E considerando a vastidão da área que compreendia o mundo interno, mais os milhares de anos que separavam seus habitantes dos de nosso mundo civilizado, David Innes e Abner Perry, por mais que fizessem, no sentido de fazer o povo progredir e se adiantar, representavam uma gota d’água num oceano.
Se atentarmos para o fato de que as áreas de terra e as áreas de água, na superfície de Pellucidar, estão situadas em oposição às mesmas áreas do mundo exterior em que vivemos, poderemos ter uma vaga idéia da extensão desse mundo dentro do nosso.

A área de terra da crosta externa do nosso planeta compreende cinqüenta e três milhões de milhas quadradas... (137.270.000 km2), ou seja, um quarto da área total da superfície da Terra. No entanto, em Pellucidar, três quartos de sua superfície são constituídos de terras, daí as florestas, as selvas, as montanhas e as planícies se estenderam interminavelmente por mais de 124.110.000 milhas quadradas...(321.444.900 km2), sendo que os oceanos ocupam apenas 41.370.000 milhas quadradas (107.148.300 km2).

Se considerarmos apenas as áreas de terra, encontraremos uma estranha anomalia de um mundo maior dentro de um mundo menor. Mas Pellucidar é um mundo à parte, um mundo de exceção, uma espécie de desvio do que nós, da face exterior da Terra, acabamos por aceitar como inalteráveis leis da Natureza.

Exatamente no centro daquele mundo interno, ergue-se o sol de Pellucidar, uma pequena esfera comparada com o nosso sol, mas o suficiente para iluminar Pellucidar e infiltrar seus raios através das frondosas e milenares árvores que povoam suas selvas e suas florestas. E aquele sol eternamente a pino não permite que haja noite em Pellucidar, e sim um meio-dia infindável.
Não havendo estrelas e nenhum movimento aparente do sol, Pellucidar não tem bússola. Não tem horizonte, uma vez que a sua superfície é em curva para cima, em todas as direções, esteja onde estiver o observador. Assim sendo, acima da linha dos olhos, as planícies, ou os mares, ou as cordilheiras de montanhas são em ascensão, desaparecendo na distância. E num mundo onde não existe movimento de sol, onde não existem estrelas nem lua, o tempo também não existe, dentro dos moldes do mundo civilizado da crosta externa. E num mundo onde o tempo não conta, não há estes constantes apelos e lembretes da face exterior do nosso planeta: “Tempo é dinheiro!” — “O Tempo é a alma do mundo!” — “O Tempo é a essência dos contratos!” — etc.

No passado, por três vezes, nós, do mundo civilizado, recebemos comunicações de Pellucidar. Sabemos que o primeiro presente de civilização foi dado aos pellucidarianos por Abner Perry, sob a forma da pólvora. Depois foram as espingardas de repetição, pequenos navios de guerra, sobre os quais eram montados canhões de pequeno calibre, e finalmente soubemos que ele chegara a montar um rádio.

Sendo Perry mais intuitivo do que propriamente um técnico, não nos surpreendeu o fato de que seu rádio não pudesse ser sintonizado em qualquer onda conhecida ou em ondas longas do mundo exterior, e ficou para Jason Gridley de Tarzana o privilégio de captar a primeira mensagem de Pellucidar, através da Onda Gridley, uma descoberta sua.

E as últimas palavras de Abner Perry, antes que suas mensagens deixassem de ser captadas, foram em relação a David Innes, primeiro Imperador de Pellucidar, que se encontrava preso numa masmorra, nas terras dos Korsars, muito distante, por mar ou por terra, de sua amada terra de Sari, situada sobre imenso platô, na região próxima ao oceano de Lural Az.

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