
- Não saiam! -gritou a Sra. Carmody. - É a morte! Sinto que a morte está lá fora!
Bud e Ollie Weeks, que a conheciam, pareceram impacientes e irritados, mas alguns veranistas à volta dela afastaram-se alguns passos, pouco ligando para seus lugares na fila.
Nas cidades grandes, as bag-ladies parecem ter o mesmo efeito sobre os demais, como se fossem portadores de alguma doença contagiosa. Quem sabe? Talvez sejam mesmo.
Então, as coisas começaram a acontecer em ritmo acelerado e confuso. Um homem entrou aos tropeções no supermercado, empurrando a porta ENTRE até o fim. Seu nariz sangrava.
- Há alguma coisa naquele nevoeiro! - gritou.
Billy encolheu-se contra mim -fosse por causado nariz sangrento do homem ou pelo que ele dizia, eu não sei.
- Há alguma coisa naquele nevoeiro! - repetiu ele. - Alguma coisa no nevoeiro agarrou John Lee! Alguma coisa... - Ele tropeçou de costas em uma amostra de adubo para jardim, amontoada junto às vidraças e sentou-se ali. -Alguma coisa no nevoeiro pegou John Lee e eu o ouvi gritando!
A situação mudou. Já nervosas pela tempestade, pela sirene policial e o apito de incêndios, pelo sutil deslocamento que qualquer interrupção da força elétrica provoca na psique americana e pelo ambiente de cada vez maior inquietude quando as coisas, de algum modo... alguma forma, se transformam (não sei como expressá-lo melhor do que isto), as pessoas começaram a mover-se como um todo.
(...)
- O que é aquele homem cheio de sangue, papai? O que é?
- Está tudo bem, Grande Bill. É só o nariz dele. Ele está bem.
- O que ele quis dizer, com alguma coisa no nevoeiro?-perguntou Norton.
Vi que ele franzia a testa inteiramente, sem dúvida a sua maneira de parecer confuso.
- Estou com medo, papai - disse Billy, através de lágrimas. - Será que a gente não podia ir para casa?
O Nevoeiro - Stephen King [ Download ]



