quinta-feira, 7 de maio de 2009

Golem, homunculus, robôs, andróides e cyborgs: o imaginário cinematográfico na era da cibercultura


[...Em 1916, a indústria cinematográfica alemã lançará o primeiro de uma série de seis filmes sobre “Homunculus”, outra criatura artificialmente produzida, considerada por Sigfried Kracauer como a verdadeira antecessora de Frankenstein. Gerado num tubo de laboratório por um famoso cientista, Homunculus torna-se um homem “de intelecto acurado e desejo indomável” (Krakauer, 1988, p. 46) que, entretanto, será tomado pela revolta ao descobrir sua origem. Como o Golem, ele deseja o amor, mas será rejeitado e acabará desprezando raivosamente toda a humanidade. A criatura pressagia o próprio Hitler magistralmente: torna-se ditador de um país, incita greves que esmaga violentamente e chega a provocar um conflito bélico de caráter mundial, sendo finalmente destruída pela força natural (diríamos, também sagrada) de um raio.

Apesar desse final, Homunculus (exatamente como Frankenstein) é fruto de uma ciência sem limites morais e éticos. O foco de poder já se desloca, conforme a ênfase moderna na racionalidade – instrumental, diria Theodor Adorno –, para os prodígios de uma ciência que, no entanto, afastada da religião (e de seus valores), mostra-se uma ameaça nas mãos de homens ambiciosos e inescrupulosos.

Serão necessários mais de dez anos para que o imaginário germânico consagre a figura do robô (de uma ameaçadora mulher-robô, não se deve esquecer), em “Metropolis” (1928).
A partir da grande obra de Fritz Lang, o cinema terá cada vez mais presentes as imagens que evocam os autômatos, “animados pela força da mecânica, pelos paradigmas newtonianos de energia, força, movimento, regularidade”, conforme André Lemos.

A fronteira entre o artificial e o natural está aqui preservada de uma maneira marcante. Um sistema que se utiliza da técnica para uma produtividade ou eficiência cada vez maior passa a ser o “pai/carrasco” dessas criaturas reguladas e escravizadas. Os robôs clássicos, entretanto, mantêm ainda, nesses tempos marcados pela emergência do imaginário da cyborg society, seu apelo junto às grandes platéias. Como esquecer as simpáticas criaturas da trilogia produzida nos anos 1980 “Guerra nas Estrelas”, relançada – em nova versão – com inusitado sucesso na segunda metade da década de 1990? ]

Golem, homunculus, robôs, andróides e cyborgs - Adriana Schryver Kurtz [ Download ]

Adriana Schryver Kurtz- Escola Superior de Propaganda e Marketing - ESPM.