sexta-feira, 26 de junho de 2009

Além do planeta silencioso - C. S. Lewis



De repente parecia que as luzes do Universo tinham sido diminuídas. Era como se um demônio houvesse esfregado a face do céu com uma esponja suja e o esplendor em que tinham vivido durante tanto tempo empalideceu, transformando-se num cinza triste e deprimente.

De onde estavam sentados não era possível levantar as venezianas ou abrir as cortinas. Aquilo que tinha sido uma carruagem deslizando nos campos do céu, transformara-se numa caixa escura de aço, fracamente iluminada, que caía. Estava caindo do céu num outro mundo. Esta foi a impressão mais forte causada em Ransom em toda a sua aventura. Admirou-se de como pudera ter considerado os planetas, a Terra inclusive, como ilhas de vida e realidade boiando num vácuo mortal.

Daquele momento em diante passou a considerar os planetas, que chamava de “terras” em seu pensamento, como simples buracos ou falhas no céu vivo, refugos excluídos e rejeitados de matéria pesada e ar obscuro, formados não por adição mas sim por subtração da claridade envolvente. Mas, pensou, além do sistema solar esta claridade acaba. Será aí o verdadeiro vácuo, a verdadeira morte? A menos... procurou coordenar suas idéias... a menos que a luz visível também fosse um buraco, uma falha, uma simples subtração de alguma outra coisa. Algo que esteja para o céu claro e inalterável assim como o céu está para as terras pesadas e escuras...

As coisas nem sempre acontecem como se espera. No momento de sua chegada num mundo desconhecido, Ransom estava totalmente absorvido em especulações filosóficas.

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