sábado, 27 de junho de 2009

Marginalia - Stephen Baxter



(Nota do autor: O documento me foi enviado anonimamente em um envelope lacrado, o documento em si, uma fotocopia, trata-se do papo furado do governo, com partes ilegíveis. Mas os comentários escritos nas margens são o mais intrigante.)

Primeira página:
Escritório Geral de Contabilidade (GAO) dos Estados Unidos, respondendo ao honorável William X. Lambie, Câmara dos Deputados Junho de 1998
Registros Governamentais
Resultados concernentes a pesquisa sobre a explosão ocorrida em 1983 próxima a Cross Fork, Nevada - Sumário GAO/NSRAF-96-244

De: Escritório Geral de Contabilidade dos Estados Unidos, Washington, DC20548 Divisão de Assuntos Internacionais e Segurança Nacional. 24 de Junho 1998.
Para: O ilustre William X Lambie, Câmara de Deputados.
Caro Mr. Lambie:
Após quinze anos, a especulação permanece quanto a verdade sobre a grande explosão que se alega ter ocorrido em uma base militar de pesquisas dos EUA em Nevada. Alguns especulam que a explosão se deu pela destruição de um foguete convencional, outros que foi causada por uma colisão aérea, talvez de natureza extraterrestre, outros que algumas agências governamentais estão em um tipo de campanha de desinformação para esconder a verdade, tal como o lançamento bem sucedido de algum tipo de veículo espacial, outros de que se tratou da demolição de uma instalação militar.
Em seu relatório oficial de 1984 e desde então, a Força Área vem negando tal explosão.
Cientes de que o Departamento de Defesa não lhe proveu com toda a informação disponível sobre o acidente, você nos solicitou que averiguássemos os registros do governo sobre o acidente, e assim examinamos uma vasta gama de documentos confidenciais ou não, de 1965 a 1980. O escopo total e a metodologia utilizada em nosso trabalho se encontra detalhada no relatório completo.



Senhor:
Eu li seu contra factual ’romance’. Sobre a NASA não ter ido para Marte em 1980, ao invés de fechar todos os projetos após o Apollo? Que lixo! Contra factuais não servem às necessidades da verdade. Mas agora a verdade está surgindo. E a verdade é que pessoas já foram à Marte. E eles estão andando entre nós agora mesmo. E ninguém sabe disso. É claro que muito do material recolhido das antigas sondas marcianas foi mantido em segredo do público. Isso inclui:
1) Fotos antigas tiradas pela Mariner 4 em 1964, do que seriam estruturas na superfície.
2) Alguns reflexos estranhos em meio a tempestade de poeira, fotografadas pela Mariner 9 em 1971.
3) As estranhas leituras feitas pelas Vikings em 1976, do que seria um supostamente solo estéril marciano.

E é claro, a observação de Marte feita em 1992, que foi deliberadamente destruída.
Poucos sabem que o GAO dos EUA, que é o braço investigativo do Congresso - recentemente publicou isso, os resultados da busca de registros sobre o incidente em Cross Fork, Nevada, o ponto alto desta manobra para encobrir os fatos sobre Marte. A pesquisa iniciada pelo congressista Bill Lambie, que desaprova tais manobras como qualquer um. Publicado significa dizer que foi abafada e enterrada. Eu tenho minha cópia graças a (ilegível);
Foi assim que eu comecei com isso: Recebi um email de Janet (ilegível) de Albuquerque. Ela disse ter conhecido uma prostituta em Reno nos anos 70. Esta mulher trabalhava em uma espelunca perto de Cross Fork, Nevada. E ela disse a Janet que conhecera muitos ex-engenheiros da NASA da cidade na época. E que uma noite, dois caras da NASA começaram a falar um pouco mais do que o normal.



CONSELHO DE SEGURANÇA NACIONAL, WASHINGTON DC 20506. 18 de Abril de 1997.
MEMORANDO PARA MR JOHN E PROCTOR, DIRETOR ENCARREGADO DE ASSUNTOS DE SEGURANÇA NACIONAL, GAO.
Assunto: Requisição de registros.
Respondendo sua solicitação de 2 de Abril de 1997 por informações ou registros relacionados a suposta explosão próxima a Cross Fork, Nevada em Outubro de 1983.
O Departamento não possui registros ou informações relativas ao incidente.
Para informações sobre qualquer registro governamental que possa ter documentado a explosão em Nevada,sugerimos que contate os Arquivos Nacional, Divisão de Referência Textual, 8601 Adelphi Rd, College Park, Maryland 20740.
Albert D Steele, Secretário Executivo



São 4 as categorias chave do encobrimento do caso Marte:
1) As gerências de alto escalão, incluindo CIA, FBI e DIA
2) A Interface pessoal
3) A Interface técnica
4) Os astronautas

Somente recrutando astronautas poderiam encarar tal desafio. E eram afinal, homens bravos e dedicados. Manter o segredo nunca foi o maior problema, mesmo para um projeto deste tamanho. Haviam precedentes. Mais de 3 mil pessoas estiveram envolvidas na construção da bomba atômica entre 1942 e 1945, e nenhuma informação chegou ao público.
Além disso a América tinha se tornado um estado policial à muito tempo (grampos e escutas, vigilância de civis) e bastava aplicar estes métodos ao Projeto Marte.
(alguém me mandou um email sobre alguém que ligou para um programa de rádio do Arizona, dizendo ser o homem que coordenava a segurança da NASA naquele período. Ele disse que quatro homens morreram em missões e que tudo foi silenciado pela NASA. E ele disse verdades sobre a Apollo 13 que ninguém nunca ouvira antes. Provavelmente um doido.)

O projeto Marte inteiro ficava ao sul de Nevada em uma (assim chamada) base de testes atômicos: mil milhas quadradas do deserto de Nevada.
Por que lá?
Era uma área de montanhas, picos, vales desérticos de lagos secos. O território parecido com o solo lunar, escondia uma grande quantidade de túneis escuros e instalações secretas.
Você vê um carro à distância apenas pela sua nuvem de poeira, qualquer coisa que se mova será a única coisa a se mover naquele cenário. E como se chega lá? Mesmo em 1970 sua reputação era de uma região esquecida, mergulhada em radiação.
A maioria das instalações da USAF Marte ficavam em instalações da AEC, como Yucca Flat e Camp Desert Rock, ou Área 22.
E tinha uma outra boa razão: Vegas - apenas a 60 milhas sudoeste.
Aqueles astronautas não eram crianças, e não estavam ali para colher flores. Os trabalhadores para o centro de controle do projeto Marte eram uns otários recrutados nos cassinos de Las Vegas.



Gabinete Executivo do Presidente, Ministério de Ciência e tecnologia, Washington DC 20500. 20 de Abril de 1997. Mr. John E Proctor, Diretor encarregado, Assuntos de Segurança Nacional, GAO.

Caro Mr. Proctor:
Em resposta ao seu recente questionamento de 2 de Abril de 1997.
O Ministério de Ciência e Tecnologia reviu seus registros concernentes ao ’Incidente de Nevada’. O Ministério não tem conhecimento direto do que ocorreu em Nevada e nenhum registro exceto pela informação recebida da Força Aérea. Aguardo com expectativa o relatório da GAO
Atenciosamente, Joseph V Ververk, Diretor



Em Cross Fork, Nevada, eu encontrei aquela prostituta.
E graças a ela achei um cara chamado Tad Jones.
Tad Jones dizia ter trabalhado no inicio dos anos 70 em um programa clandestino de foguetes nucleares do governo. Este projeto continuou após o fechamento do projeto NERVA, de conhecimento público, logo após a (suposta) decisão de Nixon de não irmos mais para Marte. Jones e outros trabalhadores foram ameaçados e obrigados a manter segredo sobre seu trabalho no projeto. Jones foi despedido em 1972, eu penso que por razões pessoais. Agora, mais do que duas décadas depois, a radiação o estava matando.

A coisa foi assim, Tad Jones me contou que encontrou um cara que conhecia um sujeito que contou que tinha estado em Marte.
Ele se chamava Elliot Becker e tinha sido um coronel da Força Aérea que cometeu o erro de se embebedar uma noite. Sobre falsos pretextos que não cabe dizer aqui, fui encontrar Elliot Becker pessoalmente. Era agora um oficial aposentado da Força Aérea, na casa dos 60 anos, e sofria com sinais de envelhecimento precoce, músculos atrofiados e osteoporose.
Me despachou logo, mas não antes de eu reparar em algumas coisas bem esquisitas.
Por um instante, em um ponto da conversa, Becker largou um copo em pleno ar e ficou olhando estarrecido enquanto caia. O tipo de coisa que acontecia bastante com os astronautas da Skylab e cosmonautas da Mir, condicionados a G Zero. Sem contar que sua doenças eram consistentes com a idéia de que Becker tivesse passado por um vôo de longa duração no início dos anos 80.
Mas ele nunca esteve em um vôo espacial conhecido.
Então onde diabos tinha ido?

Só encontrei Tad Jones aquela vez.
O que não era tão surpreendente assim. Velho, pobre, sofrendo com dores, Jones se tornara menos discreto. Não sei como morreu. Os antigos problemas devido a radiação deviam ter afetado as coronárias. É claro que ele podia estar mentindo sobre a coisa toda. Mas se fosse mentira, onde então ele conseguira aqueles ferimentos?



Departamento de Justiça dos EUA, Bureau Federal de Investigação, Washington DC 20535, 22 de Abril, 1997.
Mr. John E. Proctor, Director encarregado, Assuntos de Segurança Nacional, GAO.

Caro Mr. Proctor:
Em resposta a sua carta de 2 de Abril de 1997, de Simon J Holusha, Diretor, Assuntos administrativos da Justiça, GAO, para Kathryn G Keyworth, Inspetor encarregado, Escritório Publico para Assuntos do Congresso, FBI, requerendo registros do governo concernentes a explosão em larga escala próxima a Cross Fork, Nevada em Outubro de 1983 (Código 91183).
Uma pesquisa nos arquivos do FBI determinou que todos os dados do FBI referentes ao incidente foram processados sob o Ato de Liberdade de Informação (FOIA) e está disponível para revisão no salão de leitura da FOIA. Se seu pessoal desejar ter acesso a este material, por favor contatem Margaret Feeley, um dos membros do meu staff, com pelo menos 48 horas de antecedência.
Atenciosamente, Eric G Dower, Agente Supervisor, Gabinete de Assuntos Públicos do Congresso.



A verdade sobre Marte agora era óbvia.
As sondas marcianas não encontraram qualquer evidência de que havia vida em Marte por que isso foi deliberadamente ocultada. A tempestade de poeira que dificultou o trabalho da Mariner 8 não foi coincidência! – foi parte dos esforços dos habitantes de Marte para dar àquele lugar a aparência lunar. E a superfície foi esterilizada por bombas de nêutrons antes das Vikings pousarem, e a sonda Mars Observer foi abatida ainda no céu ...
Não voltamos lá por vinte anos. E quando fomos para lá com a Pathfinder e o resto, não havia mesmo nada para se ver. É claro que não. Os marcianos tinham feito uma maquete completa.
E ninguém nos disse nada sobre isso. Nós adoramos segredos neste pais.
Veja só: No ano passado o governo dos EUA produziu cerca de seis milhões de documentos classificados. O menos restrito tem o carimbo de ’FOUO’ (Para uso oficial somente) a categoria seguinte, a primeira tecnicamente classificada é ’Confidencial’. Depois disso vem ’SEGREDO’ e alguns ’SEGREDO da NATO’ o que quer dizer que pode ser compartilhado apenas com as nações da NATO. E então vem ’Altamente secreto’ e ’NATO altamente secreto’. Acima disso temos ’SCI’ Informação sensivelmente compartimentada, aberta apenas para poucos indivíduos. Então vem um tipo que você só poderá ver se estiver numa lista BIGOT, com sua própria palavra código específica. E então temos qualificações como ’NOFORN’ , não permitida para estrangeiros - e NOCONTRACT – não permitida para contratadores - ’WNINTEL’ Ou ’nota de atenção – fontes ou métodos da inteligência envolvidos’, ’ORCON’ ’controle do autor sobre divulgações posteriores’.
Qual o custo de todo este segredo? Quando o segredo aumenta a força militar e quando enfraquece a segurança? Deveríamos saber! Ou será que isso é confidencial também?

As provas encontradas pela sonda espacial naturalmente foram encobertas. Eu deveria me utilizar desta nossa disposição natural pelo segredo. Mas depois de algo tão grande assim, isso me perturbou profundamente. É por esta razão que eu luto contra isso.



(Teletipo descoberto durante revisão do material da FOIA)
FBI DALLAS 20/10-1983 4:28 PM
DIRETOR E SAC, CINCINNATI URGENTE

EXPLOSÃO EM NEVADA, INFORMAÇÂO RELATIVA
(branco)
ESTE ESCRITÓRIO FOI AVISADO POR TELEFONE QUE (branco) SATÉLITE OBSERVOU RUÍNAS E DESTRUIÇÃO EM (branco) CONVERSAÇÃO TELEFÔNICA ENTRE ESTE ESCRITÓRIO E (branco) FALHARAM EM FORNECER. FOTOS E NEGATIVOS FORAM TRANSPORTADOS PARA ESTE ESCRITÓRIO POR CONTA DO INTERESSE NACIONAL NO CASO E PORQUE REDES DE TRANSMISSÂO NACIONAIS COMO A ASSOCIATED PRESS E OUTRAS, TENTARAM DIVULGAR A HISTÓRIA DA EXPLOSÂO OU DESASTRE AÉREO HOJE, SEM QUE AS DEVIDAS INVESTIGAÇÔES FOSSEM FEITAS. FIM.


Aqui está a história, o melhor que consegui reconstruir.
Em 1971 com informações das sondas espaciais sobre uma avançada e possivelmente hostil civilização em Marte, o presidente Nixon ordenou que se iniciassem missões secretas para Marte, tripuladas ou não. Com a possibilidade de se lançar um ataque nuclear contra o planeta.
O projeto ficou sob o comando da Força Aérea americana e utilizaria a tecnologia de lançamento do Programa Apollo, com foguetes de estágio nucleares.
(E esta senhor, é a verdade sobre a decisão de Nixon de ir à Marte após a Apollo. Ele não decidiu que não deveríamos ir, decidiu que deveríamos ir sim, porém o projeto não seria controlado pela NASA mas pela USAF e teria que ser secreto. Mesmo o programa que publicamente se seguiu ao Apollo, o Programa Ônibus espacial, tinha um certo ar militar, e um papel importante na defesa da Terra contra os marcianos, o qual ainda irei determinar.)

Elliot Becker foi treinado para ser um astronauta em 1960. Em 1971 sua morte foi forjada em um acidente com um avião T-38 e ele foi recrutado para o programa Homem em Marte.
Mas Nixon caiu e o projeto foi abandonado, o complexo de lançamento de Nevada e o equipamento foram desmontados. Elliot ganhou uma patente superior dentro da Força Aérea com a responsabilidade principal de manter a integridade no acobertamento do programa Homem em Marte.

A partir de 1981 as coisas mudaram.
Os dados adicionais das Vikings estavam à mão. O Presidente Reagan ordenou o inicio de uma missão secreta para um vôo de averiguação tripulado à Marte, sob o comando da Força Aérea, usando o que fora deixado da tecnologia Saturno dos anos 70. Esta missão de objetivos limitados era relativamente fácil de se alcançar. Enquanto isso Reagan reativava as preparações para um ataque nuclear a Marte.

A missão foi lançada em 1982 da base secreta de Nevada. Levava dois homens e deveria alcançar Marte em seu lado eternamente escuro.
O fundo necessário foi coberto pelo projeto SDI. Mas quando o fundo SDI veio a ficar sob escrutínio e a atenção de Reagan se virou para outros assuntos, o projeto foi abandonado.
Eu aposto que a lógica foi que, os marcianos não constituíam uma ameaça imediata.
Desta vez o complexo de lançamento de Nevada foi destruído.
E esta é a verdade por trás da explosão de 1983.
...mas Elliot Becker completou sua missão.



Inspetor Geral, Departamento de Defesa, 400 Army Navy Drive, Arlington, Virginia 22202-2684, 29 de Abril de 1997. Mr. John E Proctor, Diretor Encarregado, Assuntos de Segurança Nacional. GAO.

Caro Mr. Proctor:
O relatório do Departamento da Força Aérea de Julho de 1984 responde aos questionamentos de sua carta de 2 de Abril para o GAO C91165. Se tiver qualquer pergunta por fazer, por favor, contate minha assistente Janet Fromkin, no número 703-604-7846. Se ela não se encontrar disponível, por favor procure Miss Frances Douhet no número 703-604-7543.
Atenciosamente,
Richard S Dupuy, Inspetor Geral Assistente para Análise de Despachos do GAO.



Tad Jones tinha me dito que em 1981 ele ouvira um boato que o projeto onde trabalhara estava sendo reativado. Mas ninguém estava contratando para Cross Fork.
Tad Jones era um tipo amargo. Ele tinha um carro off-road e então foi à caça.
O local do foguete nuclear não está em mapa algum. Jones teve que passar por cercas de arame farpado e por campos minados (ele me disse). Então se encontrou numa área de alta radioatividade (ele levava contadores). Se aproximou do centro do lugar e encontrou lá o que restou de um foguete nuclear do tipo Saturno 5, aquela forma branca de agulha, montados secretamente, em pé sobre um canteiro ferrugento lá no deserto. Coisa infernal aquilo. Ele me mostrou a fotografia. Jones disse que depois da demolição o lugar foi semeado com lixo radioativo. Disse que seria impossível voltar àquele lugar, agora letal, e que a evidência se perdera para sempre.

Mas o programa durou o bastante para mandar Elliot Becker até Marte.
Ele e seu colega se utilizavam de uma astronave tipo Apollo, fazendo a longa jornada de um ano em um módulo habitacional adaptado do Skylab.
Pense nisso. Becker deve ter visto a Terra e a Lua como estrelas gêmeas, a cada momento se afastando, mais distante do que qualquer homem já esteve antes. Imagino o que ele pensava encontrar ao final daquela viagem.



CIA, Washington DC 20505.
22 de Maio de 1997.
Mr. John E Proctor, Diretor Encarregado, Assuntos de Segurança Nacional, GAO.

Caro Mr. Proctor:
Em uma carta datada de 15 de Abril de 1997, esta agência o avisou que iria conduzir uma compreensiva pesquisa de registros para auxiliá-lo em sua investigação sobre uma explosão em Outubro de 1983 em Nevada. Em atendimento a sua requisição pesquisamos em todas as nossas bases de dados. A pesquisa não encontrou qualquer documento relatando algum destes termos a não ser pelo relatório feito por nosso pesquisador de campo Frederic K. Durant em 1983, e que permanece confidencial. Sendo assim, esta Agência não possui qualquer informação relevante para sua investigação.
Atenciosamente, Nora Franck, Diretora Executiva.



Isso vem provar que há esperança. Mesmo a mais gigantesca farsa e acobertamento, não importa o investimento feito em tempo e dinheiro, irá enfraquecer com o passar de algumas décadas. Olhe, a maioria destes registros públicos você pode verificar por si mesmo, como eu estou tentando fazer, certo? E te agradeço se o fizer se deixar-me saber disso. Quero dizer, são nossos cem bilhões de dólares. Eu tenho vontade de explodir cada segredo que encontro pela frente. Mas além de agir por principios, eu só quero saber, entende, temos dois caras por aqui que foram até Marte, pelo amor de Deus, e eles não querem que contemos suas histórias.
Irei para meu túmulo imaginando o que Elliot Becker diria. Será frio, deserto e vazio? Ou talvez existam mesmo algumas estruturas no deserto ocre do lado escuro de Marte.


Nós tateamos atrás da verdade e fazemos lentamente nosso progresso.
William Davenant, 1606-1668


(Nota do autor: Acho que é bem óbvio o por que de eu ser o alvo deste embuste em particular. E meu correspondente está certo sobre nossa cultura se exceder em manter segredos, como este não cooperativo documento demonstra por si só, enquanto o segredo ainda permanece, rumores sobre o que está sendo escondido continuarão a florescer. Mas como toda boa farsa, este tem em suas raízes fatos suficientes para torná-lo ao menos plausível – por que existem algumas coisas bem esquisitas nesta história em relação ao Homem em Marte. Antes da primeira das sondas espaciais, Marte era imaginado como sendo semelhante a Terra. Muitos observadores com seus telescópios tinham a certeza de ver redes de canais e faixas de vegetação. A sonda Mariner 4 em sua passagem próxima ao planeta em 1964 viu porém um mundo que mais se parecia com a Lua, de atmosfera rarefeita e crateras nos lugares onde os observadores terrestres tinham visto canais. Em 1971 a Mariner 9 orbitou o planeta e não viu coisa alguma devido a tempestade de poeira global que ocultava a superfície. E mais tarde as naves Viking que pousaram em Marte, não acharam formas de vida na superfície, era aparentemente estéril, talvez por conta da radiação solar. A Mars Observer falhou em alcançar Marte... e houveram propostas, discutidas nos anos 60, para vôos tripulados que passariam bem próximos à Marte, um programa que se seguiria ao Apollo e que sobrevoaria o lado escuro do planeta...)



GAO.
Sumário do relatório para o GAO/NSRAF-96-244 endereçado ao honorável W.X. Lambie.

Nossa pesquisa por registros governamentais foi dificultada pelo fato de que alguns destes registros que desejávamos ver estavam desaparecidos e nem sempre havia uma explicação para isso. Além disso, os regulamentos de gestão de registros no tocante a retenção e eliminação dos registros não eram suficientemente claros, ou mudavam durante o período que analisamos. Realizamos nossa análise a partir de Março de 1997 até Maio de 1998, em conformidade com o modelo de auditoria governamental geralmente aceito. Se você ou seu staff tiverem qualquer pergunta sobre este laudo, por favor me telefonem no número (202) 512-7858.
Atenciosamente,
John E. Proctor, Diretor encarregado, Assuntos de Segurança Nacional.



... fim?



Marginalia - Stephen Baxter
Incluso no livro Phase Space: Stories from the Manifold and Elsewhere