segunda-feira, 26 de abril de 2010

The Short Happy Life of the Brown Oxford and Other Stories - Philip K Dick



Prefácio

Vou definir ficção científica, dizendo o que não é FC.

Não pode ser definida como "uma história (ou romance ou peça) situada no futuro", já que existe uma coisa chamada aventura espacial, que se passa no futuro, mas não é FC: é somente isso: aventuras, lutas e guerras no espaço no futuro, envolvendo tecnologia avançada.

Por que então não é ficção científica? Poderia ser, e Doris Lessing (por exemplo) acha que é.

No entanto, falta para a aventura espacial uma idéia nova, que é o ingrediente essencial.
Além disso, existe ficção científica ambientada no presente: como história alternativa do nosso mundo.
Então, se separarmos a FC do futuro e também da ultra-avançada tecnologia, o que sobra que possa ser chamada de FC?

Pegue um mundo fictício, é o primeiro passo: uma sociedade que de fato não existe, mas é baseada na nossa sociedade conhecida, isto é, nossa sociedade serve como um ponto de partida para ela, a sociedade avança além, de alguma forma, talvez ortogonalmente, como acontece com a história alternativa.

Esse mundo 'deslocado', por algum tipo de esforço mental por parte do autor, é transformado em algo que não é, ou pelo menos ainda não.

Este mundo deve diferir de alguma forma, e esta diferença deve ser suficiente para dar origem a eventos que não poderiam ocorrer em nossa sociedade - ou em qualquer sociedade conhecida no presente ou passado.

Deve haver uma idéia coerente envolvida neste 'deslocamento', ou seja, ele deve ser conceitual, não apenas algo trivial ou estranho - esta é a essência da ficção científica, o 'deslocamento conceitual' na sociedade, de modo que, resulte em uma nova sociedade, gerada na mente do autor, transferida para o papel, e do papel, provocando um choque na mente do leitor, o choque do não-reconhecimento.
Ele sabe que não é seu mundo real, aquele que ele está lendo.

Agora, para separar ficção científica de fantasia. Isso é impossível de fazer, e mostrarei o porquê.

Veja os psiônicos; como os mutantes que encontramos no maravilhoso 'More Than Human' de Ted Sturgeon.  Se o leitor acredita que os mutantes poderiam existir, então ele vai ver o romance de Sturgeon como ficção científica. Se, no entanto, ele acredita que os mutantes, assim como magos e dragões, não são possíveis de existir, nem serão, então ele está lendo um romance de fantasia.


Fantasia implica naquilo que a opinião geral considera impossível; a ficção científica é aquilo que a opinião geral diz possível, sob certas circunstâncias. Esta é, em essência, um julgamento particular, desde que o possível e o que não é possível, não é objetivamente conhecido, mas sim, uma crença subjetiva por parte do autor e do leitor.

Agora, para definir uma boa ficção científica.
O 'deslocamento conceitual' - a idéia do novo, em outras palavras - deve ser realmente nova (ou uma nova variação sobre algo velho) e deve ser intelectualmente estimulante para o leitor, deve invadir sua mente e despertá-lo para a possibilidade de algo que ele não tinha até então pensado.

Assim, "boa ficção científica"  é um termo, não é uma coisa objetiva, mas acho que ela existe.

O Doutor Willis McNelly da California State University em Fullerton disse-o melhor:
"O verdadeiro protagonista de uma história de ficção científica é uma idéia, e não uma pessoa".

Se é boa FC, então é uma idéia nova, é estimulante e, provavelmente, o mais importante de tudo, ela dispara uma reação em cadeia, ramificando-se em idéias na mente do leitor, que por assim dizer desbloqueia a mente do leitor para que, como a mente do autor, ela comece a criar ideias também.

Assim, A FC criativa inspira a criatividade, o que a ficção mainstream não faz.

Nós que lemos FC (estou falando como um leitor agora, não como escritor) lemos porque gostamos de experimentar esta reação em cadeia de idéias, sendo iniciada por algo fora de nossa mente, algo com uma idéia nova, por isso, o melhor da FC, em última análise, acaba sendo uma colaboração entre autor e leitor, em que ambos criam - e gosto de fazê-lo: o prazer é o ingrediente essencial e final da ficção científica, o prazer da descoberta do novo.

PKD - 14 de Maio de 1981


Contents

STABILITY
ROOG
THE LITTLE MOVEMENT
BEYOND LIES THE WUB
THE GUN
THE SKULL
THE DEFENDERS
MR. SPACESHIP
PIPER IN THE WOODS
THE INFINITES
THE PRESERVING MACHINE
EXPENDABLE
THE VARIABLE MAN
THE INDEFATIGABLE FROG
THE CRYSTAL CRYPT
THE SHORT HAPPY LIFE OF THE BROWN OXFORD
THE BUILDER
MEDDLER
PAYCHECK
TTHE GREAT C
OUT IN THE GARDEN
THE KING OF THE ELVES
COLONY
PRIZE SHIP
NANNY
NOTES

The Complete Stories of Philip K. Dick Vol. 1 - The Short Happy Life of the Brown Oxford and Other Stories by Philip K Dick [ Download ]