terça-feira, 29 de junho de 2010

Dinossauros - Arthur C. Clarke e outros



Por 140 milhões de anos, o mundo foi governado por monstros.

Monstros cobertos de chifres, espinhos, cristas e armaduras impenetráveis; monstros cheios de garras, mandíbulas gigantescas que se abriam para mostrar filas de dentes mortais, afiados como os dos tubarões, monstros que pairavam e deslizavam nos céus pré-históricos como grandes dragões e nadavam como serpentes do mar nas profundezes geladas dos oceanos.

Monstros que ainda hoje habitam nossos pesadelos e podem ainda dividir o mundo conosco.
Monstros que nos fascinam.
Dinossauros.

Se você cresceu nos anos cinquenta ou sessenta, provavelmente foi ensinado a pensar nos dinossauros como imensas, desajeitadas, estúpidas feras de sangue frio que passavam os dias submersas até o pescoço em águas profundas (para ajudar a suportar seu vasto peso), ou talvez vagando lentamente por algum pântano tropical.

Há um esperto ar de auto-parabenização nessa visão; os dinossauros desapareceram por que eram muito estúpidos e inflexíveis, incapazes de adaptar-se às mudanças de condições - diferentes de nós, espertos primatas.

O termo “dinossauro” ainda é usado nesse sentido hoje em dia, aplicado a instituições fora de moda e obsoletas ou pessoas que são incapazes de acompanhar a mudança dos tempos em suas profissões, e ainda há uma presunção mamífera para esse uso.

Como se nós tivéssemos sobrevivido - ou, ao menos, nossos ancestrais distantes - baseados em cérebro, habilidade e coragem, enquanto os obtusos titãs de cérebro de ervilha não o conseguiram; como se tivéssemos superado os dinossauros, como se os tivéssemos expulso do Terra.

Nada podia estar mais longe da verdade. Como Adrian J. Desmond disse: “Os mamíferos existiam desde o fim do Triássico, 190 milhões de anos atrás, e ainda assim pelos primeiros cento e vinte milhões de anos de sua existência, do fim do Triássico até meados do Cretáceo, foram uma raça reprimida, incapaz de gerar, nesse período, algum carnívoro maior que um gato ou um herbívoro maior que um rato...

Os dinossauros eram os senhores do mundo, criaturas tão eficientes em sua fisiologia e locomoção que arrebataram o mundo das garras dos mamíferos e o monopolizaram por 120 milhões de anos.”

É verdade que muitos dinossauros eram imensos - o “Ultrassauro”, por exemplo, que acredita-se ter pesado cerca de setenta toneladas e medido quinze metros, pode ter sido o maior animal que já existiu. E é verdade que muitos dinossauros eram relativamente estúpidos - o grande Brontossauro (conhecido agora como “Apatassauro” pela paleontologia moderna), por exemplo, tinha um cérebro que pesava apenas 1/100.000 do peso de seu corpo.

Mas esses eram apenas alguns dos dinossauros. Com diversidade espantosa, os dinossauros adaptaram-se com sucesso - e preencheram - quase todos os nichos ecológicos, exceto pelo nicho ultrapequeno, do tamanho de ratos, que era o refugio para onde se retiraram os mamíferos pelos 120 milhões de anos seguintes. Diz Desmond: “Durante sua (dos dinossauros) temporada como senhores da terra, eles produziram uma corrente de formas para preencher os nichos hoje ocupados por mamíferos e pássaros tão diferentes quanto elefantes, tigres e avestruzes.”

Havia alguns dinossauros, como o Echinodon e o Compsognathus Longipes, que tinham o tamanho de galinhas.

Havia alguns que eram graciosos e ligeiros. E enquanto alguns dinossauros eram bem burros, alguns dromaeosarurídeos dos meados do Cretáceo, como o Deinonychus e o Sauronithoides, eram relativamente inteligentes, com grandes cérebros, visão binocular e dedos para agarrar com um polegar opositor; dinossauros que, nas palavras de Desmond: “são separados de outros dinossauros por um golfo comparável com aquele que divide homens de vacas”.

O debate sobre se os dinossauros tinham ou não sangue quente (pela primeira vez levantado por Robert T. Bakker e outros no inicio da década de 70) continua a existir e, provavelmente, será assunto de controvérsia em círculos científicos por décadas.

Ainda assim, qualquer que seja o lado que essa controvérsia favoreça, nossa visão de vida dos dinossauros mudou consideravelmente daquela existente nos anos cinquenta, de obtusos chafurdadores de lama. Como Silva J. Czerkas e Everett C.Olson disseram: “Quilo por quilo, a maioria dos dinossauros gigantes era mais forte, mais rápido e mais manobrável que os rinocerontes e elefantes de hoje em dia”.

Agora é amplamente aceito que alguns dinossauros viajavam em bandos, com uma organização social similar aos animais de rebanho de hoje, e mesmo o maior dos comedores de plantas é agora cada vez mais considerado como habitante de florestas, preenchia um nicho parecido com o que é hoje ocupado por elefantes e girafas, ao invés de vagueadores de pântanos. Alguns outros dinossauros, como algumas variedades de hadrossauro “bico de pato”, são conhecidos por terem posto ovos em grandes colônias ou “incubadoras”, como alguns pássaros marinhos de hoje, e acredita-se que realmente criavam seus filhotes depois de nascidos, em vez de abandonarem os ovos ainda fechados ao seu próprio destino, como muitas tartarugas fazem.

Já foi sugerido que os pássaros modernos são descendentes diretos dos dinossauros; assim, num sentido, os dinossauros não se extinguiram realmente - em vez disso, você vê um representante vivo deles cada vez que vai ao parque. Você até mesmo pode ter alimentado-o com pedaços de pão.

Entretanto, se isso é verdade, - e ainda é altamente controvertido - então os pássaros são apenas descendentes remanescentes dos dinossauros. Porque há 65 milhões de anos, todos os outros dinossauros desapareceram repentina e misteriosamente da terra, do mar e do ar. Mortos. Todos eles, mortos - num período que calcula-se variar de um milhão a alguns milhares de anos, ou mesmo alguns dias.
Extintos.

O que matou os dinossauros?

Esse tem sido um dos maiores mistérios da ciência por décadas, e há quase tantas teorias quanto há teorizadores. Por anos, a teoria principal era que uma supemova próxima havia atingido a Terra com uma mortal onda de radiação.

Outras favoritas eram as teorias da seca global (lembra-se daqueles dinossauros em Fantasia, vagando pelo deserto e morrendo de sede?), ou uma mudança do clima, quando então morreram de frio (embora haja algumas novas evidências que sugerem que alguns deles já viviam em áreas com um clima frio o bastante para formar gelo e congelar lagos). Períodos de grande atividade vulcânica por todo o mundo já foram acusados, assim como a chuva ácida.

Uma teoria sugere que pequenos mamíferos furtivos correram pelas florestas comendo os ovos dos dinossauros. Há uma teoria que atribui seu desaparecimento à mudança da dieta causada pelo aumento das plantas floridas; outra diz que os dinossauros foram mortos por envenenamento alcalóide ao se alimentarem de plantas floridas; ainda outra diz que morreram de febre do feno pelo aumento das plantas floridas; e há ainda uma teoria que diz que os dinossauros morreram de constipação quando uma certa planta com propriedades laxativas se tomou extinta.

A última favorita, sugerida pela primeira vez em 1979 pelo Dr. Luiz de Alverez, é que um imenso asteróide atingiu a superfície da Terra provocando monstruosos terremotos, imensos maremotos, incêndios globais e, muito pior, nuvens de poeira de rocha, fumaça, sujeira e vapor de água que espalharam-se pela atmosfera, bloqueando o sol e criando um cenário similar àquele de um “inverno nuclear”: nenhuma luz solar, uma catastrófica queda de temperatura por todo o mundo e a morte da maior parte da vida vegetal, incluindo o tão importante plâncton no oceano, a base de toda a cadeia alimentar. Essa teoria foi amplamente aceita durante os anos 80. Mas detratores começaram a aparecer, e agora está novamente sob ataque.

A verdade é que nenhuma dessas teorias parece explicar adequadamente todos os intrincados detalhes da Grande Extinção Cretácea. Você pode muito bem sugerir, como Clifford D. Simak fez, que alienígenas famintos comeram os dinossauros, ou sugerir, como Isaac Asimov, que aqueles inteligentes e vorazes pequenos dinossauros que mencionamos, Sauronithoides e sua espécie, desenvolveram uma arma e caçaram seus parentes maiores e mais tolos até a extinção antes de inventarem a guerra e se virarem uns contra os outros.

É interessante especular sobre como seria o mundo hoje se os dinossauros não tivessem se tornado extintos. O professor Carl Sagan da Universidade Comell escreveu: “Se não fosse pela extinção dos dinossauros, as formas de vida dominantes na terra hoje seriam descendentes do Sauronithoides, escrevendo e lendo livros, especulando sobre o que teria acontecido se os mamíferos tivessem prevalecido?” E o título deste livro teria que ser... “Mamíferos!”!
Sabe-se lá. Enquanto isso, fique feliz de que as coisas tenham acontecido desse modo, e continue lendo.

Jack Dann e Gardner Dozois.



Caminho do Tempo - ARTHUR C. CLARKE
Os Corredores - BOBBUCKLEY
Pobre Pequeno Guerreiro - BRIAN W. ALDISS
Estratos - EDWARD BRYANT
Dinossauros - GEOFFREY A. LANDIS
Estação de Incubação - HARRY TURTLEDOVE
Irmão Verde - HOWARD WALDROP
Mudança de Tempo - JACK DANN & GARDNER DOZOIS
Os falsáurios - JAMES TIPTREE, JR
Arma para Dinossauros - L. SPRAGUE DE CAMP
O Último Cavalo-Trovão a Oeste do Mississippi - SHARON N. FARBER
TEM Dinossauro - STEVE RASNIC
Pulando Fora - STEVE NUTLEY
Dinossauro de Bicicleta - TIM SULLIVAN

Dinossauros - Arthur C. Clarke e outros [ Download ]