sexta-feira, 25 de junho de 2010

A Sonda do Tempo - As Ciências na Ficção Científica - Arthur C.Clarke





INTRODUÇÃO
Ciência e Ficção Científica

A ficção científica deve ser um dos campos da literatura que mais antologias mereceu — o que é, naturalmente, um tributo à sua vitalidade e à sua popularidade.

Mas esta mesma popularidade é embaraçosa para o suposto antologista — a maioria dos melhores contos já foi usada vezes sem conta e é difícil pensar em uma nova forma de abordar o assunto.

Robôs, Invasores do Espaço, Viagens no Tempo, Mutantes — todos os temas clássicos — já foram empregados para dar coerência às coletâneas de contos (a maioria editada por Groff Conklin).

Entretanto, qualquer antologia, salvo se compilada, marcando fichários ao acaso, deve ter um padrão ou esboço global. Neste volume o esquema é muito simples, embora, pelo que me conste, nunca tenha sido usado antes. Estes contos foram todos selecionados porque ilustram um aspecto particular da ciência ou da tecnologia — de preferência um aspecto surpreendente ou estranho.

Dito isto, quero acrescentar, rapidamente, algo para tranqüilizar o leitor. A primeira função de um conto é o de entreter — não instruir ou pregar. Nenhum escritor deve jamais esquecer as palavras imortais de Sam Goldwyn: "Se você tiver uma mensagem use o Cabo Submarino." Embora estes contos tenham sido escolhidos, principalmente, devido ao seu conteúdo científico, a seleção final teve por base o entretenimento. Portanto, numerosos contos, cheios de inventividade, foram rejeitados, simplesmente, porque não se enquadravam nesta categoria.

O teste definitivo de qualquer história se faz quando é relida, de preferência após o lapso de alguns anos. Se for boa, a segunda leitura dará tanto prazer quanto a primeira. Se for excelente, a segunda leitura será mais saborosa. Se for uma obra-prima, melhorará a cada leitura. E inútil dizer que existem muito poucas obras-primas, tanto dentro como fora da ficção científica, e não garanto que se encontre alguma neste volume.

Entretanto, estou razoavelmente certo de que todos estes contos valem a pena ser lidos ao menos duas vezes e que a maioria deixará uma lembrança duradoura na memória do leitor. A prova de que uma história é realmente medíocre é que a pessoa não poderá lembrar-se de que já a leu alguma vez.

Felizmente, hoje em dia, não há mais necessidade de defender a ficção científica contra os analfabetos que, até bem pouco, estavam inclinados a atacá-la. Entretanto, velhos aficionados como eu, conservam ainda mecanismos automáticos de defesa; é difícil abandonar os instintos de uma vida inteira, e posso ainda recordar os dias em que costumava esconder as capas das minhas Histórias Fantásticas e Espantosas de 1930. (Isso é que era Arte Pop.) Estes instintos fazem-nos cair às vezes no extremo oposto, como aconteceu comigo, recentemente, numa reunião do PEN Clube de Nova York, quando declarei que a ficção científica era uma ponte entre as famosas "Duas Culturas".

Hoje repudio, ou pelo menos modifico esta afirmação pois, pensando bem, não acredito que haja duas culturas; o que existe é a cultura e a não-cultura. Uma pessoa que conheça tudo sobre as comédias de Aristófanes e nada sobre a Segunda Lei de Termodinâmica é tão inculta como aquela que dominou a teoria quântica, mas pensa que Van Gogh pintou a Capela Sistina. (É ocioso dizer que estes tipos extremos não existem; mas há alguns bem parecidos.) Por conseguinte, agora afirmaria, não que a ficção científica é uma ponte entre duas culturas, mas que é uma das muitas pontes à cultura, e só isso. No momento, essa ponte tem muito pouco trânsito; mas terá mais.

É minha esperança que estes contos — alguns dos quais nunca figuraram em uma antologia e outros, tenho a satisfação de dizer, foram salvos do esquecimento — agradarão enormemente aos fãs da ficção científica e àqueles que pouco ou nada se interessam pela ciência. Mas, acima de tudo, espero que eles acendam nos jovens leitores um sentimento de espanto e admiração que, para a mente imaginativa e inquisidora, torna este tipo de literatura mais gratificante do que qualquer outro.

Desejaria agradecer ao meu infatigável agente, Scott Meredith, pela sugestão do plano desta antologia; a Bob Silverberg, pela sua pesquisa e por ter posto à minha disposição seus arquivos, que tanta nostalgia provocam, de Fantásticos, Assombrosos, Maravilhosos, etc.; a Bárbara Silverberg, pelas longas horas gastas com o aparelho de fotocópia; e a Don Fine por protelar tantas vezes o prazo para a entrega deste trabalho.

ARTHUR C. CLARKE - Londres, junho de 1966





SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
Ciência e Ficção Científica

MATEMÁTICA
Robert A. Heinlein - ... E Ele Construiu Uma Casa Torta

CIBERNÉTICA
Murray Leinster -  O Wabbler

METEOROLOGIA
Theodore L. Thomas - O Meteorologista

ARQUEOLOGIA
Robert Silverberg - O Negócio de Antigüidades

EXOBIOLOGIA
James H. Schmitz - Vovô

FÍSICA
Isaac Asimov - Não é a Ultima Palavra!...

MEDICINA
Cyril Kornbluth - A Maleta Preta

ASTRONOMIA
Philip Latham - A Cegueira

FISIOLOGIA
Arthur C. Clarke - Respire Fundo

QUÍMICA
Jack Vance - Os Oleiros de Firsk

BIOLOGIA
Julian Huxley - As Experiências do Dr. Hascombe


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