domingo, 18 de julho de 2010

Entrevista com Terry Pratchett



Terry Pratchett é um escritor milionário.

É provavelmente o escritor mais apreciado e seguido fanaticamente da Inglaterra. Quase sempre está entre os primeiros nas listas de livros mais vendidos, e o único a fazer sucesso tanto com crianças quanto com adultos.

Prolifico, escreve praticamente dois livros por ano, e ninguém se espanta ao entrar em uma livraria e encontrar paredes inteiras tomadas com seus lançamentos. Nas suas turnês, centenas de fãs apaixonados ficam horas nas filas atrás de seu autógrafo. Ganhou a Carnegie Medal de literatura infantil.


Porém, se você cruzar com ele na rua, provavelmente não vai percebê-lo.
Entre seus colegas, Pratchet não desperta nem entusiasmo, nem reconhecimento.

Pratchet é um homem pequeno, quase sempre vestido de preto e usando um chapelão que esconde a calvicie. Apesar de seus muitos fãs e seus milhões no banco, e mesmo sendo um sucesso de vendas, sempre foi desprezado pela elite literária que torce o nariz para o gênero fantasia.

Pergunta: Você pode fazer um monte de inimigos aparecendo contente por ai, vendendo um monte de livros, ganhando muito dinheiro, sem se importar muito com isso.

Terry Pratchett: Se alguém me oferecesse, ganhar um prêmio famoso como o The Booker, ou ser o número um de vendas, eu diria que prefiro ser o número um! É uma coisa típica de um jornalista, você quer que suas palavras entrem na cabeça das pessoas, quanto mais gente melhor, e é claro, você quer ser pago por isso!

Seu carro-chefe de vendas, a série Discworld (um mundo que se sustenta nas costas de 4 elefantes que por sua vez são amparados por uma gigantesca tartaruga que navega no espaço) é sombrio e repleto de coisas estranhas, o mesmo elenco bizarro de gnomos, trolls, magos, zumbis, vampiros e duendes de sempre, comum, mas a fantasia escrita por Pratchett não é do tipo Harry Potter; ele assume que tem mais a ver com GK Chesterton neste aspecto, que é 'pegar aquilo que é familiar e cotidiano e transformá-lo, mostrando ao leitor, um ponto de vista diferente, como se visse tudo pela primeira vez.'

Pratchett: Minhas histórias mexem com conceitos reais, como política, liberdade de expressão..., mas basta colocar um dragão no meio disso para alguém te taxar de escritor de fantasia.

Sua primeira inspiração veio de 'The wind in the willows'. Como filho único, ele teve uma infancia idílica em uma vila de Beaconsfield, entre outros moleques. Não sabia ler até os dez anos, mas quando começou, lia tudo que podia ler e foi num sábado na biblioteca, que ele enveredou pela estante de literatura adulta.

Pratchett: 'The wind in the willows' era um livro incrivelmente estranho. Eu não o entendia muito bem, e por isto fiquei apaixonado por ele.

Pergunta: Discworld vai acabar algum dia?

TP: Sim, tem que acabar. Eventualmente vai se tornar muito restritivo. Enquanto eu puder fazer com que seja interessante... é um mundo, não preciso me fixar em um determinado personagem ou outro, mas há um limite. Tenho me preocupado estes anos em escrever livros, não em publicá-los, ou sendo um autor, o que pode ser dito em meu detrimento. Isso ocupa cada vez mais o meu tempo. Eu vou ter que dar um tempo e decidir onde diabos eu quero chegar.

Pergunta: Você raramente, ou nunca, disse muito sobre as origens de seu trabalho, e como nascem as ideias para suas histórias.

Pratchett: Eu nasci em uma enfermaria, mas logo fui levado para uma pequena aldeia em Buckinghamshire. Sou o típico exemplo de filho único. A casa em que eu cresci sequer tinha água. Era uma espécie de terra perdida. Tínhamos lampiões e minha mãe costumava voltar para casa com uma bateria de 90 volts para o rádio. Mas nós não pensávamos que éramos pobres. Sabíamos que estávamos todos na mesma situação, por isso pensei que era a maneira como as coisas eram.

Isso foi logo depois da guerra (Segunda Grande Guerra), de modo que, se você tivesse uma casa com um telhado sobre ela, você era um privilegiado. Havia muitas crianças na aldeia, e era idílico, porque nós éramos a geração pré-televisão. Estávamos sempre em meio a uma nuvem de poeira, com braços e pernas de fora. Nós não tivemos uma lagoa perto, caso contrário eu teria me afogado bem jovem. Mas tínhamos tudo o que se precisava nesta idade. Nós provavelmente nunca nos afastamos mais do que uma milha de nossa casa. Mas havia bosques e campos, você sabe. Era magnífico.

Uma das minhas primeiras memórias é a de ser levado pela minha mãe até uma grande loja chamada Gammages, em Londres, para ver o Papai Noel. Um menino que cresce em uma casa com velas e lampiões e derrepente vai parar em Londres, de trem... o que por si só já é uma emoção. Tinha uns seis anos. Fomos até uma loja de departamentos iluminada. Mais brinquedos do que eu era capaz de imaginar.
Muito da minha escrita no futuro se deveria ao que aconteceu naquele dia. Eu me perdi naquela loja. Quando minha mãe me encontrou, eu estava subindo as escadas para descer em seguida, do outro lado.

O bom desta época era que, ao passo que outras crianças tinham muitos irmãos e irmãs, eu tinha um quarto só para mim, e na época do Natal, todos os presentes eram para um garoto só.

Pergunta: E então, no decorrer do tempo você descobriu o fandom.

Pratchett: Isso veio mais tarde. Em 1957, a Brook Bond (chá); lançou seus cartões sobre o espaço. Minha família toda bebia chá para que eu pudesse colecionar essas coisas. Eram como cartões de beisebol. Levei um tempo para perceber isso, e só no último ano eu descobri a astronomia. Tínhamos um céu muito limpo. Tinha uns 50 destes cartões de chá e, basicamente, eu sabia mais de astronomia do que 99,99 por cento da população. E eu colecionava avidamente e observava o céu.

Você sabe, depois que você sai de casa, sua mãe joga fora todas as suas coisas. Recentemente entrei em contato com um colecionador, graças a Internet, e comprei os cartões novamente. Eu era como Proust menino. Ele come um biscoito e volta no tempo. Olhei para o cartão com Júpiter, o planeta é preto e roxo nesse cartão, e eu tenho 9 anos de idade novamente.

Meus pais então me compraram um telescópio. Tudo o que você podia ver tinha um halo em volta dele. Fiquei especialista na lua. E depois de alguns anos comprei um LX2000 Meade, e depois tive um observatório próprio.

Curiosamente, a ficção científica veio da astronomia. Eu não era realmente um astrônomo, porque os astrônomos têm que levar a coisa a sério, e fazer matemática. Eu achava muito legal porque você podia ficar acordado a noite toda.

Eu tenho um tipo de mentalidade turística. Tenho interesse nas coisas. Eu aprendo o bastante, mas nunca vou totalmente a fundo. Eu tinha um rádio de ondas curtas. Eu o construí, um receptor, e era divertido. Então, eu inventei o circuito integrado.

Pergunta: Como assim?

Pratchett: Foi interessante. Eu não sabia de alguém que tinha feito isso antes, mas eu estava sentado lá pensando, construía esses rádios transistores pouco maiores que caixas de fósforos. Eu tinha um transistor, que me custou sete shillings e seis pence, um terço de uma libra hoje. E transistores eram caros, tinha que juntar dinheiro para comprar um transistor. E eu pensei: "OK, e se eu pudesse fazer com que o resistor, o capacitor e o transistor e o diodo, todos fizessem parte da mesma peça? Para que você precisa de fio entre eles?” Eu tinha apenas 13 anos na época, mas se eu fosse um pouco mais velho, e corresse rápido ao escritório de patentes, quem sabe?

Pergunta: Lembro-me da história de Arthur C. Clarke, de que se ele patenteasse o conceito de satélites de comunicações, teria se aposentado rico em 1947.

Pratchett: Ficção Científica. Tudo isso me excitava. Isso e o fato de te lido "The wind in the willows”, de Kenneth Grahame, eu estava ficando interessado em fantasia. Estava sendo atraído e finalmente seria sugado pela "ficção científica". Acho que li tudo que foi publicado em capa dura de FC. Nem toda FC era publicada em revistas, mas se você fosse numa convenção, todos tinham lido o que você leu. E as meninas eram proibidas nestes lugares.

Pergunta: E sua primeira venda?

Pratchett: Eu tinha 13 anos. Depois da escola eu costumava ir a um lugar em Alta Wickham, um pequeno barracão que chamávamos de "A pequena livraria", onde uma senhora idosa fazendo tricô e chá durante todo o dia, vendia pornografia. Mas para ter algo para colocar nas vitrines, ela parecia ter um suprimento ilimitado, de qualidade razoavelmente boa, de FC britânica e americana. Acho que deve ter vindo da base aérea nas proximidades. Eu ia lá duas vezes por semana, depois da escola.

Estava consciente de que as prateleiras mais altas tinham um material proibido.

Mas todo o chão estava tomado por caixas de papelão cheias de coisas maravilhosas; Deus sabe, eu acho que minha mãe jogou tudo fora.

Qualquer pessoa que soubesse o que a loja vendia, deveria ficar perplexa com esse garoto de 13 anos de idade, que ia lá duas vezes por semana e saia com uma mochila cheia! Quero dizer, como diabos ele encontrava tempo para fazer sua lição de casa?

Sim, eu fiz uma venda e eu descobri sobre o fandom, e fui para minha primeira convenção em 1963 ou 64, e foi isso. Eu abandonei o colégio depois de três ou quatro anos, porque tinha um emprego, eu era um jornalista estagiário no jornal local, o que significava que você era um coitado. Trabalhava duro e eles te pagavam uma ninharia, mas você era o aprendiz, você estava aprendendo um ofício. Eu trabalhava à noite, e eu estava namorando, e estava estudando para os exames que você tem que passar para obter o seu certificado de formação, e não tinha tempo para mais nada.

Mas eu sempre tive um livro na cabeça, e que levaria cerca de cinco anos para escrevê-lo. Depois que eu publiquei 'The colour of Magic' (1983), ele realmente começou a vender rápido. E assim, ganancioso, eu escrevi Light Fantastic (1986), e minha vida mudou de repente. Quando escrevi Mort (1987), que foi o quarto livro, eu estava fazendo dinheiro com os livros, mais do que o suficiente para largar o trabalho, que como todos sabem, eu era assessor de imprensa de uma usina de energia nuclear.

Pergunta: Estou certo em recordar que assumiu o cargo logo após o acidente de Three Mile Island?

Pratchett: [riso] Entrei para a indústria não muito depois de Three Mile Island (1979), e eu estava lá quando veio Chernobyl (1986). Mas nós tínhamos nossos próprios acidentes locais. Toda sexta-feira parecia que um dos reatores iria explodir. Meu trabalho era dizer: "Bem, nós não deixamos escapar muita radioatividade!" Na verdade, nada muito grave realmente aconteceu, mas a sensibilidade para as questões nucleares era tanta que até um desligamento planejado se tornou um grande negócio.

Eu aprendi muito sobre esse trabalho. Quando você coloca cientistas e engenheiros e burocratas, todos juntos no mesmo edifício, todo tipo de coisas interessantes surgem.

Pergunta: Discworld é possivelmente a mais bem sucedida saga sobre eras.

Pratchett: Bem, tem essa mulher, eu não sei se você já ouviu falar dela... Se você reduzir um pouco os parâmetros, como "a maior saga escrita por um careca", esse tipo de coisa, bem, talvez seja. OK, ok, vendeu bem. Cerca de 40 milhões de cópias em todo o mundo até agora.

Como eu posso explicar... Era para me divertir com alguns clichês do gênero. Foi tão simples assim. Ao longo dos anos foi sendo construída, de toda a leitura aleatória que eu lia, uma espécie de investigação sem saber o que é que você está pesquisando. A natureza de Discworld me deu a oportunidade de fazer todo tipo de coisas. Poderia caber tudo nele. Por volta do quarto livro eu descobri a alegria da trama. (em Mort). Voltei um pouco no tempo com Sourcery [1988], porque eu sabia que os fãs queriam mais de Rincewind. Eu particularmente não gostei de escrevê-lo, mas ficou na lista dos best-seller por três meses. E então eu disse: "Esquece os fãs, vou fazer o que eu gosto!"

Agora, eu meio a fazer minhas próprias coisas, e pelo fato que muito mudou ao longo dos anos, acho que no geral eu escrevo melhor do que antes. Havia, de certa modo, mais liberdade nos livros iniciais, porque o maior problema com um universo criado como este é que ele fica cheio.

Isso se torna um tipo de problema, é como ter o Superman no local e não há realmente muito espaço para Batman. Será o simples peso da história e da geografia que provavelmente irá acabar com Discworld ao fim.

Pergunta: Como o conceito de bruxaria chamou a atenção de um menino?

Pratchett: Uma coisa particular sobre a Inglaterra é que a magia está em toda parte. Certamente nos campos, cada pedra tem uma lenda sobre ela. Cada morro é um lugar onde Arthur esteve.

Pergunta: Cada nascente...

Pratchett: ...é santa ou algo parecido, ou provavelmente pertence a fadas ou santos, ou ambos. Quando morávamos em Mendips, a uma curta distância de Wimblestone, no Solstício de Verão tinha gente que ia dançar no campo, e há todas aquelas histórias sobre um agricultor que tentou arrancar as pedras com seus cavalos e não conseguiu movê-las. Na verdade, é um pedaço de conglomerado dolomítico, se por acaso você souber do que falo.

Pergunta: Eu tenho que perguntar, qual era o pub mais próximo?

Pratchett: Dizem que todos os pubs de Mendips são conectados por linhas retas... a sidra faz coisas muito estranhas ao cérebro.

Pergunta: Terry, você prestou o serviço militar?

Pratchett: Não, ele deixou de ser obrigatório cerca de três anos antes da minha vez, senão eu teria servido.

Pergunta: Eu pergunto isso porque muitas das observações em seus livros, sobre militares, são agudas, por exemplo, a forma como os soldados jovens fumam cigarros.

Pratchett: Bem, sim. Eu realmente vi um cara que quando via alguém chegando, e ele não deveria ser pego fumando, ele fazia isso. [Ele imita um homem escondendo um cigarro aceso na boca.] É apenas uma observação da vida. Eu fico o tempo todo respondendo a coisas assim, sobre os militares, como você sabe sobre bruxas... Bem, é dinâmica de grupo. Como a dinâmica de um grupo, com uma classe de oficiais acima deles, por exemplo. É apenas a maneira como as pessoas agem. 

(...) Sou fascinado com motores a vapor e telégrafo, e mecanismos intrincados. Acho que a tecnologia estava em sua melhor forma, pouco antes da era digital, porque você só usava a eletricidade para girar os motores. No momento que a telefonia substituiu a telegrafia, encontraram formas de receber 12 mensagens simultaneamente ao longo de um fio telegráfico.

A verdadeira ingenuidade de um Jules Verne aplicada a um mundo de engrenagens e palhetas vibratórias. Era bem mais divertido do que circuitos integrados.

Pergunta: Você já ganhou muitos prêmios, e há um em particular que continua mais misterioso para aqueles nascidos na América, do que qualquer outro. Em 1998 lhe foi concedida a Ordem do Império Britânico. Agora, se eu entendi bem, você não tem que ir ao Palácio de Buckingham e conhecer a rainha?

Pratchett: Foi o príncipe Charles neste dia. E ele se disse um admirador de Discworld.

Pergunta: E como foi a conversa?

Pratchett: Bem, eu queria colocá-lo à vontade. Eu disse, "Bom, há quanto tempo você tem sido um príncipe? Tanto tempo assim?" Ele fez algumas perguntas. Ele não disse: "Ei, sou um dos seus maiores fãs. Pode autografar um livro para mim?" A família real não faz esse tipo de coisa.

Deixe-me explicar como funciona. Você recebe uma carta do gabinete do primeiro-ministro, e a primeira coisa que fiz foi telefonar para o meu agente e dizer: "Isto é uma piada, não é?" E ele fez um silêncio para depois dizer: "Não é uma piada."

Foi um grande dia quando tudo aconteceu. Maio. Meu último livro tinha alcançado o número um em vendas. Então eu saí no meu jardim e uma orquídea selvagem tinha florescido. E então eu abri esta carta dizendo que eu tinha sido indicado a OBE (Order of the British Empire). Assim, foi algo como se os leitores, Deus e a realeza, tivessem me premiado no mesmo dia.

A carta do gabinete do primeiro-ministro é muito estranha. Ela diz: "Agora olhe, se fôssemos dar-lhe um prêmio, e nós não estamos dizendo que vamos dar, se nós disséssemos que sim, você não diria não, certo?" Tudo isso para salvar do embaraço. E então eu escrevi uma carta de volta, dizendo: "Se vocês o fizerem, e eu entendo que vocês talvez não o façam, eu com toda a probabilidade diria sim". Você tem que ter muito calma sobre isso. O que é um pouco difícil.

Como quando eu ganhei o prêmio Carnegie, que é possivelmente o maior prêmio de livros infantis. Você fica sabendo cerca de dois meses antes da divulgação. E é muito difícil não falar sobre isso. Você tem que manter o silêncio sobre o assunto.

E então minha mãe veio me ver receber a ordem. E vocês podem imaginar a minha mãe andando pelo Palácio de Buckingham. [ele imita a mãe limpando a poeira da mesa e balançando a cabeça em desaprovação] Minha esposa e minha filha também estavam lá. Foi muito bom.

Mas foi estranho. Todos os OBEs entrando, e todos os CBEs e MBEs e IBES, HGI, HIVS, tudo de uma só vez. E não há álcool. O Palácio de Buckingham tem feito isso já há muito tempo. Não há nenhum álcool na cerimônia. De qualquer modo, eu estava em um traje elegante de morrer e depois de você finalmente conversar um pouco, tudo que você quer é um brandy.

É meio estranho, porque o único serviço que eu prestei para a literatura foi declarar em cada ocasião possível que eu não gostava daquilo. Eu não estou muito certo porque aceitei. É quase que uma moda fazer pouco disso. Mas só vale a pena fazê-lo se você pode dizer às pessoas que você menospreza aquilo, não adianta se ninguém souber, não é? Eu pensei; quando as pessoas me perguntarem por que eu aceitei, darei a melhor razão: Para fazer minha mãe orgulhosa.

Outra resposta seria que nós sempre brigamos para tirar a Ficção Científica do seu gueto. Bem, se eles estão indo te premiar com tanta pompa, esteja lá quando as medalhas forem entregues. Nunca recuse uma medalha ou uma promoção.



Entrevista concedida a Jim Young na Minicon (2005) e ao The Guardian (8-11-02)