domingo, 8 de agosto de 2010

Entrevista com Mike Resnick



Pergunta: Você é um escritor bastante prolífico. São muitos e muitos contos, romances, coleções de ficção e não-ficção que você escreveu. O que o leva a escrever tanto assim?

Resnick: Eu amo escrever. Eu gosto de contar histórias.

P: Por quê?

Resnick: Ninguém conseguiria dizer exatamente o que eu quero dizer. Ninguém tem a minha visão do mundo. Minhas histórias são originais, como as de todos os outros, mas eu as conheço melhor. Além disso, a maioria dos escritores odeia escrever, mas eu gosto.

P: Bem, você deve mesmo, porque você é muito, muito prolífico.

Resnick: E a maior satisfação não está em ver o meu nome impresso. Tenho visto com muita freqüência. É no final do dia, lendo o que eu escrevi, perceber que está bem perto do que eu esperava alcançar quando me sentei para escrever.

P: Nem todo mundo pode dizer isso.

Resnick: Eu inclusive. Tem uns dias que...

P: O que mais te surpreendeu em sua carreira até agora?

Resnick: Sério? Que eu tenha sido capaz de ganhar a vida com isso. Eu sempre pensei que não haveria muito mercado para o tipo de ficção científica que eu queria fazer. E, na verdade, a razão pela qual não moro em Chicago é que eu deixei a cidade em 1976 e comprei o segundo maior canil do país. Eu esperava que ele pudesse me sustentar quando comecei a escrever o tipo de ficção científica que eu queria escrever. Quando a ficção científica começou a me dar mais lucro do que o canil, quatro, cinco anos seguidos, ninguém ficou mais surpreso do que eu. Vendemos o canil!

Essa é a surpresa. Olha, quando eu tinha 21 anos, fui ao meu primeiro Worldcon (convenção mundial de FC) e vi um prêmio Hugo. Na verdade, eu vi vários deles numa vitrine. Estavam sendo dados por Isaac [Asimov] para pessoas como Phil Dick e Jack Vance. Eu sempre pensei que se eu trabalhasse muito, muito, algum dia alguém iria deixar que eu tocasse em um deles. Fui surpreendido com a resposta que minha carreira teve, em termo de premiações.

P: Não só o deixaram tocá-los, mas permitiram que você os levasse para casa!

Resnick: Certo. Eu olho para eles de vez em quando, e não consigo acreditar.

P: Qual o maior desafio que você teve na sua carreira?

Resnick: Oh, isso varia, na verdade, de um projeto para o próximo. O maior desafio que tive há alguns anos atrás foi aprender a escrever roteiros, o que é totalmente o oposto de aprender a escrever romances. E, claro, contos são totalmente o oposto de ambos. Por isso, varia de acordo com qualquer novo desafio.

P: Como vai sua carreira de roteirista?

Resnick: No cinema, você quer dizer? Bem, recebi por alguns scripts que escrevi. Eu acredito que 'Santiago' será filmado este ano, ao menos eles continuam me dizendo isso! Vêm jurando isso por quatro ou cinco anos, mas este ano parece que finalmente o dinheiro saiu. A Miramax comprou um script de 'The Widowmaker', depois decidiu que não iria mais filmá-lo. Alguém o está produzindo agora, mas já que a Miramax é a dona do script, esta nova produção não está sequer autorizados a usar uma palavra do primeiro script. Então, estão com um escritor diferente, só para garantir.

P: Você gosta de escrever roteiros?

Resnick: Eu gosto do fato de que é um desafio. Dou a Hollywood sete ou oito semanas por ano, porque isso me deixa louco. Você não pode criar arte por comissão, não importa o quão duro você trabalhe. Eu gosto de sentar aqui sozinho às três da manhã e saber que pode ser bom, ruim ou indiferente, mas vai depender das minhas palavras. E as palavras importam. Hollywood é feita de imagens, não palavras. É por isso que eles não gostam de lidar com escritores. Em termos de ficção científica, Hollywood lida com as emoções, não com as idéias, e é por isso que particularmente eles não gostam de lidar com escritores de ficção científica [risos].  Consigo superar tudo isso, mas lidar com esses caras me deixa louco, por isso não o faço com freqüência.

P: Você também publicou muitos contos nos últimos anos.

Resnick: Sim, eu não achava que eu iria gostar disso. Nunca gostei quando era jovem. Eu sempre achei que você precisava de 90 mil ou 100 mil palavras para dizer algo importante. E isso era ridículo, porque é um campo que tem talvez um ou dois grandes romances, e comprovadamente 40 ou 50 grandes contos. O que eu acho é que eu realmente não podia escrever assim. Então eu escrevi "Kirinyaga", que ganhou todos os tipos de prêmios e fez muito bem para a minha carreira; então percebi que sim, eu poderia escrever bons contos. E foi muito divertido. Nos últimos 10 ou 12 anos, eu não só vendi uma centena de contos, mas descobri que gosto deles mais do que de romances. Eu não posso me dar ao luxo de escrevê-los tanto, mas eu os aprecio bem mais. Eu ainda me considero um escritor, tenho mais de 20 nomeações ao prêmio Hugo, e todas elas por contos.

P: Quando você começar a trabalhar em algo, como você decide se vai ser um conto ou um romance?

Resnick: Se é bastante complexo, é um romance, e se não é, se é rápido ou você só tem um personagem interessante, então é um conto. Isso varia. Depois de algum tempo, você começa a ter uma sensação. Eu acho que quando você é um novato, você vem com 8mil idéias em uma semana, e a maioria delas não jogam com seus pontos fortes. Demora muito tempo para perceber quais são seus pontos fortes e quais não são. Mas tenho um editor dentro de mim que, nos últimos anos, começa a descobrir não só o que da história funcionará bem, mas também seu comprimento.

P: Qual é o seu processo de escrita?

Resnick: Eu me sento para escrever por volta das 10 ou 11 da noite e escrevo até 5 horas da manhã. Deixo tudo para minha esposa revisar, ela se levanta mais cedo do que eu. Ela tem sido minha colaboradora e um editor inacreditável há 40 anos. E na hora que eu acordo, ela me passa suas anotações, e eu sento e volto ao trabalho.

P: Parece que ela é uma verdadeira ajuda para você.

Resnick: Eu acho que sem ela eu ainda venderia meus livros. Não há dúvida sobre isso. Mas eu não seria metade do que eu sou como escritor.

P: Isso parece uma grande parceria.

Resnick: Acho que sim. Ela é minha colaboradora e aparece nos créditos dos roteiros que escrevo, porque senão não iriam deixá-la participar das reuniões, e ela tem uma noção muito melhor do que eles querem do que eu. Ela não possui o treinamento de quem escreve prosa, por isso ela é muito mais visual. Você sabe, há uma canção em um musical de Larry Gelbart, o cara que fez M*A*S*H*, e algumas outras coisas, chamada 'City of Angels'. E é sobre um escritor de mistério que está vendendo um roteiro para Hollywood, e no final ele não o vende, é claro. Mas, no processo, o produtor/diretor canta uma canção. Ele é o verdadeiro vilão da peça. É uma canção sobre como ele vai refazer o trabalho desse cara, transformando em algo terrível. Mas há uma estrofe que é tão verdadeira que quando vamos sentar para trabalhar em um roteiro, eu a imprimo e colo no computador. Diz: "Não se apegue às palavras / as quais você trouxe à vida. / Lembre-se o quanto / vale uma imagem." 

P: O que você está trabalhando agora?

Resnick: Acabei de terminar um conto que venderei para a revista Asimov. Na verdade, eu acho que tem três ou quatro textos no forno da Asimov. Tenho duas ofertas de contrato para livros, que meu agente está negociando, entretanto, eu provavelmente vou escrever alguns contos, enquanto a negociação não é concluída.

P: O que iremos ler seu na Asimov?

Resnick: Tenho duas histórias que eu acho que têm qualidade para disputar os votos para o prêmio Hugo e normalmente acerto nesta questão. Eu sempre estou errado sobre quem vai ganhar, mas normalmente acerto quando acho que uma das minhas histórias irá para a votação. Os contos se chamam "Robots Don't Cry" e "Travels With My Cats".

Eu tenho outro para sair pela Asimov chamado "Here's Looking at You, Kid.". Eu acho que todos sairão até o próximo ano. Tenho um livro grande saindo pela editora Tor, que estava atrás de mim há 15 anos. Finalmente acertamos, e se chamará 'The Return of Santiago'.

P: Sai em fevereiro.

Resnick: Sim. 'Santiago' tem sido reimpresso há 16 anos. Quando eles me pediram para escrever uma sequência, achei que preferia escrever outras coisas. Finalmente, escrevi a continuação. Sei que meus fãs e leitores não acreditarão que, embora seja  realmente uma continuação, mas não há um único personagem do primeiro livro que esteja no segundo. Isso tornou a seqüência muito mais agradável de escrever.

P: Não se passa em um tempo diferente?

Resnick: Sim, cerca de 100 anos no futuro a partir do primeiro. 'Santiago'. O livro tinha como subtítulo "A Myth of the Far Future" ("O Mito do futuro distante"). O que eu tentei fazer foi criar um tipo de mito de que eles poderiam ter, o que seria o equivalente aos mitos de fronteira, dos nossos dias atuais. Um dos personagens era um poeta errante que escreveu sobre todos os personagens principais em pequenos versos. Eu não queria, para a seqüência, o mesmo tipo de história. Eu tinha este ladrãozinho que roubou uma casa abandonada e encontrou o manuscrito original que o poeta deixou para trás. Então ele decidiu que queria se tornar o cronista de todos estes personagens. E para isso ele precisava encontrar Santiago.
Se você leu o primeiro livro você sabe o motivo, e se você não leu, eu iria levar meia hora para explicar. E ele segue escrevendo poemas, tentando criar um Santiago ou encontrar um. Foi o mesmo sabor, mas uma história totalmente diferente.

Um dos problemas com esses tipos de histórias, especialmente quando são grandes, é que você acha que já atingiu o auge e você não quer fazer isso de novo. Você acaba se repetindo. Então me levou muito tempo para descobrir como eu poderia agradar a Tor e a mim mesmo.

P: Ouvi falar de algo chamado 'An Ambiguous Clay'

Resnick: Eu não sei onde você ouviu isso, era algo que eu ia escrever e nunca fiz. Eu o substituí, em meu contrato, escrevendo 'Outpost', que foi publicado há alguns anos atrás.

P: Eu li ‘Outpost’. Era um livro divertido.

Resnick: Ah, foi o livro mais divertido que eu já escrevi. Certamente não é o meu melhor livro, mas é meu favorito.

P: Por quê?

Resnick: Porque eu me sentava a cada noite e ria ao escrever aquelas coisas. Era uma paródia de toda FC do tipo "space opera". Há paródias de Heinlein, Asimov, Clarke, "The Ship Who Purred" ("O navio que ronronou"), era uma brincadeira obscena com Anne McCaffrey. Eu faço isso com todos os meus amigos. Realmente, eu adoro escrever. Espero que algum dia alguém me peça uma continuação, porque que adoraria fazê-la [risos]. Não era como outra coisa qualquer que eu me lembre. Foi certamente uma maneira bastante vulgar de tratar a ficção científica. Lembro-me de um crítico que disse: "É sexista!". É claro que é machista, trata-se de uma paródia que se passa em um bar de fronteira, pelo amor de Deus!

P: Existe algo que você escreveu e que você sente que foi esquecido?

Resnick: Sim, acho que provavelmente, o melhor romance que fiz foi "Paradise" (Paraíso), e sempre que vejo algo escrito sobre mim, estão sempre falando de "Santiago" ou de "Ivory" ou "Kirinyaga". Acho que "Paradise" foi o melhor de todos, mesmo porque era uma abordagem totalmente nova, que ninguém tinha feito antes. Eu ia chamá-lo de uma história alegórica de FC do Quênia. Não acho que alguém fez isso antes. Certamente, ninguém jamais escreveu um livro em que um país, de uma maneira um pouco disfarçada, é o personagem central. Fiz exatamente o que eu queria fazer, e fiquei orgulhoso dele, e não dei muita atenção quanto a sua publicação. Acho que poderia ter participado do escrutínio preliminar para o prêmio Nebula, e eu o vendi para outros países, mas não obtive o tipo de resenhas literárias que, por exemplo,  "Dark Lady", ou "Kirinyaga", ou alguns outros receberam. Você não pode se preocupar com isso mesmo. Na época eu estava preocupado com a recepção de outros três ou  quatro livros.

P: Você parece ter uma fascinação com a África em seu trabalho.

Resnick: Sim, eu sei. Estive lá meia dúzia de vezes, e eu adoro. Lá eu acho mais material para minhas histórias do que em qualquer outro lugar. Se supostamente precisamos extrapolar criando sociedades alienígenas, não há nada mais alienígena do que aquilo que eu encontro na África. Eu disse uma vez que acho que todo escritor de ficção científica, ou melhor, todos os leitores, e até mesmo qualquer pessoa, provavelmente concorda com duas coisas: em primeiro lugar, se alcançarmos as estrelas iremos colonizar os planetas. E, segundo, se colonizarmos diversos planetas, vamos entrar em contato com uma raça senciente em alguma parte do universo. E eu acho que a África dispõe de 51 esplêndidos exemplos dos efeitos da colonização, não apenas do ponto de vista do o colonizado, mas também sobre os colonizadores. E normalmente é bastante prejudicial para ambos os lados. Aqueles que não aprendem com o passado tendem a revivê-lo, por isso espero que possamos aprender.

P: Você tem mais viagens planejadas para a África?

Resnick: Neste momento, não tenho nada confirmado. Eles estão atirando em pessoas em todo o continente. Recentemente, fomos meia dúzia de vezes para a França, mas sempre por convite. Parece que sou tão popular na França, quanto Heinlein é por aqui. Estou sempre viajando para algum lugar, quando pagam as despesas, é claro,e ficamos felizes de ir. Eu acho que estivemos lá sete vezes em quatro anos. Eu estive na Eslováquia há cerca de um ano e meio, também por convite. A maioria das pessoas não sabe disso, mas a menos que você tenha um Best-seller nacional, você provavelmente faz mais dinheiro no resto do mundo do que nos Estados Unidos. Na maioria dos contratos dos livros de ficção científica é comum vendermos para 10 ou 12 países. Você começa a conhecer um monte de gente interessante. E se você é popular o suficiente, e se você escreve por bastante tempo, eles começam a convidá-lo. É uma maneira maravilhosa de conhecer o mundo [risos].

P: Eles ainda te convidam para as convenções?

Resnick: Sim. Das viagens para a França, uma foi para receber um prêmio e seis para ir a convenções. A viagem para a Eslováquia foi para uma convenção e subi até o Canadá no ano passado para outra. Então, enquanto eles continuarem me convidando, eu ficarei feliz de ir. Fui o convidado de honra talvez em 25 ou 30 convenções aqui nos EUA. Eu também fui mestre de cerimônias em muitas delas, o que é sempre divertido.




P: Você parece se divertir falando nas convenções, pelo menos nas vezes que eu vi suas palestras.

Resnick: Não sabia que tinha me visto. Eu gosto de verdade de dar palestras em convenções. Acho que fui apresentador da WindyCon em Chicago umas cinco ou seis vezes antes de parar de freqüentá-la. Parece que havia uma convenção na Flórida, a Tropicon, que geralmente é na mesma semana da WindyCon, e nós temos família na Flórida, então nos últimos cinco ou seis anos nós fomos para o sul. Se a minha família tivesse a boa vontade de morrer, ou de voltar para Chicago, provavelmente voltaríamos à WindyCon. Gostávamos de Chicago, quando estávamos lá. Cresci lá. Cresci no South Side. Não sei dizer quantas vezes eu vi o White Sox (time de beisebol) perder [risos]. Oh, meu pai era um fã, e durante todo o final dos anos 1940 e 1950, costumávamos ir os jogos. Eu acho que vi o Sox perder 185 jogos dos 200 que eu assisti. Quando mudei para Highland Park, em meados de 50, os Red Sox iam bem, mas nós estávamos muito longe para ir assistir aos jogos[risos].

P: Quanto à edição eletrônica, as suas histórias se saíram muito bem online.

Resnick: Isso também me surpreendeu. Eu só descobri a partir da Fictionwise que eu era um dos autores mais lidos do ano. Este ano foi Lois Bujold. No ano passado, eu era o autor do ano. É uma combinação de vendas e avaliações dos leitores. Este ano eu fui o melhor autor de best-sellers, mas Bujold teve melhor classificação [risos]. Isso me espanta, porque eu vendo bem o suficiente para ter uma vida decente, mas não estou lá em cima na classe ‘best-seller’. Você não me encontra ao lado de Ray Feist ou Annie McCaffrey na lista de best-sellers. Superei Stephen King e Isaac Asimov este ano. Eu acordo de manhã e não acredito nisso, mas  tenho os números para provar.

P: Por que você não acredita?

Resnick: É que isso realmente me surpreende, porque acho que tive somente três ou quatro livros que venderam bem em toda minha vida. Mas a Fictionwise foi uma revelação. Então penso que as pessoas que lêem por via online são muito mais exigentes [risos].

P: As pessoas que estão lendo esta entrevista, provavelmente concordam com você. O que você ainda não fez como um escritor?

Resnick: Bem, não há provavelmente nada que eu não tenha feito como escritor. Mas como um editor, sim. Eu sempre quis lançar uma revista a cada ano ou dois. Eu editei 30 ou 35 antologias, mas quase sempre temáticas. E quando você tem uma antologia temática, você está algemado às pessoas que convida para escrever sobre o tema, pode ser uma história alternativa sobre os Kennedys ou Sherlock Holmes, no futuro, uma história que não teria sido escrita se você não tivesse pedido. Então você se sente quase que obrigado a comprá-la, não importa quantas vezes os autores tenham que reescrevê-la. Se você não comprar, pelo menos terá que dar uma boa recompensa ao autor. Realmente, isso não demonstra o seu gosto editorial. 
Mas eu seria muito mais justo se, por um ano ou dois, sentasse e trabalhasse com escritores, baseado não apenas no que virá, mas no que eu posso alimentá-los em termos de idéias e estar livre das restrições de um tema horrível  - e os editores parecem estar convencidos de que esta é a única forma de fazer uma antologias vender bem. Então, eu gostaria de fazer isso: editar uma revista por alguns anos. Eu não sei se tenho o tempo necessário para esse trabalho, e tenho certeza que eu não poderia me dar ao luxo de fazer isso agora, mas você está me perguntando sobre a realização de um desejo.

P: Quais você acha que são hoje, em dia, seus pontos fortes e pontos fracos como escritor?

Resnick: Bem, todo mundo parece concordar que a minha maior força são os diálogos, e eu acho que talvez estejam certos. Eu também acho que domino bem o enredo. A coisa mais importante para mim e para um escritor é ser acessível. Você supostamente deve desafiar o leitor em um monte de níveis, mas não deve fazer um livro difícil de virar a página, pelo menos é o que eu tento.

Cerca de 10 anos atrás eu joguei fora o meu dicionário, porque percebi que se eu tivesse que procurar uma palavra nele,o meu leitor também teria, e essa seria uma desculpa para deixar o livro de lado. Tenho a tendência a ler as minhas histórias em voz alta, antes de mostrar para minha esposa, mesmo se estou sozinho, porque muitas vezes você tropeça em uma ou duas palavras, gramaticalmente corretas, mas que soam estranho. Você não percebe isso após seis ou sete horas escrevendo, mas percebe no segundo em que lê em voz alta. E, como eu disse, faço tudo que posso para tornar meu texto mais fácil para o leitor. Eu seria a antítese, por exemplo, de Clark Ashton Smith, que adoro ler, mas que me faz ir ao dicionário, pelo menos, duas vezes por página.

Eu também não acredito em criar infinitas palavras alienígenas. Não faço isso porque nenhuma dessas línguas existe, afinal de contas, e não sei por que eu deveria ter que aprendê-las durante o período de leitura de um livro.

P: Você sente que tem fraquezas ainda hoje?

Resnick: Ah, com certeza. Todo mundo tem.

P: Quais são elas?

Resnick: Um dos meus pontos fracos é a verossimilhança. Eu sou uma das poucas pessoas cujo segundo rascunho é maior que o primeiro, porque eu não coloco todos os detalhes que minha esposa me garante que são necessários para um livro [risos]. Acabo depressa com meu texto. Parte disso se deve aos 200 livros que escrevi sob pseudônimo, livros para cavalheiros, vamos dizer assim, quando tinha meus 20. Eles foram vendidos para editores que não queriam algo bom, mas algo para quinta-feira, e eu aprendi a escrever muito rápido. Eu ainda não aprendi a escrever com tanto cuidado como deveria, é por isso que eu sempre tenho que voltar atrás e fazer um ou dois rascunhos a mais quando estou fazendo algo sério.

P: Quando você começou a escrever, a ficção era um domínio masculino. Você começou a escrever ficção para homens ou você sempre quis ser um escritor de ficção científica?

Resnick: Eu queria ser um escritor de ficção científica. Eu escrevi alguns livros de ficção científica nos anos 60 e tive a má sorte de vendê-los, e rapidamente percebi que não se deve tratar mal algo que você ama. Fiquei longe da ficção científica por cerca de 12, 13 anos, para dar as pessoas uma chance de esquecê-los. Eles não esqueceram, voltam a me assombrar a cada maldita sessão de autógrafos. Pelo menos eu tentei [risos]. Quando eu tinha 23, 24 anos, eu estava procurando trabalho, ou mesmo antes disso. O único trabalho em editoria que estava disponível em Chicago na época, era a edição de tablóides e revistas masculinas, então eu peguei o serviço. Aprendi muito. Eu descobri que muitos dos editores também escrevem livros. Os meus não. Portanto, não houve conflito de interesse para vender os livros aos editores, pois sabiam que também fiz revistas masculinas e tablóides. Como Barry Malzberg disse: "Você vai aprender recebendo dois ou três centavos por palavra, o que não aprenderia nas aulas de escrita criativa."
E eu não sou o único que fez isso. [Robert] Silverberg, penso eu, também trabalhou assim. Malzberg. Mesmo Marion Zimmer Bradley escreveu (anonimamente) um monte de livros para lésbicas.

P: Era a maneira mais fácil de entrar no mercado?

Resnick: Eu não acho que poderia fazê-lo hoje. Não acho que paguem mais. Sempre existiu um campo, na literatura americana, onde se você for rápido e  tiver disposição para trabalhar sob um pseudônimo, você pode fazer um monte de dinheiro enquanto está aprendendo a escrever. Nos últimos anos isso ocorreu com livros sobre sexo, góticos, romances de médicos e enfermeiras. Mas há sempre mercado para isso. Aconteceu nos anos 60 com a coisa do sexo. E logo que eu pude sair, eu saí, o que provavelmente aconteceu com todo mundo que estava nele. Nós nunca vimos um centavo de royalties. Ninguém contava com eles.  Você era pago para escrever quatro de cinco livros. O quinto nunca era pago, e depois de descontado o cheque, você nunca veria um centavo a mais. Mas era possível ganhar um bom dinheiro, especialmente se combinado com as revistas masculinas e alguns de nós fazíamos cem mil dólares por ano, quando estávamos na casa dos 20 e poucos anos, o que na década de 1960, era muito dinheiro. Essa era uma maneira agradável de aprender a escrever. Eu não acho que nenhum de nós sente qualquer culpa, nós só estamos contentes por estar fora desse esquema.

P: Quando você olha para trás, na sua ficção científica, quais são os temas que você vê no seu trabalho?

Resnick: Oh, dois ou três deles. O primeiro, como você diz, são os temas africanos. Depois vem 'Inner Frontier', essas histórias míticas que eu tento fazer. O terceiro é o humor. Montei uma coletânea de contos chamada 'In Space No One Can Hear You Laugh' (No espaço ninguém pode ouvir você rir), que é uma coleção de 37 ou 38 contos humorísticos e consegui publicá-los. Já vendi seis ou sete romances bem humorados, e isso é muito para um cara que supostamente é um escritor sério. Então eu diria que essas três coisas são temas freqüentes: a África, o material mítico e o humor.

P: Quando você está trabalhando em seus livros humorísticos, como "Outpost", é mais divertido de escrever do que as coisas sérias?

Resnick: Oh, certamente. Se eu tivesse que escrever apenas um tipo de livro para o resto da minha vida, eu iria escrever humor. É a única coisa em que eu me sinto muito, muito, auto-confiante. Eu não preciso mostrá-lo à minha esposa, porque tenho certeza que é bom, posso enviá-lo antes dela acordar ou antes de eu ir para a cama. Mas, para todas as coisas sérias, eu preciso dela.

P: Qual é o segredo para você continuar a escrever depois de tantos livros e personagens?

Resnick: Hei, eu só tenho 60 anos. Escreverei por mais alguns anos e então paro. Só que eu não conheço nenhum escritor que tenha se aposentado.

P: Bem, você sabe que Silverberg aposentou-se duas vezes.

Resnick: Eu falei com ele hoje. Ele está escrevendo novamente. Ele está semi-aposentado, saiu do mercado de propósito, era o único jeito de desacelerar, e ele queria fazer algumas viagens, mas vai escrever até morrer. Para um cara que se aposentou, ele lançou um romance no ano passado e está escrevendo outro agora. Ele também escreve uma coluna mensal para a revista Asimov. Isso é que é aposentadoria. É como um amigo meu, Barry Malzberg: Desde que se aposentou, tornou-se um dos quatro homens mais prolíficos que conheço [risos].

P: Então você nunca vai se aposentar?

Resnick: Nunca. Gosto muito de escrever. Uma coisa que tenho medo, e acho que muitos escritores também têm, é o pensamento de que um dia vão descobrir que, se não nos pagassem, nós escreveríamos de graça. E que, se ficássemos realmente desesperados, nós pagaríamos para sermos publicados. Não queremos que os editores saibam disso. É por isso que todos nós temos agentes. Temos medo que eles descubram.

P: Já ficou sem idéias?

Resnick: Não. Depois que você se acostuma a escrever, as idéias são as coisas mais fáceis de encontrar. Eu acho que cerca de um terço das minhas idéias são de histórias, filmes, peças de teatro onde eu acho que eles perderam a oportunidade de fazer algo melhor.

P: Quem você acha que são os melhores escritores no gênero hoje?

Resnick: Bem, eu acho que temos um monte deles. Perdemos um maravilhoso George Effinger, e Charlie Sheffield. No momento, entre os melhores estão [David] Brin, [Gregory] Benford, Malzberg, uma senhora maravilhosa chamada Kay Kenyon - estou realmente fascinado por ela - Allen Steele, Joe Haldeman, Connie Willis, Nancy Kress, Harry Turtledove. Eu poderia escrever uma lista com mais 30 ou 40 nomes. Estou impressionado com um monte de gente. Como alguém pode escrever uma história que nunca me ocorreu, e todos eles fazem isso? [risos] Esse é um dos motivos pelos quais gosto tanto deste gênero.

P: Quem você para pra ler, quando tem chance?

Resnick: Oh, eu quase nunca leio ficção científica, exceto quando quero ver o que está acontecendo. Mas eu diria que na história da ficção científica, Robert Sheckley, Alfie Bester, Barry Malzberg, Olaf Stapledon e Catherine Moore seriam meus cinco favoritos.  Outro seria Cyril Kornbluth.

P: Você está satisfeito com o nível da ficção científica de hoje?

Resnick: Acho que alcançamos um patamar razoável.  Uma história média, que não vai fazer parte de nenhuma antologia nem vai ganhar qualquer prêmio, hoje, é muito melhor do que uma história de 30 ou 40 anos atrás. E o mesmo ocorre com os romances. Alguns deles, você nem sabe como puderam ser publicados.

P: Você sente que o mercado editorial está forte hoje?

Resnick: Acho que não. Você olha ao redor e vê que perdemos metade das nossas revistas nos últimos cinco anos, e não temos muitas novidades chegando. Há apenas uma editora eletrônica que está pagando alguma coisa, que é a SCIFI.com. Eu não vou contar a Fictionwise porque eles só compram reimpressões. Del Rey e Bantam fizeram cortes, Ace também. Avon irá fazê-lo. Eu não acho que ninguém, exceto a Tor, está lançando um monte de livros - e pelo que ouvi a Tor já está fazendo cortes. Este é um momento terrível para os iniciantes, pois não há mais um canal que seja um meio termo, um tipo de publicação que se sustente, mesmo não sendo economicamente um arraso de vendas. Antigamente, se você fosse um escritor excêntrico, como eu, Gene Wolfe, ou Harry Turtledove, ou quem quer que fosse, você levava 10 anos construindo o seu público. Suas vendas iam de 5 mil a 10 mil, depois 12, depois 17, 23, até 34 mil, sei lá. Hoje, o vendedor quer ter certeza do retorno, se você vai vender cinco mil ou 50 mil, não há nada entre esses dois pontos. Ir de 5 mil para 50 mil é um salto de fé por parte dos editores e poucos estão dispostos fazê-lo. Assim, uma enorme quantidade de escritores simplesmente não consegue se desenvolver da mesma maneira que nós conseguimos há 20, 30 ou 40 anos.

P: Que conselho você daria para os novos escritores que estão começando?

Resnick: Meu conselho é o mesmo de sempre. Sejam firmes até não poderem mais. Deus não quer que todos sejam escritores, não importa quão duro tentem, e não importa o quanto possam querer. Você vai descobrir isso em breve.

Uma coisa que eu acho espantosa é a Agência Scott Meredith, que inventou a leitura paga. Eles não eram os únicos a cobrar pelas avaliações, no final não eram sequer os maiores, mas eles recebiam centenas de manuscritos por semana. Agora, se você multiplicar isso por 40 ou 50 agências que cobram para analisar seus escritos, você descobre que, para cada pessoa que está disposta a pagar quatrocentos dólares por um parecer, há muitas que não sabem que estas agências existem, que poderiam pagar ou que não tenham qualquer intenção de usar este serviço. São provavelmente 3 ou 4 milhões de manuscritos em um ano, por baixo. Isso é muito! É como nas artes cênicas e na prostituição, há sempre amadores talentosos que estão dispostos a roubar seu lugar [risos].

P: Que outras tendências você tem notado no mercado?

Resnick: Bem, primeiro, claro, a proliferação da fantasia, especialmente fantasia em série. Segundo, o fato de que quase ninguém consegue vender um livro de 60.000 palavras. Você só consegue vender 100.000 palavras ou mais. É como se as editoras não confiassem aos leitores saberem o que é bom ou ruim, mas preferissem o 'quanto mais grosso melhor'. E a terceira tendência seria a proliferação de livros sobre a mídia literária, acima e além de qualquer outra coisa que alguém jamais pensou.

Não sei se necessariamente estas tendências são boas. Eu acho que uma ou duas provavelmente não são. Mas são estas as mais importantes: a ficção científica sendo ultrapassada pela fantasia, o fato de que todo mundo está escrevendo livros grossos, e os livros sobre a mídia. Ah, vou te dar outro exemplo: acho que o romance que não é uma sequência ou não possui uma sequência, é uma espécie ameaçada, e entendo que talvez esta seja a mais trágica de todas as tendências.

Nunca falei com ninguém sobre isso, mas acho que o fato de que quase todos os leitores de hoje cresceram assistindo televisão, onde vêem a mesma história insípida e os mesmos personagens imutáveis semana após semana e esperam encontrá-los em seus livros. Eu me lembro quando Godfather II (O Poderoso Chefão 2) era um dos dois ou três filmes que tinha uma continuação. Hoje, cada filme que é lançado tem um numeral romano depois do título. Provavelmente isso me faz um velho excêntrico, que acha que antigamente a neve era mais branca, os invernos eram mais frios e o ar era mais limpo, e talvez fossem mesmo.

P: Alguns de seus amigos também lamentam o fato desses livros de 60.000 palavras não estarem mais sendo publicados.

Resnick: Eu escrevi um monte de livros assim. Você não tem que ser um escritor melhor para escrever 200 mil palavras, são histórias totalmente diferentes. Algumas histórias merecem 60 mil e outras 200 mil, e não falo nem dos contos, que são muito bons. Dê uma olhada em Asimov. Quase tudo dele que é bom foi feito no início de sua carreira, quando ele escrevia 70.000 palavras e foi se perdendo e inchando nos últimos 10 anos de sua vida, porque ele estava recebendo zilhões de dólares e eram 'best-sellers de encomenda', mas não existia uma história para sustentar 150 mil palavras, ele não era bom nisso. Os livros de 60, 70 mil palavras, eram maravilhosos, mas ninguém mais está comprando. Na verdade, nem acho que irão reimprimi-los. Acho que as pessoas evitam livros finos quando os vêem nas prateleiras, e eu não sei o por quê.

A maior mudança seria a DAW. Quando Don Wollheim começou esta empresa, havia uma regra de que nenhum livro poderia ir além da página 160. E, agora que sua filha está tentando torná-la rentável, eu vou ser o primeiro a admitir, acho que ela deve ter uma regra de que nada pode ir abaixo de 500 páginas [risos].

Eu ainda amo a ficção científica. Tenho sido um fã por toda a minha vida. Eu me considero tanto um fã quanto um profissional. Escrevo para um monte de fanzines. Trabalho em algumas convenções, e muitos dos meus amigos são mais fãs do que profissionais, eu acho.

P: E agora você tem um monte de fãs.

Resnick: Bem, são fãs do meu trabalho. Estou falando do fandom de ficção científica como uma unidade social, que costumava ser um pouco maior e menos fragmentada do que é hoje.

P: Não é uma coisa estranha gostar de ficção científica nos dias de hoje?

Resnick: É sim. Mais até pelo fato de que agora existem fãs da mídia de FC, fãs que se fantasiam,  todo tipo de fã, disso e daquilo, e eles não falam entre si. Me lembro quando o público da WorldCon, que lia e escrevia FC, não era uma minoria. Isso vai parecer uma piada, mas não é. Eu lembro quando 95% dos fãs queria ser escritor de ficção científica. Os restantes cinco por cento queria ser artistas. Agora o que todos querem é assistir, não é ler; é um público bastante fragmentado. É possível encontrar vestígios do fandom no qual eu cresci em Chicago, e muito dele em Boston e Cincinnati, mas é menor a cada ano. É o fandom que sabe o que é o Hotel Tucker (um prédio construído graças a donativos de fãs, e que ficou famoso por receber as primeiras grandes convenções deste gênero, em 1952, em Chicago. No início da época das grandes convenções, 'tuckerismo' era a prática utilizada por autores profissionais, de dar o nome da amigos aos personagens das suas histórias.) e entende que quando você diz FAPA não está espirrando, e sim falando de uma associação amadora de imprensa.

P: Como o mundo de hoje se compara com o mundo futuro que você imaginou, quando era criança?

Resnick: É um pouco mais belicoso. E sujo. Você sabe, todos nós imaginávamos um futuro bonito, brilhante, tipo Frank Paul, quando crianças. Pessoalmente, minha vida é exatamente como eu imaginava. Eu sempre quis crescer para ser um escritor de ficção científica. A outra coisa que eu queria fazer era criar cães da raça collie, e eu fui um dos principais criadores e expositores na década de 70. Então, fiz tudo que eu queria fazer.

P: Mas não acabou ainda.

Resnick: Não. Não. Mas é apenas mais do mesmo. As pessoas me perguntam qual é o meu melhor livro. A resposta honesta é que o meu segundo melhor é o que eu estou trabalhando agora e o meu melhor livro será o próximo [risos]. Sério, quando termino de trabalhar em um livro, um conto, um artigo, um poema ou qualquer outra coisa, ele é perfeito. Eu não poderia mudar uma palavra, ou eu não iria entregá-lo. E então eu começo a ler a cópia do manuscrito editado e mudo uma ou duas palavras, e vem a prova e faço algumas mudanças. E então, três ou quatro anos mais tarde, mesmo que seja um vencedor do prêmio Hugo, estremeço ao ver que entreguei algo daquele jeito. Enquanto me sentir dessa maneira, percebo que estou melhor a cada dia, e gostaria de manter isso. O dia que eu não me sentir dessa forma é hora de pendurar as chuteiras.

P: Através de sua vida, qual você acha que foi a maior das invenções?

Resnick: [Risos.] OK, vou dizer que é o computador, é claro. Mas nas palestras que faço, ressalto que nós, que estamos no comércio de ficção científica, nós, escritores, tendemos a ter uma visão muito distorcida do presente, porque se você quiser ver o que mais influenciou a vida dos americanos, mais do que a computador nos últimos 25 anos, foi o forno de microondas. Um monte de lares americanos tem computadores, e isso é muito parecido com o livro de Stephen Hawking, que todo mundo tem, mas ninguém lê.

P: Você acha que isso é verdade, com a internet do jeito que está, com e-mail e a Web?

Resnick: Ah, com certeza. Mais e mais pessoas estão usando a internet, mas eu diria que talvez um terço das pessoas que compram computadores não os utilizam. Acho que tentam uma, ou duas vezes, e depois desistem. Especialmente os mais velhos, que morrem de medo de computadores. Um de meus pais pensava que era mágico, e o outro tinha medo de tocá-lo. Eu conheço um monte de gente da sua geração que sente o mesmo.

P: Não acho que o computador vai desaparecer, no entanto.

Resnick: Oh, não. É claro que não vai. Ele controla sua vida cada vez mais. Agora, se você me perguntasse isso 25 anos atrás, eu teria dito a penicilina. Para a geração que venceu a Segunda Guerra Mundial, a penicilina foi provavelmente muito mais importante do que o computador jamais será, mas vamos em frente.

P: Quando você não está escrevendo, quais são seus interesses?

Resnick: Vamos ver... meus interesses seriam a África, teatro musical, collies e basquete, mas não como jogador. E o fandom de ficção científica. Estes seriam os meus interesses básicos. E tenho um número de outros menos importantes. Oh, corridas de cavalos, sou fanático por corridas de cavalos. Há 17 anos, eu escrevia uma coluna semanal sobre corridas de cavalos, sem apostar. Fiquei conhecido por atravessar o país para assistir Seattle Slew e Affirmed ou Dr. Fager bater Damascus, mas não apostei.

P: Qual é o seu musical favorito?

Resnick: Oh, provavelmente Sweeney Todd. Eu gosto de Sondheim, Tom Jones e Harvey Schmidt. Conheço outros escritores, a maioria deles em Nova York, muitos, que são interessados em musicais também. Estamos sempre trocando fitas e CDs e vídeos de shows.

P: Você gostaria de acrescentar mais alguma coisa?

Resnick: Quando criança, isso era exatamente o que eu queria fazer, e de vez em quando, tenho que me beliscar para ter certeza que estou realmente fazendo isso.



Entrevista concedida a Kathie Huddleston (Science Fiction Weekly)