domingo, 26 de setembro de 2010

Arthur Conan Doyle



 Arthur Ignatius Conan Doyle ( 22 de Maio de 1859 - 7 de Julho de 1930) nasceu em Picardy Place, Edinburgo (Escócia).

Apesar de ser mais conhecido pelo personagem que criou, Sherlock Holmes, seu crédito literário não é tão restrito quanto parece. Doyle escreveu romances populares, contos na maioria, também foi historiador e poeta.

O mais famoso escritor de histórias de detetives nasceu em um lar bastante modesto. Seu pai, Charles Doyle era um artista irlandês alcoólatra, que ganhava o sustento da família como funcionário público. 'Conan' lhe foi dado em homenagem ao avô, Michael Conan.

Desde seu nascimento, os pais de Doyle desejavam para o segundo filho (de dez) do casal, um futuro estável e respeitável, e assim o jovem Arthur foi enviado aos nove anos de idade para Stonyhurst Academy, escola dirigida por jesuítas em Lancashire (temida pelos severos castigos corporais). Em Stonyhurst, onde estudaria por cinco anos; se destacaria no críquete, manifestando talento literário. Aprovado com honras no exame de ingresso, passa um ano na escola jesuíta em Feldkirch, Áustria e posteriormente escolhe estudar medicina na Universidade de Edinburgo. Foi lá que Doyle conheceria um homem, seu professor Doutor Joseph Bell, que resultaria no protótipo de Sherlock Holmes.

No início de 1880, contratado como médico de bordo, embarca por sete meses em um baleeiro ártico. Suas leituras de bordo abrangiam principalmente espiritismo e paranormalidade. No ano seguinte, já Bacharel cirurgião, é contratado como médico de bordo em um barco a vapor e quase morre de malária. Após sair do hospital, Doyle abandona de vez a fé católica e decide dar uma parada nas viagens, e abre um consultório em Plymouth, com um colega, George Budd. Por discordar da ética de Budd, se muda para um consultório próprio em Southsea, Portsmouth (Inglaterra).

Este começo na profissão não se dá conforme o esperado e para afastar as horas de tédio, Doyle passa a entreter-se escrevendo pequenos contos. Neste primeiro ano de sua curta carreira médica, mesmo sem pretender ser um escritor, escreve seu primeiro romance 'The Firm of Girdleston'. Encorajado por amigos, envia a história para alguns editores, que a rejeitam. Aos 27 anos está casado e logo seria pai de um casal.

O primeiro conto com o personagem que o consagraria, veio em 1886.
'A Study in Scarlet', publicado em Beeton’s Christmas Annual, também não teve grande recepção. Agora, a principal motivação de Doyle para escrever, era a esperança de melhorar sua precária condição financeira. Desanimado com o ofício, abandonara a clínica de Southsea e estava de volta a Londres quando decidiu abandonar de vez a medicina (ainda fez uma tentativa estudando oftalmologia em Viena).

Mesmo 'A Study in Scarlet' não recebendo o retorno esperado de vendas, serviu para firmar seu estilo, que se consolidaria com as aventuras de Sherlock Holmes sendo publicadas mensalmente na revista Strand, a partir de 1891.

Foi através desta revista que o sucesso chegou e continuara assim por cinco anos.

A tuberculose da senhora Doyle, levou a família para a Suíça, em busca de ares mais saudáveis. Doyle era um fanático pelo esqui e tornou-se um grande incentivador do esporte (jogou também futebol amador).

Em 1894, convidado por um clube de leitura americano, viajou pela primeira vez para os EUA. A viagem de navio, segundo seus amigos, despertou o espírito aventuresco que nele estava adormecido. No ano seguinte mudou-se novamente com a família, desta vez para o Egito, onde viajou Nilo acima e trabalhou como correspondente de guerra.

Durante a Guerra Boer, Doyle precisou voltar para a Inglaterra, pois a saúde de sua esposa se deteriorara. Quando a Inglaterra se viu atacada por sua  política com os Boers, Doyle tornou-se uma figura de proa demonstrando apoio, escrevendo artigos defendendo a conduta da Inglaterra. Escreve ‘The Great  Boer War; The War in South Africa: Its Causes and Conduct’.

Em 1900, rejeitado para o exército, serve temporariamente em um hospital na África do Sul.

Seu Sherlock Holmes parece cada vez mais ganhar independência de seu autor.

“— O meu cérebro — disse Sherlock Holmes — se revolta contra a estagnação. Dê-me problemas, dê-me trabalho, dê-me o mais abstruso criptograma, ou a mais intrincada análise, e estarei no meu elemento. Detesto a rotina monótona da existência. Preciso ter a mente em efervescência. E por isso que escolhi a minha profissão especial, ou melhor, criei-a, porque sou o único no mundo a exercê-la.” (O Signo dos Quatro)

O início do século vinte assiste ao primeiro Sherlock Holmes do cinema ('Sherlock Holmes Baffled'), e um novo horizonte surge para Doyle, a política. Candidata-se pela ala unionista em Edimburgo, mas não é eleito. Apesar da derrota, Doyle é condecorado cavaleiro (por serviços prestados) pelo Rei da Inglaterra em 1902.

Um pouco depois disso, sua esposa viria a falecer por conta da tuberculose agravada pelas sucessivas viagens.

Em 1906, novamente candidato unionista, engrossa as fileiras pela Reforma da Lei do Divórcio. Casa-se com Jean Leckie, por quem alimentava uma paixão secreta. Em um ano de muitos lançamentos, publica ‘Through the Magic Door’ e escreve o romance manifesto ‘Crime of the Congo’, denunciando os massacres bárbaros ocorridos naquela região.

Em pouco tempo sua nova família cresceria, com o nascimento de Denis, Adrian e Jean.
Em 1914, se engaja em movimentos nacionalistas, forma a Força Voluntária e escreve ‘To Arms!’.

São anos conturbados. O assassinato do arquiduque Ferdinando dá inicio a Primeira Guerra Mundial.

Doyle se volta cada vez mais para seus trabalhos como historiador e inicia o primeiro dos seis volumes de ‘British Campaign in France and Flanders’, além de visitar pessoalmente as frentes de batalha.

Na sua volta a Londres, anuncia publicamente sua conversão ao espiritismo e publica o que pretendia ser a última história de Sherlock Holmes, ‘His last Bow’ (‘O último adeus de Sherlock Holmes’).
Porém, a industria cinematográfica descobrira na literatura de Doyle um filão lucrativo, e somente a British Stoll Film Company produziu uma centena de filmes inspirados em obras suas, entre elas a mais famosa versão de 'The Hound of the Baskervilles' com Eille Norwood eternizado no papel de Sherlock Holmes em mais de 50 filmes.

Por mais que tentasse se desvencilhar de sua criatura, Doyle era chamado de volta.

O ano de 1917 seria tanto de dor quanto de celebração. Apesar da assinatura do armistício que colocou fim à primeira guerra, seu filho Kingsley morre de pneumonia.

Levado pela depressão (a partir das mortes do filho, da ex-mulher, do irmão, de dois cunhados e dois netos) e por suas convicções cada vez mais fortes na vida após a morte, inicia um projeto mundial para promover o espiritismo.

Em Melbourne (Austrália), suportado pela imagem de escritor internacional de sucesso, declara que “enquanto a Austrália mantiver sua 'britaneidade', e mantiver distância dos americanos, terá um futuro promissor”. Suas declarações desagradam a imprensa local (reclama que as ruas são cheias de bêbados) e são interpretadas como uma rejeição aos 'valores nacionais’. Mal retorna da Austrália e já parte para uma turnê de conferências nos EUA.

Neste período, o prestígio de Arthur Conan Doyle sofreria um enorme baque.

As primas Frances Griffiths e Elsie Wright eram jovens de Cottingley, cidadezinha próxima a Bradford (Inglaterra). Entre 1916 e 1920, as duas meninas fotografaram o que seriam ‘fadas da floresta’, aparentemente dançando para a lente da câmera. As fadas pareciam pequenos seres humanos com cortes de cabelo no estilo dos anos 20, vestindo roupas vaporosas e com pequeninas asas às costas. Uma das cinco fotos mostra o que seria um gnomo, vestido com trajes elizabeteanos e também com asas.

Doyle era nesta época uma celebridade internacional. Seu amigo e devoto ao estudo de assuntos esotéricos, Gerard Gardner (fundador da Wicca moderna) lhe apresentou as fotos que pretendiam provar a existência de fadas. As fadas de Cottinggley, como ficaram conhecidas, passaram a fazer parte das palestras de Doyle e de seus artigos.

Uma carta de Doyle, evidencia seu entusiasmo pelo assunto:

30 de junho. Querida Miss Elsie Wright
Eu vi as fotos maravilhosas das fadas que você e sua prima Frances fizeram, e não tenho estado tão interessado em algo assim faz muito tempo. Vou lhe enviar amanhã um dos meus livrinhos, pois tenho certeza que você não é velha demais para apreciar aventuras. Estou indo para a Austrália logo, mas queria antes parar em Bradford e conversar por  meia hora com você, pois gostaria de saber de tudo.
Com os melhores cumprimentos,
Arthur Conan Doyle

Ele acreditava piamente na veracidade das fotos, e passou a teorizar sobre a natureza da existência das "pequenas criaturas", inclusive escrevendo um livro intitulado ‘The Coming of the Fairies’ (1922) e gastando uma fortuna divulgando sua nova causa.

Esta nova faceta, além de sua fascinação pública por fantasmas e vida após a morte, acaba por cercá-lo em uma aura de ridicularização que afetaria a credibilidade de sua obra.


(As primas de Cottingley por praticamente toda a vida, negaram a farsa das fotos. Quarenta e cinco anos após a morte de Doyle, Elsie, em uma entrevista para a BBC, declarou que as fotos eram ‘fragmentos da imaginação’. Contudo, seis anos depois confessou que havia desenhado as fadas a partir de um livro chamado ‘Princess Mary's Gift Book’. Frances manteve até o final de sua vida, sua palavra de que elas realmente viam fadas, mas eram incapazes de fotografá-las.)
 
Entre os amigos famosos de Doyle estava o mágico Harry Houdini, que se tornaria um opositor declarado ao movimento espiritualista após a morte de sua amada mãe. Houdini insistia que os médiuns utilizavam de ilusionismo (e alguns charlatões realmente o faziam), porém Doyle estava convencido de que o próprio Houdini possuía poderes incomuns. Ao final, Houdini publicamente destratou Conan Doyle, rompendo de vez a relação entre os dois.

Em 1924 Doyle retorna aos EUA e Canadá, mas suas palestras são vistas com desconfiança. Preside o Congresso Espírita Internacional em Paris e publica no mesmo ano, ‘History of Spiritualism; Land of Mist’.

Nesta altura da vida, a imprensa britânica já o boicotava e seu nome pouco aparecia nos jornais.

No ano de 1928 vive por meses na África do Sul e em seguida visita vários países como Escandinávia e Holanda. Exausto pela maratona, sofre um ataque cardíaco e é internado, vindo a falecer meses depois em Windlesham, Sussex (Inglaterra).

Seu último livro, ‘Edge of the Unknown’; já como membro ilustre da Sociedade de Pesquisa Psíquica, Presidente Honorário da Federação Espiritualista Internacional,  Presidente da Aliança Espírita de Londres e Presidente do Colégio Britânico de Ciência Espírita, expõe as muitas vezes em que foi solicitado para investigar e denunciar casos de ocorrências sobrenaturais.

Pouco após sua morte em 1930, estréia nos EUA a primeira de muitas séries de rádio dedicada a Sherlock Holmes e que obtêm estrondoso sucesso.

Se fosse preciso escolher apenas uma palavra para definir Sir Arthur Conan Doyle, esta palavra seria ‘Versatilidade’. Não foi somente um escritor e médico, mas um viajante do mundo, correspondente de guerra, esportista, critico e propagador da doutrina espiritualista.


Site Oficial


Arthur Conan Doyle (El Mundo Perdido, The Return of Sherlock Holmes, The adventures of Sherlock Holmes, El gato del Brasil, memoirs of Sherlock Holmes, Case Book of Sherlock Holmes, The Last World, The last Bow, Hound of the Baskervilles, A Study in Scarlet, The Sign of the four, The Complete adventures, Crime of Congo, Magic Door, The Coming of Fairies, A Visit to the fronts, The Vital Message, The Guards came Through and others poems, The History od Spiritualism, Histórias de Piratas, The White Company, O Cão dos Baskervilles, A Nuvem Envenenada, O Signo dos Quatro, As Aventuras de Sherlock Holmes, The Captain of Ploestar, The Land of Mist, The Stark Munro Letters, Tales of Terror and Mistery, Cinco Aventuras de Sherlock Holmes, Round the Red Lamp, The War in South Africa: Its cause&Conduct, The Adventures of Gerard, A Cidade Submarina, Valley of Fear, Stories by English authors in Africa, Beyond the City, The Poisin Belt, Os Dançarinos, A Casa Vazia, A Segunda Mancha, The New revelations, A Liga Ruiva, The Parasite, The adventure of Wisteria Lodge, The Adventure of Bruce Partington Plan, The Adventures of Devil''s Foot, When the World screamed, The adventure of Cardboard, Disappearance of Lady Frances Carfax, The Adventure of Dying Detective, O Polegar do Engenheiro, Através do Véu ) [ Download ]