domingo, 23 de janeiro de 2011

Joseph Conrad



Józef Teodor Konrad Korzeniowski (3 de Dezembro de 1857 – 3 de Agosto de 1924) nasceu em Berdyczów (Berdychiv), na época território pertencente a Polônia mas ocupado pela Rússia e atualmente Ucrânia.

Nascido na aristocracia, seu pai era um tradutor renomeado de Victor Hugo e Shakespeare, posteriormente exílado em Vologda (Sibéria), por conta de suas atividades políticas (a Polônia lutava contra o domínio czarista russo). O clima impiedoso no nordeste da Russia teve consequências trágicas para Conrad e sua família. Aos oito anos de idade perdeu a mãe e quatro anos depois o pai, ambos para a tuberculose, sendo então enviado para um orfanato.

Aos doze seria mandado para viver com um tio materno abastado, na Suiça, e posteriormente em Cracóvia (Polônia), onde além do polonês, estudou francês, latim, grego, geografia e matemática, apesar de não gostar de estudar.

De espírito indócil, o jovem Conrad aos 17 anos de idade fugiu para Marselha (sul da França), onde conseguiu um trabalho como aprendiz embarcado em um cargueiro francês. Mais tarde revelaria que tudo em que pensava era conhecer o 'continente negro', embora seus biógrafos afirmem que ele buscava fugir do serviço militar russo.

Seus primeiros anos na marinha foram repletos de 'aventuras' nem sempre tão afortunadas pelas Indias Ocidentais. Por conta de uma vida desregrada, afundado em dívidas de jogo, envolveu-se com comércio e contrabando de armas, e esteve várias vezes à beira da morte, incluindo uma tentativa de suicídio mal sucedida, atirando contra o próprio peito.

Ciente dos problemas do sobrinho e protegido, seu tio interveio pagando suas dívidas e afastando-o temporariamente da vida de marinheiro. Mas não por muito tempo. Aos 21 anos, Conrad conseguiu emprego em um navio britãnico onde aprendeu inglês e com o tempo obteve seu certificado de 'homem do mar' e a cidadania inglesa, assumindo o nome pelo qual ficou conhecido mundialmente.

A cidadania inglesa custaria a ele, o direito de poder voltar a Rússia (no caso, a sua Polônia).

Em mais de 15 anos na marinha, Conrad viajou por todos os oceanos e conheceu uma centena de portos. E empregado pela Societé Anonyme pour le Commerce du Haut-Congo em 1890, Conrad finalmente mergulhou no 'continente negro'. Nesta temporada escreveu o seu 'Diário do Congo', que mais tarde se tornaria o rascunho de seu famoso 'Heart of Darkness'(Coração das Trevas).

As duras condições de vida no Estado Livre do Congo agravaram a sua já frágil saúde (sofria de gota e tinha períodos de depressão intensos). Foi enviado de volta a Inglaterra onde foi internado em um hospital.

Este acontecimento apressaria a sua aposentadoria da marinha. Vivendo em Kent (Inglaterra) aos 36 anos, Conrad trocou definitivamente o balanço do mar pela carreira de escritor. Seu primeiro romance 'Almayer's Folly'(A Loucura do Almayer - 1895), como não poderia deixar de ser, tinha como enredo os colonizadores europeus fracassados que conhecera nas ilhas do pacífico. Conrad era capaz de escrever fluentemente nos três idiomas. Neste seu início, muitas das suas histórias eram passadas a bordo de navios. 'Nostromo'(1904) é um estudo sobre a revolução na América do Sul, enquanto 'Secret Agent'(1907) e 'Under western eyes' (Sob os Olhos Ocidentais - 1911) tratam de assuntos como terrorismo e espionagem.

Agora casado e pai de dois meninos, passou a ser respeitado como um escritor, publicando um romance por ano.Seu estilo é apontado por muitos criticos, como um elo genuíno entre a literatura realista tradicional (de Charles Dickens) e a escola modernista emergente. Uma marca de suas preocupações como escritor é luta intemporal, do homem frente a seus conflitos internos, como em 'Heart of Darkness', a história da viagem de Marlow ao Congo também expõe a exploração e a barbárie entre as sociedades europeias e africanas durante o século 19.

Aos 63 anos, Conrad declinou do título de Cavaleiro do Império, dizendo-se não merecedor de tamanha honra.

Apesar de sofrer com as consequências de doenças contraidas na África, Joseph Conrad produziu em quantidade e qualidade até sua morte, vitimado por um ataque do coração fulminante.

Controverso em sua época, sua obra inspirou cineastas e autores como F. Scott Fitzgerald, Gabriel García Márquez, de DH Lawrence, Joseph Heller, Albert Camus, Ernest Hemingway, Arthur Koestler, T.S. Eliot, Marcel Proust, André Malraux, Louis-Ferdiand Céline, Jean-Paul Sartre e Virginia Woolf.

A influência de 'Heart Of Darkness' teve na literatura é bem conhecida mas poucos sabem que Conrad também escreveu Ficção Científica. Intitulada 'The Inheritors' (Os Herdeiros - 1901), e escrito em colaboração com o quase tão famoso quanto Ford Madox Ford, trata-se de um grupo de pessoas da "quarta dimensão" que busca influenciar a ordem na Terra para criar a sua própria hegemonia de moral duvidosa.

Com este livro, Conrad pretendia lançar-se oficialmente como escritor de outros gêneros além daqueles em que notavelmente trabalhava (e ganhar algum dinheiro nisso), mas apesar de se tratar de um livro fascinante, teve uma publicação difícil e complicada pela partilha entre os editores e mesmo na época, quase não vendeu.

Joseph Conrad ( Coração das Trevas, One day more, Lord Jim. Nostromo, El Agente secreto, The arrow of gold, The mirror of the sea, A Tale in two parts, A Tale of the Seaboard, The Rescue, A Set of six, Laguna, Amy Foster, Cuentos del inquietud, Duelo, El corazon de las tieneblas, Gaspar Ruiz, Linea de Sombra, Relatos de los mares del sur, Situation Limite, Tifon, Typhon, Victoria, Notes on life and letters, Inheritors, El Negro del Narciso, Heart of Darkness, Juventude, The Secret Agent, Under Western Eyes ) [ Download ]