sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Carl Sagan: A Exploração e Colonização de Planetas



Obras de ficção científica podem, dependendo de como estiverem estruturadas por seus autores, em nosso caso, o astrônomo Carl Sagan, ser usadas como textos de referência em História da Ciência por sua interdisciplinaridade.

O caso específico das viagens interplanetárias, pensadas e teorizadas cientificamente e divulgadas sob a linguagem da ficção científica nos livros de Carl Sagan, é o de que se ocupa esta dissertação.

Os autores de textos de ficção, como os colegas de Sagan Arthur Charles Clarke e Isaac Asimov, procuram, como acontece com textos teóricos acadêmicos, assim como também eram alguns dos textos de Sagan, fundamentar suas extrapolações em observações cuidadosas de tendências em ação na sociedade e na ciência e desenvolver sua (narração, no caso de Asimov e Clarke) implementação ou divulgação com rigor e consistência. Ou seja, parte da literatura futurística seria um instrumento importante de análise de História da Ciência para que esta possa pensar em propostas alternativas para uma política científica e de
ensino científico que tenha um alcance social. Uma espécie de experimento ou exercício imaginário.

Em outras palavras, o que aqui se estuda é a relação entre ficção científica e ciência que fale das viagens interplanetárias e como elas estão expressas nas obras de Sagan.

Portanto, a dissertação delimita o que, em primeiro lugar, deve-se considerar sobre as viagens interplanetárias, sua disseminação nos anos de 1930 a 1960 e sua divulgação através de dois dos melhores escritores de ficção científica do século XX, que se empenharam em divulgar idéias científicas ou de Astronáutica para uma melhor compreensão da ciência, do papel da ciência e do impacto da ciência e tecnologia numa sociedade com uma velocidade em movimento rápido, mas sem muitos detalhes.

Depois, como foi a realização primordial de algumas dessas fantasias realizadas pelo envolvimento de Carl Sagan, inicialmente, com o complexo militar industrial dos Estados Unidos da América durante a Guerra Fria com a URSS e depois pela NASA. E o que se aprendeu, cientificamente, com a exploração de nosso sistema solar e de nossos planetas mais próximos, de maneira que esses resultados da exploração espacial pudessem ser divulgados com a ajuda da literatura de ficção em forma de alerta sobre os problemas que teremos de enfrentar num futuro bem próximo.

E, por último, o destino da humanidade imaginado por Sagan numa espécie de manifesto divulgado por ele mesmo em seus principais livros e aqui analisado para que se pudesse manter o paralelismo de conteúdo e tendências entre as obras de ficção e a literatura acadêmica sobre o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e o destino da humanidade e dos indivíduos que a compõem.

Isto nos leva a concluir que o estudante de História da Ciência, tendo uma formação inicial ou complementar em humanidades, poderá encontrar na estante de História da Ciência um valioso manifesto para uma reflexão despretensiosa ou para a militância.



Introdução

Capitulo I  Carl Sagan e a ficção cientifica
1.1 A ficção cientifica antes de Carl Sagan
1.2 O Contexto da ficção cientifica e a divulgação pelas revistas
1.3 Isaac Asimov, Arthur Charles Clarke
1.4 A influencia da ficção cientifica a educação cientifica

Capitulo II  Carl Sagan e o Complexo Militar Industrial
2.1 Carl Sagan e seu relacionamento com o “complexo militar industrial”
2.2 O vôo interestelar
2.3 Marte e a ficção cientifica
2.4 Civilizações extraterrenas
2.5 Astrobiologia
2.6 Das conjecturas aos paradigmas

Capitulo III  Sagan, O divulgador do vôo interestelar
3.1 Razões do vôo interestelar
3.2 Efeito estufa e inverno nuclear
3.3 O conhecimento do espaço e a sobrevivência da espécie humana
3.4 As perspectivas cósmicas
3.5 O circulo se fecha: a extrapolação da ciência e ficção cientifica.

Considerações Finais
Bibliografia




Carl Sagan: A Exploração e Colonização de Planetas [ Download ]
Carlos A.Loiola de Souza (Dissertação de Mestrado - PUC/SP 2006)