domingo, 27 de março de 2011

Lewis Carrol



Charles Lutwidge Dodgson (27 janeiro de 1832 - 14 de janeiro de 1898) nasceu na pequena Daresbury, condado de Cheshire (noroeste da Inglaterra).

Mais conhecido pelo pseudônimo de Lewis Carroll, foi escritor, matemático e fotógrafo.

Sua imaginação, seu jogo de palavras, sua irreverência e bom humor, permearam sua fantasia singular e sofisticada, cativando crianças e adultos até os dias de hoje.

Suas obras mais famosas como 'As aventuras de Alice no País das Maravilhas' e sua sequência 'Alice através do espelho', bem como os poemas 'A Caça ao Snark' e  'Jabberwocky' influenciaram não apenas a literatura infantil, mas também uma série de grandes escritores como Joyce e Borges.

Dodgson foi uma criança precoce, era apaixonado por jogos, principalmente os que envolviam enigmas e mágica (ilusionismo). Gostava de fazer passes de mágica para outras crianças, além de já demonstrar gosto pela arte da fotografia.

Era alto, esguio, cabelos castanhos e olhos azuis, o que o fazia ser considerado atraente. Porém uma infecção mal cuidada, o fez perder a audição de um ouvido ainda novo. Também era bastante gago e com a maturidade tornou-se um pouco arredio e avesso a multidões. Reza a lenda que o Dodo de ‘Alice no País das Maravilhas’ era em referência própria.

Devido ao pai ser um reverendo protestante, Charles recebeu uma educação religiosa caseira, preparatória para uma carreira também religiosa. No entanto, seu ingresso na universidade Christ Church em Oxfrod, e o convite para assumir a cadeira de Matemática,levou-o a mudar de planos. Lecionou por quase vinte cinco anos.

Mesmo antes de viver em Oxford, Dodgson já escrevia poemas. E seu primeiro trabalho com o pseudônimo com o qual seria mundialmente conhecido foi um poema romântico, ‘Solitude’ (1856).
 
A escolha do nome que o tornaria famoso também foi um enigma, uma brincadeira sua.
Lewis era um anglicismo de Ludovicus, o latim para Lutwidge. Carroll é um sobrenome irlandês semelhante ao nome Carolus, a forma em latim de se escrever Charles.

A maior parte de sua produção literária de então era satírica, mas suas ambições eram exigentes:
"Não acho que escrevi nada digno de publicação, mas não me desespero de fazê-lo algum dia", escreveu em julho de 1855.

Dodgson participava da Irmandade Pré-Rafaelita, uma confraria de artistas, na qual também estava o escritor de livros infantis George MacDonald, que apesar de desconhecido do grande público, serviu como inspiração para ninguém menos que J.R.R. Tolkien.

Foi George que em 1863, levou um manuscrito inacabado de Dodgson para a editora Macmillan, que imediatamente o aprovou. Originalmente a editora planejava publicá-lo como ‘Alice entre as fadas’ (Alice Among the Fairies) ou ‘Alice e a Hora de Ouro’ (Alice’s Golden Hour).

Dois anos depois de vendido, ganhou o título ‘Alice no País das Maravilhas’ (Alice’s Adventures in Wonderland), publicado sob o pseudônimo utilizado pela primeira vez nove anos antes. O livro alcançou de imediato um sucesso de reconhecimento e de vendas inédito para a época. Lewis Carroll recebia milhares de cartas de fãs, mas Dodgson preferia continuar sua vida como professor.

Ele também publicou muitos artigos e livros de matemática com seu próprio nome.

A continuação do primeiro livro e de seu maior sucesso, ‘Alice no País do Espelho’ (Through the Looking Glass And What Alice Found There) era superior no controle da técnica narrativa, porém sombrio, muito provavelmente devido a perda do pai, que o deixou em depressão por alguns anos.

Em 1876, Dodgson escreveu seu último grande trabalho, 'A Caça ao Snark', sobre as aventuras de um grupo bizarro de seres diferentes, e um castor, que buscam encontrar a criatura de mesmo nome.

Apesar de ter escrito alguns livros abordando Geometria e Álgebra, foi como lógico que Dodgson se destacou. O seu interesse pela lógica matemática e pelos jogos capazes de testar a razão, levou-o a publicar livros como 'Game of Logic' (1887) e 'Symbolic Logic' (1896).

Em 1895, seria publicado seu 'What the Tortoise said to Achilles', conhecido como ‘O Paradoxo de Carrol’, peça importante para a Lógica moderna.

Um dos traços característicos da lógica de Charles Dodgson era o poder de forçar as leis da lógica, explorando os limites da linguagem simbólica, mostrando os limites das formulações e revelando o nonsense que pode estar escondido sob a aparência da correção formal.

Dodgson sofria de insónia e durante a noite distraia-se formulando enigmas lógicos, divertidos jogos de palavras e de adivinhação.

Como fotógrafo e desenhista amador, Dodgson gostava de retratar meninas nuas. Sempre declarara que seu intuito era somente artístico, que eram sempre feitos com o consentimento dos pais e que se notasse qualquer constrangimento ou infelicidade no olhar das crianças, deixaria de faze-los para sempre. Além disso, ordenou em seu testamento que todas as fotografias e desenhos fossem queimados para nunca criar qualquer constrangimento no futuro. Mesmo assim, foi acusado de ser pedófilo.

Atualmente, estudos recentes classificam os retratos de Dodgson como parte do ‘Victorian Child Cult’, um movimento comum na época vitoriana, onde a criança era vista como a forma mais sublime da pureza.

Suas últimas publicações em vida, Sylvie and Bruno (publicada em duas partes, 1889 e 1893) foram ambas abafadas por escândalos, boatos misteriosos sobre seu envolvimento em orgias com mulheres casadas, e que não puderam ter sua veracidade desvendada após seu falecimento (vítima de pneumonia), pelo desaparecimento de todos seus últimos diários.



Lewis Carrol (Alice no Pais das Maravilhas, Alice's Adventures in Wonderland, Alice en El Pais de las Maravillas, Atraves del espejo y lo que Alice encontro al otro lado, Alice in Wonderland, Fantasmagoria, The Hunting of the Snark, Complete works of Lewis Carrol, The annotated Alice, The annotated Hunting of the Snark, Alice's Adventures in Wonderland, illustrations drawn by John Tenniel ) [ Download ]