domingo, 24 de fevereiro de 2008

Ficção Científica como fuga à censura estatuída



"...Como o homem só pode falar sobre as coisas do seu tempo, mitificando-as, fazendo humor com elas, submetendo-as ao sarcasmo ou as negando na forma convencional, não há outra forma de o interlocutor se portar frente ao discurso, a não ser se interrogando sobre qual é a sua intencionalidade. Como Barthes (1990, p. 166) afirma, “O sentido engana o homem: mesmo quando quer criar o não-sentido ou o sem-sentido, o homem acaba por produzir o próprio sentido do não-sentido ou do sem-sentido”. Não há como se furtar à pergunta, frente a um conjunto de indícios textuais, de por que eles existem: de qual é a sua razão de ser. A linguagem está fadada a ser um objeto desacreditado: ela vive sob o signo da desconfiança: este é o seu destino. Não há como não considerá-la “consistente, profunda, cheia de segredos, dada ao mesmo tempo como sonho e como ameaça” (Barthes, 2000, p. 5).
Este estudo objetiva tecer algumas reflexões sobre um filme catalogado como estando filiado ao gênero da ficção científica, apresentar uma matriz interpretativa para o mesmo e, a partir disso, apresentar um pleito que teria um princípio de validade mais geral para os filmes que são dados como pertencentes a esse gênero, tentando pensá-los como forma de ruptura e embuste frente à censura estatuída. É óbvio que não defendo que todos o sejam, mas A Batalha de Riddick parece cumprir este papel à risca..."


Revista Trama - Volume 2 - Número 4 - 2° Semestre de 2006


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