domingo, 12 de outubro de 2008

Jornadas nas Estrelas - Episódios originais - Livro 2



Ele pegou umas dez fotografias e jogou em cima da mesa. Era a foto de um ator que recentemente trabalhara em The Lieutenant que eu conhecia muito bem porque fora o ator convidado na primeira história que eu havia vendido quatro anos antes: Leonard Nimoy.
Todo, o resto sobre o seriado estava em aberto, mas a escolha de Leonard Nimoy nunca mudou desde o início.

A MGM, que aceitara dar "uma primeira olhada" no projeto de Gene, desistiu de Star Trek (sempre visualizei os executivos dessa companhia se roendo em agonia e frustração por causa dessa decisão). Uma vez livre de sua obrigação com a Metro, Gene e seu agente começaram a oferecer Star Trek a outras companhias. Os felizardos foram Oscar Katz, diretor da Desilu Productions, e Herb Solow, que sucedeu o senhor Katz. Eles fizeram um acordo com a Norway Productions, empresa de Gene, para co-produzir Star Trek - mas só se a série fosse vendida a uma rede de televisão.

Então teve início à odisséia pelas "Três Grandonas" da época: CBS, ABC e NBC. Gene explicava como desenvolveria o projeto, descrevia seu potencial, os personagens e as aventuras - e recebia em troca um total silêncio. Por fim, frustradíssimo durante um encontro com executivos da NBC, ele explodiu:
"É como se fosse Caravana * para as estrelas!
* Caravana é o título em português da série de faroeste "Wagon Train".(N.T.)

Esse tipo de coisa eles conseguiram entender e Star Trek foi comprada pela NBC no final da primavera de 1964.
Dois longos anos se passaram antes de Star Trek virar série. Primeiro, um piloto de uma hora de duração foi desenvolvido do formato original. O roteiro foi escrito no verão e a USS Yorktown tornou-se a USS Enterprise. O capitão Robert April virou Robert Winter e, por fim, Christopher Pike. Ele ganhou uma tripulação além do sr. Spock, incluindo uma misteriosa primeira oficial mulher simplesmente chamada Número Um.
O sr. Spock mudou de meio-marciano, meio-humano para um híbrido vulcano/humano.
A nave e a tripulação possuíam lasers como armas e o teletransporte foi criado.
Franz Bachelin, o diretor de arte, e seu assistente Matt Jeffries elaboraram o visual da série e, especialmente, o visual da Enterprise (uma coisa interessante deve ser comentada: Franz era alemão de nascimento e piloto por seu país na Primeira Guerra Mundial. Matt Jeffries era piloto particular e co-pilotou um B 17 durante a Segunda Guerra Mundial. Gene também era um experiente piloto da guerra do Pacífico e um ex-piloto de companhia aérea.

Toda essa experiência com aviação fez da Enterprise um "pássaro" muito interessante).
Um velho amigo meu, William Theiss, impressionara Gene com suas criações e foi integrado à equipe como figurinista. E o inimitável Robert H. Justman foi o primeiro assistente de direção quando o primeiro piloto de Star Trek chegou aos estúdios da Desilu Culver, no inverno de 1964/65.
Foi quando a NBC rejeitou o piloto por ser "muito cerebral".
Mas os executivos também pressentiram que havia alguma coisa que poderia fazer da série um sucesso, e deram a Gene a ordem para realizar um segundo piloto, uma atitude sem precedentes na história da indústria televisiva. Samuel A. Peeples foi designado para escrever o roteiro do segundo piloto baseado na criação de Gene.
O ator Jeff Hunter declinou do papel principal e a procura por um novo capitão começou.
Os trajes mudaram em estilo e cor. O visual da nave também sofreu uma leve alteração e as armas tornaram-se feisers ao invés de laseres. Gene revisou seus personagens, com exceção do sr. Spock; e todo o elenco do seriado foi reescalado.

Depois de muitas considerações, o novo comandante da Enterprise passou a ser William Shatner como o capitão James R. Kirk (sim, James R. Kirk). O segundo piloto foi filmado no verão de 1965. Somente no início de 1966 é que a NBC deu seu consentimento definitivo para Star Trek decolar como série. (continuação de D.C.Fontana)

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