sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Carrie, a estranha - Stephen King


Carrie White come bosta.

O vestiário ecoava com gritos e o som subterrâneo da água dos chuveiros batendo nos ladrilhos. As meninas tinham jogado vôlei no primeiro tempo; o suor matutino era farto e leve.
As alunas se esticavam e se torciam debaixo da água quente, gritando, espirrando água, brancos pedaços de sabão passando de mão em mão. Plantada flegmática no meio delas estava Carrie, um sapo entre cisnes. Era uma garota troncuda, com espinhas no pescoço, nas costas e nas nádegas. O cabelo molhado, completamente sem cor, colado no rosto, em encharcada deprimência ela ficava ali em pé, a cabeça ligeiramente inclinada, deixando a água bater contra seu corpo e escorrer. Parecia um animal a ser sacrificado, o eterno alvo de gozações, a acreditar em coisas inexistentes, a abominada; e ela realmente o era.
Sempre desejou perdidamente que Ewen High tivesse chuveiros individuais privativos, como os outros ginásios de Westover ou Lewinston.
Todo mundo vivia olhando.
Olhavam sempre.


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