terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Dicas para escrever (II)



"Se você se decidir a escrever, nada poderá impedi-lo a não ser você mesmo. O pior inimigo do escritor é ele mesmo. Portanto, tenha cuidado com as seguintes desculpas:

– Não tenho tempo para escrever.
Invente tempo. Se você escrever apenas uma página por dia, no final de um ano, você terá escrito um livro de 365 páginas. Para escrever uma página por dia, você levará apenas meia hora. Acorde meia-hora mais cedo e escreva. O ideal é estabelecer um determinado horário do dia e, com vontade ou não, sente-se e escreva. Invente, treine, reescreva o que já escreveu, aperfeiçoe-se. Se você se habituar a escrever todos os dias um pouco, no dia em que não escrever, sua mente solicitará tal exercício e você se tornará um ‘viciado’. Vicie-se em escrever, pois é um vício maravilhoso que não faz mal à saúde.
Excelente desculpa. Com isto, você passará anos pesquisando e jamais escreverá uma página sequer. O que você deve fazer é escrever e pesquisar simultaneamente. Escreva, pois assim verá qual o assunto que precisa ser pesquisado mais a fundo. Não pare para pesquisar – faça as duas coisas simultaneamente.

– Não tenho talento.
Ninguém nasce sabendo. Escrever é como fazer musculação. No começo dos exercícios, você fica com os músculos doídos e só consegue levantar um quilo. Após treinar por vários dias, seus músculos não doem mais e você levantará vinte quilos facilmente. Treine, escreva e reescreva. Saiba que escrever é, antes de tudo, treinar e reescrever muito.

– Tenho vontade de escrever, mas não sei sobre o quê. Não consigo imaginar uma boa história.
Saiba que o escritor só escreve sobre aquilo de que gosta. Para ser escritor é preciso ser primeiro um leitor. Você gosta de ler? Sobre o que você lê? Então escreva sobre o que você gosta de ler. Outra coisa: o escritor é uma pessoa atenta. Está sempre ouvindo histórias, imaginando situações e procurando assuntos. A televisão, o cinema, os jornais, as revistas e as conversas com amigos podem dar boas histórias. Basta querer: o mundo está repleto de assuntos interessantes.

– Tenho vontade de escrever sobre um determinado assunto, mas muitos já escreveram sobre isto. Não creio que possa escrever melhor ou de forma mais interessante do que alguns gênios da literatura.
Cada escritor irá abordar o mesmo assunto do seu modo particular. Cada um há de contribuir com algo que o outro não vislumbrou. Basta desejar e ter confiança em si próprio. Naturalmente é preferível escrever sobre um tema inédito, mas nem sempre é fácil encontrar um. Nada impede que você escreva sobre um tema batido e, ao mesmo tempo, seja original. Pode ser que, no início, você não consiga ser absolutamente original, mas lembre-se de que tudo que você escrever servirá de treino. Imagine um corredor. Ele treina horas a fio, imaginando o que fará no dia da competição. No entanto, se ele só correr em competições, provavelmente não será um vencedor, pois não treinou o suficiente. O escritor deve encarar o que escreve como um treino, uma forma de se aperfeiçoar. Por que os atletas, os bailarinos, os músicos, os cantores, os atores ensaiam e treinam horas a fio diariamente? Para se aperfeiçoarem. O mesmo deve acontecer com os escritores.

– Meu português é fraco. Não posso ser um escritor.
É uma dificuldade inicial, mas não é insuperável. Primeiro é preciso que você leia bastante, pois aquele que lê vai se munindo de um vocabulário mais rico, vai assimilando um estilo e, com o tempo, consegue escrever. Não é necessário fazer um curso superior de Letras, mas um bom livro de Português ajuda, assim como um bom dicionário. No entanto, nada disto adianta se você não treinar.

– Assim que eu comprar um computador, começarei a escrever.
Esta é outra desculpa. Você nunca comprará um computador, nunca aprenderá a mexer no mesmo e sempre colocará isso como desculpa. Então como fizeram aqueles escritores que não tinham computadores, pois nem sequer existiam? Eles escreviam em máquinas de escrever, com canetas, lápis, etc. Houve prisioneiros que escreveram com lápis em papel jornal e, mesmo assim, conseguiram escrever obras primas. O que você precisa para começar a escrever? Vontade! Se não tiver, ninguém poderá obrigá-lo.

– Perco a coragem quando imagino que ainda faltam muitas páginas para terminar.
Como é que alguém corre uma maratona? Metro após metro. O mesmo acontece com o escritor. Palavra após palavra, frase após frase, parágrafo após parágrafo, cena após cena, capítulo após capítulo, o livro vai sendo escrito. Ponha na sua mente que deseja apenas escrever uma única cena. Imagine que ela terá de quatro a seis páginas. Portanto, você não vai escrever um livro de trezentas páginas, apenas uma cena de seis laudas. No outro dia, você irá escrever outra cena e, assim, irá enganando sua preguiça e adquirindo coragem e confiança em você.

– Escrevi uma história, mas não acho que é suficientemente boa para publicá-la.
Provavelmente não deve ser mesmo muito boa, pois o maior crítico do escritor deve ser ele mesmo. Saiba que escrever é antes de tudo REESCREVER. Você sabia que Ernest Hemingway reescreveu 36 vezes o seu livro Adeus às Armas antes de publicá-lo? Sabia que Sol Stein, um dramaturgo, escritor e editor americano de grande sucesso, com nove livros publicados, reescreveu doze vezes o seu best-seller The Magician, que vendeu um milhão de cópias? Por que você acha que o seu livro não deverá passar por inúmeras revisões e que você será o único a escrever uma obra-prima logo da primeira vez? Há escritores que escrevem e não precisam reescrever nada. São os Mozarts da literatura, mas pergunto-lhe: quantos Mozarts existiram na História universal? Não é preciso nascer gênio; há muito mais mérito em se tornar gênio, mesmo tendo nascido mediano. Escreva e reescreva!

– Tenho vergonha de me expor. O escritor de ficção ou de não-ficção se expõe demais.
Por que alguém escreve? Em primeiro lugar pelo prazer de escrever. Se não for esta a primeira razão, então procure outra coisa para fazer. Aquilo que não for feito com prazer, com satisfação, com amor, provavelmente será medíocre. Quanto a se expor, saiba que a exposição pública de um escritor é menor do que a de um ator, de um político ou de criminoso. Portanto, ao expor seu ponto-de-vista num livro, você estará apenas manifestando aquilo que você é. Não tenha medo de ser você mesmo; saiba que cada ser humano é um ser divino, mesmo que, muitas vezes, esteja com sua luz bloqueada pelas trevas do medo.

– Não quero ser um escritor. Só quero dinheiro e fama.
Então mude de profissão ou de hobby. Poucos são os escritores que vivem de escrever e menos ainda os que ficam ricos e famosos."
O sucesso de escrever - Albert P. Dahoui



"A ideia não é ter uma enciclopédia sobre como escrever correctamente português, mas sim uma curta lista de erros comuns e algumas regras básicas da nossa gramática, que de facto ajudem no quotidiano. O problema das gramáticas e prontuários, é que tentam ser completos, tornando-se demasiado pesados. Ou seja, explicam a regra geral de concordância, por exemplo, e depois todos os casos especiais de não concordância, que tipo de palavras não concorda, em que casos, etc... Um texto que não pretenda ser completo, como este, pode limitar-se a algumas dicas gerais e esperar que quem as leia fique mais esclarecido ;-)

Além dos já referidos aspectos gramaticais e erros comuns, apresento também umas breves linhas sobre
estilo de escrita, técnicas de (cof cof) leitura, uma lista de recursos para quem quiser aprender com
quem realmente sabe e mais algumas guloseimas na parte dos apêndices."
Escrever menos mal - Carlos Duarte


Escrever menos mal - Carlos Duarte e O sucesso de escrever - Albert P. Dahoui [ Download ]