domingo, 4 de abril de 2010

Philip K. Dick



Philip Kindred Dick (16 de Dezembro de 1928, 2 de Março de 1982) nasceu em Chicago (EUA), era também conhecido pelas iniciais PKD, e por vezes pelo pseudônimo de Richard Phillips.

Cresceu na Califórnia (EUA), para onde sua mãe mudou-se após a separação. Estudou Filosofia e Alemão na Universidade da Califórnia, mas abandonou os estudos para trabalhar numa rádio (KSMO, de San Mateo) e como vendedor em uma loja de discos (onde conheceu a primeira esposa, Anne).

No seu tempo livre, PKD escrevia freneticamente histórias autobiográficas, antes de se decidir por escrever ficção científica.

Declarou certa vez,  ter começado a ler FC aos 12 anos por engano: comprou Stirring Science Fiction em vez de Popular Science. Lia também Joyce, Kafka, Steinbeck, Proust e Dos Passos.


Aos 24 anos teve seu primeiro conto publicado ("Beyond Lies the Wub"), e aos 27 o primeiro livro (The Solar Lottery), e desde então foram mais de 200 contos e romances.

Sua preocupação em explorar as doutrinas herméticas em voga nos anos 60, combinadas aos seus estudos da parapsicologia, experiências de percepção extra-sensorial e o consumo excessivo de drogas, o transformaram em um escritor incomum no cenário literário.

Seus trabalhos são caracterizados por um sentimento constante de erosão da realidade, com o protagonista descobrindo, em muitas vezes, que as pessoas próximas a ele (ou mesmo ele próprio) são secretamente robôs, alienígenas, seres sobrenaturais, espiões que sofreram lavagem cerebral, mortos ou uma combinação destas.

Sua irmã gêmea Jane, morreu prematuramente, e junto à cova onde foi enterrada (em Fort Morgan, Colorado), foi deixado morbidamente um espaço reservado para o bebê ‘Phil’.

O sentimento de perda o assombrou por toda sua vida.

Dick chegou a conceber a idéia de que vivia em um universo paralelo ao universo onde Jane estava viva, morando na Califórnia e escrevendo  Ficção Científica, e ele estaria morto, enterrado em Fort Morgan.

Para muitos estudiosos de sua obra, a vida de PKD foi tão fascinante e atribulada quanto sua ficção. Cinco casamentos, falências, drogas, internações, delírios paranóicos e panfletagem política.

Uma história curiosa sobre seus surtos psicóticos, e que envolve outro famoso escritor de FC, transmite o grau de alucinação em que vivia. No início dos anos 70, o já famoso e conceituado escritor polonês Stanislaw Lem (autor de Solaris), foi responsável por intermediar a tradução de um livro de PKD para o polonês. PKD nunca recebeu um centavo por isso, e passou a escrever cartas para o FBI, acusando Lem de fazer parte de um complô para infiltrar o comunismo na SFWA (organização que reúne os escritores de Ficção Científica e Fantasia da América). PKD teria também sugerido que o polonês não existia, e que se tratava de um supercomputador que respondia pelo acrônimo LEM.

Na literatura, pode-se dizer que PKD vislumbrou o caminho do que depois seria chamado de 'cyberpunk', além de ser o pioneiro na transição de sub-gêneros da FC, como o fez com seu aclamado romance, The Man in the High Castle (vencedor do Prêmio Hugo), unindo história alternativa e ficção científica. 

Apesar de hoje possuir uma reputação literária respeitosa junto à crítica, e ser indicado como um dos responsáveis por revitalizar a FC americana nos anos 60 (descartando a otimista e simplória visão da FC da Época de Ouro), PKD nunca foi um sucesso de vendas.  

Os anos 1950 foram uma época difícil para ele, de tal modo que sequer conseguia pagar as contas atrasadas.

Seu estilo de vida, suas opções políticas (chegou a ser membro do Partido Comunista) e por viver imerso na contra-cultura, o afastaram de bons contratos e lhe impuseram o rótulo de "escritor problemático”.
Só conseguia assinar contratos módicos. Mesmo em seus últimos anos de vida, continuava a ter problemas financeiros.

Na introdução da coleção de contos "The Golden Man", PKD escreveu:
”Há alguns anos atrás, quando eu estava doente, Heinlein ofereceu ajuda, qualquer coisa que pudesse fazer, e nós nunca tínhamos nos encontrado pessoalmente. Ele telefonava para me animar e ver o que eu estava fazendo. Ele queria me comprar uma máquina de escrever elétrica, que Deus o abençoe - um dos poucos verdadeiros cavalheiros no mundo. Eu não concordo com qualquer uma das idéias que ele expõe em sua obra, contudo. Uma vez, quando eu devia ao IRS (Imposto de Renda) um monte de dinheiro e não podia pagar, Heinlein emprestou o dinheiro pra mim. Dediquei-lhe um livro em apreço. Ele sabia que eu era um freak (doido, hippie) e ainda assim ajudou a mim e a minha esposa, quando estávamos em apuros”.

O reconhecimento público só ocorreu pouco após sua morte, quando várias adaptações de seus livros e contos, chegaram ao cinema: Do Androids Dream of Electric Sheep (Blade Runner filmado por Ridley Scott), Minority Report (com Tom Cruise), Total Recall (com Arnold Schwarzenegger), Screamers (com Peter Weller), Paychek (com Ben Affleck), A Scanner Darkly, (com Keanu Reeves) e Next (do conto The Golden Man).

Atualmente as duas filhas e o filho de PKD administram o legado do pai, através da produtora Electric Shepherd.

Site oficial

Site do Prêmio Philip K. Dick

Bibliografia


Philip K. Dick ( A Maze of Death, A Scanner Darkly e script de Charles Kauffman, Clans of the Alphane Moon, Confessions of a Crap Artist, Counter-clock world, Deus Irae, Do Android Dream of Electric Sheep, Dr.Bloodmoney, Flow my Tears the Policeman Said, Galactic Pot-Healer, Lies Inc., Martian Time-Slip, Mary and the Giant, Now wait for the last year, Our Friends from Frolix 8, Radio Free Albemuth, Second Variety, Solar Lottery, The Cosmic Puppets, The Divine Invasion, The Game-Players of Titan, The Man in the High Castle, The Man Who Japed, The Minority Report, The Penultimate Truth, The Simulacra, The Transmigration of Timothy Archer, The Unteleported Man, The World Jones Made, The Zap Gun, Time Out of Joint, Ubik, VALIS, Voices from the Street, Vulcan's Hammer, We Can Build You  ) [ Download ]