segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Os 50 anos de Psicose


Se pedirmos a alguém com mais de trinta anos (e que goste de cinema), para lembrar de dez cenas de filmes, provavelmente fará parte da lista, a inesquecível cena do chuveiro de 'Psicose', onde Janet Leight é várias vezes esfaqueada durante o banho.

Completando 50 anos, 'Psicose' (Psycho) é um filme que ainda impressiona.

O maior sucesso comercial de Alfred Hitchcock, reverenciado pela crítica, estudado e dissecado à exaustão, é apontado por muitos como o primeiro de um gênero de filmes de terror conhecido como 'slasher', onde o protagonista é um psicopata assassino.

Indicado em quatro categorias para o Oscar, sua filmagem se deu sob condições bastante peculiares.
Alfred Hitchcock na época investia todo seu tempo em produzir sua série televisiva homônina, porém, por questões contratuais, precisava realizar um filme novo a cada oito meses, ou no máximo doze.

Seu filme anterior, 'Intriga Internacional' (North by northwest), lhe custara muito de seu prestígio e confiabilidade nas bilheterias. Em outras palavras, não era um bom momento para voltar às telas. Sendo assim, Hitchcock optou por escolher um projeto que lhe garantisse, como de outras vezes, controlar totalmente a produção, além de arriscar-se pouco, financeiramente falando. Seriam apenas nove atores, poucas locações, um mínimo de recursos (se comparada a outras produções hollywoodianas), e portanto, um baixo orçamento.

O livro escolhido pelo diretor e negociado anonimamente pelo agente dele, foi 'Psycho' (Psicose), do autor de livros de terror e Ficção Científica, Robert Bloch. Coube a Joseph Stefano, um jovem talento, atender às necessidades do diretor, transformando um livro denso e verborrágico, em um script ágil, sem perder seu impacto.

Basicamente o filme pode ser dividido em três partes.

Na primeira, em Phoenix, a jovem secretária Marion Crane (Janet Leigh), recebe a incubência de depositar uma grande quantia (40.000 dólares) no banco. O dinheiro pertence ao seu patrão, mas Marion, diante da oportunidade de mudar de vida, começa a ter outros planos. Seu romance com um homem casado, Sam Loomis (John Loomis) está indo de mal a pior e ela decide então, fugir com o dinheiro, deixar a cidade, mas acaba em um motel semi abandonado, que assim como Marion, escapou ao seu destino previsível, quando desviaram a estrada principal.

Seu jovem e afável gerente, Norman Bates (Anthony Perkins), imediatamente a conquista com seu jeito infantil e seus sanduíches. Parece ser um bom rapaz, prestativo, um pouquinho estranho, e que cuida da mãe inválida, que mora na casa velha, no alto da colina próxima do motel.

Mas nada é o que parece, nos demonstra Hitchcock pouco antes da metade do filme, ao vermos aquela que parecia até então, ser a personagem principal do filme, ser morta durante o banho.

A partir daí, Hitchcook nos surpreende mudando nosso ponto de vista drasticamente.
Esta é uma técnica pouco usual, que força o espectador a mudar sua interpretação da história. É preciso encontrar outro personagem ao qual se afeiçoar, e a única e desconfortável possibilidade recai em Norman. Aflora, a partir dai, o embate de dualidades, o bem versus o mal, a dupla personalidade de Norman, que basicamente é um bom rapaz lutando contra si mesmo. Marion também era uma pessoa boa que se deixou corromper, mas que antes que pudessse se redimir (estava disposta a devolver o dinheiro), teve seu triste fim. O tema da punição por uma falha moral permanece na parte final, quando ficamos sabendo que Bates matou sua mãe e sua namorada, devido a um relacionamento 'inapropriado'.

Pura insanidade embalada por uma fotografia sufocante, e pela música arrebatadora de outro mestre, Bernard Herrmann.






(Psycho, 1960, Paramount Pictures, 109min) Direção: Alfred Hitchcock. Roteiro: Joseph Stefano, baseado em romance de Robert Bloch. Fotografia: John L. Russell. Montagem: George Tomasini. Música: Bernard Herrmann. Elenco: Janet Leigh (Marion Crane), Anthony Perkins (Norman Bates), Vera Miles (irmã de Marion), John Gavin (amante de Marion), Martin Balsam (detetive Albogarst), John McIntire (xerife), Pat Hitchcock (secretária), Simon Oakland (psiquiatra), Mort Mills (policial).






INT. MARY IN SHOWER

Over the bar on which hangs the shower curtain, we can see the bathroom door, not entirely closed. For a moment we watch Mary as she washes and soaps herself. There is still a small worry in her eyes, but generally she looks somewhat relieved.

Now we see the bathroom door being pushed slowly open.
The noise of the shower drowns out any sound. The door is then slowly and carefully closed. And we see the shadow of a woman fall across the shower curtain. Mary's back is turned to the curtain. The white brightness of the bathroom is almost blinding. Suddenly we see the hand reach up, grasp the shower curtain, rip it aside.

CUT TO MARY

As she turns in response to the feel and SOUND of the shower curtain being torn aside. A look of pure horror erupts in her face. A low terrible groan begins to rise up out of her throat. A hand comes into the shot. The hand holds an enormous bread knife. The flint of the blade shatters the screen to an almost total, silver
blankness.

THE SLASHING

An impression of a knife slashing, as if tearing at the very screen, ripping the film. Over it the brief gulps of screaming. And then silence. And then the dreadful thump as Mary's body falls in the tub.



Psycho - roteiro de Joseph Stefano [ Download ]






Psycho - Robert Bloch [ Download ]