sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Psicose 2



Norman Bates olhou pela janela da biblioteca, tentando não ver as barras.

O truque era ignorá-las. A ignorância é uma bênção.

Mas nenhuma benção, nem qualquer truque, não servia para nada, atrás das grades do "Hospital Geral".
Há muito tempo atrás era chamado de "Hospital Geral Para Criminosos Insanos", mas agora que vivemos em uma era de maior iluminação, não se chamava mais assim.

Mas ainda haviam as grades nas janelas, e ele lá dentro continuava olhando para fora.

Uma prisão não é feita pelos seus muros de pedra, nem barras de ferro fazem uma gaiola. Isso fora dito pelo poeta Richard Lovelace, no século XVII, há muito, muito tempo. E Norman tinha se sentado ali muito tempo... não trezentos anos, é claro, mas ele sentiu como se tivessem passado séculos.

Ainda assim, já que tinha que ficar sentado em algum lugar, a biblioteca era provavelmente o melhor lugar, e o trabalho de bibliotecário era uma tarefa fácil. Poucos pacientes se interessavam em livros, e ele tinha muito tempo para ler. Assim descobriu Richard Lovelace e todos os outros. Sentado ali, dia após dia, na fresca penumbra da biblioteca, sem que ninguém para incomodá-lo.

Eles haviam lhe dado uma mesa, somente sua, para mostrar que confiavam nele, sabiam que era alguém responsável. E Norman era grato por isso, mas, em momentos como aquele, quando o sol brilhava e os pássaros cantavam nas árvores do lado de fora de sua janela, percebia que Lovelace era um mentiroso.

Os pássaros eram livres, mas Norman encontrava-se na gaiola.


Psicose 2 - Robert Bloch [ Download ]